{"id":20659,"date":"2017-02-17T17:33:46","date_gmt":"2017-02-17T19:33:46","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/02\/17\/ir-aonde-nao-ha-padre\/"},"modified":"2017-05-26T10:36:39","modified_gmt":"2017-05-26T13:36:39","slug":"ir-aonde-nao-ha-padre","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ir-aonde-nao-ha-padre\/","title":{"rendered":"Ir aonde n\u00e3o h\u00e1 padre"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/e0cf1cb2df2eeff97a260e0ea0561b69_xl.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>As Mission\u00e1rias de Jesus Verbo e V\u00edtima t\u00eam muitas vezes que se deslocar por horas de barco para visitar um povoado isolado. As Mission\u00e1rias de Jesus Verbo e V\u00edtima t\u00eam muitas vezes que se deslocar por horas de barco para visitar um povoado isolado.<\/p>\n<p>\u201cTup\u00e3sy! Tup\u00e2sy? A m\u00e3e de Jesus est\u00e1 chegando!\u201d Essas foram as palavras ditas em Guarani para recepcionar as Mission\u00e1rias de Jesus Verbo e V\u00edtima. O povo das aldeias remotas do departamento de Canindey\u00fa do Paraguai, fronteira com os estados brasileiros do Mato Grosso do Sul e Paran\u00e1, nunca tinham visto freiras usando v\u00e9us antes.<\/p>\n<p>Quando as Mission\u00e1rias de Jesus Verbo e V\u00edtima, sa\u00eddas do Peru, chegaram ali em meados do s\u00e9culo XX, foi uma grande novidade para as comunidades rurais da par\u00f3quia da Virgem do Carmelo de Villa Ygatimy, uma aldeia localizada a cinco horas, a nordeste de Assun\u00e7\u00e3o, capital do Paraguai. A regi\u00e3o paroquial tem cerca de 20 mil fi\u00e9is nas 100 capelas dispersas na Diocese de Ciudad del Este, cujo extens\u00e3o \u00e9 equivalente ao territ\u00f3rio da B\u00e9lgica.<\/p>\n<p>Os fi\u00e9is, \u00e1vidos por sacramentos<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 tr\u00eas sacerdotes em Curuguaty, a 45km daqui, que atendem a 92 capelas, onde s\u00f3 as vezes conseguem estar presentes. S\u00e3o eles que visitam as comunidades que n\u00e3o est\u00e3o perto das rodovias asfaltadas, e que s\u00f3 podem ser acessadas em tempo seco, por conta das estradas de terra. A comunidade de Katuat\u00e9 est\u00e1 a 160 quil\u00f4metros&#8230; e o sacerdote chega l\u00e1 tr\u00eas ou quatro vezes por ano. Durante uma semana visita as capelas, celebra Missa e atende confiss\u00e3o, por vezes, durante um dia inteiro. Os fi\u00e9is esperam sua vez pacientemente, por horas, para receber os sacramentos\u201d, explica a madre Mar\u00eda Luj\u00e1n, uma religiosa argentina.<\/p>\n<p>Suas irm\u00e3s peruanas, respons\u00e1veis por animar a pastoral nas comunidades rurais sem sacerdote, celebram casamentos, batismos e funerais, organizam a Liturgia da Palavra e levam a Eucaristia para os doentes. Este \u00e9 o carisma das Mission\u00e1ria de Jesus Verbo e V\u00edtima: ir aonde n\u00e3o h\u00e1 a presen\u00e7a de sacerdotes por meses ou at\u00e9 anos. \u201cNossas irm\u00e3s vivem e atuam nas mais remotas \u00e1reas da Am\u00e9rica Latina. Elas cuidam das pessoas que n\u00e3o t\u00eam endere\u00e7o postal, dos pobres e esquecidos na Argentina, Bol\u00edvia, Chile, Paraguai e Peru\u201d, explica a madre Mar\u00eda Lujan.<\/p>\n<p>Esperando 4 anos a chegada de um padre<\/p>\n<p>\u201cPara receber a h\u00f3stia consagrada, n\u00f3s viajamos 45 quil\u00f4metros at\u00e9 a cidade brasileira de Paranhos no Mato Grosso do Sul\u201d, continua Mar\u00eda Luj\u00e1n. N\u00f3s ent\u00e3o dirigimos at\u00e9 a capela de Santo Ant\u00f4nio, a 12 quil\u00f4metros da cidade mais pr\u00f3xima, na companhia do padre Ernesto Zacar\u00edas, o ec\u00f4nomo da diocese. Atordoados pelos caminhos de terra cheios de ramifica\u00e7\u00f5es, finalmente chegamos a comunidade de 34 casas, com um total de 210 fi\u00e9is.<\/p>\n<p>Os fi\u00e9is est\u00e3o h\u00e1 mais de uma hora nos esperando pacientemente entre c\u00e2nticos em espanhol e em guarani, no meio de um calor h\u00famido e asfixiante de dezembro. Se re\u00fanem numa pequena constru\u00e7\u00e3o de alvenaria, que eles mesmos ergueram em conjunto, e ali expressam sua alegria com a chegada do padre. Ele \u00e9 o primeiro cl\u00e9rigo que pisa nesse remoto lugar em quatro anos. \u201cLevam at\u00e9 ele as pessoas enfermas e, as que n\u00e3o podem se deslocar, ele vai at\u00e9 suas casas para dar a un\u00e7\u00e3o dos enfermos. O \u2018sequestramos\u2019 para as confiss\u00f5es, que duram horas&#8230; o sacerdote termina exausto\u201d, brinca a madre Lorena, a religiosa peruana respons\u00e1vel por essa comunidade de fi\u00e9is. Natural de Cajamarca, uma aldeia no planalto do norte do Peru, serve em Ygatimy faz tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>A chegada das religiosas transformou a comunidade<\/p>\n<p>Os habitantes das aldeias gostam da presen\u00e7a das religiosas peruanas. \u201cDizem que est\u00e3o felizes por Deus vir visit\u00e1-los e por Ele se deslocar at\u00e9 as pessoas simples. Eles s\u00e3o muito pobres, \u201cmas tem tanta sede de espiritualidade!\u201d Nas aldeias, onde a natureza lindamente mistura o verde das \u00e1rvores com os tons vermelhos-ocre da terra, os habitantes vivem da agricultura, pecu\u00e1ria, produ\u00e7\u00e3o de queijo e da colheita de frutas. Depois da missa, os fi\u00e9is falavam sobre a infeliz situa\u00e7\u00e3o em que os jovens v\u00e3o para a cidade para obter seus diplomas, e depois, tendo contato com a vida da cidade com suas modernas tecnologias e tenta\u00e7\u00f5es, eles n\u00e3o querem mais voltar para as aldeias que s\u00e3o completamente isoladas, n\u00e3o querem voltar para a vida simples e cheia de dificuldades.<\/p>\n<p>Desde que as irm\u00e3s chegaram em 1999, diz a Madre Lorena, a regi\u00e3o sofreu uma transforma\u00e7\u00e3o. &#8220;Observamos uma transforma\u00e7\u00e3o espiritual. Antes, as pessoas mal participavam da vida paroquial. A igreja estava suja, sem cuidados. Os retiros espirituais levaram a uma grande mudan\u00e7a. Agora, h\u00e1 mais solidariedade e menos abuso de \u00e1lcool e drogas. Os doentes s\u00e3o melhor cuidados&#8221;.<\/p>\n<p>Continuamos nosso percurso por mais uns cinquenta quil\u00f4metros numa estrada de terra e p\u00f3 e chegamos \u00e0 Par\u00f3quia Nossa Senhora de F\u00e1tima, em Ypehu, na cordilheira de Amambay. Aqui nos recebe a madre Beatriz, superiora da pequena comunidade local das Mission\u00e1rias de Jesus Verbo e V\u00edtima.<\/p>\n<p>Seitas protestantes do Brasil<\/p>\n<p>Tenho como base o convento, as freiras peruanas realizam a pastoral em treze capelas. A mais distante est\u00e1 a 41 quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia. No entanto, todas estas capelas s\u00f3 podem ser alcan\u00e7adas por estradas muito acidentadas, que colocam em teste seu ve\u00edculo all-terrain (apropriado para todo tipo terreno). Um padre do Brasil visita essas aldeias quatro vezes por ano. Durante a Semana Santa, um padre enviado pelo bispo da Ciudad del Este vem celebrar o sacramento da confirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Ypehu, as seitas protestantes do Brasil s\u00e3o uma grade preocupa\u00e7\u00e3o para a madre Beatriz. Elas podem ser encontradas a pouca dist\u00e2ncia. \u201cAlgumas dessas seitas tem como alvo os pobres, distribuindo alimentos e oferecendo aulas para eles. Essa \u00e9 a principal raz\u00e3o pela qual as pessoas v\u00e3o at\u00e9 essa seita. Depois, o pastor os obriga a participar dos cultos. Entretanto, eles ainda participam das nossas celebra\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas nas missas. As pessoas querem batizar suas crian\u00e7as na Igreja Cat\u00f3lica por terem uma f\u00e9 enraizada e serem devotos de Nossa Senhora de Caacup\u00e9\u201d, explica a irm\u00e3 peruana.<\/p>\n<p>\u201cAntigamente, cinco entre dez pessoas vinham \u00e0 Missa. Todavia, desde que as irm\u00e3s chegaram, a igreja est\u00e1 sempre cheia\u201d, confirma um paroquiano, que encontramos no jardim da igreja. As religiosas mission\u00e1rias Madre Beatriz, e as irm\u00e3s Adriana, Edith e Felicia, no entanto, afirmam que se um padre se instalasse ali de forma permanente nesta par\u00f3quia (antes administrada pelos Padres do Verbo Divino), elas deixariam o lugar rapidamente para ir a outro onde n\u00e3o h\u00e1 sacerdote, pois \u201cesse \u00e9 nosso carisma!\u201d<\/p>\n<p>Mais de 400 Mission\u00e1rias de Jesus Verbo e V\u00edtima trabalham nas 38 esta\u00e7\u00f5es mission\u00e1rias localizadas em lugares isolados e de dif\u00edcil acesso de diferentes pa\u00edses latino-americanos. As irm\u00e3s chamam esses lugares de \u201cPatmos\u201d, pela igreja grega onde o ap\u00f3stolo S\u00e3o Jo\u00e3o viveu no ex\u00edlio. Partindo destas esta\u00e7\u00f5es, as religiosas t\u00eam muitas vezes que se deslocar de carro por horas em caminhos de terra, ou, inclusive, caminhar dias a p\u00e9, de mula ou barco para visitar um povo abandonado ou pequeninas aldeias de poucas fam\u00edlias. Se diz que &#8220;ali onde termina uma rodovia asfaltada, \u00e9 onde come\u00e7a o trabalho dessas mission\u00e1rias&#8221; com um carisma t\u00e3o especial.<\/p>\n<p>A ACN (Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre) ajuda anualmente as Mission\u00e1rias de Jesus Verbo e V\u00edtima<br \/>com projetos de transporte, forma\u00e7\u00e3o e ajuda existencial no Per\u00fa e na Bol\u00edvia.<br \/>Esta mat\u00e9ria foi escrita ap\u00f3s uma visita de projetos no Paraguai realizada do dia 18 de novembro a 5 de dezembro de 2016 pela ACN.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: ACN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As Mission\u00e1rias de Jesus Verbo e V\u00edtima t\u00eam muitas vezes que se deslocar por horas de barco para visitar um povoado isolado. As Mission\u00e1rias de Jesus Verbo e V\u00edtima t\u00eam muitas vezes que se deslocar por horas de barco para visitar um povoado isolado. \u201cTup\u00e3sy! Tup\u00e2sy? 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