{"id":19236,"date":"2016-11-07T17:39:07","date_gmt":"2016-11-07T19:39:07","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/11\/07\/ele-foi-ate-aparecida-pedir-o-milagre-da-cura-do-irmao-mas-nao-podia-imaginar-o-que-aconteceria-consigo-mesmo\/"},"modified":"2017-05-30T16:28:34","modified_gmt":"2017-05-30T19:28:34","slug":"ele-foi-ate-aparecida-pedir-o-milagre-da-cura-do-irmao-mas-nao-podia-imaginar-o-que-aconteceria-consigo-mesmo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ele-foi-ate-aparecida-pedir-o-milagre-da-cura-do-irmao-mas-nao-podia-imaginar-o-que-aconteceria-consigo-mesmo\/","title":{"rendered":"Ele foi at\u00e9 Aparecida pedir o milagre da cura do irm\u00e3o, mas n\u00e3o podia imaginar o que aconteceria consigo mesmo"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/web-aparacida.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>A hist\u00f3ria do peregrino que viu seu cora\u00e7\u00e3o se transformar \u00e0 medida que se aproximava do Santu\u00e1rio de Nossa Senhora Aparecida<\/p>\n<p>Paulo Lu\u00eds, 42 anos, recebeu numa manh\u00e3 de sexta-feira a not\u00edcia de que o seu irm\u00e3o mais velho, Wagner, 50, estava internado na UTI, em estado grave. Segundo lhe contou a cunhada, Wagner estava em coma, ap\u00f3s ter sofrido um derrame cerebral. Naquele momento, n\u00e3o havia mais nada a fazer, a n\u00e3o ser rezar. At\u00e9 o padre conhecido da fam\u00edlia j\u00e1 estava se dirigindo ao hospital para dar a extrema un\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Paulo Lu\u00eds ficou desesperado. Wagner era o seu her\u00f3i. Ajudara a cri\u00e1-lo desde pequeno, sempre trabalhando ao lado do pai, cheio de vida, alegria e disposi\u00e7\u00e3o. Era um homem espirituoso, o l\u00edder da fam\u00edlia. E, al\u00e9m de tudo, n\u00e3o podia morrer assim de repente, pois estaria deixando uma jovem esposa de quarenta e poucos anos, e dois filhos adolescentes. A situa\u00e7\u00e3o era dram\u00e1tica.<\/p>\n<p>Ao chegar ao hospital, Paulo encontrou os familiares mais pr\u00f3ximos em estado de choque. Havia uma cortina nos olhares, uma mistura de sentimentos que iam do desespero \u00e0 ilus\u00e3o.<\/p>\n<p>Vendo que nada podia fazer no hospital naquele momento, nem sequer entrar para ver o irm\u00e3o, dados os cuidados m\u00e9dicos a que estava sendo submetido, Paulo tomou uma decis\u00e3o inesperada: iria de bicicleta at\u00e9 o Santu\u00e1rio de Aparecida pedir o milagre da cura do irm\u00e3o.<\/p>\n<p>A viagem de mais de 100 quil\u00f4metros que Paulo come\u00e7ou imediatamente n\u00e3o tinha qualquer prepara\u00e7\u00e3o. A bicicleta era velha e simples, n\u00e3o tinha sequer sistema de marchas. Ele foi com a roupa do corpo, levando consigo o pouco dinheiro que tinha na carteira, suficiente para um ou dois caf\u00e9s com p\u00e3o e nada mais. Nem chegou a pensar no retorno, pois n\u00e3o teria dinheiro para voltar de \u00f4nibus, muito menos para se hospedar num hotel em Aparecida. Seu \u00fanico objetivo era chegar at\u00e9 a imagem de Nossa Senhora Aparecida e, de algum modo, fazer com que sua hist\u00f3ria entrasse para a longa lista de milagres alcan\u00e7ados pela intercess\u00e3o da Padroeira do Brasil. Ele s\u00f3 pensava em Deus, em Maria e na cura do irm\u00e3o.<\/p>\n<p>Os primeiros 20 quil\u00f4metros pela estrada secund\u00e1ria que atravessa o Vale do Para\u00edba rumo \u00e0 cidade de Aparecida foram percorridos em transe. Paulo estava acima do peso. Se n\u00e3o fosse pelo futebol semanal que jogava com os amigos (por sinal, as partidas eram organizadas por Wagner), seria totalmente sedent\u00e1rio. Estava longe de ter preparo f\u00edsico ou de poder se considerar um ciclista.<\/p>\n<p>Ainda na primeira metade da viagem uma fisgada nas costas come\u00e7ou a incomod\u00e1-lo. E o sol de outubro naquela regi\u00e3o do Brasil, ao redor dos 35 graus ao meio-dia, castigava o seu rosto. Ele teve de parar pela primeira vez. Deitou a bicicleta, sentou-se \u00e0 cal\u00e7ada e chorou com o rosto escondido entre as m\u00e3os.<\/p>\n<p>Foi naquele momento que ele percebeu a situa\u00e7\u00e3o surpreendente em que se encontrava: ele n\u00e3o tinha f\u00e9, havia muitos anos que n\u00e3o rezava, e Deus era um assunto que j\u00e1 n\u00e3o ocupava a sua vida. Mas por qu\u00ea ent\u00e3o estaria ali no meio do nada, de bicicleta, com uns trocados no bolso, peregrinando ao Santu\u00e1rio de Aparecida, rezando sem parar?<\/p>\n<p>Ele estivera s\u00f3 por muito tempo, absolutamente s\u00f3, com o cora\u00e7\u00e3o vazio. Havia esquecido Deus em algum lugar de sua inf\u00e2ncia. Mas era a inf\u00e2ncia que lhe vinha em mente ali, enquanto chorava pelo irm\u00e3o. Algo reacendia no seu peito, tocava sua alma. Assim, a \u00fanica coisa que lhe restava era seguir adiante. Foi o que ele fez.<\/p>\n<p>Na segunda metade da viagem o corpo j\u00e1 n\u00e3o obedecia. As dores tinham ultrapassado o ponto que o faria parar em qualquer outra situa\u00e7\u00e3o. Agora, Paulo pedalava mortificado pela exaust\u00e3o f\u00edsica e emocional. Seu corpo e seus pensamentos diluiam para al\u00e9m da ideia que ele fazia de si mesmo. Ele transbordava de si rumo a algo novo, diferente de qualquer ego\u00edsmo ou busca de conforto pessoal. Continuava rezando. J\u00e1 n\u00e3o rezava apenas pelo irm\u00e3o que estava na UTI, sua ora\u00e7\u00e3o se estendia a todos.<\/p>\n<p>Nos quil\u00f4metros finais da viagem, depois de um dia inteiro pedalando, Paulo percebeu que n\u00e3o estava sozinho. Deus caminhava ao seu lado e n\u00e3o o deixava desamparado. Foi isso que ele sentiu em seu cora\u00e7\u00e3o. Ele precisou ir al\u00e9m de si, superar-se, f\u00edsica e emocionalmente, para encontrar aquilo que estivera sempre ao seu lado.<\/p>\n<p>Ao ver o Santu\u00e1rio de Aparecida se delinear no horizonte, as l\u00e1grimas que lhe escorreram pelo rosto j\u00e1 n\u00e3o eram de dor ou desespero, mas de esperan\u00e7a e alegria. O seu irm\u00e3o estava curado, ele tinha certeza, e Paulo tamb\u00e9m estava curado. Como peregrino, vencera a si mesmo, superara o seu ego\u00edsmo.<\/p>\n<p>Aos p\u00e9s da imagem de Nossa Senhora Aparecida, n\u00e3o pediu pela cura, apenas agradeceu a Deus pelo dom da vida, da fam\u00edlia, do irm\u00e3o, da beleza espalhada nas coisas mais simples. Quando Paulo saiu da Bas\u00edlica de Aparecida, um amigo da fam\u00edlia o esperava. Soubera daquela peregrina\u00e7\u00e3o improvisada e decidira seguir Paulo de longe, de carro, sem que ele percebesse. Aquele amigo era eu.<\/p>\n<p>Quando Paulo foi ao hospital no dia seguinte, o seu irm\u00e3o j\u00e1 tinha sa\u00eddo da UTI. Wagner, surpreendentemente, estava no quarto, de p\u00e9, olhando pela janela. No olhar dos dois havia algo diferente, uma profundidade e contempla\u00e7\u00e3o que o tempo jamais apagou. E algo daquilo tamb\u00e9m permaneceu nos meus olhos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A hist\u00f3ria do peregrino que viu seu cora\u00e7\u00e3o se transformar \u00e0 medida que se aproximava do Santu\u00e1rio de Nossa Senhora Aparecida Paulo Lu\u00eds, 42 anos, recebeu numa manh\u00e3 de sexta-feira a not\u00edcia de que o seu irm\u00e3o mais velho, Wagner, 50, estava internado na UTI, em estado grave. 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