{"id":20886,"date":"2017-03-07T14:35:47","date_gmt":"2017-03-07T17:35:47","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/03\/07\/qnao-se-nasce-confessor-se-aprende-a-se-loq-diz-confessor-do-papa\/"},"modified":"2017-06-02T09:27:22","modified_gmt":"2017-06-02T12:27:22","slug":"qnao-se-nasce-confessor-se-aprende-a-se-loq-diz-confessor-do-papa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/qnao-se-nasce-confessor-se-aprende-a-se-loq-diz-confessor-do-papa\/","title":{"rendered":"&#8220;N\u00e3o se nasce confessor, se aprende a s\u00ea-lo&#8221;, diz confessor do Papa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/papas\/afp5051758_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Buenos Aires (RV) &#8211;\u00a0 Nesta Quaresma,\u00a0 tempo forte de jejum, ora\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o, propomos um texto do &#8220;confessor do Papa&#8221;, o capuchinho Padre Luis Dli, 90 anos, em que d\u00e1 diversos conselhos aos confessores: &#8220;para aprender, devemos nos sentir penitentes em busca do perd\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>O sacerdote \u00e9 o quarto de dez irm\u00e3os de uma fam\u00edlia de agricultores, todos religiosos. Ele foi citado por Francisco em diversas ocasi\u00f5es como um exemplo de confessor misericordioso. Cerca de sete horas por dia, atende confiss\u00f5es no Santu\u00e1rio de Nossa Senhora da Pomp\u00e9ia, em Buenos Aires.<\/p>\n<p>&#8220;Ser confessor n\u00e3o se improvisa\u201d, disse o Papa. &#8220;Tornamo-nos tal quando come\u00e7amos, n\u00f3s mesmos, por nos fazer penitentes em busca do perd\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>\u00c9 de fundamental import\u00e2ncia este aceno contido na Carta escrita para o Ano Jubilar da Miseric\u00f3rdia. Ter o sentido do pecado pessoal, reconhecer que n\u00f3s, por primeiros, podemos resistir \u00e0 miseric\u00f3rdia de Deus, \u00e9 o que nos disp\u00f5e verdadeiramente \u00e0 a\u00e7\u00e3o da sua gra\u00e7a. &#8220;Nunca esque\u00e7amos que ser confessor significa participar da mesma miss\u00e3o de Jesus e ser sinal concreto da continuidade de um amor divino que perdoa e salva. Cada um de n\u00f3s recebeu o dom do Esp\u00edrito Santo para o perd\u00e3o dos pecados; disto somos respons\u00e1veis&#8221;.<\/p>\n<p>Na Misericordiae Vultus, o Santo Padre diz duas coisas de grande relev\u00e2ncia<\/p>\n<p>A primeira, de que n\u00f3s, confessores, n\u00e3o somos senhores da miseric\u00f3rdia; somos objeto de miseric\u00f3rdia e dispensadores do perd\u00e3o que um outro, Deus, doa pela sua Gra\u00e7a. A segunda, que para aprender a ser confessor, antes de qualquer outra coisa, \u00e9 necess\u00e1rio saber olhar para si mesmo. Se o meu cora\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 contrito, n\u00e3o posso, tampouco, compreender o outro que vem pedir perd\u00e3o. N\u00e3o \u00e9 um desconhecimento do outro devido antes de tudo a uma m\u00e1 vontade do confessor a que me refiro, mas depende de uma postura interior do confessor que n\u00e3o permite a ele penetrar em profundidade na alma de quem est\u00e1 diante dele, porque n\u00e3o a sente vibrante dos mesmos anseios que formam a sua.<\/p>\n<p>Quando o Salmo 50 fala de &#8220;um cora\u00e7\u00e3o contrito e humilhado&#8221; que o Senhor n\u00e3o despreza, oferece uma indica\u00e7\u00e3o ao penitente sobre como aproximar-se do Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o, mas ao mesmo tempo diz ao confessor para olhar a si pr\u00f3prio para n\u00e3o ser juiz dos outros. O confession\u00e1rio n\u00e3o \u00e9 um tribunal, o confessor n\u00e3o \u00e9 um juiz: \u00e9 o sinal da miseric\u00f3rdia &#8220;visceral&#8221; de Deus em Jesus.<\/p>\n<p>A vida, neste sentido, ensina muito: a saber ouvir, a compreender, a n\u00e3o ser precipitados, a dar espa\u00e7o ao penitente antes que tirar conclus\u00f5es, aceitar chegar com ele at\u00e9 onde ele quer chegar com o que confessa, segui-lo no esclarecimento at\u00e9 onde queira esclarecer. \u00c0s veze senta-se diante de mim e me pergunta: &#8220;Mas, como posso dizer ao senhor aquilo que gostaria dizer?&#8221;. Est\u00e3o bloqueados, vacilantes. &#8220;Diga como achares melhor, como te vem mais f\u00e1cil&#8221;, os encorajo.<\/p>\n<p>N\u00e3o se nasce confessor, se aprende a s\u00ea-lo<\/p>\n<p>No in\u00edcio, quando eu era jovem e inexperiente, confessava rapidamente, ouvia com o \u201cpavilh\u00e3o auricular\u201d orientado em dire\u00e7\u00e3o a quem falava, mas pensando saber a continua\u00e7\u00e3o, dava algum conselho r\u00e1pido e passava para o pr\u00f3ximo. Hoje escuto mais. As pessoas t\u00eam necessidade de serem ouvidas. Santo Afonso Maria de Liguori dizia: &#8220;Devo escutar o penitente como se fosse o \u00fanico, mesmo que tenha uma fila esperando&#8221;. E quando n\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m na fila, rezo, leio e espero. Agora, por exemplo, estou lendo um pouco de cada vez a vida do Cardeal Eduardo Francesco Pironio.<\/p>\n<p>\u00c9 um argentino que assumiu cargos importante na Am\u00e9rica Latina. Foi Secret\u00e1rio Geral e depois Presidente do CELAM quase desde o in\u00edcio deste organismo, nos anos setenta. Mais tarde Paulo VI chamou-o a Roma para ser Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para os Religiosos e dos Institutos Seculares e Jo\u00e3o Paulo II o colocou \u00e0 frente do Pontif\u00edcio Conselho para os Leigos, onde entre outras coisas, colaborou na idealiza\u00e7\u00e3o da Jornada Mundial da Juventude.<\/p>\n<p>Eu tive a sorte em conhec\u00ea-lo e escut\u00e1-lo, o admirava muito. Ouvi ele pregar em um retiro nos anos 80. Ele gostava de falar com o mate na m\u00e3o. Era um bispo culto e atento a tudo o que acontecia na nossa Am\u00e9rica Latina. No M\u00e9xico, na Am\u00e9rica Central, nos pa\u00edses dos Andes e na Am\u00e9rica do Sul. Tinha um conhecimento muito profundo do que acontecia ao nosso redor. Existem os &#8220;Discursos sobre a esperan\u00e7a&#8221; baseados em textos que usava muito, como aquele dos disc\u00edpulos de Ema\u00fas ou o primeiro Livro de Reis, cap\u00edtulo 19, com Elias est\u00e1 desalentado, dormindo sob uma \u00e1rvore, e o Anjo que o desperta e o encoraja a continuar o caminho. S\u00e3o ensinamentos que depois de t\u00ea-los ouvido, ficaram gravados na mem\u00f3ria. O Cardeal Pironio transmitia paz, serenidade e f\u00e9.<\/p>\n<p>Isto de poder ler, meditar, rezar, \u00e9 uma oportunidade preciosa na vida de um confessor. Certamente, na minha, o \u00e9. Existem dias em que n\u00e3o consigo concentrar-me muito na leitura, pois vem uma pessoa ap\u00f3s outra. Em outros sim. N\u00e3o disponho de estat\u00edsticas sobre quantas pessoas se confessam no decorrer de um dia normal ou em uma semana no Santu\u00e1rio de Pomp\u00e9ia, mas s\u00e3o muitas, isto posso afirmar, sobretudo nos finais de semana e as primeiras sextas-feiras do m\u00eas. Tamb\u00e9m posso assegurar que a presen\u00e7a de penitentes no Santu\u00e1rio aumentou consideravelmente nos \u00faltimos anos.<\/p>\n<p>Papa, raz\u00e3o deste incremento<\/p>\n<p>Um homem de cerca 70 anos, veio aqui n\u00e3o faz muito tempo e me disse nunca ter confessado desde a Primeira Comunh\u00e3o, portanto, h\u00e1 muitos dec\u00eanios. As raz\u00f5es eram muitas; fundamentalmente dizia n\u00e3o acreditar no valor da confiss\u00e3o e tamb\u00e9m de n\u00e3o encontrar a coragem para faz\u00ea-lo. &#8220;Mas ouvindo e olhando para este Papa, decidi vir&#8221;, confidenciou. Ele acrescentou um outro particular: &#8220;Vi a luz do confession\u00e1rio acesa e entrei&#8221;. Mesmo com a decis\u00e3o de confessar-se, manteve a reserva. N\u00e3o conseguia faz\u00ea-lo. Dizia reconhecer-se pecador, mas n\u00e3o via com bons olhos contar os pr\u00f3prios pecados ao ouvido de outro homem; a algu\u00e9m como eu &#8211; pensei imediatamente &#8211; que poderia ser mais pecador do que ele.<\/p>\n<p>Peguei uma B\u00edblia, perguntei a ele se podia ler mesmo sem os \u00f3culos e indiquei a ele um ponto: Jo\u00e3o, cap\u00edtulo 20, vers\u00edculo 22 e 23. &#8220;Recebam o Esp\u00edrito Santo. \u00c0queles a quem perdoardes os pecados ser\u00e3o perdoados e os pecados daqueles que voc\u00eas n\u00e3o perdoarem, n\u00e3os eram perdoados&#8221;. Falei a ele um pouco, dizendo que a confiss\u00e3o n\u00e3o \u00e9 somente uma externaliza\u00e7\u00e3o de coisas que v\u00e3o contra a moral, o pr\u00f3ximo, contra a vida, em suma, mas \u00e9 receber uma for\u00e7a de transforma\u00e7\u00e3o misericordiosa que n\u00e3o \u00e9 nossa e nem mesmo do sacerdote. Uma for\u00e7a que a Igreja chama &#8220;sacramental&#8221; e que, se Deus quer, nos dar\u00e1 a for\u00e7a para estar \u00e0 altura dos prop\u00f3sitos.<\/p>\n<p>Ele confessou-se.<\/p>\n<p>Depois me disse, que depois de mais de 30 anos de opress\u00e3o e ang\u00fastia, sentiu-se livre.<\/p>\n<p>Se n\u00e3o tivesse encontrado as portas da igreja abertas, a luz do confession\u00e1rio acesa, uma motiva\u00e7\u00e3o interior dada pelo Papa, n\u00e3o teria tomado a decis\u00e3o de ajoelhar-se e confessar.<\/p>\n<p>Deus estava esperando por ele&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Buenos Aires (RV) &#8211;\u00a0 Nesta Quaresma,\u00a0 tempo forte de jejum, ora\u00e7\u00e3o e convers\u00e3o, propomos um texto do &#8220;confessor do Papa&#8221;, o capuchinho Padre Luis Dli, 90 anos, em que d\u00e1 diversos conselhos aos confessores: &#8220;para aprender, devemos nos sentir penitentes em busca do perd\u00e3o&#8221;. 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