{"id":19395,"date":"2016-11-16T16:08:39","date_gmt":"2016-11-16T18:08:39","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/11\/16\/sobreviventes-do-boko-haram-estamos-vivos-porque-permanecemos-na-igreja\/"},"modified":"2017-05-30T16:26:49","modified_gmt":"2017-05-30T19:26:49","slug":"sobreviventes-do-boko-haram-estamos-vivos-porque-permanecemos-na-igreja","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sobreviventes-do-boko-haram-estamos-vivos-porque-permanecemos-na-igreja\/","title":{"rendered":"Sobreviventes do Boko Haram: Estamos vivos porque permanecemos na Igreja"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/xmonsbrunoat.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Camar\u00c3\u00b5es, (ACI).- Os povoados da diocese de Maroua-Mokolo, em Camar\u00f5es, junto a outras dioceses localizadas ao longo da fronteira com a Nig\u00e9ria, tornaram-se palco de incessantes ataques suicidas perpetrados pelo grupo terrorista mu\u00e7ulmano Boko Haram, o que gerou medo entre a popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando em fevereiro dois homens-bomba mataram pelo menos 20 pessoas e deixaram dezenas de feridos no mercado de Mora, povoado de M\u00e9m\u00e9, o Bispos da diocese de Maroua-Mokolo, Dom Bruno Ateba Edo, assegurou que a ora\u00e7\u00e3o no interior do templo salvou os paroquianos.<\/p>\n<p>\u201cNo momento do ataque, muitas mulheres do mercado e outras pessoas do povoado tinham ido \u00e0 Igreja para participar da Via Sacra. Elas me disseram: \u2018Ainda estamos viver porque est\u00e1vamos na Igreja. Ter\u00edamos morrido sem a Via Sacra\u2019\u201d, indicou o Bispo no come\u00e7o de novembro \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre (ACN).<\/p>\n<p>Do mesmo modo, detalhou que \u201cv\u00e1rios dos ataques suicidas s\u00e3o realizados por pessoas muito jovens\u201d e que as duas meninas de se explodiram no mercado de Mora \u201cn\u00e3o tinham nem vinte anos\u201d.<\/p>\n<p>Por outro lado, o Prelado afirmou que a situa\u00e7\u00e3o em sua diocese \u00e9 \u201cdram\u00e1tica\u201d e raramente recebe a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia internacional.<\/p>\n<p>\u201cGostaria de ver uma maior aten\u00e7\u00e3o ao que est\u00e1 acontecendo aqui no norte de Camar\u00f5es. Quando algo acontece na Europa, a not\u00edcia se propaga imediatamente ao redor de todo o mundo. \u00c9 como um terremoto. Mas se as pessoas morrem aqui em Camar\u00f5es ou em outros pa\u00edses africanos, n\u00e3o \u00e9 um grande problemas\u201d, denunciou.<\/p>\n<p>\u201cGostaria de dizer aos meios de comunica\u00e7\u00e3o: \u2018Olhem com cuidado, n\u00e3o importa onde algo de ruim aconteceu, e informem!\u2019\u201d, acrescentou o Bispo.<\/p>\n<p>Dom Ateba disse quando vai celebrar a Santa Missa ao ar livre, os fi\u00e9is costumam dar as m\u00e3os para formar uma corrente humana e se manter longe dos ataques suicidas. Antes da Missa, alguns volunt\u00e1rios revistam os participantes em busca de armas e explosivos. Da mesma forma, \u00e9 proibido levar bolsas grandes.<\/p>\n<p> \u201cAs pessoas vivem em constante medo de ataques. J\u00e1 se tornou uma psicose\u201d, assegurou.<\/p>\n<p>Apesar disso, o Bispo detalhou que os fi\u00e9is n\u00e3o permitem que o medo os impe\u00e7a de se reunir para rezar: \u201ca ora\u00e7\u00e3o \u00e9 nossa for\u00e7a e nossa esperan\u00e7a. Necessitamos da ora\u00e7\u00e3o! Queremos rezar! A ora\u00e7\u00e3o comunit\u00e1ria \u00e9, sobretudo, um sinal de esperan\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p> Al\u00e9m das tens\u00f5es provocadas pelos ataques terroristas, existe tamb\u00e9m um problema humanit\u00e1rio. Quase 80.000 refugiados da Nig\u00e9ria est\u00e3o vivendo em um enorme campo de refugiados na diocese de Maroua-Mokolo.<\/p>\n<p>\u201cMuitas pessoas gostariam de regressar para sua terra natal, mas precisam de seguran\u00e7a. V\u00e1rios est\u00e3o ali h\u00e1 quatro ou cinco anos e n\u00e3o podem voltar para casa\u201d, explicou Dom Ateba.<\/p>\n<p>Os refugiados cat\u00f3licos est\u00e3o recebendo aten\u00e7\u00e3o pastoral de um sacerdote nigeriano que fala seu idioma. Al\u00e9m disso, a Funda\u00e7\u00e3o ACN doou 14.900 euros para ajudar a construir uma capela.<\/p>\n<p>\u201cQuase 5.000 cat\u00f3licos vivem neste acampamento. Duas missas s\u00e3o celebradas todos os domingos. Ter um lugar de ora\u00e7\u00e3o estabelece um sinal importante. Obrigado por nos ajudar!\u201d, expressou Dom Ateba.<\/p>\n<p>Al\u00e9m dos refugiados nigerianos, ACN detalhou que existe mais de 50 mil camaroneses de povoados localizados na fronteira que fugiram devido aos ataques. A maioria deles encontrou ref\u00fagio com amigos, conhecidos ou parentes e s\u00f3 est\u00e3o sendo apoiados pela Igreja Cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Por esta raz\u00e3o, ACN proporcionou no ano passado 75 mil euros de emerg\u00eancia para satisfazer \u00e0s necessidades daqueles que ficaram sem lar.<\/p>\n<p>Apesar da situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, Dom Ateba n\u00e3o perdeu a alegria porque, atualmente, a diocese de Maroua-Mokolo conta com trinta seminaristas. Al\u00e9m disso, ordenou dois sacerdotes e tr\u00eas jovens estudantes ao diaconato transit\u00f3rio.<\/p>\n<p>\u201cA esperan\u00e7a das pessoas tem suas ra\u00edzes principalmente na sua cren\u00e7a em Deus. Confiamos na ora\u00e7\u00e3o. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 a nossa for\u00e7a. Rezamos porque precisamos de paz. E, apesar dos ataques, n\u00e3o vamos deixar de nos reunirmos e pedir a paz a Deus\u201d, concluiu o Prelado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Acidigital<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Camar\u00c3\u00b5es, (ACI).- Os povoados da diocese de Maroua-Mokolo, em Camar\u00f5es, junto a outras dioceses localizadas ao longo da fronteira com a Nig\u00e9ria, tornaram-se palco de incessantes ataques suicidas perpetrados pelo grupo terrorista mu\u00e7ulmano Boko Haram, o que gerou medo entre a popula\u00e7\u00e3o. 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