{"id":20104,"date":"2017-01-19T15:59:38","date_gmt":"2017-01-19T17:59:38","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/01\/19\/verdadeiramente-a-ausencia-de-deus-nao-existe\/"},"modified":"2017-05-05T10:37:37","modified_gmt":"2017-05-05T13:37:37","slug":"verdadeiramente-a-ausencia-de-deus-nao-existe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/verdadeiramente-a-ausencia-de-deus-nao-existe\/","title":{"rendered":"Verdadeiramente a Aus\u00eancia de Deus N\u00e3o Existe"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Filme Agnus Dei &#8211; As inocentes&#8221;, de Anne Fontaine<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cineasta francesa realiza a sua melhor pel\u00edcula neste drama sobre mulheres entre o horror e a vida. Uma comunidade de monjas de clausura polacas que foram agredidas e violadas por soldados do ex\u00e9rcito sovi\u00e9tico no fim da II Guerra Mundial. Uma enfermeira agn\u00f3stica de uma miss\u00e3o m\u00e9dica do ex\u00e9rcito que se prontifica a ajud\u00e1-las, partilhando o seu sofrimento. A desorienta\u00e7\u00e3o da superiora que, querendo contornar o mal, o multiplica. A vida que ajuda a f\u00e9 a seguir em frente desde a maternidade como for\u00e7a transcendente. O encontro de crist\u00e3os, judeus e agn\u00f3sticos entre a dor e a compaix\u00e3o. As monjas ajudadas pela generosidade corajosa da jovem m\u00e9dica a quem reconhecem como um dom, e ela mesma aben\u00e7oada por este encontro e pela sua rela\u00e7\u00e3o com aquela comunidade de orantes feridas. Os pequenos rec\u00e9m-nascidos como uma irrup\u00e7\u00e3o da luz que permite olhar para diante mais do que recordar um passado traum\u00e1tico. Uma can\u00e7\u00e3o \u00e0 vida que n\u00e3o s\u00f3 \u00e9 biologia, mas que tamb\u00e9m sabe a eternidade. O bom Deus se revela de tal forma que a mente humana se rende a transcend\u00eancia. A provid\u00eancia numa a\u00e7\u00e3o que encanta profundamente o ser. Age para impactar a completude humana!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Papa Francisco Louva Nostalgia de Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a \u00abnostalgia de Deus\u00bb que \u00abrompe com inertes conformismos\u00bb e impele para a \u00abprocura de Deus, como os magos, nos lugares mais rec\u00f4nditos da hist\u00f3ria\u00bb, afirmou\u00a0 o papa Francisco, na bas\u00edlica de S\u00e3o Pedro, no Vaticano (06\/01\/2017).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os magos que v\u00e3o ao encontro de Jesus rec\u00e9m-nascido constituem \u201co retrato da pessoa crente, da pessoa que tem nostalgia de Deus; o retrato de quem sente a falta da sua casa: a p\u00e1tria celeste. Refletem a imagem de todos os seres humanos que n\u00e3o deixaram, na sua vida, anestesiar o pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No lado oposto da inquieta\u00e7\u00e3o e da busca est\u00e3o aqueles que, como o rei Herodes, sentados na cadeira de um poder terreno omnipotente, t\u00eam medo de perder os privil\u00e9gios: \u00ab\u00c9 aquela perturba\u00e7\u00e3o que leva a pessoa, \u00e0 vista da novidade que revoluciona a hist\u00f3ria, a fechar-se em si mesma, nos seus resultados, nos seus conhecimentos, nos seus sucessos\u00bb.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a perturba\u00e7\u00e3o de quem repousa na sua riqueza, incapaz de ver mais al\u00e9m. \u00c9 a perturba\u00e7\u00e3o que nasce no cora\u00e7\u00e3o de quem quer controlar tudo e todos; uma perturba\u00e7\u00e3o pr\u00f3pria de quem vive imerso na cultura que imp\u00f5e vencer a todo o custo, na cultura onde s\u00f3 h\u00e1 espa\u00e7o para os \u201cvencedores\u201d e a qualquer pre\u00e7o, prosseguiu o papa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00abDescobrir que o olhar de Deus levanta, perdoa, cura. Descobrir que Deus quis nascer onde n\u00e3o o esper\u00e1vamos, onde talvez n\u00e3o o quis\u00e9ssemos; ou onde muitas vezes o negamos. Descobrir que, no olhar de Deus, h\u00e1 lugar para os feridos, os cansados, os maltratados e os abandonados: que a sua for\u00e7a e o seu poder se chamam miseric\u00f3rdia. Como \u00e9 distante, para alguns, Jerusal\u00e9m de Bel\u00e9m!\u00bb, assinalou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho Nostalgia de Deus<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O intelectual portugu\u00eas\u00a0 Dr. Jos\u00e9 Tolentino Cala\u00e7a Mendon\u00e7a\u00a0 recorda um filme de Manoel de Oliveira, o mestre do cinema da palavra. O filme intitula-se \u201cO convento\u201d, e \u00e9 um grande fresco das quest\u00f5es centrais da arte de Oliveira: o destino do ser humano, a culpa e a reden\u00e7\u00e3o, o amor (ser\u00e1 poss\u00edvel o amor? \u2013 pergunta-se o realizador), o sofrimento e a gra\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No filme h\u00e1 um di\u00e1logo, a dada altura, sobre a inquieta\u00e7\u00e3o vivida por uma das personagens: \u00abO que \u00e9 que tem?\u00bb. Ela, num primeiro momento, fica calada; depois responde: \u00abTenho nostalgia de Deus\u00bb.<br \/>Verdadeiramente a aus\u00eancia de Deus n\u00e3o existe. Mesmo quando o ambiente cultural parece dominado pela dist\u00e2ncia ou pela indiferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o de Deus, \u00e9 importante dizer que as coisas n\u00e3o s\u00e3o exatamente assim. Deus permanece uma quest\u00e3o, tanto para quem cr\u00ea como para os n\u00e3o crentes. H\u00e1 sempre, em cada cora\u00e7\u00e3o humano, uma esp\u00e9cie de nostalgia, uma abertura, uma disponibilidade para a vida do esp\u00edrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Devemos aprender, talvez, a ler melhor a cultura contempor\u00e2nea nas suas turbul\u00eancias e obsess\u00f5es. Devemos escutar, talvez, sob a crosta dos rumores ensurdecedores, os passos de Deus que sem cessar anda \u00e0 nossa procura. A impress\u00e3o digital de Deus est\u00e1 tatuada no cora\u00e7\u00e3o do ser humano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 de radical ortodoxia que n\u00e3o existe a aus\u00eancia do Eterno e Todo-Poderoso. Assim como n\u00e3o existe a aus\u00eancia do belo, do amor, da felicidade e da busca intermin\u00e1vel do desconhecido&#8230; A \u00e2nsia de desejo, do querer, do saber e do fazer e nunca estacionar no tempo e no espa\u00e7o, ir al\u00e9m da escatologia na certeza da eterna celestialidade. Sil\u00eancio, presen\u00e7a sublime do bom Deus e na solid\u00e3o do nosso cora\u00e7\u00e3o sua habita\u00e7\u00e3o. No deserto da nossa vida, no pensar que tudo est\u00e1 distante e na escurid\u00e3o da dor, Deus \u00e9 a luz da nossa gloriosa companhia!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Frei In\u00e1cio Jos\u00e9 do Vale<br \/>Professor e conferencista<br \/>Soci\u00f3logo em Ci\u00eancia da Religi\u00e3o<br \/>Irm\u00e3ozinho da Fraternidade da Visita\u00e7\u00e3o de Charles de Foucauld<br \/>E-mail: pe.inacio.jose@gmail.com<\/p>\n<p>Fontes:<br \/>https:\/\/www.google.com.br\/#q=Jos%C3%A9+Tolentino+Mendon%C3%A7a+<br \/>http:\/\/snpcultura.org\/sob_a_crosta_dos_rumores.html<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Filme Agnus Dei &#8211; As inocentes&#8221;, de Anne Fontaine A cineasta francesa realiza a sua melhor pel\u00edcula neste drama sobre mulheres entre o horror e a vida. 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