{"id":19784,"date":"2016-12-06T16:16:30","date_gmt":"2016-12-06T18:16:30","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/12\/06\/como-vencer-as-crises-no-matrimonio-2\/"},"modified":"2017-05-30T16:23:39","modified_gmt":"2017-05-30T19:23:39","slug":"como-vencer-as-crises-no-matrimonio-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/como-vencer-as-crises-no-matrimonio-2\/","title":{"rendered":"Como vencer as crises no matrim\u00f4nio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/couple-crisis.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>At\u00e9 o matrim\u00f4nio mais feliz est\u00e1 sujeito a crises, que precisam ser vistas como um fen\u00f4meno de crescimento do amor conjugal e n\u00e3o como raz\u00e3o para a separa\u00e7\u00e3o. Um matrim\u00f4nio cujos c\u00f4njuges jamais discordam \u00e9 preocupante. Ser\u00e1 que eles s\u00e3o iguais em tudo ou uma personalidade est\u00e1 se sobrepondo \u00e0 outra, que por sua vez n\u00e3o se revela ao outro na sua verdade? Uma passagem b\u00edblica me faz lembrar os falsos relacionamentos, aqueles que precisam amadurecer, e cujo crescimento \u00e9 \u00e0s vezes bem doloroso: \u201cSubirei contra um povo tranquilo e os tirarei de sua falsa paz\u201d. E h\u00e1 uma passagem nos Escritos da Comunidade Shalom que, acredito, completa o ciclo que vai da falsa \u00e0 aut\u00eantica paz matrimonial: \u201cA verdadeira paz n\u00e3o vem dos homens, mas de Deus\u201d. Dependendo de como ser\u00e1 vivida, cada crise, mesmo a mais penosa, pode levar ao aprofundamento do amor entre os esposos e ao fortalecimento cada vez maior do matrim\u00f4nio. Vamos refletir sobre isto?<\/p>\n<p>Uma escolha livre<\/p>\n<p>Antes de tudo, talvez seja preciso compreendermos que o matrim\u00f4nio n\u00e3o \u00e9 \u201cquest\u00e3o de sorte\u201d, como alguns costumam dizer. Ele \u00e9 fruto de uma escolha livre que cada um fez. \u00c9 verdade que h\u00e1 esposos que se escolheram apressadamente e por raz\u00f5es pouco consistentes, mas nunca podemos esquecer que, atrav\u00e9s do Sacramento do Matrim\u00f4nio, Deus nos concedeu uma gra\u00e7a da qual podemos lan\u00e7ar m\u00e3o para que seja ratificada esta escolha e \u201caumentada\u201d a semente da afei\u00e7\u00e3o que um dia tivemos um pelo outro. Esta semente, que nos moveu a subir ao altar, pode, pela gra\u00e7a de Deus, desabrochar e crescer como uma grande \u00e1rvore cheia de frutos e frondosos galhos capazes de fazer sombra e \u201cabrigar toda esp\u00e9cie de p\u00e1ssaros\u201d, como diz o Livro do Profeta Isa\u00edas.<\/p>\n<p>Esta livre escolha n\u00e3o \u00e9 uma \u201ccruz\u201d para se carregar pela vida como um \u201cfardo\u201d. A cruz do matrim\u00f4nio vem de fora, do dem\u00f4nio e do pecado dos homens, como a cruz que Jesus um dia carregou por amor a n\u00f3s. O nosso esposo ou esposa jamais \u00e9 a \u201cnossa cruz\u201d. O dem\u00f4nio bem que gostaria que pens\u00e1ssemos assim\u2026 Mas se Jesus tivesse pensado assim n\u00f3s nunca poder\u00edamos ser salvos. A cruz pode vir do pecado do outro, mas ela n\u00e3o \u00e9 o outro. O outro \u00e9 uma b\u00ean\u00e7\u00e3o, um presente de Deus na minha vida; o outro \u00e9 um mist\u00e9rio, um desafio, o instrumento que eu preciso para chegar a Deus, felicidade suprema!<\/p>\n<p>Por isso, nos momentos de crise de nada adiantam as agress\u00f5es, as lamenta\u00e7\u00f5es ou revanches. Tamb\u00e9m de nada adianta culpar a famosa \u201cincompatibilidade de g\u00eanios\u201d, pois n\u00e3o existem pessoas absolutamente iguais. Ao contr\u00e1rio de afastar, toda diferen\u00e7a pode ser ajustada, ao ponto de nos fazer funcionar como rodas dentadas de uma m\u00e1quina, cuja for\u00e7a consiste justamente em se ajustarem nos pontos desiguais. Se alcan\u00e7armos isto, viveremos um amor vitorioso sobre nossos pecados e suas conseq\u00fc\u00eancias, experimentaremos concretamente no matrim\u00f4nio a vit\u00f3ria de Cristo, e a verdadeira paz ser\u00e1 alcan\u00e7ada.<\/p>\n<p>A adapta\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>Um longo matrim\u00f4nio pode vir a atravessar muitas crises. Uma delas \u00e9 a crise na adapta\u00e7\u00e3o f\u00edsica e\/ou psicol\u00f3gica, que pode surgir no in\u00edcio do matrim\u00f4nio e ser superada, entretanto pode ser camuflada por anos a fio, at\u00e9 que um dia exploda tragicamente. Cada um dos esposos traz para o matrim\u00f4nio modelos \u00e0s vezes muito fortes das rela\u00e7\u00f5es entre os pais, de sonhos que por muito tempo alimentaram sua imagina\u00e7\u00e3o, mas que n\u00e3o correspondem \u00e0 realidade. Pretender adaptar o outro a seus modelos ou ressentir-se com ele por isto \u00e9 grande prova de imaturidade, e raz\u00e3o suficiente para orar sobre si mesmo ministrando a Palavra de Deus que diz: \u201cEis, desta vez, o osso dos meus ossos e a carne da minha carne!\u2026 Por isso o homem deixa seu pai e sua m\u00e3e para ligar-se \u00e0 sua mulher, e se tornam uma s\u00f3 carne\u201d (Gn 2,23.24).<\/p>\n<p>As crises financeiras, pelas quais passam os c\u00f4njuges, podem afetar seriamente a rela\u00e7\u00e3o conjugal, se estes n\u00e3o buscarem em Deus a gra\u00e7a para resistir \u00e0s suas conseq\u00fc\u00eancias, e conservar a unidade. Neste momento, podem surgir acusa\u00e7\u00f5es m\u00fatuas, sentimentos de inferioridade ou superioridade, e a falta do dinheiro pode se tornar o \u201cbode expiat\u00f3rio\u201d de ressentimentos antigos ou da pregui\u00e7a de dialogar.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes pensamos que a infidelidade come\u00e7a quando um dos parceiros se entrega a uma \u201cpaix\u00e3o\u201d, mas ela pode come\u00e7ar bem antes, no cora\u00e7\u00e3o, quando come\u00e7amos a nos fechar em n\u00f3s mesmos, analisando os erros um do outro e desnudando-o diante de terceiros. De nada adianta tal atitude que, al\u00e9m de \u201cenvenenar\u201d o relacionamento, pode nos colocar na m\u00e3o de falsos conselheiros, que infelizmente se alimentam e at\u00e9 se alegram em aumentar a divis\u00e3o entre os dois.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que existem tamb\u00e9m aqueles que t\u00eam boa vontade em ajudar, mas n\u00e3o conseguem ver que neste tipo de confid\u00eancias apenas um dos dois teve o direito de falar e na maioria das vezes trar\u00e1 somente suas \u201craz\u00f5es\u201d, pois n\u00e3o consegue ver as do outro. Ocorre-me um trecho do Evangelho que nesse momento se encaixa com perfei\u00e7\u00e3o para prevenir os arranh\u00f5es di\u00e1rios que podem minar o amor dos esposos: \u201cPor que reparas o cisco que h\u00e1 no olho do irm\u00e3o, e n\u00e3o v\u00eas a trave que est\u00e1 no teu?\u201d (Mt 7,1-5).<\/p>\n<p>Outra crise bem s\u00e9ria \u00e9 a do envelhecimento das rela\u00e7\u00f5es, a famosa \u201cperda da novidade\u201d, que pode acabar em infidelidade. Esquecidos de que todo ser humano ser\u00e1 sempre um mist\u00e9rio e uma novidade, um ou ambos podem projetar seu pr\u00f3prio t\u00e9dio interior no rosto do outro, e achar que v\u00e3o reencontrar a alegria numa outra companhia. N\u00e3o raro, depois de algum tempo o c\u00f4njuge que buscou uma nova aventura acabar\u00e1 se encontrando com seu pr\u00f3prio cansa\u00e7o, e queira Deus que ainda haja como retornar, pois j\u00e1 ter\u00e1 envolvido muitos outros na sua decis\u00e3o precipitada.<\/p>\n<p>Permanecer fiel<\/p>\n<p>O que leva um casal, que foi capaz de enfrentar tantos desafios juntos, a desistir num momento que deveria ser o mais feliz e tranq\u00fcilo de sua rela\u00e7\u00e3o? Este, que seria o per\u00edodo da colheita, o tempo mais rico e precioso da vida conjugal, transforma-se tantas vezes em motivo de descaso ou implic\u00e2ncias m\u00fatuas. O medo do envelhecimento, da morte corporal tamb\u00e9m pode gerar a falsa ilus\u00e3o de que uma companhia mais jovem pode lhe trazer de volta os anos \u201cperdidos\u201d ou retardar um tempo t\u00e3o precioso que \u00e9 a terceira idade. Gostaria de colocar aqui o pensamento de uma mulher que viveu bem todas as fases da sua vida e certamente estava cheia de Deus quando o externou: \u201cAcho que as diversas etapas de nossa vida temos que viv\u00ea-las alegremente na gra\u00e7a do Senhor. A velhice bem vivida \u00e9 uma fonte de paz, j\u00e1 que temos passado a \u00e9poca de maiores trabalhos, restando-nos aguardar a vinda do Senhor para goz\u00e1-lo eternamente\u201d.<\/p>\n<p>Contudo, o tr\u00e1gico disso \u00e9 que, seja qual for o motivo da crise, tem ficado cada vez mais freq\u00fcente a id\u00e9ia de que o div\u00f3rcio \u00e9 a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para o problema, de modo que cada um possa \u201cir para o seu lado\u201d como quem desfaz um acordo de neg\u00f3cios.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que quando a viol\u00eancia f\u00edsica, psicol\u00f3gica ou moral torna um dos c\u00f4njuges um perigo para a sa\u00fade do outro e dos filhos, a separa\u00e7\u00e3o pode ser o \u00fanico meio de preserv\u00e1-los, mas nunca podemos esquecer que ela \u00e9 incapaz de gerar a quebra do v\u00ednculo matrimonial, pois o div\u00f3rcio civil de nada adianta no plano religioso. Espiritualmente, ainda somos respons\u00e1veis um pelo outro at\u00e9 o dia da sua morte. E mesmo que o outro j\u00e1 n\u00e3o esteja disposto a uma reconcilia\u00e7\u00e3o, ser\u00e1 sempre digno do nosso perd\u00e3o, do nosso respeito, das nossas ora\u00e7\u00f5es, porque Jesus mereceu isto por ele na Cruz.<\/p>\n<p>Por isso, ao inv\u00e9s de desistir no meio da luta, vale a pena perseverar at\u00e9 o fim, ou, se por acaso ocorreu a separa\u00e7\u00e3o, orar e esperar com paci\u00eancia, pois ainda pode ser que um dia Deus nos conceda a gra\u00e7a de \u201ccasar pela segunda vez\u201d com a mesma pessoa, o que ser\u00e1 um gesto humano extraordin\u00e1rio. Este segundo casamento, obviamente n\u00e3o consiste nem requer repeti\u00e7\u00e3o do rito matrimonial, nem o relacionamento do casal ser\u00e1 repetitivo, porque um homem e uma mulher renovados est\u00e3o ali, ainda mais l\u00facidos do que antes, dispostos a retomar sua unidade. Mas seu \u201cnovo casamento\u201d se beneficiar\u00e1 da experi\u00eancia adquirida antes para que o amor seja retomado onde houve a ruptura.<\/p>\n<p>O Evangelho de S\u00e3o Jo\u00e3o narra que Jesus ressuscitado apareceu aos seus disc\u00edpulos reunidos e proclamou: \u201cA paz esteja convosco\u201d. Vitorioso, cheio de poder, Cristo \u00e9 a nossa paz, o Shalom do Pai, que vem estabelecer entre n\u00f3s a paz verdadeira, n\u00e3o baseada em nossos desejos ego\u00edstas, nem em uma justi\u00e7a meramente humana, nem na aus\u00eancia de diferen\u00e7as, porque esta paz seria uma ilus\u00e3o. Por isso precisamos deixar que Ele pacifique a nossa confus\u00e3o interior, a luta das nossas paix\u00f5es, nosso ego\u00edsmo, e transforme nosso orgulho e vaidade em mansid\u00e3o e humildade. O sacramento do Matrim\u00f4nio traz consigo o rem\u00e9dio certo para este amor que deve crescer sempre: A ora\u00e7\u00e3o e a Eucaristia, que trazem o Cristo vivo para dentro de n\u00f3s, renovando estas gra\u00e7as e as multiplicando dia ap\u00f3s dia. Que Jesus, nossa paz, renove ainda hoje em sua casa o amor familiar onde este necessitar ser renovado!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>At\u00e9 o matrim\u00f4nio mais feliz est\u00e1 sujeito a crises, que precisam ser vistas como um fen\u00f4meno de crescimento do amor conjugal e n\u00e3o como raz\u00e3o para a separa\u00e7\u00e3o. Um matrim\u00f4nio cujos c\u00f4njuges jamais discordam \u00e9 preocupante. 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