{"id":20381,"date":"2017-02-01T19:49:43","date_gmt":"2017-02-01T21:49:43","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/02\/01\/o-que-deus-tem-a-ver-com-o-vinho-e-a-cerveja-e-com-o-brinde\/"},"modified":"2017-05-30T16:18:52","modified_gmt":"2017-05-30T19:18:52","slug":"o-que-deus-tem-a-ver-com-o-vinho-e-a-cerveja-e-com-o-brinde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-que-deus-tem-a-ver-com-o-vinho-e-a-cerveja-e-com-o-brinde\/","title":{"rendered":"O que Deus tem a ver com o vinho e a cerveja? E com o brinde?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/web-toast-brin.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>O brinde \u00e9 um gesto antigo adotado pelos crist\u00e3os e transformado no que conhecemos hoje. Mas n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso&#8230;<\/p>\n<p>Brinda-se em momentos de felicidade, brinda-se para celebrar um acontecimento, brinda-se para recordar um amigo ou um parente . Os momentos mais importantes da vida s\u00e3o comemorados com um copo na m\u00e3o, seja de vinho ou de cerveja.<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 por acaso que os processos de fermenta\u00e7\u00e3o ou de vinifica\u00e7\u00e3o s\u00e3o t\u00e3o antigos e que tenham sido aperfei\u00e7oados pelos monges em v\u00e1rias partes da Europa.<\/p>\n<p>Rino Cammilleri, em seu blog, compartilha esta breve cita\u00e7\u00e3o:<\/p>\n<p>\u201cO ritual dos brindes \u00e9 um gesto t\u00e3o antigo quanto o ato de beber, e tem profundas ra\u00edzes religiosas. Em sua origem, a \u2018liba\u00e7\u00e3o\u2019 consistia, al\u00e9m de invocar as divindades, em oferecer aos deuses o primeiro gole da bebida. Segundo algumas fontes, o h\u00e1bito de bater as ta\u00e7as \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o crist\u00e3, pois seu tilintar emitia um som capaz de afastar os dem\u00f4nios dos sinos das igrejas\u201d (Michael P. Foley, Bebendo com os Santos, 2015).<\/p>\n<p>Mas al\u00e9m disso, sinceramente, me v\u00eam \u00e0 mente as cita\u00e7\u00f5es de Chesterton:<\/p>\n<p> \u201cO grande problema (fala sobre proibi\u00e7\u00f5es) \u00e9 que misturamos causa e efeito. S\u00e3o dois modos de beber. Se algu\u00e9m \u00e9 feliz, bebe para expressar sua alegria. Este \u00e9 um motivo bom para beber. Mas tem tamb\u00e9m o caso de quem n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o infeliz e bebe para buscar a felicidade. E n\u00e3o se chega \u00e0 raiz do problema, fazendo com que se deixe de beber. Para chegar \u00e0 raiz, deve-se mudar o sistema industrial que o torna feliz. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o de distribuir melhor a riqueza, apesar de que isso ajudaria. Temos que conservar os velhos h\u00e1bitos, os bailes, as can\u00e7\u00f5es, as cren\u00e7as, ou seja, as coisas que mantinham o homem feliz antes do nascimento da ind\u00fastria moderna.\u201d<\/p>\n<p>Chesterton recapitula brevemente a quest\u00e3o no livro Herejes, publicado em 1905:<\/p>\n<p>\u201cInstalou-se sobre n\u00f3s, com certa veem\u00eancia, uma nova moral relacionada com o problema da bebida; e os entusiastas desse assunto v\u00e3o desde o homem que \u00e9 violentamente expulso do pub \u00e0s 12:30 por culpa do seu estado de embriaguez at\u00e9 a mulher que destr\u00f3i os balc\u00f5es dos bares com um machado. Nestas discuss\u00f5es, quase sempre se pensa que uma posi\u00e7\u00e3o sensata e moderada seria dizer que o vinho e demais licores deveriam ser usados somente como medicamentos. E eu me atrevo a discordar disso com especial ferocidade. A \u00fanica maneira verdadeiramente perigosa e imoral de beber vinho \u00e9 consider\u00e1-lo um rem\u00e9dio. [\u2026] O mais sensato neste assunto parece ser \u2013 como acontece com tantas coisas sensatas \u2013 um paradoxo. Beba porque voc\u00ea \u00e9 feliz, mas nunca se voc\u00ea for infeliz. N\u00e3o beba nunca se voc\u00ea se sente mal por n\u00e3o beber, ou voc\u00ea ser\u00e1 como aqueles bebedores de gin das favelas, que t\u00eam o rosto cinzento.\u00a0 Beba se voc\u00ea for feliz sem beber, e voc\u00ea ser\u00e1 como o risonho campon\u00eas italiano.<\/p>\n<p>Beber, por si s\u00f3, n\u00e3o \u00e9 um mal, inclusive o pouco de embriaguez que as pessoas sentem \u00e0s vezes n\u00e3o \u00e9 outra coisa a n\u00e3o ser um excesso moment\u00e2neo, desde que n\u00e3o se confunda a garrafa com a fonte da felicidade. Quem \u00e9 feliz sem a garrafa ser\u00e1 tamb\u00e9m com um par de cervejas, ou duas ta\u00e7as de um bom vinho tinto.<\/p>\n<p>Hoje, querem nos fazer deixar de beber, ao inv\u00e9s de nos ensinar a beber. A modera\u00e7\u00e3o \u00e9 o contr\u00e1rio tanto do excesso, quanto da priva\u00e7\u00e3o a toda custa. N\u00e3o se trata de sacrif\u00edcio moment\u00e2neo, \u00fatil e tamb\u00e9m edificante, mas sim da ideia de que beber faz mal para qualquer forma de sa\u00fade obsessiva.<\/p>\n<p>Jesus, de fato, come\u00e7ou seu minist\u00e9rio p\u00fablico em um casamento, quando o vinho tinha acabado. Deus sempre interv\u00e9m frente \u00e0 tristeza, e, uma festa de casamento (momento feliz) n\u00e3o funciona sem afrouxar um pouco a tens\u00e3o\u2026<\/p>\n<p>O que nos assusta hoje, sen\u00e3o os excessos que os jovens de 13 e 14 anos enfrentam com as bebidas alco\u00f3licas ingeridas como \u00e1gua, ou seja, sem crit\u00e9rio, sem gosto e sem verdadeira alegria? Ent\u00e3o, h\u00e1 que se ensinar alegria aos filhos. E explicar a eles que h\u00e1 um tempo para cada coisa, como est\u00e1 em Eclesiastes\u2026<\/p>\n<p>S\u00e3o Arnulfo de Metz dizia: \u201cA cerveja chegou ao mundo pelo suor do homem e pelo amor de Deus.\u201d<\/p>\n<p>Chesterton, em Ortodoxia: \u201cDever\u00edamos agradecer a Deus pela cerveja e pelo Bordeaux sem beb\u00ea-los em excesso.\u201d<\/p>\n<p>Em outras palavras, vamos mostrar nossa gratid\u00e3o a Deus pelo vinho e pela cerveja, gozando destas coisas com alegria e em boa companhia, mas sem nos excedermos. Cada pessoa deve julgar o que \u00e9 o excesso para si pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>Finalmente, para beber tamb\u00e9m existe uma maneira cat\u00f3lica (disfrutar) e outra \u201cdo mundo\u201d (consumir)\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O brinde \u00e9 um gesto antigo adotado pelos crist\u00e3os e transformado no que conhecemos hoje. 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