{"id":1946,"date":"2012-07-23T18:54:03","date_gmt":"2012-07-23T21:54:03","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-grao-de-trigo\/"},"modified":"2017-03-21T13:40:38","modified_gmt":"2017-03-21T16:40:38","slug":"um-grao-de-trigo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/um-grao-de-trigo\/","title":{"rendered":"Um Gr\u00e3o de Trigo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/catolicanet.com.br\/images\/stories\/wagnerpedro.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Normalmente, um pequenino gr\u00e3o, seja de qual cereal for, n\u00e3o representa nada para nossas necessidades de sobreviv\u00eancia. Ser\u00e1? Pois o grande escritor franc\u00eas J\u00falio Verne nos provou o contr\u00e1rio. Em um de seus fabulosos livros, A Ilha Misteriosa, falou-nos da import\u00e2ncia de um \u00fanico gr\u00e3o de trigo.<br \/>Contou-nos a hist\u00f3ria de cinco aventureiros que, em fuga com um bal\u00e3o, acidentaram-se em alto mar e ca\u00edram numa ilha deserta do oceano Pac\u00edfico. Possu\u00edam apenas a roupa do corpo. Mas tamb\u00e9m intelig\u00eancia e vontade de sobreviver. Com garra e coragem, reconstru\u00edram aos poucos os padr\u00f5es de uma vida ao menos civilizada, usando de seus conhecimentos e da riqueza natural daquela ilha, para amenizarem o desafio que aquele acidente lhes apresentava. At\u00e9 certa tecnologia foi usada, o que lhes permitiu uma vida razoavelmente confort\u00e1vel naquela ilha aparentemente in\u00f3spita. Conseguiram muito: resgatar a arte da cer\u00e2mica, a fundi\u00e7\u00e3o de utens\u00edlios de ferro, a constru\u00e7\u00e3o de barragens, a cria\u00e7\u00e3o de animais para o pr\u00f3prio sustento, a fia\u00e7\u00e3o de tecidos, a fermenta\u00e7\u00e3o de cervejas, al\u00e9m da constru\u00e7\u00e3o de bombas, pois conseguiram tamb\u00e9m produzir nitroglicerina a partir dos elementos qu\u00edmicos ali abundantes. S\u00f3 n\u00e3o conseguiram o p\u00e3o de cada dia; faltava-lhes seu elemento b\u00e1sico, o trigo.<br \/>Um dia um dos sobreviventes descobriu, na dobra da pr\u00f3pria roupa, um gr\u00e3o de trigo! Em bom estado, a pequenina semente foi tratada como j\u00f3ia preciosa e semeada docilmente naquela terra f\u00e9rtil. \u0093Limparam o lugar, revolveram a terra para tirar qualquer inseto ou verme, fofaram-na bem e adicionaram-lhe um pouco de cal. Enterraram o gr\u00e3o no solo \u00famido e cercaram-no, para proteg\u00ea-lo\u0094 \u0096 narra o grande escritor. \u0093Parecia que os colonos estavam erigindo alguma pedra fundamental\u0094, acrescentou. Depois de algumas colheitas e replantios, eram v\u00e1rios os hectares de trigo por eles semeados. A primeira fornada de p\u00e3o foi um banquete dos deuses!<br \/>A narrativa me transportou para as par\u00e1bolas das Sementes do Reino, que Jesus apresenta daquele seu jeito simples e peculiar: \u0093Um semeador saiu a semear&#8230;\u0094 Depois nos fala do terreno, do joio, do gr\u00e3o de mostarda \u0096 a menor das sementes que se transforma no maior dos arbustos \u0096 e do trigo&#8230; Assim sintetiza sua mensagem: \u0093O Reino de Deus \u00e9 como um homem que lan\u00e7a a semente \u00e0 terra. Dorme, levanta-se, de noite e de dia, e a semente brota e crescem, sem ele o perceber. Pois a terra, por si mesma produz, primeiro a planta, depois a espiga e, por \u00faltimo o gr\u00e3o abundante na espiga. Quando o fruto amadurece, ele mete-lhe a foice, porque \u00e9 chegada a colheita\u0094 (Mc 4, 26-29). Enfim, se o homem n\u00e3o plantar, nunca poder\u00e1 colher.<br \/>Eis tudo: o Reino s\u00f3 n\u00e3o acontece quando ignoramos a import\u00e2ncia de sua semente \u0096 \u00fanica para cada um de n\u00f3s \u0096 que temos escondida nas dobras de nossos dilemas ou nas t\u00fanicas que encobrem nossa nudez diante de Deus. \u00c9 preciso seme\u00e1-la com mais cuidado e, com igual zelo, faz\u00ea-la germinar entre n\u00f3s. Caso contr\u00e1rio, nosso existir \u0096 esse mundo que pensamos conquistar com nossa tecnologia e intelig\u00eancia \u0096 nunca ser\u00e1 perfeito. Falta-nos algo essencial \u00e0 mesa de qualquer vivente, o alimento que lhe d\u00e1 vida, o p\u00e3o de cada dia, o b\u00e1sico, para que qualquer aventureiro possa fugir das desventuras em sua vida e transformar a terra onde Deus o colocou. Falta \u00e0 humanidade o p\u00e3o macio e saboroso da solidariedade, da fraternidade, que s\u00f3 ser\u00e1 real quando multiplicarmos a semente da f\u00e9 que nos foi confiada individualmente.<br \/>A pedra fundamental da vida plena est\u00e1 em nossas m\u00e3os. Construir um mundo melhor \u00e9 tamb\u00e9m uma atitude individual. Somada ao coletivo, a colheita vir\u00e1 farta. \u0093Se o gr\u00e3o de trigo n\u00e3o morrer\u0094, se n\u00e3o deitarmos por terra a semente que Deus colocou em cada cora\u00e7\u00e3o capaz de amar, nunca conheceremos o sabor do \u0093P\u00e3o-Vivo descido dos C\u00e9us, as alegrias do Reino de Deus nesta ilha misteriosa que \u00e9 a vida&#8230;<\/p>\n<p>Local:Assis (SP)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Normalmente, um pequenino gr\u00e3o, seja de qual cereal for, n\u00e3o representa nada para nossas necessidades de sobreviv\u00eancia. Ser\u00e1? Pois o grande escritor franc\u00eas J\u00falio Verne nos provou o contr\u00e1rio. 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