{"id":20173,"date":"2017-01-23T12:38:03","date_gmt":"2017-01-23T14:38:03","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/01\/23\/nenhum-sofrimento-e-em-vao\/"},"modified":"2017-05-30T16:21:01","modified_gmt":"2017-05-30T19:21:01","slug":"nenhum-sofrimento-e-em-vao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/nenhum-sofrimento-e-em-vao\/","title":{"rendered":"Nenhum sofrimento \u00e9 em v\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/21460lpr_b6373edd33b86ec.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>As pessoas querem uma resposta m\u00e1gica, uma t\u00e9cnica ou um truque para acabar com o sofrimento. Mas n\u00e3o existe<\/p>\n<p>Nenhum sofrimento \u00e9 em v\u00e3o. E eu n\u00e3o estou me referindo ao sofrimento que proporcionamos ao pr\u00f3ximo. Estou me referindo ao sofrimento que, de certo modo, \u00e9 um treino para n\u00f3s. Nosso sofrimento \u00e9 \u00fatil neste mundo, e isso \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o que faz com que nossas perdas sejam um pouco mais f\u00e1ceis de lidar.<\/p>\n<p>Na noite passada, eu estava sentado na sala de estar no come\u00e7o da madrugada e, enquanto revisava o texto de uma pessoa,\u00a0 chegou um e-mail de um amigo. \u00c9 um amigo divertido, e revisar o estilo de um texto, n\u00e3o \u00e9. Ent\u00e3o, decidi abrir a mensagem.<\/p>\n<p>Ele estava escrevendo do hospital. Um de seus amigos mais pr\u00f3ximos acabava de ser internado, depois de tr\u00eas anos e meio lutando contra um agressivo c\u00e2ncer no c\u00e9rebro. Ele me pedia conselho sobre como acompanhar seu amigo. Desculpou-se por me escrever com um tema t\u00e3o doloroso, mas precisava de ajuda de verdade.<\/p>\n<p>A longa noite no hospital<\/p>\n<p>Meus pensamentos voltaram a tr\u00eas meses atr\u00e1s, naquela longa noite que eu passei no hospital, sentado junto \u00e0 cama de minha irm\u00e3. Era o fim de seis meses dedicados quase que totalmente a ela. Escrevi, aqui, sobre aquele \u00faltimo dia e noite. Foi uma dor inconceb\u00edvel.<\/p>\n<p>Por isso, tinha algo a dizer a meu amigo, algo que podia dizer com autoridade. Quando minha irm\u00e3 agonizava \u2013\u00a0 e durante um tempo depois de sua morte \u2013, as pessoas me diziam todos os tipos de coisas, com a inten\u00e7\u00e3o de ajudar e consolar. Recebi muitos conselhos, juntamente com a condol\u00eancias fraternais. A inten\u00e7\u00e3o era boa e, geralmente, via verdade no que estavam dizendo. Mas, mesmo assim, queria que grade parte deles se calassem ou que se calassem e dessem o fora.<\/p>\n<p>Alguns tentavam fazer que a coisa parecesse f\u00e1cil. Mas, isso s\u00f3 piorava o problema. Inclusive, quando percebiam a dor, muitos falavam de algo que n\u00e3o conheciam. Talvez dissessem verdades, mas eram verdades n\u00e3o vividas.<\/p>\n<p>Aqueles que tinham sofrido da mesma forma, raramente diziam algo. J\u00e1 sabiam o que estava acontecendo. As poucas palavras que pronunciavam eram com autoridade. Inclusive seu sincero \u201csinto muito\u201d significava muito, porque tinham passado pela mesma coisa.<\/p>\n<p>Falavam com a solidariedade de amigos, de velhos companheiros. Eu me sentia como se estiv\u00e9ssemos ombro a ombro na guerra. Nenhum deles falava como se tivesse resposta. N\u00e3o tinha de dizer muito, porque o que diziam era sempre \u00fatil. A compreens\u00e3o deles era o suficiente.<\/p>\n<p>A mensagem de resposta<\/p>\n<p>Claro, respondi imediatamente ao meu amigo. E isso foi o que eu lhe disse:<\/p>\n<p>As pessoas que passam por algo assim, geralmente, desejam uma resposta m\u00e1gica, algum truque ou m\u00e9todo infal\u00edvel, algo que possam fazer e que sirva de ajuda de verdade. Sei isso por experi\u00eancia pr\u00f3pria. E tamb\u00e9m sei que n\u00e3o existe nada disso.<\/p>\n<p>Minha resposta n\u00e3o \u00e9 dram\u00e1tica e, talvez, n\u00e3o seja satisfat\u00f3ria. Mas, o melhor que voc\u00ea pode fazer \u00e9 acompanhar seu amigo, somente isso: acompanhar.<\/p>\n<p>Disse-lhe que, segundo minha experi\u00eancia e o que aprendi com os outros, os agonizantes n\u00e3o querem nada de n\u00f3s, n\u00e3o querem serm\u00f5es, n\u00e3o querem interagir com a gente. Talvez, n\u00f3s queremos isso, mas eles n\u00e3o. N\u00e3o podemos fazer nada (com exce\u00e7\u00e3o da ajuda, na pr\u00e1tica), al\u00e9m de estar com eles. Isso era o que a minha irm\u00e3 queria.<\/p>\n<p>Falei ao meu amigo sobre o fim. Minha esposa e eu ficamos sentados junto a Karen nos seus \u00faltimos dias. Era tudo o que ela queria. N\u00e3o queria falar. De toda forma, n\u00e3o h\u00e1 nada para dizer. A maioria n\u00e3o quer escutar piedades, nem sequer ouvir sobre o que acreditam.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, me sentei com ela durante sua \u00faltima noite, despois que ela tinha piorado claramente, at\u00e9 que decidiu que queria ir al hospital. Quando chegamos l\u00e1, por volta das 10 horas, ela j\u00e1 estava adormecida. Rezamos ao seu lado e,\u00a0 depois, fiquei a noite toda sentado ao lado dela. Minha esposa, Hope, dormiu no sof\u00e1.<\/p>\n<p>Eu pegava na m\u00e3o da minha irm\u00e3 e, de vez em quando, cantava. Talvez, em grande parte, por satisfa\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria, mesmo que alguns especialistas afirmem que os agonizantes podem escutar tudo, inclusive quando pensamos que eles est\u00e3o dormindo. Talvez, porque tinha escutado aquela m\u00fasica na r\u00e1dio aquele dia, cantei v\u00e1rias vezes o primeiro verso de Long May You Run, de Neil Young. N\u00e3o sei a que se refere o \u201ccora\u00e7\u00e3o cromado\u201d da letra, mas \u201cseu cora\u00e7\u00e3o cromado brilhando sob o sol \/ longo seja o seu caminho\u201d me parecia apropriado para ela.<\/p>\n<p>De vez em quando, conversava com ela. Rezei muitas dezenas do ter\u00e7o. Chorei muito.<\/p>\n<p>O fato de eu estar l\u00e1 nos \u00faltimos dias era importante para ela. Rezo para que minha presen\u00e7a no hospital depois que ela dormiu tamb\u00e9m tenha significado muito para ela, mesmo que isso eu s\u00f3 v\u00e1 saber no pr\u00f3ximo mundo.<\/p>\n<p>Mas o acompanhe, simplesmente esteja a\u00ed. \u00c9 muito importante.<\/p>\n<p>Isso foi o que escrevi ao meu amigo e lhe pareceu \u00fatil. O sofrimento daquele dia com minha irm\u00e3 foi \u00fatil para aquele que precisava escutar algu\u00e9m que j\u00e1 tivesse passado por essa experi\u00eancia. \u00c9 algo que alivia muito a carga, quando h\u00e1 muitas coisas que conspiram para lembrar a dor. Seu sofrimento n\u00e3o \u00e9 em v\u00e3o. Eles est\u00e3o te treinando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pessoas querem uma resposta m\u00e1gica, uma t\u00e9cnica ou um truque para acabar com o sofrimento. Mas n\u00e3o existe Nenhum sofrimento \u00e9 em v\u00e3o. E eu n\u00e3o estou me referindo ao sofrimento que proporcionamos ao pr\u00f3ximo. Estou me referindo ao sofrimento que, de certo modo, \u00e9 um treino para n\u00f3s. 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