{"id":19879,"date":"2016-12-12T13:39:51","date_gmt":"2016-12-12T15:39:51","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/12\/12\/e-nao-so-isso\/"},"modified":"2017-05-05T13:54:07","modified_gmt":"2017-05-05T16:54:07","slug":"e-nao-so-isso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/e-nao-so-isso\/","title":{"rendered":"E n\u00e3o s\u00f3 isso&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Imagine voc\u00ea diante de um amontoado de presentes, v\u00e9speras de Natal, amigos e parentes reunidos, todos celebrando a alegria, o simbolismo, o esp\u00edrito de confraterniza\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o de prop\u00f3sitos que a festa nos inspira. Imagine que muitos daqueles presentes podem ser seus. Que, \u00e0 medida que eles se revelam, se desvendam diante de seus olhos, o transbordamento de um significado muito mais precioso que o presente em si, a satisfa\u00e7\u00e3o de ser lembrado e glorificado pela sua vida \u00e9 o que mais o realiza naquele instante. Principalmente vindo daquela pessoa amada! Nada \u00e9 mais precioso.<br \/> Mas, de repente, algu\u00e9m acrescenta: \u201cE n\u00e3o s\u00f3 isso\u201d. Tem mais? Pois o \u201cdesembrulhar\u201d daquelas revela\u00e7\u00f5es n\u00e3o termina ai. Ent\u00e3o voc\u00ea vai se surpreendendo com outras manifesta\u00e7\u00f5es de afeto e carinho, com \u201camigos secretos\u201d dos quais nada esperava, com palavras de afeto e admira\u00e7\u00e3o procedentes daqueles que julgava indiferentes \u00e0 sua vida, \u00e0 sua exist\u00eancia, com promessas de refor\u00e7o na caminhada conjunta, baseadas e motivadas unicamente pelo apre\u00e7o de pessoas com as quais convive. Pelo longo sil\u00eancio s\u00f3 agora quebrado por palavras; traduzindo a alegria de muitos apenas pela alegria de sua conviv\u00eancia, seu estar sempre ao lado, apesar de tudo&#8230;<br \/> \u201cE n\u00e3o s\u00f3 isso\u201d n\u00e3o foi inven\u00e7\u00e3o desse pobre escriba, n\u00e3o. \u00c9 um recurso de comunica\u00e7\u00e3o de Paulo, o ap\u00f3stolo, para falar das promessas de Deus sobre nossas vidas. Em Romanos ele o usa diversas vezes, em especial quando exp\u00f5e os motivos de nossa esperan\u00e7a. Nossos presentes h\u00e3o de nos surpreender, em conte\u00fado, grau e gra\u00e7a, quando nossa esperan\u00e7a ultrapassar os limites do que julgamos merecer. N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso. Deus nos dar\u00e1 muito mais do que imaginamos, esperamos dele. \u201cPor meio dele e atrav\u00e9s da f\u00e9, n\u00f3s temos acesso \u00e0 gra\u00e7a, na qual nos mantemos e nos gloriamos na esperan\u00e7a da gl\u00f3ria de Deus. E n\u00e3o s\u00f3 isso\u201d \u2013 diz o ap\u00f3stolo (Rom 5, 2-3). Acreditar e esperar; confiar que nossa recompensa, a premia\u00e7\u00e3o final ser\u00e1 muito mais jubilosa do que esperamos ou merecemos, \u00e9 o que nos revela. Na festa da realiza\u00e7\u00e3o das promessas (a vinda de Cristo) cada crist\u00e3o h\u00e1 de ser recompensado com a manifesta\u00e7\u00e3o de um Deus-crian\u00e7a, o maior dos presentes que poder\u00edamos receber. Jesus menino, simplicidade e grandiosidade somadas pelo enigma de um Amor sem limites! \u201cE n\u00e3o s\u00f3 isso. Tamb\u00e9m nos gloriamos em Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, do qual obtivemos agora a reconcilia\u00e7\u00e3o\u201d (Rom 5, 11). <br \/> Ent\u00e3o, Natal n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 isso que muitos imaginam ser. Dia de Presentes. Dia da gula, da esb\u00f3rnia, do desperd\u00edcio, do exibicionismo, da gan\u00e2ncia, do consumismo, da explora\u00e7\u00e3o, do&#8230; da&#8230; O conceito natalino h\u00e1 muito se perdeu no emaranhado das nossas ilus\u00f5es. De festa crist\u00e3 ainda sobra uma t\u00eanue recorda\u00e7\u00e3o de um pres\u00e9pio franciscano, a gritar Hosana nas alturas diante das muitas baixezas do esp\u00edrito mundano. \u201cE n\u00e3o s\u00f3 isso\u201d. Tornou-se a festa da desigualdade, enquanto uma minoria se empanturra com seus mimos e guloseimas de consumo, muitos ainda morrem de doen\u00e7as outrora saneadas, de fome ou v\u00edtimas da viol\u00eancia pelo consumo de drogas ou controle de seu comercio. E muito mais&#8230;<br \/> Mas Natal n\u00e3o \u00e9 isso. O motivo de nossa festa ainda h\u00e1 de reinar com seu poder e gra\u00e7a entre n\u00f3s. \u00c9 tempo de acreditar. \u00c9 tempo de refazer nossos planos, confiar contra toda esperan\u00e7a (pois a contra esperan\u00e7a \u00e9 pr\u00f3pria dos desiludidos) e resgatar, dentre os muitos presentes que Deus j\u00e1 nos deu, um em especial: o dom da gra\u00e7a. \u201cE n\u00e3o s\u00f3 isso\u201d Porque o menino do Natal, mais que a caricatura da pobreza e simplicidade de um presente divino, representa a fartura e generosidade de Deus para nossas vidas. Porque, se atrav\u00e9s de Ad\u00e3o reinou o pecado entre n\u00f3s, atrav\u00e9s do Cristo \u00e9 que fomos reabilitados para \u201ca abund\u00e2ncia da gra\u00e7a e do dom da justi\u00e7a\u201d (Rom 5, 17), mesmo diante dum mundo em caos. Esse presente Deus nos oferece a cada natal de seu Filho. E n\u00e3o s\u00f3 isso.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine voc\u00ea diante de um amontoado de presentes, v\u00e9speras de Natal, amigos e parentes reunidos, todos celebrando a alegria, o simbolismo, o esp\u00edrito de confraterniza\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o de prop\u00f3sitos que a festa nos inspira. Imagine que muitos daqueles presentes podem ser seus. 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