{"id":19459,"date":"2016-11-18T15:45:07","date_gmt":"2016-11-18T17:45:07","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/11\/18\/por-que-e-bom-ter-amigos-que-nos-incomodam\/"},"modified":"2017-05-30T16:26:43","modified_gmt":"2017-05-30T19:26:43","slug":"por-que-e-bom-ter-amigos-que-nos-incomodam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/por-que-e-bom-ter-amigos-que-nos-incomodam\/","title":{"rendered":"Por que \u00e9 bom ter amigos que nos incomodam"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/diferentes.png\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Viver num gueto de amigos que pensam como n\u00f3s \u00e9 a op\u00e7\u00e3o mais c\u00f4moda \u2013 mas tamb\u00e9m a mais sect\u00e1ria<\/p>\n<p>Voc\u00ea tamb\u00e9m acha que as pessoas parecem estar mais divididas do que nunca?<\/p>\n<p>Vemos divis\u00e3o entre quem vota neste partido e quem vota naquele, entre quem vai \u00e0 igreja e quem n\u00e3o vai, entre quem \u00e9 a favor e quem \u00e9 contra isso ou aquilo\u2026<\/p>\n<p>Sempre houve diferen\u00e7as, \u00e9 claro, mas, desde que as comunidades na internet facilitaram o encontro e as conversas com pessoas que pensam como n\u00f3s, passamos a correr um risco muito alto de nos dividir ainda mais, fechando-nos em interesses comuns e passatempos compartilhados. Sim, \u00e9 excelente encontrar grupos em que cada um pode ser ele mesmo e formar amizades com base no que tem em comum com o outro. Afinal, o mundo \u00e9 um lugar estressante e, por isso, \u00e9 agrad\u00e1vel ter a chance de se sentir \u00e0 vontade com pessoas semelhantes.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 que discutir, por exemplo, sobre quest\u00f5es pol\u00edticas ou religiosas continuamente e quase s\u00f3 com quem concorda conosco nos limita de um jeito perigoso em nossa rede de amizades. Quando estou cansado das not\u00edcias pol\u00edticas, tendo a me fechar na minha zona de conforto e ficar na defensiva. Agindo assim, eu me sinto como um hobbit: contente na minha bela casinha do condado, enquanto a Terra M\u00e9dia arde em chamas ao meu redor. Cortar as pontes com o mundo me oferece comodidade e seguran\u00e7a\u2026 Mas ser\u00e1 mesmo que me torna uma pessoa melhor?<br \/>Trending Articles<br \/>Os alertas do \u201cPapa Bom\u201d contra as ast\u00facias do diabo<\/p>\n<p>O bom crist\u00e3o sabe que sem cruzes, sem prova\u00e7\u00f5es e sem luta espiritual \u00e9\u2026<\/p>\n<p>Powered By<\/p>\n<p>Considere, por exemplo, o fato de que o Facebook tem um algoritmo que nos cataloga de acordo com as nossas ideias pol\u00edticas. Todos os posts e hist\u00f3rias que n\u00e3o est\u00e3o alinhados com essas prefer\u00eancias pol\u00edticas t\u00eam menos possibilidades de aparecer em nosso fluxo de atualiza\u00e7\u00f5es. O Facebook nos v\u00ea como \u201cavestruzes\u201d, que precisam esconder a cabe\u00e7a embaixo da terra para n\u00e3o entrar em contato com um pouco mais da realidade. As redes sociais, assim, tentam ficar mais \u201crelaxantes\u201d, mas, por isso mesmo, nos isolam e nos tornam cada vez menos \u201csociais\u201d! Esse isolamento \u00e9 uma faca de dois gumes: n\u00e3o escutamos os outros e os outros n\u00e3o nos escutam. Desta forma, como encontrar e apreciar a verdade, o bem, a beleza? Como discutir e corrigir ideias limitadas e interpreta\u00e7\u00f5es falsas? Como dialogar, aprender, ensinar e progredir?<\/p>\n<p>Quando n\u00e3o vejo a hora de dizer o que penso sobre um tema importante, o mais prov\u00e1vel \u00e9 que eu esteja apenas \u201cpregando para quem j\u00e1 se converteu\u201d. Afinal, quem tem opini\u00e3o diferente n\u00e3o vai ver o que eu escrevi e, portanto, n\u00e3o teremos possibilidade de intera\u00e7\u00e3o. Esta divis\u00e3o artificial empobrece a minha vida e a do outro, porque ambos perdemos a oportunidade de ver o que as outras pessoas t\u00eam a nos oferecer \u2013 ou a nos desafiar em nossas respectivas zonas de conforto. Perdemos a oportunidade de discutir sobre as nossas convic\u00e7\u00f5es \u2013 ou supostas convic\u00e7\u00f5es. No fim, isso afeta a nossa capacidade de mostrar empatia: os pontos de vista diferentes do meu s\u00e3o associados a grupos abstratos de \u201cos outros\u201d, a quem tenderei a rejeitar, em vez de pertencerem ao meu amigo Fulano, que eu conhe\u00e7o e respeito e com quem intercambio ideias e pontos de vista construtivamente, mesmo que discordemos em muitos assuntos.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que n\u00e3o devemos nos sentir obrigados ao confronto com quem quer que seja, mas onde est\u00e1 o limite entre a sensata autoprote\u00e7\u00e3o e o sectarismo? Quando cortar a amizade com algu\u00e9m que tem outras convic\u00e7\u00f5es? O que dizer do vizinho de porta com quem pare\u00e7o n\u00e3o ter nada em comum, porque ele tem outra religi\u00e3o, pertence a outra classe social e vota em outro partido? Eu devo simplesmente ignor\u00e1-lo porque o mundo dele \u00e9 diferente do meu?<\/p>\n<p>Evitar esses encontros potencialmente desagrad\u00e1veis parece o caminho mais simples, mas\u2026 ser\u00e1 mesmo? Embora eu n\u00e3o saiba o que tenho em comum com meu vizinho, ou com um velho amigo que n\u00e3o encontro h\u00e1 muitos anos, ou com o parente taciturno que vejo em alguns encontros de fam\u00edlia, sempre posso tentar olhar para eles com mais profundidade, superando as apar\u00eancias iniciais. Podemos ter muitos pontos em comum no nosso jeito de enxergar a vida, em alguma experi\u00eancia semelhante, em algum aspecto da nossa personalidade. E, no fundo, todos compartilhamos uma coisa: a necessidade de respeito. E toda vez que conseguimos nos respeitar, conseguimos melhorar as rela\u00e7\u00f5es da humanidade consigo pr\u00f3pria.<\/p>\n<p>As intera\u00e7\u00f5es humanas podem ser ca\u00f3ticas, mas \u00e9 sempre poss\u00edvel procurar (e encontrar) o lado positivo das rela\u00e7\u00f5es e da amizade com quem \u00e9 diferente de mim. \u00c9 claro que todos queremos nos proteger e preservar a nossa fam\u00edlia, mas podemos e devemos prestar aten\u00e7\u00e3o ao grau de isolamento que talvez estejamos fomentando. Ser\u00e1 que, me abrindo mais, eu n\u00e3o poderia exercer uma boa influ\u00eancia sobre os outros? Dar um conselho ou sugest\u00e3o iluminadora a quem est\u00e1 precisando? Ajudar o pr\u00f3ximo de alguma forma? Ou ser ajudado por ele? Ser\u00e1 que n\u00e3o posso aprender algo que n\u00e3o conhecia, revisar ideias que n\u00e3o estavam claras para mim (ou que eu achava, fragilmente, que estavam claras demais), entender o que leva os outros a pensarem de modo diferente?<\/p>\n<p>Interagir entre humanos, enfim, \u00e9 sempre uma oportunidade para recordar que, nesta vida, estamos todos no mesmo barco. \u00c0s vezes, \u00e9 s\u00f3 isso o que precisamos enxergar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Viver num gueto de amigos que pensam como n\u00f3s \u00e9 a op\u00e7\u00e3o mais c\u00f4moda \u2013 mas tamb\u00e9m a mais sect\u00e1ria Voc\u00ea tamb\u00e9m acha que as pessoas parecem estar mais divididas do que nunca? 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