{"id":19414,"date":"2016-11-16T17:37:58","date_gmt":"2016-11-16T19:37:58","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/11\/16\/padre-eu-matei\/"},"modified":"2017-05-30T16:26:46","modified_gmt":"2017-05-30T19:26:46","slug":"padre-eu-matei","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/padre-eu-matei\/","title":{"rendered":"Padre\u2026 eu matei!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/confissao2.png\" border=\"0\" align=\"left\" \/>A experi\u00eancia extraordin\u00e1ria de ser sacerdote num confession\u00e1rio<\/p>\n<p>Num confession\u00e1rio cabe todo o mundo. O confession\u00e1rio \u00e9 um lugar de miss\u00e3o. \u00c9 como ir a terras desconhecidas e evangelizar, anunciar a reden\u00e7\u00e3o de Cristo, a sua miseric\u00f3rdia pelo homem, anunciar o Amor de Deus a quem ainda n\u00e3o O conhece.<\/p>\n<p>Num confession\u00e1rio entra muita dor, muito sofrimento, muita necessidade de ser escutado, de compartilhar situa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o podem mais ser suportadas em solid\u00e3o; num confession\u00e1rio entra muito desejo de ser perdoado.<\/p>\n<p>\u00c9 grandiosa a obra que Deus realiza nos peregrinos que chegam ao Santu\u00e1rio de Pompeya, em Buenos Aires.<\/p>\n<p>J\u00e1 ouvi a confiss\u00e3o de adultos que mataram. E tamb\u00e9m de jovens.<\/p>\n<p>Um me disse que n\u00e3o tinha matado em defesa pr\u00f3pria, mas para roubar. Ele estava arrependido pelo ato terr\u00edvel que tinha cometido. Aquilo o tinha transtornado. Quando ele veio at\u00e9 mim, tinha nas m\u00e3os uma B\u00edblia. Disse que queria sair daquela situa\u00e7\u00e3o. Que queria mudar.<\/p>\n<p>J\u00e1 passei por v\u00e1rios casos de pessoas que tinham matado. Elas achavam que Deus n\u00e3o podia perdo\u00e1-las. Ser\u00e1 mesmo que Ele pode? Eu lhes respondo que sim. Digo isso com toda a alma, com for\u00e7a, com toda a clareza. Deus se fez homem para estar conosco. Ele veio para perdoar, para amar, para abra\u00e7ar. Ele se encarnou para caminhar conosco.<\/p>\n<p>O perd\u00e3o de Deus \u00e9 uma for\u00e7a de amor que nos concede a dor pelo mal que cometemos; uma dor que vai muito al\u00e9m do sentimento natural de desgosto pelo mal que fizemos; e tamb\u00e9m a vontade de repar\u00e1-lo, de corrigir a nossa vida.<\/p>\n<p>Muitas m\u00e3es vieram at\u00e9 o meu confession\u00e1rio com a dor de ter abandonado os seus filhos. Mesmo depois de j\u00e1 terem passado muitos anos. Por diversas raz\u00f5es: porque tinham perdido o trabalho e n\u00e3o sabiam como fazer para lhes dar de comer, ou porque o marido as tinha abandonado, ou pelas duas raz\u00f5es.<\/p>\n<p>H\u00e1 mulheres que me procuram muitos anos depois, ainda com esse peso. N\u00e3o conseguem apagar o que fizeram: abandonar seus filhos pequenos que tiveram de crescer com os av\u00f3s ou com os tios. Ou com estranhos.<\/p>\n<p>Pedem perd\u00e3o, tentam se justificar com a necessidade, mas sempre com uma grande dor, da qual n\u00e3o conseguem se libertar. S\u00e3o m\u00e3es que sabem que, em v\u00e1rios casos, cometeram um crime \u2013 e isso amargurou a sua vida, embora deem explica\u00e7\u00f5es e mais explica\u00e7\u00f5es sobre os motivos que tiveram.<\/p>\n<p>O aborto pesa muit\u00edssimo na vida de uma mulher. H\u00e1 mulheres que v\u00eam ao confession\u00e1rio depois de muitos anos e \u00e9 percept\u00edvel que n\u00e3o conseguem super\u00e1-lo. Quando o fizeram na juventude, me dizem: \u201cPadre, eu n\u00e3o sabia o que estava fazendo. Agora eu me dou conta de que matei o meu filho\u201d.<\/p>\n<p>Com o passar dos anos, tiveram outros filhos, veem a sua beleza, os t\u00eam perto de si, os veem crescer e pensam naquele a quem n\u00e3o quiseram. \u00c9 duro. Especialmente quando houve mais de um aborto. Eu me lembro de uma mulher que tinha feito seis. E outra, cinco.<\/p>\n<p>\u00c0s vezes d\u00e1 para notar que elas tentam minimizar, como se n\u00e3o tivesse acontecido nada de irrepar\u00e1vel. Mas n\u00e3o \u00e9 assim. E elas sabem muito bem dentro de si, embora a natureza humana se defenda do sofrimento tentando encapsul\u00e1-lo e lan\u00e7\u00e1-lo ao passado, para que fique mais f\u00e1cil de esquecer.<\/p>\n<p>Na maioria das vezes, a decis\u00e3o de abortar n\u00e3o veio delas. Muitas vezes, s\u00e3o os pais que as obrigam. \u201cO que as pessoas v\u00e3o dizer, o que os amigos v\u00e3o pensar\u201d\u2026 E a fam\u00edlia come\u00e7a a fazer press\u00e3o para obrig\u00e1-las a abortar. Mesmo que a jovem n\u00e3o queira ou tenha d\u00favidas, eles a pressionam at\u00e9 deix\u00e1-la quase sem sa\u00edda.<\/p>\n<p>Muitas vezes, os pais s\u00e3o os verdadeiros culpados pelos abortos. Ou o namorado, que paga o aborto para que ningu\u00e9m saiba de nada, para que n\u00e3o saiba nem a sua fam\u00edlia nem a fam\u00edlia dela. Fazem tudo clandestino. E ele, para se livrar de um \u201cproblema\u201d, n\u00e3o hesita em dar o dinheiro.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m h\u00e1 muitas vezes em que a pr\u00f3pria menina decide acabar com a gravidez, por causa da situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica em que se encontra, porque ficou sem trabalho, porque nenhum dos dois tem trabalho ou porque o emprego que t\u00eam \u00e9 prec\u00e1rio.<\/p>\n<p>Outra raz\u00e3o frequente que leva uma mulher a abortar s\u00e3o as tens\u00f5es com o companheiro, o namorado ou o marido. Ela tem certeza de que a rela\u00e7\u00e3o n\u00e3o vai durar e tem medo de ficar sozinha com o filho, ou est\u00e1 t\u00e3o ressentida com ele que n\u00e3o quer lhe dar o filho que at\u00e9 desejaria ter.<\/p>\n<p>Eu as escuto, olho para elas e me dou conta de que \u00e9 duro; de que, para elas, \u00e9 muito doloroso o que vieram confessar. Como lidar superficialmente com o perd\u00e3o de Deus?<\/p>\n<p>Com essas mulheres eu falo de figuras da B\u00edblia a quem Jesus perdoou. Maria Madalena, a ad\u00faltera, a vi\u00fava de Naim. Ou Zaqueu, o filho pr\u00f3digo, o ladr\u00e3o arrependido. Eles passaram toda a vida fazendo coisas terr\u00edveis e, com apenas uma palavra de arrependimento, Jesus os perdoou. Com uma pequena fissura de f\u00e9, que se abriu no \u00faltimo momento, Ele n\u00e3o vai perdoar voc\u00ea?<\/p>\n<p>Se voc\u00ea tivesse o conhecimento e a consci\u00eancia que tem hoje, quando vem confessar o que fez h\u00e1 tanto tempo, voc\u00ea n\u00e3o o teria feito. N\u00e3o se pode julgar o que voc\u00ea fez ontem com o crit\u00e9rio e o sentimento crist\u00e3o que voc\u00ea tem agora.<\/p>\n<p>A elas eu tamb\u00e9m digo que Deus as abra\u00e7a, que Deus as ama, que as ama e caminha com elas. Que Ele veio perdoar, n\u00e3o castigar; que Ele veio para estar conosco, que deixou o c\u00e9u para compartilhar a nossa condi\u00e7\u00e3o de homens que erram. Como, ent\u00e3o, poder\u00edamos ter medo? Eu acho quase um absurdo, uma falta de conhecimento, uma ideia equivocada sobre o nosso Deus Pai.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Deus, o confession\u00e1rio tamb\u00e9m \u00e9 um lugar de vida.<\/p>\n<p>Sempre \u00e9, porque o perd\u00e3o regenera, faz nascer algo novo, algo que antes n\u00e3o existia. Mas tamb\u00e9m \u00e9 um lugar de vida quando uma jovem toma consci\u00eancia do quanto \u00e9 negativo o que ela est\u00e1 pensando em fazer \u2013 e, gra\u00e7as a isso, ela decide n\u00e3o fazer.<\/p>\n<p>Tive casos de jovens que chegaram dizendo que queriam abortar \u2013 e depois n\u00e3o abortaram. \u00c0s vezes, indo contra a opini\u00e3o dos pais. \u201cEles que pensem o que quiserem, mas eu quero ter o meu filho, eu quero ser m\u00e3e, eu quero v\u00ea-lo crescer e ajud\u00e1-lo a ser feliz! Eu o quero e quero que ele viva!\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitos homossexuais que v\u00eam ao confession\u00e1rio. Tanto homens quanto mulheres. \u00c0s vezes, eles perguntam por que se sentem perturbados com o que fazem. Muitos voltam, repetindo sempre o mesmo. \u00c9 evidente que n\u00e3o est\u00e3o tranquilos; que gostariam de mudar.<\/p>\n<p>Eu os oriento a evitar as ocasi\u00f5es de pecado, as circunst\u00e2ncias que aumentam a fraqueza que est\u00e3o reconhecendo. N\u00e3o posso fazer muito mais; n\u00e3o tenho capacidade para ir al\u00e9m.<\/p>\n<p>Aos ped\u00f3filos, eu convido a respeitarem a pessoa, a si mesmos e os outros. Que clamem a Deus para que os liberte dessa escravid\u00e3o que fere o pr\u00f3ximo mais indefeso. \u201cLute! V\u00e1 atr\u00e1s da cura!\u201d.<\/p>\n<p>H\u00e1 algo que sempre me deixa feliz. Algumas vezes, vem jovens que dizem: \u201cPadre, hoje eu quero confessar uma coisa que nunca tive coragem de dizer. Tive a oportunidade, mas n\u00e3o disse\u201d. Eu os encorajo: \u201cUse todo o tempo que precisar. Eu n\u00e3o tenho pressa. Mas desabafe, confesse, deixe nas m\u00e3os de Deus todo o peso que voc\u00ea carrega nas costas! Esvazie essa bagagem diante dele e voc\u00ea vai ver como sai aliviado deste confession\u00e1rio\u201d. E \u00e9 o que acontece.<\/p>\n<p>\u201cTem mais alguma coisa?\u201d.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o, padre\u201d.<\/p>\n<p>\u201cE como voc\u00ea est\u00e1 se sentindo?\u201d.<\/p>\n<p>\u201cEstou conseguindo respirar\u201d.<\/p>\n<p>Uma verdadeira experi\u00eancia de liberta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>____________<\/p>\n<p>Depoimento do padre Luis Dri, com Andrea Tornielli e Alver Metalli, em \u201cNon aver paura di perdonare\u201d, Rai-Eri, outubro de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A experi\u00eancia extraordin\u00e1ria de ser sacerdote num confession\u00e1rio Num confession\u00e1rio cabe todo o mundo. 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