{"id":20081,"date":"2017-01-03T03:00:00","date_gmt":"2017-01-03T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/01\/03\/a-misericordia-que-continua\/"},"modified":"2017-05-05T11:23:52","modified_gmt":"2017-05-05T14:23:52","slug":"a-misericordia-que-continua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-misericordia-que-continua\/","title":{"rendered":"A Miseric\u00f3rdia que continua"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No dia 21 de novembro do ano passado, ao concluir o Ano Santo da Miseric\u00f3rdia, o Papa Francisco entregou \u00e0 Igreja o documento \u201cmiseric\u00f3rdia e mis\u00e9ria\u201d (misericordia et misera), no intuito de continuar o clima desencadeado por esse tempo aben\u00e7oado que a Igreja viveu com as peregrina\u00e7\u00f5es e celebra\u00e7\u00f5es do jubileu extraordin\u00e1rio. E dando sinais de acolhida \u00e0 Fraternidade Sacerdotal S\u00e3o Pio X concedeu a faculdade dada a toda a Igreja tamb\u00e9m aos sacerdotes dessa fraternidade.<br \/>O Papa, j\u00e1 ao proclamar, com entusiasmo, o Jubileu Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia, n\u00e3o quis resolver os problemas pr\u00e1ticos que cercam a volta plena da FSSPX \u00e0 Igreja, mas desejou demonstrar-lhes benevolente miseric\u00f3rdia e generosa acolhida ao conceder, na Carta sobre o Ano Jubilar, de 1\u00ba de setembro de 2015, como Supremo Pastor da Igreja, que os sacerdotes da Fraternidade absolvessem de modo v\u00e1lido e l\u00edcito os fi\u00e9is que a eles recorressem.<br \/>S\u00e3o palavras do Papa: \u201cUma \u00faltima considera\u00e7\u00e3o \u00e9 dirigida aos fi\u00e9is que por diversos motivos sentem o desejo de frequentar as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade S\u00e3o Pio X. Este Ano Jubilar da Miseric\u00f3rdia n\u00e3o exclui ningu\u00e9m. De diversas partes, alguns irm\u00e3os Bispos referiram-me acerca da sua boa f\u00e9 e pr\u00e1tica sacramental, por\u00e9m unida \u00e0 dificuldade de viver uma condi\u00e7\u00e3o pastoralmente \u00e1rdua. Confio que no futuro pr\u00f3ximo se possam encontrar solu\u00e7\u00f5es para recuperar a plena comunh\u00e3o com os sacerdotes e os superiores da Fraternidade. Entretanto, movido pela exig\u00eancia de corresponder ao bem destes fi\u00e9is, estabele\u00e7o por minha pr\u00f3pria vontade que quantos, durante o Ano Santo da Miseric\u00f3rdia, se aproximarem para celebrar o Sacramento da Reconcilia\u00e7\u00e3o junto dos sacerdotes da Fraternidade S\u00e3o Pio X recebam validamente e licitamente a absolvi\u00e7\u00e3o dos seus pecados\u201d.<br \/>Agora, passado o Ano Jubilar Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia, como dissemos acima, o Papa voltou a dar sinais de acolhida para com a FSSPX ao escrever: \u201cNo Ano do Jubileu, aos fi\u00e9is que por variados motivos frequentam as igrejas oficiadas pelos sacerdotes da Fraternidade de S\u00e3o Pio X, tinha-lhes concedido receber v\u00e1lida e licitamente a absolvi\u00e7\u00e3o sacramental dos seus pecados. Para o bem pastoral destes fi\u00e9is e confiando na boa vontade dos seus sacerdotes para que se possa recuperar, com a ajuda de Deus, a plena comunh\u00e3o na Igreja Cat\u00f3lica, estabele\u00e7o por minha pr\u00f3pria decis\u00e3o de estender esta faculdade para al\u00e9m do per\u00edodo jubilar, at\u00e9 novas disposi\u00e7\u00f5es sobre o assunto, a fim de que a ningu\u00e9m falte jamais o sinal sacramental da reconcilia\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s do perd\u00e3o da Igreja\u201d. (Misericordia et misera, n. 12).<br \/>Assim, o Papa Francisco, fiel \u00e0 sua proposta de estender a todos os que desejam de bra\u00e7os e cora\u00e7\u00e3o abertos acolher a miseric\u00f3rdia de Deus em suas vidas, n\u00e3o deixou de olhar com um carinho especial para a Fraternidade Sacerdotal S\u00e3o Pio X (FSSPX). Esse \u00e9 um sinal que demonstra uma abertura importante, pois essa Fraternidade mant\u00e9m reservas teol\u00f3gicas para com a Igreja de Roma no que toca, especialmente, a pontos de grande parte dos documentos do Conc\u00edlio Ecum\u00eanico Vaticano II (1962-1965). Ela, segundo informa\u00e7\u00f5es, n\u00e3o seria \u201csedevacantistas\u201d, pois em suas Missas, o nome do Papa Francisco e do Bispo local s\u00e3o mencionados na parte correspondente da Santa Missa.<br \/>A quest\u00e3o da Fraternidade se foca em pontos do Conc\u00edlio Vaticano II e da\u00ed, apesar dos di\u00e1logos abertos com a Santa S\u00e9, continuam afirmando que o Conc\u00edlio Vaticano II foi de \u00edndole pastoral e, por isso, n\u00e3o tocou em verdades do Depositum Fidei da Igreja.<br \/>Por essa atitude, no m\u00ednimo estranha, brevemente descrita, a Santa S\u00e9 declarou a Fraternidade Sacerdotal S. Pio X cism\u00e1tica \u2013 afastada de Roma sem renegar verdades de f\u00e9, pois se negasse seria her\u00e9tica \u2013 em 1996, de acordo com o boletim SNOP, da Confer\u00eancia dos Bispos Franceses, n. 1813, de 04\/07\/1997, p. 23. Essa classifica\u00e7\u00e3o de cism\u00e1tica parece n\u00e3o ter sido ainda revertida, apesar dos di\u00e1logos entre a Santa S\u00e9 e a Fraternidade, uma vez que o Santo Padre espera \u201cboa vontade dos sacerdotes da Fraternidade para que se possa recuperar, com a ajuda de Deus, a plena comunh\u00e3o na Igreja Cat\u00f3lica\u201d. (Misericordia et misera, n. 12).<br \/>Aprofundando um pouco mais, devemos dizer que a tentativa de retorno dos membros da Fraternidade come\u00e7ou com o Papa Bento XVI. Rodrigo Coppe Caldeira, articulista do jornal O Lutador de 11-20\/04\/09, p. 03, deixou claro que a inten\u00e7\u00e3o j\u00e1 do Papa Bento XVI era fazer um trabalho conjunto entre a Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o Ecclesia Dei e a Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, a fim de juntas chegarem, no di\u00e1logo com a FSSPX, \u00e0 plena comunh\u00e3o desta com Roma. Sobre o que versaria, especificamente, esse di\u00e1logo? \u2013 A respeito da aceita\u00e7\u00e3o do Conc\u00edlio Vaticano II e do magist\u00e9rio p\u00f3s-conciliar dos papas. <br \/>A prop\u00f3sito disso, o pr\u00f3prio Bento XVI tinha alertado: \u201cN\u00e3o se pode congelar a autoridade magisterial da Igreja no ano de 1962: isto deve ser bem claro para a Fraternidade\u201d. Isto \u00e9, defender que as decis\u00f5es do magist\u00e9rio eclesi\u00e1stico s\u00e3o leg\u00edtimas somente at\u00e9 Pio XII, o \u00faltimo Papa antes do Conc\u00edlio Vaticano II, n\u00e3o \u00e9 correto e n\u00e3o pode ser aceito.<br \/>Cabe, por fim, uma palavra sobre a diferen\u00e7a entre um sacerdote ministrar o sacramento, do ponto de vista can\u00f4nico, de modo v\u00e1lido e l\u00edcito: \u00e9 v\u00e1lido quando os referidos sacerdotes foram ordenados por um Bispo que conserva a sucess\u00e3o apost\u00f3lica. Da\u00ed vem aos sacerdotes a capacidade de exercerem de modo v\u00e1lido o minist\u00e9rio. Contudo, \u00e9 il\u00edcito ou pecaminoso se \u2013 sem licen\u00e7a especial da autoridade eclesi\u00e1stica competente \u2013 est\u00e3o em comunh\u00e3o imperfeita com a Igreja ou em cisma \u2013 continuam a exercer o minist\u00e9rio.<br \/>No caso dos padres da FSSPX, o Papa Francisco concede, uma vez mais, e agora por tempo indeterminado at\u00e9 segunda decis\u00e3o, que eles deem de modo v\u00e1lido e l\u00edcito a absolvi\u00e7\u00e3o sacramental aos fi\u00e9is que os procuram. O Papa, ao proclamar a continua\u00e7\u00e3o do clima da miseric\u00f3rdia, d\u00e1 sinais claros da import\u00e2ncia da aproxima\u00e7\u00e3o e do di\u00e1logo na busca da cultura do encontro. \u00c9 tempo de miseric\u00f3rdia!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 21 de novembro do ano passado, ao concluir o Ano Santo da Miseric\u00f3rdia, o Papa Francisco entregou \u00e0 Igreja o documento \u201cmiseric\u00f3rdia e mis\u00e9ria\u201d (misericordia et misera), no intuito de continuar o clima desencadeado por esse tempo aben\u00e7oado que a Igreja viveu com as peregrina\u00e7\u00f5es e celebra\u00e7\u00f5es do jubileu extraordin\u00e1rio. 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