{"id":20029,"date":"2016-12-25T03:00:00","date_gmt":"2016-12-25T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/12\/25\/entre-a-cruz-e-o-peixe\/"},"modified":"2017-05-05T11:44:13","modified_gmt":"2017-05-05T14:44:13","slug":"entre-a-cruz-e-o-peixe","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/entre-a-cruz-e-o-peixe\/","title":{"rendered":"Entre a cruz e o peixe"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A origem da f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o foi um mar de rosas. Ao contr\u00e1rio, um mar de sangue. A hist\u00f3ria dos primeiros crist\u00e3os \u00e9 uma dessas odiss\u00e9ias humanas que nunca ser\u00e1 plenamente compreendida dentre os cl\u00e1ssicos epis\u00f3dios das lutas de domina\u00e7\u00e3o entre povos, grupos, tribos ou etnias, dado a extraordin\u00e1ria for\u00e7a e capacidade de supera\u00e7\u00e3o s\u00f3 conhecidas na igreja de Cristo. Imp\u00e9rios e conquistadores poderos\u00edssimos a perseguiram (e ainda perseguem), sem nunca conseguirem subjug\u00e1-la por completo. Ainda estamos aqui. Vencemos e continuamos vencendo.<br \/> Qual o segredo de tamanha garra, perseveran\u00e7a? O pr\u00f3prio Cristo deixou gravado no cora\u00e7\u00e3o de seus seguidores a promessa da supremacia sobre todos os males contra seu povo: \u201cAs portas do Inferno n\u00e3o prevalecer\u00e3o sobre sua Igreja\u201d. Diante de tamanho poder e gra\u00e7a, \u00e0s vezes o pobre crist\u00e3o vacila, hesita na f\u00e9, titubeia frente aos gritantes desafios que o mundo faz continuamente \u00e0 sua op\u00e7\u00e3o. Afinal, o mundo \u00e9 avesso a tudo que foge de sua l\u00f3gica terrena, a cruel realidade metaf\u00edsica, do racionalismo pau-pau, pedra-pedra que nossos olhos contemplam. Deixamos de lado a capacidade de enxergar com o cora\u00e7\u00e3o&#8230; E isso \u00e9 o grande empecilho para preservar o dom da f\u00e9, capacidade primeira da alma submissa ao amor de Deus. A pureza da doutrina crist\u00e3 est\u00e1 exatamente na simplicidade desta. Isso os ap\u00f3stolos descobriram logo de in\u00edcio, na conviv\u00eancia com o Mestre, na escuta de sua Palavra, na pr\u00e1tica de seus ensinamentos, na compreens\u00e3o de suas cruzes, na gra\u00e7a da persegui\u00e7\u00e3o, na gl\u00f3ria de seus mart\u00edrios. Sobretudo, na vis\u00e3o das Promessas, pelas quais tudo valeria a pena. <br \/> Uma op\u00e7\u00e3o crist\u00e3, no entanto, n\u00e3o significava \u2013 e nem poderia significar \u2013 submiss\u00e3o a tudo e aceita\u00e7\u00e3o passiva \u00e0s injusti\u00e7as que o mundo lhes infringia. Eram perseguidos, sim. Eram mortos de maneira torpe, como agentes de vis espet\u00e1culos circenses, mas fugiam quando poss\u00edvel, esbravejavam contra a tirania, oravam pelos que os perseguiam, sepultavam seus mortos em campos santos e perseveravam&#8230; Para sobreviverem como um povo adotaram at\u00e9 mesmo um s\u00edmbolo secreto, s\u00f3 revelado entre eles: o desenho de um peixe.\u00a0 Num eventual encontro, algu\u00e9m tra\u00e7ava um semic\u00edrculo no ch\u00e3o, na \u00e1gua, numa superf\u00edcie qualquer. Era a deixa para o outro que, se crist\u00e3o tamb\u00e9m fosse, faria outro c\u00edrculo c\u00f4ncavo ao primeiro, formando assim a figura de um peixe. Pronto! Poderiam se falar \u00e0 vontade, ajudarem-se mutuamente ou mesmo conduzir o outro para os locais secretos onde aconteciam seus banquetes eucar\u00edsticos.<br \/> Mas donde vem t\u00e3o estranho simbolismo? Do pr\u00f3prio nome de Jesus. Ou seja, da l\u00edngua grega&#8230; Segredo esse que foi descoberto um dia, segundo relatos hist\u00f3ricos, por Quilon, mago e espi\u00e3o do imp\u00e9rio romano, que vendeu essa informa\u00e7\u00e3o a Petr\u00f4nio, tio do imperador Vin\u00edcio, grande perseguidor dos crist\u00e3os. Diz o relato: \u201cSenhor, pronuncia em grego a frase seguinte: Jesus Cristo, Filho de Deus, Redentor\u201d. Certamente, a pron\u00fancia n\u00e3o saiu em alto e bom tom, posto que o simples pronunciar do nome de um Deus Desconhecido, na cultura pag\u00e3, poderia significar apostasia. Mas, e da\u00ed? \u201cAgora, toma a primeira letra de cada uma dessas palavras e re\u00fane-as de modo a formar uma nova palavra\u201d. Ent\u00e3o, a revela\u00e7\u00e3o: Peixe!<br \/> Esse foi o segundo grande escudo do povo crist\u00e3o, depois da cruz. Um peixe. Seu simbolismo persiste at\u00e9 hoje, principalmente em pa\u00edses onde o cristianismo \u00e9 mais intensamente rejeitado e sua cruz vilipendiada publicamente. Da mesma forma que, num pa\u00eds crist\u00e3o desde a origem, cujo primeiro nome foi Terra de Santa Cruz, possa ocorrer a necessidade de substitu\u00ed-la por um s\u00edmbolo mais discreto e menos assustador. Brasil, mostra tua cara! Povo de Deus ainda somos. Nenhum crist\u00e3o vai desenhar um peixe nas paredes s\u00f3 porque a tirania de nossas leis resolveu expurgar a cruz de Cristo. De qualquer forma, Ele continuar\u00e1 sendo Jesus Cristo, Filho de Deus Redentor.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A origem da f\u00e9 crist\u00e3 n\u00e3o foi um mar de rosas. Ao contr\u00e1rio, um mar de sangue. 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