{"id":20069,"date":"2017-01-07T03:00:00","date_gmt":"2017-01-07T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2017\/01\/07\/o-dom-da-vocacao-presbiteral-ii\/"},"modified":"2017-05-05T11:18:56","modified_gmt":"2017-05-05T14:18:56","slug":"o-dom-da-vocacao-presbiteral-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-dom-da-vocacao-presbiteral-ii\/","title":{"rendered":"\u201cO Dom da Voca\u00e7\u00e3o Presbiteral\u201d (II)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">No primeiro artigo desta s\u00e9rie, tratamos da Introdu\u00e7\u00e3o Geral e do cap\u00edtulo I do Documento da Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero com o t\u00edtulo o Dom da Voca\u00e7\u00e3o Presbiteral. Hoje trataremos da voca\u00e7\u00e3o sacerdotal e dos fundamentos gerais da sua forma\u00e7\u00e3o, contemplando, assim, os cap\u00edtulos II e III do denso trabalho. <br \/>A t\u00f4nica geral ou a linha-mestra \u00e9 o chamado do seminarista e do sacerdote, ao longo de toda a sua vida, a configurar-se a Cristo, o Sumo, Eterno e \u00danico Sacerdote, que veio para servir e n\u00e3o para ser servido, cumprindo a vontade do Pai e n\u00e3o a sua.<br \/>As voca\u00e7\u00f5es s\u00e3o dons inestim\u00e1veis das riquezas de Cristo (cf. Ef 3,8) \u00e0 sua Igreja e nela devem desabrochar e amadurecer a seu tempo, pois uns se sentem chamados na adolesc\u00eancia e outros na vida adulta. Cabe \u00e0 Igreja, por meio de seus ministros respons\u00e1veis, designados pelo Bispo, acompanhar umas e outras, bem como \u00e9 dever de cada fiel rezar pelas voca\u00e7\u00f5es, ou seja, para que o Senhor envie oper\u00e1rios \u00e0 Sua messe, que \u00e9 grande, mas tem poucos trabalhadores (cf. Mt 9,38; Lc 10,2), seja na vida sacerdotal ou consagrada.<br \/>Disso decorre a import\u00e2ncia dos chamados Centros Vocacionais, encontros de adolescentes e jovens vocacionados ao sacerd\u00f3cio ou \u00e0 vida consagrada, sob a orienta\u00e7\u00e3o da Pontif\u00edcia Obra para as Voca\u00e7\u00f5es e do Bispo Diocesano com sua equipe vocacional, j\u00e1 contemplada dentro de um Plano de Pastoral de Conjunto na Diocese. Cabe ainda ao pr\u00f3prio Bispo determinar, al\u00e9m das preces particulares, uma data espec\u00edfica para se rezar pelas voca\u00e7\u00f5es, lembrando que na Igreja Universal essa data \u00e9 o IV Domingo da P\u00e1scoa, Dia do Bom Pastor. Aqui em nossa Arquidiocese estabelecemos a data de 7 de dezembro de cada ano para implorar pelas voca\u00e7\u00f5es arquidiocesanas. Importa ainda notar que, especialmente as voca\u00e7\u00f5es ao sacerd\u00f3cio diocesano devem atender a Diocese, o que n\u00e3o significa fechamento \u00e0 necessidade das demais Igrejas particulares. Ali\u00e1s, pelo contr\u00e1rio, a Igreja toda \u00e9 mission\u00e1ria e correspons\u00e1vel pelas miss\u00f5es.<br \/>O Documento d\u00e1 uma boa aten\u00e7\u00e3o aos Semin\u00e1rios Menores, plenamente v\u00e1lidos na Igreja e que devem atender \u00e0s aspira\u00e7\u00f5es pr\u00f3prias da idade do adolescente que neles ingressa, a fim de ajudar na matura\u00e7\u00e3o humana e crist\u00e3 desses adolescentes, embora tamb\u00e9m os encontros juvenis, os grupos vocacionais e os col\u00e9gios cat\u00f3licos possam ser sementeiras de voca\u00e7\u00f5es e, a seu modo, quase se equiparar aos Semin\u00e1rios Menores. O cap\u00edtulo II dedica tr\u00eas par\u00e1grafos aos seminaristas menores (20-22) e um aos formadores (23).<br \/>Pede que esses adolescentes vivam seriamente a vida sacramental, a devo\u00e7\u00e3o a Nossa Senhora e se preparem para uma vis\u00e3o aberta do mundo, de modo que, se n\u00e3o for da vontade de Deus o seu sacerd\u00f3cio, possam se santificar em outro estilo de vida, mas que sejam bons crist\u00e3os. O Semin\u00e1rio Menor tamb\u00e9m promova a vida cultural, art\u00edstica e desportiva ao lado dos estudos pr\u00f3prios da idade. Quanto ao formador, tratado no n\u00famero 23, pede-se que seja compreensivo com seus formandos, entenda-os em sua faixa et\u00e1ria e, na forma\u00e7\u00e3o dada, contem com o apoio dos pais, de demais familiares e da comunidade de origem, para que melhor se desenvolvam psicol\u00f3gica e afetivamente.<br \/>Nos casos de voca\u00e7\u00f5es adultas, \u00e9 necess\u00e1rio fazer uma avalia\u00e7\u00e3o mais detalhada, a fim de ver se o presumido candidato n\u00e3o est\u00e1 confundindo o seguimento a Cristo com o minist\u00e9rio sacerdotal (poderia pensar que a \u00fanica forma de seguir ao Senhor \u00e9 sendo padre), sem, jamais, deixar de acompanh\u00e1-lo com grande carinho e aten\u00e7\u00e3o. Existem hoje belas experi\u00eancias nessa \u00e1rea! Com a evangeliza\u00e7\u00e3o e os encontros de jovens, s\u00e3o muitos que descobrem sua voca\u00e7\u00e3o adormecida e que despertam quando acolhem a Boa Nova em suas vidas.<br \/>O Documento contempla tamb\u00e9m alguns casos especiais: com aten\u00e7\u00e3o redobrada e vivo interesse, as Igrejas particulares acolham as voca\u00e7\u00f5es origin\u00e1rias dos ind\u00edgenas e busque form\u00e1-los usando sua l\u00edngua local e os costumes do contexto no qual est\u00e3o inseridos. Tamb\u00e9m no grande turbilh\u00e3o de migra\u00e7\u00f5es de nossos dias, n\u00e3o deixem as Diocese de aceitar os imigrantes e suas voca\u00e7\u00f5es, integrando-os \u00e0 vida diocesana; nem as Igrejas particulares do Exterior ou nossas renunciem \u00e0 acolhida de candidatos oriundos de outras na\u00e7\u00f5es, ap\u00f3s consultar com redobrada acuidade a raz\u00e3o de terem deixado sua Diocese de origem.<br \/>A respeito dos fundamentos da forma\u00e7\u00e3o, o Documento destaca que o seminarista \u00e9 um \u201cmist\u00e9rio para si mesmo\u201d (n. 28), pois se defronta, de um lado, com os dons e as riquezas da gra\u00e7a divina, e, de outro lado, com as pr\u00f3prias mis\u00e9rias humanas, ambas a serem integradas, \u00e0 luz do Esp\u00edrito Santo, no processo formativo, longo e exigente no segmento a Cristo Jesus, base da forma\u00e7\u00e3o cont\u00ednua da vida presbiteral no seio da Igreja. Particularmente, vejo esse grande dom da voca\u00e7\u00e3o como um mist\u00e9rio que devemos acompanhar e discernir para ajudar a brotar e crescer.<br \/>Na vida eclesial, o padre \u00e9 chamado a servir no sacerd\u00f3cio ministerial, seus irm\u00e3os no sacerd\u00f3cio batismal ou comum. Da\u00ed, deve ter muito presente o esp\u00edrito de verdadeiro mission\u00e1rio, de pai e pastor daqueles a ele confiados, mas sem jamais ca\u00edrem no clericalismo (o padre manda em tudo), na aceita\u00e7\u00e3o popular (um padre simp\u00e1tico \u00e0 moda de um pol\u00edtico que precisa se reeleger a qualquer custo), ou num grande aproveitador do seu rebanho em benef\u00edcio pr\u00f3prio. Sua miss\u00e3o \u00e9, no dom da gra\u00e7a divina, com seus deveres e direitos, servir ao Povo de Deus a exemplo de Cristo, a fim de a Ele se configurar enquanto fiel colaborador do Bispo. <br \/>O sacerdote, \u00e0 luz da Carta aos Hebreus, h\u00e1 de ser um homem de interioridade profunda, cujo centro da vida est\u00e1 na Eucaristia e, com a for\u00e7a d\u2019Ela, ele acompanha os seus fi\u00e9is desde as \u00e1guas do Batismo at\u00e9 a morte, buscando servir \u2013 lembre-se o Lava-P\u00e9s (cf. Jo 13,1-17) \u2013 e consolar a todos sem distin\u00e7\u00e3o, como sinal do amor do Pai celeste ao mundo. O padre deve estar aberto a todas as \u201cespiritualidades\u201d aprovadas pela Igreja e a todos servir com alegria.<br \/>O seminarista h\u00e1 de ser formado como uma pessoa aberta \u00e0 interioridade e \u00e0 comunh\u00e3o: sua maturidade deve faz\u00ea-lo ser um homem livre, mas maduro interiormente a fim de, na caridade, \u201cconsumir-se\u201d (n. 41) \u2013 o verbo \u00e9 fort\u00edssimo \u2013 a exemplo do Divino Mestre, pelo pr\u00f3ximo. Isso requer vida espiritual profunda, pautada na Santa Missa, na Leitura orante da Palavra de Deus e na Ora\u00e7\u00e3o silenciosa. Recomenda que nas Celebra\u00e7\u00f5es do Ano Lit\u00fargico evite-se a ostenta\u00e7\u00e3o, e, na vida pessoal, deixe de lado a vangl\u00f3ria, o individualismo, o carreirismo, a incapacidade de ouvir os outros, mas, ao contr\u00e1rio, seja um homem de discernimento profundo, capaz de, na humildade, governar-se a si mesmo com a gra\u00e7a divina junto com outros sacerdotes sob a orienta\u00e7\u00e3o do Bispo.<br \/>A forma\u00e7\u00e3o integral para se ter esse tipo de sacerdote exige um profundo acompanhamento pessoal e comunit\u00e1rio. No \u00e2mbito pessoal, importa que o formador \u2013 com capacita\u00e7\u00e3o espec\u00edfica \u2013 acompanhe cada um, formando-os para serem disc\u00edpulos e mission\u00e1rios, ao mesmo (em) tempo que os leve a conhecerem a si mesmos e a se deixarem conhecer pelos outros, sem medo ou receio de deixar-se modelar. Da\u00ed a import\u00e2ncia das conversas francas e frequentes com o formador, em confian\u00e7a rec\u00edproca, e das quais o padre h\u00e1 de guardar sigilo. No \u00e2mbito comunit\u00e1rio, o seminarista (e o padre depois) tenha os colegas como irm\u00e3os de vida fraterna, no qual formem uma comunidade capaz de fugir de todo e qualquer individualismo.<br \/>Essa forma\u00e7\u00e3o perdure por toda a vida e o seminarista ou padre seja muito consciente de que vai, a vida toda, trabalhar com o acolhimento misericordioso a fam\u00edlias, a consagrados\/as, a jovens, a estudantes e, especialmente, aos pobres. Ora, sem uma personalidade madura e configurada a Cristo isso \u00e9 imposs\u00edvel no dia a dia. \u00c9 um belo trabalho e uma grande miss\u00e3o, para a qual necessitamos das luzes do Esp\u00edrito Santo. O documento continua, e n\u00f3s continuaremos a coment\u00e1-lo em outros momentos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro artigo desta s\u00e9rie, tratamos da Introdu\u00e7\u00e3o Geral e do cap\u00edtulo I do Documento da Congrega\u00e7\u00e3o para o Clero com o t\u00edtulo o Dom da Voca\u00e7\u00e3o Presbiteral. Hoje trataremos da voca\u00e7\u00e3o sacerdotal e dos fundamentos gerais da sua forma\u00e7\u00e3o, contemplando, assim, os cap\u00edtulos II e III do denso trabalho. 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