{"id":20318,"date":"2017-01-30T18:11:23","date_gmt":"2017-01-30T20:11:23","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/01\/30\/meninas-venezuelanas-sao-obrigadas-a-se-prostituir-para-nao-morrer-de-fome\/"},"modified":"2017-05-26T10:45:46","modified_gmt":"2017-05-26T13:45:46","slug":"meninas-venezuelanas-sao-obrigadas-a-se-prostituir-para-nao-morrer-de-fome","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/meninas-venezuelanas-sao-obrigadas-a-se-prostituir-para-nao-morrer-de-fome\/","title":{"rendered":"Meninas venezuelanas s\u00e3o obrigadas a se prostituir para n\u00e3o morrer de fome"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/bbc-prostit-venezuela.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Um retrato da realidade em um pa\u00eds socialmente destru\u00eddo<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A calamidade social generalizada que assola a Venezuela envolve todas as vari\u00e1veis previs\u00edveis em qualquer regime autorit\u00e1rio populista e falido: uma viol\u00eancia \u201cdigna\u201d de guerra civil, que coloca o pa\u00eds entre os mais perigosos do planeta pelo \u00edndice de assassinatos; a censura, fechamento e persegui\u00e7\u00e3o habitual contra os meios de comunica\u00e7\u00e3o independentes; a infla\u00e7\u00e3o mais alta do mundo, que leva pilhas de c\u00e9dulas de centenas de bol\u00edvares a n\u00e3o valerem nada; uma carestia permanente de produtos b\u00e1sicos de higiene, alimentos e medicamentos (incluindo o confisco de rem\u00e9dios doados pela Igreja); o esc\u00e2ndalo criminoso da fome e, entre outras mis\u00e9rias especialmente dolorosas para um pa\u00eds que j\u00e1 esteve entre os mais pr\u00f3speros do mundo, a prolifera\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o infantil e juvenil como tentativa desesperada de obter alguma coisa com a qual se alimentar \u2013 ainda que sejam bananas podres, jogadas fora pelos caminhoneiros de um mercado imundo de frutas, verduras e legumes, envolto por lama e fedor n\u00e3o apenas no sentido literal.<\/p>\n<p>Este foi o cen\u00e1rio encontrado pela BBC no Mercado Los Plataneros, na calorosa Maracaibo.\u00a0 A capital do Estado de Zulia, fronteiri\u00e7o da Col\u00f4mbia, registra toda semana a pris\u00e3o de em m\u00e9dia 10 mulheres acusadas de prostitui\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o do mercado \u2013 4 delas menores de idade, segundo o pr\u00f3prio comandante da Pol\u00edcia Bolivariana, Daniel Noguera. No geral, as pris\u00f5es terminam com breves conselhos e a libera\u00e7\u00e3o de todas, sem que iniciativas eficazes sejam postas em pr\u00e1tica para resolver a situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>Os depoimentos de quem trabalha no local garantem que sempre h\u00e1 alguma ind\u00edgena entre essas meninas, como \u00e9 o caso de Mariela, nome fict\u00edcio usado pela reportagem da BBC para proteger a identidade de uma garota de 14 anos pertencente \u00e0 tribo wayuu. Ela ganha menos de 1 d\u00f3lar por dia vendendo frutas entre os caminh\u00f5es estacionados no mercado de Maracaibo. Embora afirme na frente da m\u00e3e que tamb\u00e9m estuda, a menina \u00e9 apontada por seguran\u00e7as, comerciantes e camel\u00f4s, junto com pelo menos outras 20 adolescentes, como uma das menores que vendem o corpo em troca de bananas, qualquer outro tipo de alimento em quantidades indigentes ou 25 a 50 centavos de d\u00f3lar norte-americano por \u201cprograma\u201c.<\/p>\n<p>\u201cEssas meninas est\u00e3o aqui a toda hora. \u00c9 um desastre. Elas vendem caf\u00e9 ou bananas, mas come\u00e7am a te tocar, falar besteiras. Eles se relacionam com elas dentro dos caminh\u00f5es\u201c, descreve Kelvin Rinc\u00f3n, vendedor de bananas, em refer\u00eancia ao que acontece de verdade com essas meninas e seus aproveitadores em meio ao movimento de caminh\u00f5es que entram e saem do mercado e de crian\u00e7as ind\u00edgenas que perambulam pela sujeira vestindo trapos e pedindo esmolas.<\/p>\n<p>Al\u00e9m das boleias, os programas tamb\u00e9m s\u00e3o feitos em pequenos apartamentos vizinhos ou at\u00e9 em barrac\u00f5es nos arredores do mercado, conforme o relato de Ilse Cruz, uma vendedora de caf\u00e9. Trata-se de pr\u00e1tica comum e sabida por todos.<\/p>\n<p>A prostitui\u00e7\u00e3o na regi\u00e3o do mercado \u00e9 uma das trag\u00e9dias que comp\u00f5em um cen\u00e1rio de roubos, alcoolismo e consumo de drogas envolvendo pelo menos 100 meninos e meninas, a maioria ind\u00edgenas, de acordo com Oswaldo M\u00e1rquez, presidente da Associa\u00e7\u00e3o de Comerciantes do Mercado de Maracaibo.<\/p>\n<p>A numerosa presen\u00e7a de adolescentes ind\u00edgenas nesse panorama de prostitui\u00e7\u00e3o \u00e9 comentada pelo antrop\u00f3logo Mauro Carrero, professor na Universidade do Estado de Zulia: entre os wayuu, \u201ca virgindade n\u00e3o \u00e9 uma preocupa\u00e7\u00e3o moral, como na concep\u00e7\u00e3o judaico-crist\u00e3. E nos dias de hoje ainda existe uma press\u00e3o adicional, que \u00e9 a crise econ\u00f4mica\u201c.<\/p>\n<p>O bolivarianismo se apresenta como um sistema de governo \u201cdo povo e para o povo\u201d, com a suposta inclus\u00e3o social de todas as minorias e o respeito a todos os seus direitos. A constitui\u00e7\u00e3o da Venezuela dedica um cap\u00edtulo inteiro aos direitos das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas. Na pr\u00e1tica, por\u00e9m, \u201ch\u00e1 um abandono total do ponto de vista social. H\u00e1 fome, desemprego e pouca educa\u00e7\u00e3o. At\u00e9 os pais dessas meninas fazem vista grossa\u201c, denuncia o deputado Virgilio Ferrer, integrante da Comiss\u00e3o de Povos Ind\u00edgenas da Assembleia Nacional, atribuindo a prolifera\u00e7\u00e3o da prostitui\u00e7\u00e3o infantil entre as meninas wayuu ao desprezo efetivo pelas popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas do pa\u00eds.<\/p>\n<p>O censo de 2011 registrou 415 mil ind\u00edgenas na Venezuela. A maior parte deles est\u00e1 concentrada nos povoados de Mara, Guajira e Almirante Padilla, todos no Estado de Zulia. A desnutri\u00e7\u00e3o infantil nesse Estado chega a 20% na m\u00e9dia geral, conforme a Secretaria Estadual de Sa\u00fade, mas sobe para 30% no caso das popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas.<\/p>\n<p>A pobreza atinge nada menos que 80% dos 3,7 milh\u00f5es de habitantes dessa regi\u00e3o venezuelana, segundo pesquisas da soci\u00f3loga e professora Natalia S\u00e1nchez, tamb\u00e9m da Universidade do Estado de Zulia. Ela compara: \u201cH\u00e1 dez anos, esse indicador estava em 55%. E, hoje, mais de 35% dessa pobreza geral est\u00e1 no n\u00edvel extremo\u201c.<\/p>\n<p>Voltando ao mercado de Maracaibo, um operador de empilhadeiras chamado Jhonny ressalta o papel da fome como estopim para os demais desastres sociais do cotidiano naquele lugar: \u201c\u00c9 horr\u00edvel. \u00c0s vezes, vejo as crian\u00e7as comendo bananas podres que os caminhoneiros jogam fora\u201c.<\/p>\n<p>Horr\u00edvel \u00e9 tamb\u00e9m a decad\u00eancia moral que leva homens de 40 anos a falarem natural e abertamente sobre o seu pr\u00f3prio consumo de prostitui\u00e7\u00e3o infantil em frente a uma venda de sucos de laranja a 300 bol\u00edvares o copo \u2013 menos de um centavo de d\u00f3lar. Esta cena foi flagrada pela reportagem da BBC. Os dois homens em quest\u00e3o, rindo do pr\u00f3prio crime, comentaram ao verem passar uma menina de minissaia: \u201cConvidei essa menininha e ela aceitou. Tem 15 aninhos. Levei para o Gran Bazar (um centro comercial pr\u00f3ximo, ndr.), ofereci duas cervejas e disse \u2018venha\u2019\u201c.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um retrato da realidade em um pa\u00eds socialmente destru\u00eddo A calamidade social generalizada que assola a Venezuela envolve todas as vari\u00e1veis previs\u00edveis em qualquer regime autorit\u00e1rio populista e falido: uma viol\u00eancia \u201cdigna\u201d de guerra civil, que coloca o pa\u00eds entre os mais perigosos do planeta pelo \u00edndice de assassinatos; a censura, fechamento e persegui\u00e7\u00e3o habitual [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":20317,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-20318","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20318","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20318"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20318\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":23181,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20318\/revisions\/23181"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20317"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}