{"id":19453,"date":"2016-11-18T13:27:57","date_gmt":"2016-11-18T15:27:57","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/11\/18\/embora-chovam-bombas-e-misseis-servimos-aos-cristaos-na-siria-diz-sacerdote-salesiano\/"},"modified":"2017-05-30T16:26:44","modified_gmt":"2017-05-30T19:26:44","slug":"embora-chovam-bombas-e-misseis-servimos-aos-cristaos-na-siria-diz-sacerdote-salesiano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/embora-chovam-bombas-e-misseis-servimos-aos-cristaos-na-siria-diz-sacerdote-salesiano\/","title":{"rendered":"Embora chovam bombas e m\u00edsseis, servimos aos crist\u00e3os na S\u00edria, diz sacerdote salesiano"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/xpalejandroleon.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>MADRI,\u00a0 (ACI).- O Pe. Alejandro Le\u00f3n \u00e9 um mission\u00e1rio salesiano que vive h\u00e1 mais de 13 anos no Oriente M\u00e9dio e desde 2011 est\u00e1 na S\u00edria, precisamente quando come\u00e7ou a guerra. Assegura que est\u00e1 nesse pa\u00eds em guerra para \u201cser sinal da miseric\u00f3rdia e do amor de Deus\u201d, embora implique arriscar a pr\u00f3pria vida e estar, em muitas ocasi\u00f5es, perto da morte.<\/p>\n<p>Este sacerdote, nascido na Venezuela em 1979, assegura que foi testemunha de v\u00e1rios milagres, porque trabalha com os jovens para que deixem de lado a vingan\u00e7a e acolham o amor pela reconcilia\u00e7\u00e3o, o que os levou a atender familiares de extremistas mu\u00e7ulmanos.<\/p>\n<p>\u201cDar esse passo foi dif\u00edcil, mas foi muito libertador\u201d e \u201cperceberam que essas mulheres e crian\u00e7as n\u00e3o t\u00eam culpa e que, afinal, tamb\u00e9m s\u00e3o nossos irm\u00e3os\u201d, comentou o sacerdote na entrevista concedida em Madri ao Grupo ACI.<\/p>\n<p>Desde que entrou na congrega\u00e7\u00e3o de Dom Bosco, este sacerdote queria \u201coferecer aos jovens a educa\u00e7\u00e3o e a generosidade que ele tinha recebido\u201d. Por isso, em 2003, quando tinha 24 anos, ofereceu-se para ir \u201conde houvesse mais necessidade\u201d e seus superiores lhe indicaram o Oriente M\u00e9dio.<\/p>\n<p>Depois de estudar no Egito e na It\u00e1lia, o Pe. Le\u00f3n, que estava rec\u00e9m ordenado sacerdote, foi enviado \u00e0 S\u00edria. \u201cA guerra estava come\u00e7ando e eu aceitei\u201d, assegura.<\/p>\n<p>Segundo conta, aceitar ir a um pa\u00eds em guerra o assustou, mas recorda que uma vez estando ali, percebeu algo fundamental: \u201cEu tive uma vida muito feliz gra\u00e7as \u00e0 minha fam\u00edlia e aos salesianos e me d\u00e1 muita pena que houvesse tantas crian\u00e7as que n\u00e3o podiam ter a mesma oportunidade\u201d.<\/p>\n<p>\u201cO risco vale a pena e, se isto termina mal e acontece algo comigo, acredito que vivi suficientemente para ter encontrado o sentido da vida, que \u00e9 sentir-se profundamente amado por Deus\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEmbora como salesianos tenhamos nos comprometido com a obedi\u00eancia aos nossos superiores, estes nos deram muita liberdade para que somente permanecesse na S\u00edria quem quisesse. Acredito que cada um de n\u00f3s, dos 7 que estamos nas tr\u00eas comunidades, vivemos fortes momentos de abandono, de nos entregarmos decididamente com todo o cora\u00e7\u00e3o ao Senhor e dizer-lhe que aconte\u00e7a o que acontecer estou em suas m\u00e3os at\u00e9 quando Ele quiser\u201d, expressou ao Grupo ACI o jovem mission\u00e1rio.<\/p>\n<p>A presen\u00e7a salesiana est\u00e1 em tr\u00eas cidades da S\u00edria: em Aleppo desde 1958, em Damasco desde 1990 e em Kafroun desde 2000. Nestas comunidades vivem no total 7 sacerdotes ajudados por in\u00fameros leigos e jovens comprometidos.<\/p>\n<p>Suas casas s\u00e3o conhecidas na S\u00edria como \u201co\u00e1sis de paz\u201d, porque procuram unir sob o Evangelho e com Jesus Cristo todos os crist\u00e3os da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O Pe. Le\u00f3n explica que na S\u00edria \u201ch\u00e1 momentos nos quais deve atender doentes, moribundos ou enterros e sabe que no caminho est\u00e3o caindo m\u00edsseis e bombas, mas s\u00e3o nessas situa\u00e7\u00f5es que uma pessoa decide se vai se entregar por completo ou somente pela metade, porque se permanecemos na S\u00edria n\u00e3o \u00e9 para cuidar das paredes, mas para servir e ser sinal da miseric\u00f3rdia e do amor de Deus em meio \u00e0s pessoas e isso implica nos arriscar\u201d.<\/p>\n<p>\u201cArriscar muitas vezes a nossa vida, embora tentemos ser o mais prudente poss\u00edvel. Mas n\u00e3o pode acontecer que, por nos defendermos, fa\u00e7amos um servi\u00e7o pela metade. Ficamos aqui para servir e decidimos que, enquanto haja crist\u00e3os que precisam de n\u00f3s, estaremos com eles na S\u00edria\u201d.<\/p>\n<p>Esse sentido de fidelidade e servi\u00e7o aos crist\u00e3os est\u00e1 baseado, conforme explica o Pe. Alejandro Le\u00f3n ao Grupo ACI, \u201cno sentido de fam\u00edlia que \u00e9 t\u00e3o importante para os salesianos\u201d.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 fidelidade a Deus, \u00e0s pessoas e ao esp\u00edrito de fam\u00edlia dos salesianos. Se durante toda a minha vida falei da fam\u00edlia, quando realmente essa fam\u00edlia necessita do nosso apoio e presen\u00e7a, porque temos um passaporte estrangeiro que nos permite ir embora, eu n\u00e3o posso fechar os olhos e virar as costas\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o julgo se algu\u00e9m tem medo e decide ir embora, \u00e9 a liberdade e n\u00e3o h\u00e1 problemas em us\u00e1-la, mas no meu caso n\u00e3o podia fazer de outro modo\u201d, assegura.<\/p>\n<p>Trocar a vingan\u00e7a pelo amor<\/p>\n<p>Em seu trabalho com os jovens, como diretor e coordenador geral das atividades que os salesianos realizam na S\u00edria, o Pe. Le\u00f3n assinala que o maior desafio \u00e9 form\u00e1-los a fim de que estejam preparados para reconstruir o seu pa\u00eds quando a guerra acabar.<\/p>\n<p>\u201cHaver\u00e1 companhias e pa\u00edses dispostos a construir novamente os muros das cidades, mas ser\u00e3o necess\u00e1rias pessoas, jovens, muito preparados para reconstruir os cora\u00e7\u00f5es, as almas e o esp\u00edrito dessa sociedade, e isso somente poder\u00e3o fazer as pessoas do pr\u00f3prio povo e esta ser\u00e1 a miss\u00e3o principal dos jovens s\u00edrios\u201d.<\/p>\n<p>Outra grande dificuldade \u00e9 \u201ca ideia cultural da vingan\u00e7a, que est\u00e1 muito enraizada\u201d e que n\u00e3o nasce do \u00f3dio, mas do \u201camor por esse ser querido que morreu e pelo qual deve-se vingar por amor\u201d.<\/p>\n<p>\u201cNa S\u00edria todos t\u00eam algu\u00e9m a quem vingar\u201d, lamenta o sacerdote e menciona que o seu trabalho tamb\u00e9m procura promover a reconcilia\u00e7\u00e3o e n\u00e3o a vingan\u00e7a. E parece que est\u00e3o conseguindo.<\/p>\n<p>\u201cNossos jovens s\u00edrios v\u00e3o aos centros de refugiados onde est\u00e3o tamb\u00e9m muitas pessoas abandonadas, mulheres e filhos dos mu\u00e7ulmanos extremistas que participam dos ataques\u201d, explica.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 necess\u00e1rio se colocar no lugar desses jovens e pensar como se superaram para ajudar e cuidar, por exemplo, do filho daquele que mandou a bomba que matou o meu primo ou o meu irm\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>\u201cPara muitos, dar esse passo foi dif\u00edcil, mas tamb\u00e9m foi muito libertador. Perceberam finalmente que os filhos desses extremistas n\u00e3o t\u00eam culpa, s\u00e3o crian\u00e7as e tamb\u00e9m s\u00e3o nossos irm\u00e3os\u201d.<\/p>\n<p>Segundo relata o Pe. Alejandro, a guerra e \u201co mist\u00e9rio da dor\u201d fazem com que muitos jovens e adolescentes que est\u00e3o perto dos salesianos na S\u00edria tenham graves d\u00favidas de f\u00e9.<\/p>\n<p>\u201cO problema do mal causou uma crise de f\u00e9, mas, com o testemunho e a proximidade, muitos jovens a superaram e depois puderam ter uma viv\u00eancia de Cristo muito mais aut\u00eantica\u201d, indica ao Grupo ACI.<\/p>\n<p>De fato, este pa\u00eds \u201cfoi um dos que mais surgiram voca\u00e7\u00f5es \u00e0 fam\u00edlia salesiana, inclusive desde antes da guerra. Tamb\u00e9m aqueles que durante a guerra superaram as suas d\u00favidas, alcan\u00e7aram uma profunda vida espiritual que faz com que se perguntem o que Deus quer deles. E isso \u00e9 algo valioso\u201d.<\/p>\n<p>\u201cFui testemunha de milagres, mas todo esse bem que conseguimos fazer foi gra\u00e7as \u00e0 generosidade de muita gente, especialmente das miss\u00f5es salesianas, porque sem sua ajuda teria sido imposs\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Acidigital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>MADRI,\u00a0 (ACI).- O Pe. Alejandro Le\u00f3n \u00e9 um mission\u00e1rio salesiano que vive h\u00e1 mais de 13 anos no Oriente M\u00e9dio e desde 2011 est\u00e1 na S\u00edria, precisamente quando come\u00e7ou a guerra. 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