{"id":19920,"date":"2016-12-12T03:00:00","date_gmt":"2016-12-12T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/12\/12\/indulgencia-no-ano-mariano\/"},"modified":"2017-05-05T13:54:36","modified_gmt":"2017-05-05T16:54:36","slug":"indulgencia-no-ano-mariano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/indulgencia-no-ano-mariano\/","title":{"rendered":"Indulg\u00eancia no Ano Mariano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Terminamos h\u00e1 pouco o Ano Jubilar da Miseric\u00f3rdia, com a concess\u00e3o de momentos especiais e de indulg\u00eancias, e surge agora em nosso horizonte outra oportunidade: o Ano Mariano. O Papa Francisco, atrav\u00e9s da Penitenciaria Apost\u00f3lica, concedeu o dom da indulg\u00eancia para as celebra\u00e7\u00f5es, ora\u00e7\u00f5es e peregrina\u00e7\u00f5es a Bas\u00edlica Santu\u00e1rio Nacional de Nossa Senhora Aparecida e para todas as Igrejas Paroquiais dedicadas em honra d\u2019Ela, em todo o territ\u00f3rio brasileiro, de 12 de outubro de 2016 a 2017, ou seja, durante o inteiro ano Mariano no Brasil. <br \/>Indulg\u00eancia lembra anistia ou apagamento das culpas devidas a um mal cometido. Desse modo, chamamos de indulg\u00eancia a remiss\u00e3o (ou o apagamento) da pena temporal devida a um pecado j\u00e1 perdoado.<br \/>Isso quer dizer que todo pecado \u00e9 um \u201cn\u00e3o\u201d dito a Deus e tem consequ\u00eancias infinitas. N\u00e3o porque fa\u00e7a o Senhor, intrinsecamente ou em si mesmo, sofrer, mas porque quebra a ordem por Ele estabelecida para o universo, obra de suas m\u00e3os.\u00a0 Mais ainda: o pecado prejudica o pr\u00f3prio pecador, que perde \u2013 com seu erro deliberado \u2013 a gra\u00e7a da uni\u00e3o com Deus, maior bem de nossa vida.<br \/>Ora, a Igreja prop\u00f5e como meio ordin\u00e1rio de perdoar os pecados graves \u2013 quando h\u00e1 mat\u00e9ria grave, e mesmo assim a pessoa, conscientemente, sabe, quer e faz aquele ato pecaminoso \u2013 \u00e9 o sacramento da Confiss\u00e3o, tribunal da Miseric\u00f3rdia no qual o Divino Juiz, por meio do sacerdote, nos espera de bra\u00e7os e cora\u00e7\u00e3o abertos, como o Pai misericordioso da par\u00e1bola do Filho Pr\u00f3digo (cf. Lc 15, 11-32).<br \/>No entanto, como diz\u00edamos, existe o pecado j\u00e1 perdoado no sacramento da Confiss\u00e3o, portanto, apagado, mas resta a pena anexa a esse pecado por ter a pessoa quebrado a ordem de coisas institu\u00eddas por Deus. Damos um exemplo acess\u00edvel: algu\u00e9m rouba uma pulseira de ouro. Arrepende-se e se confessa. \u00c9 absolvida do seu pecado. No entanto, ter\u00e1 de devolver o objeto roubado, a fim de restaurar a ordem violada.<br \/>Esse exemplo material quer nos mostrar o seguinte: todo pecado cometido e perdoado deixa em n\u00f3s uma desordem interior apta a nos alimentar para nova pr\u00e1tica do mal. Ficamos, portanto, devendo uma repara\u00e7\u00e3o a Deus, dado que sem repar\u00e1-la n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel ver a Deus face a face. Isso se d\u00e1 por meio da penit\u00eancia, que, na Idade Antiga era muito \u00e1rdua e dif\u00edcil de ser cumprida.<br \/>Um exemplo: at\u00e9 o s\u00e9culo VI, o fiel consciente de ter cometido pecado grave buscava o sacerdote ou o bispo e lhe abria, em segredo, como hoje, o cora\u00e7\u00e3o. O ministro ordenado, ent\u00e3o, lhe dava a penit\u00eancia (peregrina\u00e7\u00e3o, jejuns, uso de cil\u00edcios, roupas grosseiras etc.) e, em um ato simb\u00f3lico, o despedia da Igreja. O penitente sa\u00eda para cumprir sua li\u00e7\u00e3o, que podia ser mais ou menos longa, dado a gravidade do pecado, e ao final dela voltava para receber o perd\u00e3o de Deus em cerim\u00f4nia p\u00fablica.<br \/>Nessa cerim\u00f4nia, geralmente na Quinta-feira Santa, o bispo acolhia o penitente e impunha-lhe as m\u00e3os, proferia uma homilia e, em seguida, o fiel que terminara aquela penit\u00eancia participava da Missa solene, na qual recebia a comunh\u00e3o. Esse ato todo, exceto a Missa, era chamado de \u201csegundo Batismo\u201d, pois devolvia o crist\u00e3o \u00e0 vida da gra\u00e7a perdida no pecado grave.<br \/>\u00c9 interessante notar o seguinte: muito mais do que o externo da penit\u00eancia \u2013 cil\u00edcio, jejuns, peregrina\u00e7\u00f5es \u2013 o que realmente contava era a disposi\u00e7\u00e3o interior de mudar de vida, do pecado \u00e0 amizade com Deus \u2013 de modo que se conta uma historieta bastante ilustrativa: um homem teria recebido como penit\u00eancia um pequeno barril, com min\u00fasculo orif\u00edcio, que deveria encher de \u00e1gua e voltar ao bispo com ele cheio, a fim de receber o perd\u00e3o. Quase que com ironia o homem saiu e tentou, em v\u00e3o, executar sua tarefa em muitos rios, riachos, lagos, fontes etc. Desesperado e julgando-se amaldi\u00e7oado por Deus, sentou-se, p\u00f4s o barril no colo e come\u00e7ou a chorar de desgosto pelos erros graves cometidos. Para sua imensa surpresa, uma l\u00e1grima apenas caiu no orif\u00edcio do barril e o encheu, de modo que alegre, aquele homem pode voltar ao bispo e ser perdoado. Deus n\u00e3o quer o exterior, mas o interior; n\u00e3o o sacrif\u00edcio apenas, mas o cora\u00e7\u00e3o.<br \/>Consciente disso, na Idade M\u00e9dia, a Igreja foi aprofundando sua pr\u00e1tica e passou a aplicar Indulg\u00eancias \u00e0 remiss\u00e3o da pena temporal devida ao pecado. Qual a base teol\u00f3gica dessa praxe? \u2013 \u00c9 D. Est\u00eav\u00e3o Bettencourt, OSB, quem nos ajuda nesse entendimento, ao propor quatro pontos: \u201c1)\u00a0 Todo pecado acarreta necessidade de expia\u00e7\u00e3o ou repara\u00e7\u00e3o; 2)\u00a0 Em vista da repara\u00e7\u00e3o, existe na Igreja o tesouro infinito dos m\u00e9ritos de Cristo, que frutificou nos m\u00e9ritos da Bem-Aventurada Virgem Maria e dos demais Santos; 3)\u00a0 Cristo confiou \u00e0 sua Igreja o poder das chaves para administrar o tesouro da Reden\u00e7\u00e3o e 4)\u00a0 Fazendo uso deste poder, a Igreja, em determinadas circunst\u00e2n\u00accias, houve por bem aplicar os m\u00e9ritos de Cristo aos penitentes dispostos a expiar os pecados\u201d. (Pergunte e Responderemos n. 555, setembro de 2008, p. 384).<br \/>Pois bem, a Igreja aplica isso de dois modos, ou seja, por meio da indulg\u00eancia plen\u00e1ria e da parcial. Como o pr\u00f3prio nome diz, a plen\u00e1ria apaga toda a pena temporal devida ao pecado j\u00e1 perdoado, e a parcial apaga parte dele. Ambas as concess\u00f5es s\u00e3o muito v\u00e1lidas a quem, realmente, deseja uma vida santa que come\u00e7a no aqui e agora e se consuma na eternidade ou na vis\u00e3o face a face do Senhor. No entanto, como lucrar indulg\u00eancia n\u00e3o \u00e9 magia, mas exige amor a Deus e desapego ao pecado, \u00e9 recomend\u00e1vel buscar mais de uma vez \u2013 n\u00e3o, por\u00e9m, no mesmo dia \u2013 ganhar a indulg\u00eancia plen\u00e1ria.<br \/>Dentro desse contexto se entende a concess\u00e3o da indulg\u00eancia plen\u00e1ria por ocasi\u00e3o do Ano Mariano, que o Cardeal Dom Raymundo Damasceno Assis, ent\u00e3o Arcebispo de Aparecida, houve por bem pedir \u00e0 Santa S\u00e9 e esta, por meio da Penitenciaria Apost\u00f3lica, com ben\u00e9vola anu\u00eancia do Santo Padre, a concedeu no dia 14 de novembro \u00faltimo.<br \/>Em suma, o Documento da Santa S\u00e9 diz que \u00e9 concedida indulg\u00eancia plen\u00e1ria aos fi\u00e9is que, preenchidas as condi\u00e7\u00f5es requeridas, ou seja, depois da Confiss\u00e3o sacramental, da Comunh\u00e3o Eucar\u00edstica e das ora\u00e7\u00f5es (ao menos 1 Pai-Nosso, 1 Ave-Maria e um Gl\u00f3ria) nas inten\u00e7\u00f5es do Santo Padre, peregrinem ao Santu\u00e1rio Nacional de Aparecida ou a qualquer igreja paroquial dedicada a Nossa Senhora com o t\u00edtulo de \u201cAparecida\u201d, e a\u00ed participem das celebra\u00e7\u00f5es jubilares ou ao menos rezem por certo espa\u00e7o de tempo, terminando suas preces com o Pai-Nosso, o Credo e uma ora\u00e7\u00e3o mariana. Sugerimos que esse pedido, de modo especial, seja para que o Brasil seja fiel \u00e0 sua voca\u00e7\u00e3o crist\u00e3, bem como rogando voca\u00e7\u00f5es sacerdotais e religiosas e a defesa da fam\u00edlia e vidas humanas.<br \/>Tamb\u00e9m os fi\u00e9is impedidos por grave doen\u00e7a ou idade avan\u00e7ada podem lucrar indulg\u00eancia plen\u00e1ria desde que cumpram as condi\u00e7\u00f5es gerais e rezem com total desapego ao pecado, como se estivessem em peregrina\u00e7\u00e3o, diante de uma imagem de Nossa Senhora Aparecida, ofertando suas dores e preces a Deus.<br \/>Para isso, importa chamar a aten\u00e7\u00e3o \u2013 como pede a Penitenciaria Apost\u00f3lica \u2013 que os sacerdotes encarregados da pastoral na Bas\u00edlica de Aparecida, bem como outros sacerdotes que atuam em igrejas dedicadas \u00e0 Virgem Aparecida n\u00e3o deixem de estender mais tempo para a Confiss\u00e3o e Comunh\u00e3o dos fi\u00e9is enfermos, a fim de que nenhum deles seja privado de receber a indulg\u00eancia plen\u00e1ria neste Ano Mariano, que ser\u00e1, com a gra\u00e7a de Deus, de grande renova\u00e7\u00e3o espiritual para este nosso querido e sofrido pa\u00eds.<br \/>Eis uma nova oportunidade que surge de um grande trabalho de evangeliza\u00e7\u00e3o e catequese neste Ano Mariano, al\u00e9m do Santu\u00e1rio Nacional, tamb\u00e9m em nossas Igrejas paroquiais dedicadas a Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o Aparecida. Que seja um tempo de busca da santidade e do encontro com o Senhor atrav\u00e9s da intercess\u00e3o da Senhora Aparecida.<br \/>Nossa Senhora da Concei\u00e7\u00e3o Aparecida, rogai por n\u00f3s!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Terminamos h\u00e1 pouco o Ano Jubilar da Miseric\u00f3rdia, com a concess\u00e3o de momentos especiais e de indulg\u00eancias, e surge agora em nosso horizonte outra oportunidade: o Ano Mariano. 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