{"id":20847,"date":"2017-03-06T14:45:10","date_gmt":"2017-03-06T17:45:10","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/03\/06\/biomas-e-fraternidade\/"},"modified":"2017-05-04T16:36:38","modified_gmt":"2017-05-04T19:36:38","slug":"biomas-e-fraternidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/biomas-e-fraternidade\/","title":{"rendered":"Biomas e fraternidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Soa estranho uma institui\u00e7\u00e3o religiosa unir quest\u00f5es ambientais \u00e0 espiritualidade e f\u00e9 de seu rebanho.\u00a0 O que tem a ver em comum uma quest\u00e3o e outra? Essa \u00e9 a pergunta que muitos se fazem, em especial aqueles que se sentem mais diretamente respons\u00e1veis com esse tema e o t\u00eam como assunto de inteira responsabilidade deles, n\u00e3o da Igreja. Pois bem: a Igreja se apossou desse assunto e for\u00e7a seu debate a n\u00edvel nacional, dentro das j\u00e1 tradicionais campanhas da fraternidade que realiza nos per\u00edodos quaresmais. Est\u00e1 em curso mais uma CF, com o tema \u201cFraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida\u201d e o lema: \u201cCultivar e guardar a cria\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estaria a Igreja roubando para si algo que n\u00e3o lhe diz respeito, em especial ao se considerar sua fun\u00e7\u00e3o evangelizadora? N\u00e3o seria muita petul\u00e2ncia dos seus pastores esse debate estritamente temporal, cujas causas e efeitos acenam para a preserva\u00e7\u00e3o do para\u00edso terreno, n\u00e3o do Para\u00edso Celestial do qual tanto zela e apregoa a f\u00e9 crist\u00e3? As duas quest\u00f5es se complementam numa resposta al\u00e9m da realidade terrena, pois que o \u00c9den terreno foi pren\u00fancio do \u00c9den Celestial. Aqui ganha forma a preocupa\u00e7\u00e3o pastoral da Igreja, em especial quando seus ensinamentos partem do princ\u00edpio da realidade humana, do meio que ocupa e da vida em seu aspecto f\u00edsico e espiritual. Corpo e alma, mat\u00e9ria e esp\u00edrito; eis o que somos. Ent\u00e3o, sim, vamos preservar nossos biomas; for\u00e7ando um pouco: nossa bioalma. Realidade biol\u00f3gica, enquanto criaturas desse mundo e realidade da alma, enquanto seres espirituais em tr\u00e2nsito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma Igreja capaz de discutir com profundidade e responsabilidade um tema dessa envergadura, \u201claudato si\u201d, j\u00e1 caminha para sua plenitude e maturidade espiritual. \u00c9 partindo de nossa realidade terrena que embocaremos na fluidez l\u00edquida e serena da realidade espiritual que nos envolve. N\u00e3o h\u00e1 como separar uma da outra. Se o meio nos leva \u00e0 contempla\u00e7\u00e3o do milagre da Cria\u00e7\u00e3o e de suas benesses, nos ensina a louvar e agradecer, a bendizer o nome do Senhor e nos faz part\u00edcipes dessa Obra, \u00e9 l\u00f3gico, estamos exercitando nossa f\u00e9 e purificando nossos sentimentos em fun\u00e7\u00e3o da origem da vida e esp\u00edrito de gratid\u00e3o que o Meio nos oferece. Com efeito, ao findar sua obra, \u201cDeus viu que tudo era bom\u201d e ao enviar seu Filho, este viveu \u201cem plena harmonia com a cria\u00e7\u00e3o\u201d. Portanto, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a veste que faz o monge, mas o meio tamb\u00e9m faz o devoto. Preserv\u00e1-lo \u00e9 atitude de f\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como povo herdeiro de um territ\u00f3rio rico em sua biodiversidade, que ocupa um continente extraordinariamente f\u00e9rtil e promissor, com seis biomas bem definidos, n\u00e3o poder\u00edamos excluir de nossos debates essa quest\u00e3o ambiental. Mais ainda depois da publica\u00e7\u00e3o do alerta paternal, mas assaz oportuno, que a enc\u00edclica Laudato Si fez ao homem moderno diante de seu mundo usado e abusado pela pol\u00edtica do \u201ccada um pra si\u201d, que suga da Terra os seus recursos mais prim\u00e1rios. \u201cA nossa Terra est\u00e1 mais ou menos assim, deixada \u00e0 toa, usada e abusada\u201d (LS 17) e o que vemos destr\u00f3i qualquer esperan\u00e7a de vida plena. Terra devastada \u00e9 casa do dem\u00f4nio. Quando o meio n\u00e3o satisfaz o \u00edntimo, n\u00e3o agrada aos olhos, fatalmente sufoca o cora\u00e7\u00e3o e afeta o esp\u00edrito que nos habita. Dai a rela\u00e7\u00e3o do material com o espiritual. Da\u00ed a preocupa\u00e7\u00e3o da Igreja em preservar o meio, para crescer dentro de n\u00f3s a harmonia e o bem estar do corpo e da alma. \u201cEsta ruptura \u00e9 o pecado. A harmonia entre o Criador, a humanidade e toda a cria\u00e7\u00e3o foi destru\u00edda por termos pretendido ocupar o lugar de Deus\u201d (LS). Eis o maior conflito dos dias atuais. Destruindo a natureza, ofuscamos a a\u00e7\u00e3o de Deus entre n\u00f3s.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Soa estranho uma institui\u00e7\u00e3o religiosa unir quest\u00f5es ambientais \u00e0 espiritualidade e f\u00e9 de seu rebanho.\u00a0 O que tem a ver em comum uma quest\u00e3o e outra? 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