{"id":20085,"date":"2017-01-02T03:00:00","date_gmt":"2017-01-02T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/01\/02\/o-respeito-ao-sagrado\/"},"modified":"2017-05-05T11:29:27","modified_gmt":"2017-05-05T14:29:27","slug":"o-respeito-ao-sagrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-respeito-ao-sagrado\/","title":{"rendered":"O respeito ao sagrado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em tempos de paz, de convuls\u00e3o social ou de guerra, sempre os templos religiosos gozaram de uma imunidade que os caracterizam como local de acolhida e de respeito \u00e0 vida. Chamam a aten\u00e7\u00e3o as barb\u00e1ries cometidas pelas guerras mundo afora, e como os locais religiosos s\u00e3o retratados pela imprensa quando s\u00e3o atingidos ou retomados depois de ocupa\u00e7\u00f5es. <br \/>Tivemos muitos epis\u00f3dios em v\u00e1rias comunidades com rela\u00e7\u00e3o aos templos religiosos, assim como tamb\u00e9m no centro da cidade, tanto em tempos de protestos como em tempos de convuls\u00e3o social. Nem sempre foram para se refugiar de persegui\u00e7\u00f5es, outras vezes para protestar, e em outro momento, para se aproveitar de um lugar estrat\u00e9gico. Quantas vezes experimentamos destrui\u00e7\u00e3o dos mesmos devido \u00e0 intoler\u00e2ncia religiosa? E outras vezes, mesmo fora dos templos, o vilip\u00eandio \u00e0s imagens sacras nas ruas, ou ainda verbalmente ou virtualmente. Existe uma perigosa falta de respeito aos direitos ao culto e \u00e0 religi\u00e3o de cada um. As acusa\u00e7\u00f5es de uns contra os outros nem sempre levam em considera\u00e7\u00e3o que o que um acusa o outro, o faz de outra maneira e com objetivos inconfess\u00e1veis.<br \/>\u00c9 importante que a cultura do respeito aos locais e imagens sacras, que significa o respeito ao outro e \u00e0 sua liberdade de culto, deve ser levada em considera\u00e7\u00e3o. Quando o povo de Deus estava no Egito como escravo, o pedido para sair foi para que pudessem cultuar o Seu Deus. Os mart\u00edrios de ontem e de hoje de tantos homens e mulheres canonizados demonstram essa intoler\u00e2ncia em todos os tempos, lugares e \u00e9pocas. Isso ocorre em todos os regimes, mas os totalit\u00e1rios primam por querer silenciar ou domesticar a religi\u00e3o para se utilizarem dela para dominar as pessoas. <br \/>Reflito sobre isso ao pensar sobre o ano que passou e sobre alguns epis\u00f3dios que passamos. Alguns noticiados amplamente pela imprensa, outros totalmente desconhecidos pelo povo em geral. Em alguns lugares n\u00e3o chegam as reportagens. Outras vezes mesmo noticiados os processos n\u00e3o chegam ao final, como o caso do vilip\u00eandio das imagens durante a JMJ tr\u00eas anos atr\u00e1s.<br \/>Fatos deplor\u00e1veis que chocam as pessoas de boa vontade que sonham com a liberdade, pensamento e o respeito de um pelo outro. Isso se torna triste quando s\u00e3o bens tombados e patrim\u00f4nios da humanidade. Vimos como foram destru\u00eddos muitos devido a fanatismos religiosos. <br \/>A igreja templo deve ser (e tem sido) a casa de Deus e lugar de paz, onde n\u00e3o poucas pessoas buscam ref\u00fagio na sua aridez espiritual, muito especialmente junto ao Senhor Jesus no Sant\u00edssimo Sacramento. Ainda: a Igreja sempre serviu ao atendimento dos mais necessitados e nunca como lugar de opress\u00e3o a quem quer que seja. Em locais centrais, mesmo pessoas n\u00e3o crist\u00e3s buscam um pouco de paz e tranquilidade na az\u00e1fama da correria da grande cidade.\u00a0 <br \/>Sobre os templos religiosos sempre se difundiu, n\u00e3o obstante abusos, um costume circulante desde remota data que, mesmo em tempo de guerra declarada, \u201c\u00c9 proibido atacar ou invadir igrejas ou edif\u00edcios de culto religioso, monumentos hist\u00f3ricos, hospitais e outros locais com doentes e feridos\u201d. <br \/>Desejo, irm\u00e3o e irm\u00e3, lembrar ainda dois pontos b\u00e1sicos que muito interessam a respeito de um templo religioso, seja ele de qual religi\u00e3o for, mas aqui, de um modo especial, refiro-me \u00e0s igrejas cat\u00f3licas, da forma como ela \u00e9 entendida no Magist\u00e9rio da Igreja. Diz, com efeito, o Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica o seguinte: \u201cA Igreja \u00e9 tamb\u00e9m muitas vezes chamada constru\u00e7\u00e3o de Deus. O pr\u00f3prio Senhor se comparou \u00e0 pedra que os construtores rejeitaram e que se tornou pedra angular (Mt 21, 42 par.: At 4, 11; 1 Pd 2, 7; Sl 118, 22). Sobre esse fundamento \u00e9 a Igreja constru\u00edda pelos Ap\u00f3stolos, e dele recebe firmeza e coes\u00e3o. Esta constru\u00e7\u00e3o recebe v\u00e1rios nomes: casa de Deus, na qual habita a sua fam\u00edlia; habita\u00e7\u00e3o de Deus no Esp\u00edrito; tabern\u00e1culo de Deus com os homens; e, sobretudo, templo santo, o qual, representado pelos santu\u00e1rios de pedra e louvado pelos santos Padres, \u00e9 com raz\u00e3o comparado, na Liturgia, \u00e0 cidade santa, a nova Jerusal\u00e9m. Nela, com efeito, somos edificados c\u00e1 na Terra como pedras vivas. Esta cidade, S. Jo\u00e3o contemplou-a \u2018descendo do c\u00e9u, da presen\u00e7a de Deus, na renova\u00e7\u00e3o do mundo, como esposa adornada para ir ao encontro do esposo\u2019. (Ap 21, 1-2)\u201d (\u00a7 756).<br \/>Tamb\u00e9m o C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico assim diz sobre a fun\u00e7\u00e3o de uma igreja: \u201cEm lugar sagrado s\u00f3 se admita aquilo que favore\u00e7a o exerc\u00edcio e a promo\u00e7\u00e3o do culto, da piedade, da religi\u00e3o; pro\u00edba-se tudo quanto for inconveniente \u00e0 santidade do lugar. Todavia, o Ordin\u00e1rio, per modum actus, pode permitir outros usos, n\u00e3o, por\u00e9m contr\u00e1rios \u00e0 santidade do lugar\u201d (c\u00e2non 1210).<br \/>Em coment\u00e1rio de rodap\u00e9, escreve o Pe. Jes\u00fas Hortal, SJ, o que segue: \u201cSob o nome de \u2018piedade e religi\u00e3o\u2019, incluem-se tamb\u00e9m aquelas coisas que dizem respeito \u00e0 promo\u00e7\u00e3o do homem, no sentido crist\u00e3o\u201d. (Comunicationes 12, 1980, p. 331). Coisa semelhante se pode dizer \u201cdas celebra\u00e7\u00f5es dos irm\u00e3os de outras confiss\u00f5es crist\u00e3s, quando, por carecerem de templo pr\u00f3prio ou por outro motivo justo, permite-se lhes o uso de templos cat\u00f3licos\u201d.<br \/>A igreja, casa de Deus, h\u00e1 de ser local de paz e de esperan\u00e7a e n\u00e3o se pode criar precedentes a graves desrespeitos \u00e0 casa de Deus e, talvez, at\u00e9 a seus fi\u00e9is. Olhando os epis\u00f3dios pelo mundo afora e verificando as necessidades de restabelecer a ordem e o respeito, neste ano que iniciamos esperamos que saibamos constru\u00ed-lo no entendimento entre as pessoas e no respeito \u00e0s institui\u00e7\u00f5es, assim como \u00e0 liberdade e respeito do culto. As intoler\u00e2ncias ou desrespeitos s\u00f3 se somar\u00e3o aos problemas que n\u00e3o construir\u00e3o a t\u00e3o sonhada fraternidade e prosperidade que todos desejamos. <br \/>A Igreja, anunciadora da paz e da justi\u00e7a, olha com responsabilidade e confian\u00e7a o momento presente e, meditando com Maria \u201csobre tudo isso em seu cora\u00e7\u00e3o\u201d, sabe que este \u00e9 um momento de esperan\u00e7as que renascem e que devem ser compartilhadas diante do caos que ora vivemos. Para quem cr\u00ea n\u2019Aquele que morreu, foi sepultados e ressuscitou, tem consigo uma boa not\u00edcia eterna a anunciar ao mundo de hoje e de sempre. E este an\u00fancio nos compromete ainda mais para vivermos com entusiasmo a nossa f\u00e9.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em tempos de paz, de convuls\u00e3o social ou de guerra, sempre os templos religiosos gozaram de uma imunidade que os caracterizam como local de acolhida e de respeito \u00e0 vida. 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