{"id":20441,"date":"2017-02-07T12:52:30","date_gmt":"2017-02-07T14:52:30","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/02\/07\/seminario-da-repam-chega-a-prelazia-de-labrea\/"},"modified":"2017-05-26T11:48:53","modified_gmt":"2017-05-26T14:48:53","slug":"seminario-da-repam-chega-a-prelazia-de-labrea","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/seminario-da-repam-chega-a-prelazia-de-labrea\/","title":{"rendered":"Semin\u00e1rio da Repam chega \u00e0 prelazia de L\u00e1brea"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/repam-labrea.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Participantes do encontro fizeram carta-compromisso visando articula\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>A prelazia de L\u00e1brea (AM) recebeu, entre os dias 27 e 29 de janeiro, o Semin\u00e1rio de reflex\u00e3o e propostas sobre a carta enc\u00edclica Laudato si\u2019, do papa Francisco. Desde o ano passado o Comit\u00ea brasileiro da Rede Eclesial Pan-Amaz\u00f4nica (Repam) tem realizado semin\u00e1rios como este em todos os regionais da Confer\u00eancia Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) na Amaz\u00f4nia, tecendo redes e estabelecendo rela\u00e7\u00f5es, visando a transforma\u00e7\u00e3o da realidade local.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do contexto eclesi\u00e1stico, o Semin\u00e1rio envolveu v\u00e1rios setores da sociedade civil, como organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais, escolas e os governos municipal, estadual e federal, com a finalidade de construir \u201csinais de esperan\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente e a preserva\u00e7\u00e3o da casa comum\u201d. Quest\u00f5es como o desmatamento desenfreado, a contamina\u00e7\u00e3o dos rios, a pesca predat\u00f3ria e a ca\u00e7a, que afetam diretamente os povos ribeirinhos e as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas, fam\u00edlias e comunidades em geral, foram abordadas nos debates.<\/p>\n<p>O encontro terminou com uma carta-compromisso que se empenha em trabalhar com a forma\u00e7\u00e3o, especialmente de crian\u00e7as e jovens, para melhor afrontar esta realidade que tem agredido a dignidade dos povos locais. Utilizando de termos pr\u00f3prios dos povos da regi\u00e3o, a carta apresenta as for\u00e7as, desafios, clamores, iniciativas e conquistas observados e vivenciados na regi\u00e3o, al\u00e9m do compromisso firmado pelos presentes.\u00a0 <\/p>\n<p>\u201cChamamos todas as igrejas, institui\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es, comunidades e movimentos sociais para tecermos juntos uma grande teia, retirando de nosso paneiro as experi\u00eancias, proposta e apoios que nos permitem seguir na luta por nossa Pachamama, para garantir vida plena e com dignidade em nossa floresta, nosso tapiri comum (casa dos ribeirinhos)\u201d, afirmam no texto.<br \/>Com informa\u00e7\u00f5es da R\u00e1dio Vaticano e fotos da Repam-Brasil<\/p>\n<p>Leia a carta na \u00edntegra:<\/p>\n<p>Carta Compromisso dos Participantes do Semin\u00e1rio<br \/>da Rede Eclesial Pan-Amaz\u00f4nica da Prelazia de L\u00e1brea (AM)<\/p>\n<p>Reunidos (as) em L\u00e1brea, \u00e0s margens do rio Purus, n\u00f3s, Povos da Floresta, 110 participantes do Semin\u00e1rio promovido pele Rede Eclesial Pan-Amaz\u00f4nica (Repam), nos dias 27 a 29 de janeiro de 2017, apresentamos algumas de nossas for\u00e7as, desafios, clamores, iniciativas e conquistas observados e vivenciados em nossa Amaz\u00f4nia gorakaraho (Casa Comum &#8211; na l\u00edngua Paumari) refletidos \u00e0 luz dos ensinamentos da Enc\u00edclica Laudato S\u00ed do Papa Francisco.<\/p>\n<p>Nosso modo de ser em nossa aiko (Casa Comum na l\u00edngua Apurin\u00e3) herdado de nossos antepassados tem sido impactado negativamente desde a chegada dos colonizadores que nos impuseram outros valores baseados nas rela\u00e7\u00f5es de poder e domina\u00e7\u00e3o. Desde ent\u00e3o, os desafios s\u00e3o muitos. Insistimos e acreditamos numa viv\u00eancia harmoniosa e de inter-rela\u00e7\u00e3o entre todos os Povos da Floresta e das cidades sem destruir a nossa gorakaraho. Entretanto, percebemos que acirram-se os conflitos socioambientais que fomentam persegui\u00e7\u00f5es, amea\u00e7as e at\u00e9 morte de nossas lideran\u00e7as locais, resultado da omiss\u00e3o estrat\u00e9gica do Estado, da press\u00e3o do agroneg\u00f3cio, da grilagem de terras e do roubo e pilhagem de madeiras, inclusive castanheira, colocando a nossa regi\u00e3o como uma das campe\u00e3s do acelerado desmatamento da Amaz\u00f4nia.<\/p>\n<p>Destacamos a diversidade de experi\u00eancias de conviv\u00eancia entre as diversas culturas e etnias dos Povos da Floresta com os povos das cidades que nos fazem sentir seguros(as) e protegidos(as) em nossa gorakaraho de onde retiramos o alimento para sustentar nossas fam\u00edlias e garantir uma qualidade de vida que permite \u00e0s nossas gera\u00e7\u00f5es viver longos anos. Mas, esta viv\u00eancia encontra-se amea\u00e7ada. Em todos os cantos da floresta tem chegado gente com sangue nas m\u00e3os espalhando viol\u00eancia e expondo nossos jovens a condi\u00e7\u00f5es de vulnerabilidade social tais como drogas, explora\u00e7\u00e3o sexual, trabalho an\u00e1logo ao escravo e servid\u00e3o dom\u00e9stica. Gente que, em nome do \u201cprogresso\u201c n\u00e3o reconhece nossos direitos \u00e0 terra, nossas reservas, territ\u00f3rios, rios e florestas. Gente que vem de longe e saqueia nossos recursos deixando para tr\u00e1s um rastro de morte e destrui\u00e7\u00e3o. Gente que n\u00e3o reconhece nossa hist\u00f3ria, identidade e cultura, n\u00e3o respeita nossas lideran\u00e7as e nossa forma de organiza\u00e7\u00e3o social e pol\u00edtica e quer nos \u201censinar\u201c seus valores e seu modo capitalista de sociedade. Gente que n\u00e3o acredita na sustentabilidade do extrativismo animal e vegetal baseado nas rela\u00e7\u00f5es de respeito e interdepend\u00eancia em nossa casa comum garantindo vida em abund\u00e2ncia \u00e0 nossa gera\u00e7\u00e3o e \u00e0s gera\u00e7\u00f5es futuras.<\/p>\n<p>No contexto nacional assusta-nos os recorrentes cortes de recursos que atingem institui\u00e7\u00f5es importantes como o Instituto Chico Mendes de Conserva\u00e7\u00e3o da Biodivesidade \u2013 ICMBio e o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renov\u00e1veis \u2013 IBAMA. Bem como o ataque \u00e0s nossas entidades representativas com a cria\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o Parlamentar de Inqu\u00e9rito \u2013 CPI, com a finalidade de investigar, incriminar e enfraquecer a atua\u00e7\u00e3o do Conselho Indigenista Mission\u00e1rio \u2013 CIMI, da Funda\u00e7\u00e3o Nacional do \u00cdndio \u2013 FUNAI e do Instituto Nacional de Coloniza\u00e7\u00e3o e Reforma Agr\u00e1ria \u2013 INCRA, pelo simples fato de posicionarem-se em defesa dos direitos dos Povos da Floresta. Isso apenas confirma que \u201co governo n\u00e3o quer dar nada para o \u00edndio, mas quer tudo do \u00edndio\u201d (Jos\u00e9 In\u00e1cio Apurin\u00e3 \u2013 lideran\u00e7a da Terra Ind\u00edgena Caititu).<\/p>\n<p>No contexto regional, preocupa-nos os processos de migra\u00e7\u00f5es for\u00e7adas para as cidades da Amaz\u00f4nia prevalecendo o direito de migrar sem a garantia do direito de permanecer na floresta somando com os processos de urbaniza\u00e7\u00e3o acelerada e n\u00e3o planejada das nossas cidades marcadas pela precariedade dos servi\u00e7os p\u00fablicos (sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a p\u00fablica, transporte, dentre outros), pela viol\u00eancia, superlota\u00e7\u00e3o dos pres\u00eddios, desemprego, fome e mis\u00e9ria, fruto do descaso dos governos municipais.<\/p>\n<p>No contexto local lutamos para garantir o direito \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e acesso aos bens e servi\u00e7os p\u00fablicos historicamente negados aos povos dessa imensa regi\u00e3o onde j\u00e1 se respira a fuma\u00e7a das grandes queimadas e se inala o veneno dos agrot\u00f3xicos pulverizados indiscriminadamente sobre nossa gorakaraho contaminando nosso Purus e seus afluentes rios Ituxi, Curequet\u00e9, Seruini, Siriquiqui, Punicici, Sepatini e Pauini.<\/p>\n<p>Preocupa-nos as condi\u00e7\u00f5es desumanas a que s\u00e3o submetidos os Povos Ind\u00edgenas e Ribeirinhos for\u00e7ados a viver em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias nas periferias desassistidas das cidades, submetidos at\u00e9 mesmo \u00e0 conviv\u00eancia com lix\u00e3o \u00e0 c\u00e9u aberto que contamina suas \u00e1guas, peixes e ro\u00e7ados, espalhando doen\u00e7as e desestruturando sua conviv\u00eancia. Um verdadeiro atentado contra suas vidas e uma viola\u00e7\u00e3o aos direitos humanos.<\/p>\n<p>Diante de tudo isso, clamamos e gritamos reafirmando \u201cque o Purus \u00e9 nosso! \u00c9 casa comum de todos n\u00f3s. Pr\u00f3digo, nos brinda no dia a dia, as riquezas de suas entranhas com nome de tambaqui, pirarucu, filhote, tucunar\u00e9, mandi, sardinha, matrinx\u00e3 e mil esp\u00e9cies mais, de rico sabor, base de nosso quotidiano sustento\u201d (Dom Florentino Zabalza Itury).<\/p>\n<p>Por fim, motivados(as) pelas provoca\u00e7\u00f5es deste semin\u00e1rio e novamente iluminados(as) pelos ensinamentos da Laudato S\u00ed, assumimos o compromisso de:<\/p>\n<p>1) Tecer novas redes em nossas localidades com nossas comunidades e institui\u00e7\u00f5es, como nos prop\u00f5e a REPAM atrav\u00e9s de comit\u00eas locais;<\/p>\n<p>2) Lutar para garantir uma educa\u00e7\u00e3o para sustentabilidade, diferenciada e de qualidade voltada para as demandas de nossa realidade ind\u00edgena e ribeirinha, provocando as institui\u00e7\u00f5es de ensino para que ofere\u00e7am cursos que venham ao encontro de nossas demandas locais, formando gente nossa para atuar na educa\u00e7\u00e3o de nossos povos;<\/p>\n<p>3) Desenvolver projetos sociais de educa\u00e7\u00e3o ambiental, buscando alternativas com possibilidade de gerar renda, tais como artesanato com utiliza\u00e7\u00e3o de produtos n\u00e3o madeireiros e reaproveitamento de madeira, dentre outros;<\/p>\n<p>4) Promover espa\u00e7os permanentes de forma\u00e7\u00e3o e informa\u00e7\u00e3o que nos ajudem a retomar, reafirmar e ampliar nossas pr\u00e1ticas ambientais sustent\u00e1veis como modelo poss\u00edvel de sociedade baseada nos valores do bem-viver em nossa gorakaraho, nossa aiko;<\/p>\n<p>5) Manter e ampliar o permanente di\u00e1logo entre ind\u00edgenas e ribeirinhos garantindo uma alian\u00e7a para a prote\u00e7\u00e3o de nossos territ\u00f3rios, cuidando de nossa Amaz\u00f4nia, como nossa floresta, nossa gorakaraho, nossa aiko;<\/p>\n<p>6) Continuar alarmando os governos com rela\u00e7\u00e3o ao roubo indiscriminado de nossos recursos naturais em nossas fronteiras;<\/p>\n<p>7) Que a Carta Laudato S\u00ed do Papa Francisco seja lida em nossas comunidades, retomada, aprofundada e amplamente divulgada e que seus ensinamentos sejam colocados em pr\u00e1tica.<\/p>\n<p>Por fim, invocamos a mem\u00f3ria de nossos antepassados e reafirmamos que \u201ccremos na fecundidade libertadora de tantos irm\u00e3os e irm\u00e3os que amassaram a terra com seu sangue m\u00e1rtir e nos acompanharam na procura da Terra Sem Males\u201d (Dom Pedro Casald\u00e1liga), como o testemunho de Irm\u00e3 Cleuza, m\u00e1rtir da causa ind\u00edgena em L\u00e1brea. Chamamos todas as igrejas, institui\u00e7\u00f5es, organiza\u00e7\u00f5es, comunidades e movimentos sociais para tecermos juntos uma grande teia, retirando de nosso paneiro as experi\u00eancias, proposta e apoios que nos permitem seguir na luta por nossa Pachamama, para garantir vida plena e com dignidade em nossa floresta, nosso tapiri comum (casa dos ribeirinhos).<\/p>\n<p><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: CNBB<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Participantes do encontro fizeram carta-compromisso visando articula\u00e7\u00e3o e forma\u00e7\u00e3o A prelazia de L\u00e1brea (AM) recebeu, entre os dias 27 e 29 de janeiro, o Semin\u00e1rio de reflex\u00e3o e propostas sobre a carta enc\u00edclica Laudato si\u2019, do papa Francisco. 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