{"id":20413,"date":"2017-02-06T11:14:42","date_gmt":"2017-02-06T13:14:42","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/02\/06\/vencer-ou-perder-2\/"},"modified":"2017-05-05T10:04:23","modified_gmt":"2017-05-05T13:04:23","slug":"vencer-ou-perder-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/vencer-ou-perder-2\/","title":{"rendered":"Vencer ou perder"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">De vit\u00f3rias e derrotas o mundo est\u00e1 cheio. Desde que a humanidade se desencantou com a rotina sem novidades dum para\u00edso terreno, nunca mais sua hist\u00f3ria deixou de aparar arestas da competitividade, sua marca registrada na condu\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida. Compete para nascer, para viver, para amar, para glorificar, para governar, liderar ou simplesmente usufruir das benesses do bem-viver.\u00a0 Compete at\u00e9 para mais nada fazer, curtindo a derrota do outro ou saboreando as pr\u00f3prias conquistas. Vencer \u00e9 a meta, que sempre custa a derrota de algu\u00e9m, de milhares ou milh\u00f5es, mas que \u00e9 sempre privil\u00e9gio de poucos. Eis tudo!<br \/> Tirando essa filosofia barata, mas oportuna, meu contraponto aqui busca tamb\u00e9m uma vit\u00f3ria. Se alcan\u00e7ar seu ponto de vista ou ao menos levar algum leitor a interessar-se pelo assunto, j\u00e1 me sinto vencedor. Eis que na luta di\u00e1ria da sobreviv\u00eancia muitos sucumbem a meio caminho, outros avan\u00e7am um pouco mais, mas todos terminam num ponto comum, sua bandeira de chegada, seu p\u00f3dio. Eis que surge ent\u00e3o a grande e fat\u00eddica quest\u00e3o: E depois? Aqui a vit\u00f3ria de muitos \u00e9 sua maior derrota. Quem nunca ouviu falar do atleta que viu o confisco de suas medalhas depois de comprovado o uso de estimulantes ou anabolizantes ilegais? Ou at\u00e9 daquele clube de sucesso que devolveu a ta\u00e7a e o t\u00edtulo por rela\u00e7\u00f5es comprovadamente vergonhosas com ju\u00edzes e dirigentes que se venderam por m\u00edseras moedas? Ou simplesmente porque se descobriram incapazes de cumprir as promessas que lhes proporcionaram vencer. Venceram um momento; perderam uma eternidade. Qualquer vit\u00f3ria terrena \u00e9 sempre passageira, transit\u00f3ria.<br \/> Se algu\u00e9m me exigir uma tese sobre o tema, n\u00e3o hesitarei em minha negativa, pois que dele nos cansamos facilmente. Indicarei, sim, uma leitura da mais capciosa e completa obra sobre o assunto, a B\u00edblia. Se buscamos a origem, l\u00e1 est\u00e1, a disputa quase eterna entre o bem e o mal, o homem e a mulher, a ast\u00facia e a mal\u00edcia. Se nosso interesse \u00e9 pelas causas e consequ\u00eancias, a hist\u00f3ria da rela\u00e7\u00e3o humana com seu Deus sempre se deixou ilustrar por conquistas e derrotas, b\u00ean\u00e7\u00e3os e maldi\u00e7\u00f5es. Se, por fim, o que lhe interessa \u00e9 a meta final, a vit\u00f3ria pura e simples, eis que o sonho de uma Terra Prometida encantou os conquistadores de Cana\u00e3 e ainda encanta os seguidores do Messias com suas promessas de uma Jerusal\u00e9m Celeste, uma civiliza\u00e7\u00e3o bem al\u00e9m dos muros e desilus\u00f5es daquela triste Jerusal\u00e9m que bem conhecemos.<br \/> Nem por isso vou deixar de sonhar. E agora, meus eleitos, her\u00f3is nos quais refletimos nossos sonhos? Vamos ou n\u00e3o em busca de nova Terra, novo mundo para nossos filhos e netos? \u201cMeu servo Mois\u00e9s morreu. Vamos agora! Passa o Jord\u00e3o, tu e todo o povo, e entra na terra que dou aos filhos de Israel. Todo o lugar que pisar a planta de vossos p\u00e9s, eu vo-lo dou, como prometi&#8230; (Jos 1,2-3). Deixamos para tr\u00e1s o sonho de nossos antepassados e agora assumimos os nossos. A vit\u00f3ria deles foi deles. A nossa depende de n\u00f3s. Antes, contudo, \u00e9 preciso um primeiro passo, um determinado e decisivo esfor\u00e7o de caminhar, ir ao encontro, buscar por necessidade e princ\u00edpio tudo aquilo que nos fazem sonhar com um mundo melhor, uma Terra de Promiss\u00e3o.<br \/> Mas se os vitoriosos de hoje deixarem de ouvir o clamor de suas torcidas, estaremos todos derrotados. Simplesmente porque nenhuma vit\u00f3ria se conquista sozinho. A vit\u00f3ria de alguns \u00e9 conquista de muitos. \u201cNenhum de n\u00f3s vive para si e ningu\u00e9m morre para si\u201d (Rom14, 7). A vida que pensa ser sua, enquanto indiv\u00edduo, em nada lhe pertence enquanto membro de uma coletividade. Viver e morrer s\u00e3o como o pulsar de cora\u00e7\u00f5es e pulm\u00f5es. Vencer ou perder \u00e9 a condi\u00e7\u00e3o da alma e da mente que sabem sonhar ou enxergar a realidade. Porque muitas das nossas derrotas t\u00eam sabor de vit\u00f3rias. E saber perder \u00e9 tamb\u00e9m uma qualidade dos grandes vitoriosos. Confirma?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>De vit\u00f3rias e derrotas o mundo est\u00e1 cheio. Desde que a humanidade se desencantou com a rotina sem novidades dum para\u00edso terreno, nunca mais sua hist\u00f3ria deixou de aparar arestas da competitividade, sua marca registrada na condu\u00e7\u00e3o da pr\u00f3pria vida. 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