{"id":20548,"date":"2017-02-13T12:54:57","date_gmt":"2017-02-13T14:54:57","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/02\/13\/a-acn-na-africa\/"},"modified":"2017-05-30T16:17:42","modified_gmt":"2017-05-30T19:17:42","slug":"a-acn-na-africa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-acn-na-africa\/","title":{"rendered":"A ACN na \u00c1frica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/2446fed04528c.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>\u201c\u00c9 noite na \u00c1frica. E, no meio desta noite, eu viajo desde Roma a Kinshasa. A viagem leva 6 horas\u201d. O coment\u00e1rio est\u00e1 datado em abril de 1965 e gravado no livro \u201cOnde Deus Chora\u201d (Where God Weeps). Seu autor \u00e9 Padre Werenfried van Straaten, fundador da ACN (Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre). As linhas que abrem essa reportagem percorrem os momentos pr\u00e9vios da sua chegada na capital da Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. Aquela primeira presen\u00e7a no continente se limitou a nove dias durante os quais, al\u00e9m de Kinshasa, conheceu Kivu, Isiro e Kisangani. Durante seu regresso, descreveu os passos dados naquele itiner\u00e1rio como \u201cas esta\u00e7\u00f5es da Via Sacra\u201d. Depois daquele primeiro trajeto, ocorreram mais cinco viagens, de setembro de 1968 at\u00e9 os finais da d\u00e9cada de 80, nas quais, o tamb\u00e9m chamado de Padre Toucinho, conheceu as mis\u00e9rias do continente e a pobreza da Igreja. Mas tamb\u00e9m j\u00e1 visualizava o trabalho que a Igreja deveria realizar na \u00c1frica, e o apoio que a ACN poderia oferecer naquele caminho.<\/p>\n<p>\u201cTemos aqui uma tarefa para desenvolver (&#8230;). N\u00e3o s\u00f3 queremos ajudar as dioceses devastadas (&#8230;) em sua reconstru\u00e7\u00e3o espiritual e material, como tamb\u00e9m, acima de tudo, investir amor, dinheiro e ideias na forma\u00e7\u00e3o de l\u00edderes leigos treinados pelo apostolado\u201d. Essas palavras se referiam especificamente \u00e0 Igreja do antigo Congo Belga, mas podiam se aplicar a muitos outros lugares do continente. Quando o Padre Werenfried chegou na \u00c1frica, j\u00e1 conhecia bem o sofrimento da Igreja em todo o mundo. O compromisso deste frade premonstratense holand\u00eas para com os mais necessitados o levou a impulsionar, em meados do s\u00e9culo passado, atrav\u00e9s da Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre, a promo\u00e7\u00e3o da evangeliza\u00e7\u00e3o e do trabalho pastoral da Igreja. Criada como uma associa\u00e7\u00e3o p\u00fablica de fi\u00e9is, o Papa Bento XVI elevou a ent\u00e3o ACN \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia em dezembro de 2011.<\/p>\n<p>A Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre que nasceu em 1947, no final da II Guerra Mundial, para ajudar as comunidades cat\u00f3licas que ficaram ilhadas no leste europeu. Foi ampliando sua a\u00e7\u00e3o a outros lugares, outros continentes, outros desafios. A aten\u00e7\u00e3o quase \u00fanica \u00e0queles perseguidos por causa da sua f\u00e9, pr\u00e1tica habitual dos pa\u00edses que estavam do outro lado do Muro de Berlim, deixou de ser a sua principal motiva\u00e7\u00e3o na din\u00e2mica de trabalho. Em outros lugares do planeta, a Igreja padecia em diferentes formas de pobreza e marginaliza\u00e7\u00e3o, as quais tamb\u00e9m pediam uma resposta. Nesse contexto, a \u00c1frica, com pluralidade de l\u00ednguas, culturas, tradi\u00e7\u00f5es e povos, a instabilidade pol\u00edtica e a percept\u00edvel desigualdade social, se converteu num grande desafio para a ACN. A chegada da institui\u00e7\u00e3o acompanhou de perto a fase da descoloniza\u00e7\u00e3o e coincidiu com um crescente sentimento nacionalista que se enraizava entre os povos que antes olhavam para as pot\u00eancias coloniais como seu principal ponto de refer\u00eancia. No \u00e2mbito eclesial, encontrou amplas zonas de nova evangeliza\u00e7\u00e3o, em comunidades onde mission\u00e1rios estrangeiros j\u00e1 tinham desenvolvido um intenso, por\u00e9m incompleto, trabalho. Era o momento do nascimento dos pa\u00edses, mas tamb\u00e9m tempo de semear uma Igreja local, pr\u00f3pria, que conviveria com o Isl\u00e3 e com religi\u00f5es tradicionais.<\/p>\n<p>Disse o Papa Paulo VI (1969) em Uganda: \u201cvoc\u00eas t\u00eam o direito de viver um cristianismo africano\u201d. E naquele momento, isso come\u00e7ava a se fazer necess\u00e1rio. \u201cCom a rica experi\u00eancia de dezenas de milhares de mission\u00e1rios, a Igreja se p\u00f5e a servi\u00e7o dos pobres sem ing\u00eanuas ilus\u00f5es, desinteressada e humilde\u201d, reconhecia o Padre Werenfried em 1965.<\/p>\n<p>Projetos e iniciativas<\/p>\n<p>Desde que se tra\u00e7aram os primeiros projetos at\u00e9 hoje, foram milhares as iniciativas financiadas no continente. Somente em 2016, 1800 projetos foram apoiados no continente africano. Se destacam a ajuda enviada \u00e0 Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo, Eti\u00f3pia, Sud\u00e3o do Sul, Tanz\u00e2nia, Qu\u00eania, Uganda, Madagascar, Camar\u00f5es, Burkina Faso e Nig\u00e9ria. Como est\u00e1 registrado no relat\u00f3rio do ano passado sobre a \u00c1frica, \u201cem todos os pa\u00edses mencionados, a jovem e vital Igreja Cat\u00f3lica africana precisa da nossa solidariedade\u201d, agregando que \u201cdamos prioridade \u00e0s regi\u00f5es onde a evangeliza\u00e7\u00e3o \u00e9 mais recente e a Igreja local est\u00e1 em maior necessidade\u201d.<\/p>\n<p>Uma institui\u00e7\u00e3o como a ACN, cujo objetivo principal \u00e9 dar suporte \u00e0 Igreja em suas necessidades mais elementares, traduziu suas linhas mestras de apoio em projetos de ajuda pastoral, constru\u00e7\u00e3o de infraestrutura, forma\u00e7\u00e3o de agentes de pastoral, motoriza\u00e7\u00e3o, ajuda de subsist\u00eancia para sacerdotes e comunidades religiosas, literatura religiosa e meios de comunica\u00e7\u00e3o, avaliados por ordem de import\u00e2ncia de acordo com o n\u00famero de projetos apoiados. As solicita\u00e7\u00f5es de ajuda que chegam da \u00c1frica permitiram tra\u00e7ar a imagem de uma Igreja que tomou perfis pr\u00f3prios e que necessita reconstruir ou renovar suas infraestruturas. Nesta \u00faltima metade do s\u00e9culo XX, a Igreja cresceu e tamb\u00e9m suas necessidades.<\/p>\n<p>Fator clim\u00e1tico e b\u00e9lico<\/p>\n<p>A ACN reconhece que boa parte das estruturas eclesiais \u201cfoi constru\u00edda faz quarenta, sessenta, oitenta anos ou mais por mission\u00e1rios europeus, e est\u00e1 come\u00e7ando a mostrar claros sinais de deteriora\u00e7\u00e3o em raz\u00e3o do tempo e do clima africano extremo\u201d. Al\u00e9m do fator clim\u00e1tico, os conflitos armados afetaram de maneira direta ou indireta a igrejas, conventos e outros edif\u00edcios necess\u00e1rios para as comunidades. Um pa\u00eds como Angola, que sofreu uma guerra civil depois do final da \u00e9poca colonial, \u00e9 um claro exemplo disso. Com uma fotografia atual das igrejas angolanas se poderia pensar que o conflito armado terminou ontem.<\/p>\n<p>Aqueles primeiros contatos do fundador da ACN com a realidade africana motivaram o nascimento de um departamento de projetos pr\u00f3prio para o continente no secretariado internacional da institui\u00e7\u00e3o, com sede em K\u00f6nignistein, Alemanha. O que era apenas uma \u00fanica se\u00e7\u00e3o se desdobrou em tr\u00eas departamentos que lidam separadamente com os pa\u00edses de acordo com suas caracter\u00edsticas lingu\u00edsticas, geogr\u00e1ficas e hist\u00f3ricas.<\/p>\n<p>Ainda que com diferentes matizes, uma das realidades a que os departamentos prestam mais aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o incentivo e suporte \u00e0s voca\u00e7\u00f5es sacerdotais, que crescem exponencialmente nos \u00faltimos anos em alguns pa\u00edses. \u201cCada vez mais semin\u00e1rios nos pedem ajuda para finaliza\u00e7\u00e3o dos cursos acad\u00eamicos\u201d, apontam os colaboradores da ACN. A aten\u00e7\u00e3o e cuidado aos seminaristas se d\u00e1 tamb\u00e9m com a cria\u00e7\u00e3o de infraestruturas para que a sua forma\u00e7\u00e3o ocorra bem. Nesse ponto est\u00e3o os projetos de constru\u00e7\u00e3o de novos semin\u00e1rios em Uganda e Angola ou a reforma dos pr\u00e9dios dos semin\u00e1rios maiores em Madagascar, Tanz\u00e2nia, Guin\u00e9-Conacri ou Rep\u00fablica Dominicana.<\/p>\n<p>Tarefa pastoral e humanit\u00e1ria<\/p>\n<p>Faz um pouco mais de meio s\u00e9culo que o Padre Werenfried se alarmou com as necessidades da Igreja, mas tamb\u00e9m para aqueles que viviam com menos que o necess\u00e1rio. E essa realidade n\u00e3o ficou indiferente, nem ao fundador nem ao trabalho da institui\u00e7\u00e3o, mesmo esta tendo nascido para dar suporte ao trabalho pastoral. \u201cJ\u00e1 sei que nossa Obra n\u00e3o \u00e9 uma organiza\u00e7\u00e3o caritativa. Nossa tarefa \u00e9 pastoral\u201d, dizia o Padre Toucinho. \u201cMas sei que Cristo condenou um sacerdote porque, no caminho de Jerusal\u00e9m a Jeric\u00f3, se esqueceu do dever do amor ao pr\u00f3ximo. O mesmo Cristo multiplicou os p\u00e3es e saciou os ali reunidos, porque n\u00e3o quis falar de Deus a uma multid\u00e3o faminta\u201d.<\/p>\n<p>Essa atitude motivou a institui\u00e7\u00e3o a tamb\u00e9m apoiar o envio de ajuda de emerg\u00eancia humanit\u00e1ria em ocasi\u00e3o de desastres naturais ou conflitos armados. Assim, a ACN escreve: \u201ctodos os nossos projetos na \u00c1frica, incluindo os estritamente pastorais, tem ramifica\u00e7\u00f5es humanit\u00e1rias. Estes aspectos s\u00e3o insepar\u00e1veis na \u00c1frica\u201d. Dois dos \u00faltimos projetos desse tipo tiveram como destinat\u00e1rios os habitantes dos campos de refugiados em Malakal (Sud\u00e3o do Sul) ou das fam\u00edlias deslocadas do Burundi que buscam ref\u00fagio na Tanz\u00e2nia.<\/p>\n<p>Se recordamos novamente as palavras de Padre Werenfried sobre a \u00c1frica encontramos que \u201ca Igreja, chamada a ser m\u00e3e dos pobres, \u00e9 seu \u00faltimo ref\u00fagio\u201d. Desse modo, o fundador da ACN explicava que se atendiam as necessidades da Igreja, tamb\u00e9m se estava perto dos mais necessitados. E assim vive a institui\u00e7\u00e3o, quase cinquenta anos depois de um voo entre Roma e Kinshasa em que um frade holand\u00eas contava o que via atrav\u00e9s da janela do avi\u00e3o: \u201cVoamos a doze quil\u00f4metros de altura. Estranhas constela\u00e7\u00f5es brilham no escuro manto da noite. Abaixo de n\u00f3s, passa, deslizando, uma fogueira. Talvez um acampamento de ca\u00e7adores ou uma aldeia nos Camar\u00f5es. Uma tempestade tropical lan\u00e7a raios desde o equador. As luzes que fulguram no horizonte fazem resplandecer o c\u00e9u\u201d.<br \/>Artigo originalmente publicado na revista \u00abMundo Negro\u00bb em junho de 2013 e adaptado pela ACN em fevereiro de 2017.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: ACN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201c\u00c9 noite na \u00c1frica. E, no meio desta noite, eu viajo desde Roma a Kinshasa. A viagem leva 6 horas\u201d. O coment\u00e1rio est\u00e1 datado em abril de 1965 e gravado no livro \u201cOnde Deus Chora\u201d (Where God Weeps). Seu autor \u00e9 Padre Werenfried van Straaten, fundador da ACN (Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre). 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