{"id":19223,"date":"2016-11-07T13:20:43","date_gmt":"2016-11-07T15:20:43","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/11\/07\/papa-aos-movimentos-populares-a-corrupcao-nao-e-um-vicio-exclusivo-da-politica\/"},"modified":"2017-06-02T11:42:45","modified_gmt":"2017-06-02T14:42:45","slug":"papa-aos-movimentos-populares-a-corrupcao-nao-e-um-vicio-exclusivo-da-politica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/papa-aos-movimentos-populares-a-corrupcao-nao-e-um-vicio-exclusivo-da-politica\/","title":{"rendered":"Papa aos Movimentos Populares: a corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um v\u00edcio exclusivo da pol\u00edtica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/papas\/epa2251125_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Cidade do Vaticano (RV) &#8211; Na tarde de s\u00e1bado (05\/11) o Papa Francisco participou na Sala Paulo VI da conclus\u00e3o do III Encontro Mundial dos Movimentos Populares.<\/p>\n<p>Abaixo, o pronunciamento na \u00edntegra:<\/p>\n<p>&#8220;Irm\u00e3s e irm\u00e3s, boa tarde!<\/p>\n<p>Neste nosso terceiro encontro expressamos a mesma sede, a sede de justi\u00e7a, o mesmo grito: terra, casa e trabalho para todos.<\/p>\n<p>Agrade\u00e7o os delegados que vieram das periferias urbanas, rurais e industriais dos cinco continentes, mais de 60 pa\u00edses, que vieram para discutir mais uma vez sobre como defender estes direitos que nos convocam. Obrigado aos Bispos que vieram para vos acompanhar. Obrigado aos milhares de italianos e europeus que se uniram hoje ao final deste encontro. Obrigado aos observadores e aos jovens comprometidos na vida p\u00fablica que vieram com humildade escutar e aprender. Quanta esperan\u00e7a tenho nos jovens! Agrade\u00e7o tamb\u00e9m ao Senhor Cardeal Turkson, pelo trabalho que fez no Dicast\u00e9rio; e gostaria tamb\u00e9m de recordar a contribui\u00e7\u00e3o do ex-Presidente Jos\u00e9 Mujica, que est\u00e1 presente.<\/p>\n<p>No \u00faltimo encontro, na Bol\u00edvia, com maioria de latino-americanos, falamos da necessidade de uma mudan\u00e7a para que a vida seja digna, uma mudan\u00e7a de estruturas; al\u00e9m disto, de como voc\u00eas, os movimentos populares, s\u00e3o semeadores desta mudan\u00e7a, promotores de um processo em que convergem milhares de pequenas e grandes a\u00e7\u00f5es concatenadas em modo criativo, como em uma poesia; por isto quis vos chamar \u201cpoetas sociais\u201d; e temos tamb\u00e9m elencado algumas tarefas imprescind\u00edveis para caminhar em dire\u00e7\u00e3o a uma alternativa humana diante da globaliza\u00e7\u00e3o da indiferen\u00e7a: 1. Colocar a economia \u00e0 servi\u00e7o dos povos; 2. Construir a paz e a justi\u00e7a; 3. Defender a M\u00e3e Terra.<\/p>\n<p>Aquele dia, com a voz de uma \u201cpapeleira\u201d e de um agricultor, foram leitos, na conclus\u00e3o, os dez pontos de Santa Cruz de la Sierra, onde a palavra \u2018mudan\u00e7a\u2019 era repleta de grande conte\u00fado, era ligada \u00e0s coisas fundamentais que voc\u00eas reivindicam: trabalho digno para aqueles que s\u00e3o exclu\u00eddos do mercado de trabalho; terra para os agricultores e as popula\u00e7\u00f5es ind\u00edgenas; moradia para as fam\u00edlias sem-teto; integra\u00e7\u00e3o humana para os bairros populares; elimina\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o, da viol\u00eancia contra as mulheres e das novas formas de escravid\u00e3o; o fim de todas as guerras, do crime organizado e da repress\u00e3o; liberdade de express\u00e3o e de comunica\u00e7\u00e3o democr\u00e1tica; ci\u00eancia e tecnologia a servi\u00e7o dos povos. Ouvimos tamb\u00e9m como voc\u00eas se comprometeram em abra\u00e7ar um projeto de vida que rejeite o consumismo e recupere a solidariedade, o amor entre n\u00f3s e o respeito pela natureza como valores essenciais. \u00c9 a felicidade de \u201cviver bem\u201d aquilo que voc\u00eas reclamam, a \u201cvida boa\u201d, e n\u00e3o aquele ideal ego\u00edsta que enganosamente inverte as palavras e prop\u00f5e a \u201cbela vida\u201d.<\/p>\n<p>N\u00f3s que hoje estamos aqui, de origens, cren\u00e7as e ideias diferentes, poder\u00edamos n\u00e3o estar de acordo com tudo, seguramente pensamos diversamente sobre muitas coisas, por\u00e9m certamente estamos de acordo sobre estes pontos.<\/p>\n<p>Soube tamb\u00e9m de encontros e laborat\u00f3rios realizados em diversos pa\u00edses, onde se multiplicaram os debates \u00e0 luz da realidade de cada comunidade. Isto \u00e9 muito importante porque as solu\u00e7\u00f5es reais para as problem\u00e1ticas atuais n\u00e3o sair\u00e3o de uma, tr\u00eas ou mil confer\u00eancias: devem ser fruto de um discernimento coletivo que amadure\u00e7a nos territ\u00f3rios junto com os irm\u00e3os, um discernimento que se torne a\u00e7\u00e3o transformadora \u201csegundo os lugares, os tempos e as pessoas\u201d, como dizia Santo In\u00e1cio. Caso contr\u00e1rio, corremos o risco das abstra\u00e7\u00f5es, de \u201ccertos nominalismos declaracionistas que s\u00e3o belas frases, mas que n\u00e3o conseguem sustentar a vida de nossas comunidades\u201d (Carta ao Presidente da Pontif\u00edcia Comiss\u00e3o para a Am\u00e9rica Latina, 19 de mar\u00e7o de 2016). S\u00e3o slogans. O colonialismo ideol\u00f3gico globalizante procura impor receitas supraculturais que n\u00e3o respeitam a identidade dos povos. Voc\u00eas seguem por um caminho que \u00e9, ao mesmo tempo, local e universal. Um caminho que me recorda como Jesus pediu para organizar a multid\u00e3o em grupos de cinquenta para distribuir o p\u00e3o (cfr Homilia na Solenidade de Corpus Christi, Buenos Aires, 12 de junho de 2004).<\/p>\n<p>H\u00e1 pouco pudemos ver o v\u00eddeo que voc\u00eas apresentaram como conclus\u00e3o deste terceiro encontro. Vimos os vossos rostos nas discuss\u00f5es sobre como enfrentar \u201ca desigualdade que gera viol\u00eancia\u201d. Tantas propostas, tanta criatividade, tanta esperan\u00e7a na vossa voz que talvez teria mais motivos para lamentar-se, permanecer paralisada nos conflitos, cair na tenta\u00e7\u00e3o do negativo. Mesmo assim voc\u00eas olham em frente, pensam, discutem, prop\u00f5e e agem. Me congratulo convosco, vos acompanho, vos pe\u00e7o para continuar a abrir caminhos e a lutar. Isto me d\u00e1 for\u00e7a, nos d\u00e1 for\u00e7a. Acredito que este nosso di\u00e1logo, que se soma aos esfor\u00e7os de tantos milh\u00f5es de pessoas que trabalham diariamente pela justi\u00e7a em todo o mundo, est\u00e1 lan\u00e7ando ra\u00edzes. Eu queria tocar em alguns temas mais espec\u00edficos, que s\u00e3o os que recebi de voc\u00eas, que me fizeram refletir e os devolvo neste momento.<\/p>\n<p>O terror e os muros<\/p>\n<p>Todavia, esta germina\u00e7\u00e3o, que \u00e9 lenta, que tem os seus tempos como todas as gesta\u00e7\u00f5es, \u00e9 amea\u00e7ada pela velocidade de um mecanismo destrutivo que age em sentido contr\u00e1rio. Existem for\u00e7as poderosas que podem neutralizar este processo de amadurecimento de uma mudan\u00e7a que seja capaz de deslocar o primado do dinheiro e colocar novamente no centro o ser humano, ao homem, a mulher. Aquele \u201cfio invis\u00edvel\u201d do qual hav\u00edamos falado na Bol\u00edvia, aquela estrutura injusta que liga todas as exclus\u00f5es que voc\u00eas sofrem, pode consolidar-se e transformar-se em um chicote, um chicote existencial que, no Antigo Testamento, torna escravos, rouba a liberdade, fere sem miseric\u00f3rdia alguns e amea\u00e7a constantemente os outros, para abater todos como gado at\u00e9 onde quer o dinheiro divinizado.<\/p>\n<p>Quem governa ent\u00e3o? O dinheiro. Como governa? Com o chicote do medo, da desigualdade, da viol\u00eancia econ\u00f4mica, social, cultural e militar que gera sempre mais viol\u00eancia em uma espiral descendente que parece n\u00e3o acabar nunca. Quanta dor, quanto medo! Existe \u2013 disse recentemente \u2013 existe um terrorismo de base que deriva do controle global do dinheiro sobre a terra e amea\u00e7a toda a humanidade. Deste terrorismo de base se alimentam os terroristas derivados como o narcoterrorismo, o terrorismo de Estado e aquele que alguns erroneamente chamam terrorismo \u00e9tnico ou religiosos. Nenhum povo, nenhuma religi\u00e3o \u00e9 terrorista. \u00c9 verdade, existem pequenos grupos fundamentalistas de todas as partes. Mas o terrorismo inicia quando \u201c\u00e9 expulsa a maravilha da cria\u00e7\u00e3o, o homem e a mulher, e colocado ali o dinheiro (Coletiva de imprensa no voo de retorno da Viagem Apost\u00f3lica \u00e0 Pol\u00f4nia, 31 de julho de 2016). Tal sistema \u00e9 terrorista.<\/p>\n<p>H\u00e1 quase cem anos, Pio XI previa o firmar-se de uma ditadura econ\u00f4mica global que chamou \u201cimperialismo internacional do dinheiro\u201d (Carta Enc\u00edclica Quadrasegimo anno, 15 de maio de 1931, 109). Estou falando do ano de 1931!. A sala na qual agora nos encontramos se chama \u201cPaulo VI\u201d, e foi Paulo Vi que denunciou h\u00e1 quase cinquenta anos, a \u201cnova forma abusiva de dom\u00ednio econ\u00f4mico no plano social, cultural e tamb\u00e9m pol\u00edtico\u201d (Carta Enc\u00edclica Octogesima adveniens, 14 de maio 1971, 44). S\u00e3o palavras duras mas justas de meus predecessores que perscrutaram o futuro. A Igreja e os profetas dizem, h\u00e1 mil\u00eanios, aquilo que tanto escandaliza que repete o Papa neste tempo, em que tudo isto atinge express\u00f5es in\u00e9ditas. Toda a doutrina social da Igreja e o magist\u00e9rio de meus predecessores se rebela contra o \u00eddolo do dinheiro que reina ao inv\u00e9s de servir, tiraniza e aterroriza a humanidade.<\/p>\n<p>Nenhuma tirania, nenhuma tirania se sustenta sem explorar os nossos medos. Isso \u00e9 chave. Disto o fato de que toda a tirania seja terrorista. E quando este terror, que foi semeado nas periferias s\u00e3o com massacres, saques, opress\u00e3o e injusti\u00e7a, explode nos centros com diversas formas de viol\u00eancia, at\u00e9 mesmo com atentados odiosos e covardes, os cidad\u00e3os que ainda conservam alguns direitos s\u00e3o tentados pela falsa seguran\u00e7a dos muros f\u00edsicos ou sociais. Muros que fecham alguns e exilam outros. Cidad\u00e3os murados, aterrorizados, de um lado; exclu\u00eddos, exilados, ainda mais aterrorizados de outro. \u00c9 esta a vida que Deus nosso Pai quer para os seus filhos?<\/p>\n<p>O medo \u00e9 alimentado, manipulado&#8230; Porque o medo, al\u00e9m de ser um bom neg\u00f3cio para os mercadores das armas e da morte, nos enfraquece, nos desestabiliza, destr\u00f3i as nossas defesas psicol\u00f3gicas e espirituais, nos anestesia diante do sofrimento dos outros e no final nos torna cru\u00e9is. Quando ouvimos que se festeja a morte de um jovem que talvez tenha errado o caminho, quando vemos que se prefere a guerra \u00e0 paz, quando vemos que se difunde a xenofobia, quando constatamos que ganham terreno as propostas intolerantes; por tr\u00e1s desta crueldade que parece massificar-se existe o frio sopro do medo. Vos pe\u00e7o para rezarem por todos aqueles que t\u00eam medo, rezemos para que Deus d\u00ea a eles coragem e que neste ano da miseric\u00f3rdia possa amolecer os nossos cora\u00e7\u00f5es. A miseric\u00f3rdia n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil&#8230;exige coragem. Por isto Jesus nos diz: \u2018N\u00e3o tenhais medo\u201d (Mt 14,27), porque a miseric\u00f3rdia \u00e9 o melhor ant\u00eddoto contra o medo. \u00c9 muito melhor do que os antidepressivos e dos ansiol\u00edticos. Muito mais eficaz do que os muros, das grades, dos alarmes e das armas. E \u00e9 gr\u00e1tis: \u00e9 um dom de Deus.<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os e irm\u00e3s, todos os muros caem. Todos. N\u00e3o deixemo-nos enganar. Como voc\u00eas disseram: \u201cContinuamos a trabalhar para construir pontes entre os povos, pontes que nos permitem abater os muros da exclus\u00e3o e da explora\u00e7\u00e3o. (Documento conclusivo do II Encontro Mundial dos Movimentos Populares, 11 de julho de 2015, Santa cruz de la Sierra, Bol\u00edvia). Enfrentemos o terror com o amor.<\/p>\n<p>O segundo ponto que eu queria tocar \u00e9: O amor e as pontes<\/p>\n<p>Um dia como este, um s\u00e1bado, Jesus fez duas coisas que, nos diz o Evangelho, apressaram o compl\u00f4 para mata-lo. Passava com os seus disc\u00edpulos por um campo de sementes. Os disc\u00edpulos tinham fome e comeram as espigas. Nada se diz sobre o \u201cdono\u201d daquele campo&#8230;subjacente \u00e9 a destina\u00e7\u00e3o universal dos bens. O que \u00e9 certo \u00e9 que, diante da fome, Jesus deu prioridade \u00e0 dignidade dos filhos de Deus antes que a uma interpreta\u00e7\u00e3o formal\u00edstica, obsequiosa e interessada da norma. Quando os doutores da lei lamentaram com indigna\u00e7\u00e3o hip\u00f3crita, Jesus recordou a eles que Deus quer o amor e n\u00e3o sacrif\u00edcios, e explicou que o s\u00e1bado \u00e9 feito para o homem e n\u00e3o o homem para o s\u00e1bado (cfr Mt 2,27). Enfrentou o pensamento hip\u00f3crita e presun\u00e7oso com a intelig\u00eancia humilde do cora\u00e7\u00e3o (cfr Homilia, I Congresso de Evangeliza\u00e7\u00e3o da Cultura, Buenos Aires, 3 de novembro de 2006), que d\u00e1 sempre a prioridade ao homem e n\u00e3o aceita que determinadas l\u00f3gicas impe\u00e7am a sua liberdade de viver, amar e servir o pr\u00f3ximo.<\/p>\n<p>E depois, neste mesmo dia, Jesus fez algo de \u201cpior\u201d, algo que irritou ainda mais os hip\u00f3critas e os soberbos que o estavam observando porque procuram uma desculpa para captur\u00e1-lo. Curou a m\u00e3o atrofiada de um homem. A m\u00e3o, este sinal t\u00e3o forte do trabalhar, do trabalho. Jesus restituiu \u00e0quele homem a capacidade de trabalhar e com isso lhe restituiu a dignidade. Quantas m\u00e3os atrofiadas, quantas pessoas privadas da dignidade do trabalho! Porque os hip\u00f3critas, para defender sistemas injustos, se op\u00f5e a que sejam curados. \u00c0s vezes penso que quando voc\u00eas, os pobres organizados, inventam os vossos trabalhos, criando uma cooperativa, recuperando uma f\u00e1brica falida, reciclando os descartes da sociedade de consumo, enfrentando a inclem\u00eancia do tempo para vender em uma pra\u00e7a, reivindicando um peda\u00e7o de terra para cultivar para alimentar quem tem fome, quando voc\u00eas fazem isto est\u00e3o imitando Jesus, porque buscam curar, mesmo que somente um pouquinho, mesmo se precariamente, esta atrofia do sistema socioecon\u00f4mico reinante que \u00e9 o desemprego. N\u00e3o me surpreende que tamb\u00e9m voc\u00eas \u00e0s vezes sejam vigiados ou perseguidos, nem me surpreende que aos soberbos n\u00e3o interessa aquilo que voc\u00eas dizem.<\/p>\n<p>Jesus, que naquele s\u00e1bado arriscou a vida, porque depois que curou aquela m\u00e3o, fariseus e herodianos (cf Mc 3,6), dois partidos opostos entre eles, que temiam o povo e tamb\u00e9m o imp\u00e9rio, fizeram os seus c\u00e1lculos e armaram um compl\u00f4 para mat\u00e1-lo. Sei que muitos de voc\u00eas arriscam a vida. Sei \u2013 o quero recordar, a quero recordar &#8211; que alguns n\u00e3o est\u00e3o aqui hoje porque arriscaram a vida&#8230; Mas n\u00e3o existe amor maior que dar a vida. Isto nos ensina Jesus.<\/p>\n<p>As 3 \u2013 T, o vosso grito que fa\u00e7o meu, tem algo daquela intelig\u00eancia humilde mas ao mesmo tempo forte e curador. Um projeto-ponte dos povos diante do projeto-muro do dinheiro. Um projeto que visa o desenvolvimento humano integral. Alguns sabem que o nosso amigo Cardeal Turkson preside o Dicast\u00e9rio que leva este nome: Desenvolvimento Humano integral. O contr\u00e1rio do desenvolvimento, se poderia dizer, \u00e9 a atrofia, a paralisia. Devemos ajudar a curar o mundo da sua atrofia moral. Este sistema atrofiado \u00e9 capaz de fornecer algumas \u201cpr\u00f3teses\u201d cosm\u00e9ticas que n\u00e3os\u00e3o verdadeiro desenvolvimento: crescimento econ\u00f4mico, progressos tecnol\u00f3gicos, maior \u201cefici\u00eancia\u201d para produzir coisas que se compram, s\u00e3o usadas e jogadas fora, nos envolvendo a todos em uma vertiginosa din\u00e2mica do descarte&#8230; Mas n\u00e3o consente o desenvolvimento do ser humano na sua integralidade, o desenvolvimento que n\u00e3o se reduz ao consumo, que n\u00e3o se reduz ao bem-estar de poucos, que inclui todos os povos e as pessoas na plenitude da sua dignidade, usufruindo fraternalmente a maravilha da cria\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 o desenvolvimento do qual temos necessidade: humano, integral, respeitoso pela cria\u00e7\u00e3o, desta casa comum.<\/p>\n<p>Outro ponto: A Bancarrota e o resgate<\/p>\n<p>Queridos irm\u00e3os, quero compartilhar com voc\u00eas algumas reflex\u00f5es sobre outros dois temas que, junto, junto aos \u201c3-T\u201d e \u00e0 ecologia integral, estiveram ao centro de vossos debates dos \u00faltimos dias e focam focalizados neste per\u00edodo hist\u00f3rico.<\/p>\n<p>Sei que voc\u00eas dedicaram um dia ao drama dos migrantes, dos refugiados e dos deslocados. O que fazer diante desta trag\u00e9dia? No Dicast\u00e9rio cujo respons\u00e1vel \u00e9 o Cardeal Turkson existe um setor que se ocupa destas situa\u00e7\u00f5es. Decidi que, ao menos por um certo tempo, este setor vai ficar submetido diretamente ao Pont\u00edfice, porque esta \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o infame, que posso somente descrever com uma palavra que me veio em mente espontaneamente em Lampedusa: vergonha.<\/p>\n<p>L\u00e1, como em Lesbos, pude ouvir de perto o sofrimento de tantas fam\u00edlias expulsas de sua terra por motivos econ\u00f4micos ou viol\u00eancias de todos os tipos, multid\u00f5es exiladas \u2013\u00a0 disse isto diante das autoridades de todo o mundo \u2013 por causa de um sistema socioecon\u00f4mico injusto e de guerras que n\u00e3o buscaram, que n\u00e3o criaram aqueles que hoje sofrem o doloroso desenraizamento da sua p\u00e1tria, mas antes muitos daqueles que se recusam em recebe-los.<\/p>\n<p>Fa\u00e7o minhas as palavras de meu irm\u00e3o o Arcebispo Hieronymos da Gr\u00e9cia: \u201cQuem v\u00ea os olhos das crian\u00e7as que encontramos nos campos de refugiados \u00e9 capaz de reconhecer imediatamente, na sua totalidade, a \u201cbancarrota\u201d da humanidade\u201d. (Discurso no Campo de Refugiados de Moria, em Lesbos, 16 de abril de 2016). O que acontece no mundo de hoje que, quando ocorre a bancarrota de um banco, imediatamente aparecem somas escandalosas para salv\u00e1-lo, mas quando acontece esta bancarrota da humanidade n\u00e3o existe sequer uma mil\u00e9sima parte para salvar estes irm\u00e3os que sofrem tanto? E assim o Mediterr\u00e2neo transformou-se em um cemit\u00e9rio e n\u00e3o somente o Mediterr\u00e2neo&#8230;muitos cemit\u00e9rios pr\u00f3ximos aos muros, muros manchados de sangue inocente. Durante os dias deste encontro, o mostravam no v\u00eddeo. Quantos morreram no mediterr\u00e2neo?<\/p>\n<p>O medo endurece o cora\u00e7\u00e3o e se transforma em crueldade cega que se recusa em ver o sangue, a dor, o rosto do outro. O disse o meu irm\u00e3o o Patriarca Bartolomeu: \u201cQuem tem medo de voc\u00eas n\u00e3o vos olhou nos olhos. Quem tem medo de voc\u00eas n\u00e3o viu os vossos rostos. Quem tem medo de voc\u00eas n\u00e3o v\u00ea os vossos filhos. Esquece que a dignidade e a liberdade transcendem o medo e transcende a divis\u00e3o. Esquece que a migra\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um problema do Oriente M\u00e9dio e da \u00c1frica do norte, da Europa e da Gr\u00e9cia. \u00c9 um problema do mundo\u201d. (Discurso no campo de Refugiados de Moria, Lesbos, 16 de abril de 2016).<\/p>\n<p>\u00c9 realmente um problema do mundo. Ningu\u00e9m deveria ver-se obrigado a fugir da pr\u00f3pria p\u00e1tria. Mas o mal \u00e9 duplo quando, diante daquelas terr\u00edveis circunst\u00e2ncias, o migrante se v\u00ea lan\u00e7ados nas garras dos traficantes de pessoas para atravessar as fronteiras, e \u00e9 triplo se chegam na terra em que se pensava encontrar um futuro melhor e s\u00e3o desprezados, explorados e at\u00e9 mesmo escravizados. Isto se pode ver em qualquer canto de centenas de cidades. Ou simplesmente n\u00e3o o deixa entrar.<\/p>\n<p>Pe\u00e7o a voc\u00eas para fazerem todo o poss\u00edvel e n\u00e3o esquecerem nunca que tamb\u00e9m Jesus, Maria e Jos\u00e9 experimentaram a condi\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica dos refugiados. Vos pe\u00e7o para exercerem aquela solidariedade t\u00e3o especial que existe entre aqueles que sofreram. Voc\u00eas sabem recuperar f\u00e1bricas das fal\u00eancias, reciclar aquilo que outros jogam fora, criar postos de trabalho, cultivar a terra, construir moradias, integrar bairros segregados e reclamar sem se deter como a vi\u00fava do Evangelho que pede justi\u00e7a insistentemente (cfr Lc 18,1-8). Talvez com o vosso exemplo e a vossa insist\u00eancia, alguns Estados e Organiza\u00e7\u00f5es internacionais abrir\u00e3o os olhos e adotar\u00e3o as medidas adequadas para acolher e integrar plenamente todos aqueles que, por um motivo ou por outro, buscam ref\u00fagio longe de casa. E tamb\u00e9m para enfrentar as causas profundas pelas quais milhares de homens, mulheres e crian\u00e7as s\u00e3o expulsos a cada dia de sua terra natal.<\/p>\n<p>Dar exemplo e reclamar \u00e9 um modo de fazer pol\u00edtica, e isto me leva ao segundo tema que voc\u00eas debateram em vosso encontro: a rela\u00e7\u00e3o entre povo e democracia. Uma rela\u00e7\u00e3o que deveria ser natural e flu\u00edda, mas que corre o perigo de ofuscar-se at\u00e9 se tornar irreconhec\u00edvel. A lacuna entre os povos e as nossas atuais formas de democracia se alarga sempre mais como consequ\u00eancia do enorme poder dos grupos econ\u00f4micos e midi\u00e1ticos que parecem domin\u00e1-las. Os movimentos populares, o sei, n\u00e3o s\u00e3o partidos pol\u00edticos e deixem que eu vos diga que, em grande parte, aqui est\u00e1 a vossa riqueza, porque voc\u00eas expressam uma forma diversa, din\u00e2mica, e vital de participa\u00e7\u00e3o social na vida p\u00fablica. Mas n\u00e3o tenham medo de entrar nas grandes discuss\u00f5es, na Pol\u00edtica com mai\u00fascula, e cito de novo Paulo VI: \u201cA pol\u00edtica \u00e9 uma maneira exigente \u2013 mas n\u00e3o \u00e9 a \u00fanica \u2013 de viver o compromisso crist\u00e3o a servi\u00e7o dos outros\u201d. (Carta Ap. Octosegima adveniens, 14 de maio de 1971, 46). Ou esta frase que repito tantas vezes, que sempre me confundo, n\u00e3o sei se \u00e9 de Paulo VI ou de Pio XII: \u201cA pol\u00edtica \u00e9 uma das formas mais elevadas da caridade, do amor\u201d.<\/p>\n<p>Gostaria de sublinhar dois riscos que giram ao redor da rela\u00e7\u00e3o entre os movimentos populares e pol\u00edtica: o risco de deixar-se\u00a0 \u201cformatar\u201d (ndr \u2013 no sentido de limitar os movimentos. O Papa usou a palavra \u201cencorsetar\u201d), e o risco de deixar-se corromper.<\/p>\n<p>Primeiro, n\u00e3o deixar-se \u201cformatar\u201d porque alguns dizem: a cooperativa, o refeit\u00f3rio, o horto agroecol\u00f3gico, as microempresas, o projeto dos planos assistenciais&#8230; at\u00e9 aqui tudo bem. Enquanto voc\u00eas se mantiverem limitados \u00e0s \u201cpol\u00edticas sociais\u201d, enquanto voc\u00eas n\u00e3o colocarem em discuss\u00e3o a pol\u00edtica econ\u00f4mica ou a pol\u00edtica com a mai\u00fascula, voc\u00eas s\u00e3o tolerados. A ideia das pol\u00edticas sociais concebidas como uma pol\u00edtica em dire\u00e7\u00e3o aos pobres, mas nunca \u201ccom\u201d os pobres, nunca \u201cdos\u201d pobres e tanto menos inserida em um projeto que re\u00fana os povos, me parece \u00e0s vezes uma esp\u00e9cie de\u00a0\u00a0 mascarado por conter os descartes do sistema. Quando voc\u00eas, do vosso arraigamento ao territ\u00f3rio, da vossa realidade cotidiana, do bairro, do local, da organiza\u00e7\u00e3o de trabalho comunit\u00e1rio, das rela\u00e7\u00f5es de pessoa a pessoa, ousem colocar em discuss\u00e3o as \u201cmacro-rela\u00e7\u00f5es\u201d, quando gritam, quando indicarem ao poder uma planejamento mais integral, ent\u00e3o n\u00e3o se tolera voc\u00eas mais tanto. N\u00e3o se tolera tanto, porque est\u00e3o saindo do \u201cformato\u201d, est\u00e3o se colocando no terreno das grandes decis\u00f5es que alguns pretendem monopolizar em pequenas castas. Assim a democracia se atrofia, torna-se um nominalismo, uma formalidade, perde representatividade, vai desencarnando-se porque deixa fora o povo na sua luta cotidiana pela dignidade, na constru\u00e7\u00e3o de seu destino.<\/p>\n<p>Voc\u00eas, organiza\u00e7\u00f5es dos exclu\u00eddos e tantas organiza\u00e7\u00f5es de outros setores da sociedade, s\u00e3o chamados a revitalizar, a refundar as democracias que est\u00e3o passando por uma verdadeira crise. N\u00e3o caiam na tenta\u00e7\u00e3o da limita\u00e7\u00e3o que voz reduz a atores secund\u00e1rios, ou pior, a meros administradores da mis\u00e9ria existente. Neste tempos de paralisias, desorienta\u00e7\u00e3o e propostas destrutivas, a participa\u00e7\u00e3o como protagonistas dos povos que buscam o bem comum pode vencer, com a ajuda de Deus, os falsos profetas que exploram o medo e o desespero, que vendem f\u00f3rmulas m\u00e1gicas de \u00f3dio e crueldade ou de um bem-estar ego\u00edstico e uma seguran\u00e7a ilus\u00f3ria.<\/p>\n<p>Sabemos que \u201cenquanto n\u00e3o se resolverem radicalmente os problemas dos pobres, renunciando \u00e0 autonomia absoluta dos mercados e da especula\u00e7\u00e3o financeira e atacando as causas estruturais da iniquidade, n\u00e3o se resolver\u00e3o os problemas do mundo e definitivamente, nenhum problema. A iniquidade \u00e9 a raiz dos males sociais\u201d. (Exort. Apost. Evangelii gaudium, 202). Por isto, o disse e o repito, \u201co futuro da humanidade n\u00e3o est\u00e1 somente nas m\u00e3os dos grandes l\u00edderes, das grandes pot\u00eancias e das elites. Est\u00e1 sobretudo nas m\u00e3os dos povos; na sua capacidade de organizar-se e tamb\u00e9m nas m\u00e3os que irrigam, com humildade e convic\u00e7\u00e3o, este processo de mudan\u00e7as\u201d. (Discurso ao II Encontro Mundial dos Movimentos Populares, Santa Cruz de la Sierra, 9 de julho de 2015). Tamb\u00e9m a Igreja pode e deve, sem pretender ter o monop\u00f3lio da verdade, pronunciar-se e agir especialmente diante das \u201csitua\u00e7\u00f5es em que se tocam as chagas e os sofrimentos dram\u00e1ticos, e nos quais est\u00e3o envolvidos os valores, a \u00e9tica, as ci\u00eancias sociais e a f\u00e9\u201d (Pronunciamento no encontro de Ju\u00edzes e Magistrados contra o tr\u00e1fico de pessoas e o crime organizado, Vaticano, 3 de junho 2016). Este era o primeiro risco: o risco da limita\u00e7\u00e3o e o convite de entrarem na grande pol\u00edtica.<\/p>\n<p>O segundo risco, dizia para voc\u00eas, \u00e9 deixar-se corromper. Como a pol\u00edtica n\u00e3o \u00e9 uma quest\u00e3o dos \u201cpol\u00edticos\u201d, a corrup\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 um v\u00edcio exclusivo da pol\u00edtica. Existe corrup\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica, existe corrup\u00e7\u00e3o nas empresas, existe corrup\u00e7\u00e3o nos meios de comunica\u00e7\u00e3o, existe corrup\u00e7\u00e3o nas Igrejas e existe corrup\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nas organiza\u00e7\u00f5es sociais e nos movimentos populares. \u00c9 justo dizer que existe uma corrup\u00e7\u00e3o radicada em alguns \u00e2mbitos da vida econ\u00f4mica, em particular na atividade financeira, e que \u00e9 menos not\u00edcia do que a corrup\u00e7\u00e3o diretamente e ligada ao \u00e2mbito pol\u00edtico e social. \u00c9 justo dizer que muito vezes se utilizam os casos de corrup\u00e7\u00e3o com m\u00e1s inten\u00e7\u00f5es. Mas \u00e9 tamb\u00e9m justo esclarecer que aqueles que escolheram uma vida de servi\u00e7o, t\u00eam uma obriga\u00e7\u00e3o ulterior que se soma \u00e0 honestidade com que qualquer pessoas deve agir na vida. A medida \u00e9 muito alta: \u00e9 necess\u00e1rio viver a voca\u00e7\u00e3o de servir com um forte sentido de austeridade e a humildade. Isto vale para os pol\u00edticos, mas vale tamb\u00e9m para os dirigentes sociais e para n\u00f3s pastores. Disse \u201causteridade\u201d. Gostaria de esclarecer a que me refiro com a palavra austeridade. Pode ser uma palavra equivocada. Austeridade moral, austeridade no modo de viver, austeridade em como levo em frente a minha vida, minha fam\u00edlia. Austeridade moral e humana. Porque no campo mais cient\u00edfico, cient\u00edfico-econ\u00f4mico se quiserem, ou das ci\u00eancias do mercado, austeridade \u00e9 sin\u00f4nimo de ajuste. E n\u00e3o \u00e9 a isto que me refiro. N\u00e3o estou falando disot.<\/p>\n<p>\u00c0 qualquer pessoa que sejam muito apegada \u00e0s coisas materiais ou ao espelho, a quem ama o dinheiro, os banquetes exuberantes, as casas suntuosas, as roupas refinadas, o carro de luxo, aconselharia de entender o que est\u00e1 acontecendo em seu cora\u00e7\u00e3o e de rezar a Deus para libert\u00e1-lo destes apegos. Mas, parafraseando o ex-Presidente latino-americano que se encontra aqui, aquele que est\u00e1 afei\u00e7oado a todas estas coisas, por favor, que n\u00e3o entre na pol\u00edtica, que n\u00e3o entre em uma organiza\u00e7\u00e3o social ou em um movimento popular, porque causaria muito dano a si mesmo e ao pr\u00f3ximo e mancharia a nobre causa que assumiu. Tampouco que entre no semin\u00e1rio.<\/p>\n<p>Diante da tenta\u00e7\u00e3o da corrup\u00e7\u00e3o, n\u00e3o existe melhor rem\u00e9dio do que a austeridade, esta austeridade moral e pessoal. E praticar a austeridade \u00e9, tamb\u00e9m, pregar com o exemplo. Vos pe\u00e7o de n\u00e3o subestimarem o valor do exemplo, porque tem mais for\u00e7a do que mil palavras, de mil panfletos, de mil \u201ccurtidas\u201d, de mil retweets, de mil v\u00eddeos no youtube. O exemplo de uma vida austera a servi\u00e7o do pr\u00f3ximo \u00e9 o melhor modo para promover o bem comum e o projeto-ponte dos \u201c3-T\u201d. Pe\u00e7o a voc\u00eas, dirigentes, para n\u00e3o cansarem-se de praticar esta austeridade moral, pessoal e pe\u00e7o a todos para exigir dos dirigentes esta austeridade, que \u2013 de resto \u2013 os far\u00e1 muito felizes.<\/p>\n<p>Queridas irm\u00e3s e irm\u00e3os,<\/p>\n<p>A corrup\u00e7\u00e3o, a soberba e o exibicionismo dos dirigentes aumenta o descr\u00e9dito coletivo, a sensa\u00e7\u00e3o de abandono e alimenta o mecanismo do medo que sustenta este sistema in\u00edquo.<\/p>\n<p>Gostaria, para concluir, pedir a voc\u00eas para continuar a combater o medo com uma vida de servi\u00e7o, solidariedade e humildade em favor dos povos e especialmente daqueles que sofrem. Voc\u00eas poderiam errar muitas vezes, todos erramos, mas se perseveramos neste caminho, cedo ou tarde, veremos os frutos. E insisto: contra o terror, o melhor rem\u00e9dio \u00e9 o amor. O amor cura tudo. Alguns sabem que depois do S\u00ednodo sobre a Fam\u00edlia escrevi Amoris laetitia, um documento sobre o amor em cada fam\u00edlia, mas tamb\u00e9m naquela outra fam\u00edlia que \u00e9 o bairro, a comunidade, o povo, a humanidade. Algu\u00e9m de voc\u00eas me pediu para distribuir um fasc\u00edculo que cont\u00e9m um fragmento do cap\u00edtulo quatro deste documento. Penso que entregar\u00e3o a voc\u00eas na sa\u00edda. E portanto com a minha b\u00ean\u00e7\u00e3o. L\u00e1 encontram-se alguns \u201cconselhos \u00fateis\u201d para praticar o mais importante dos mandamentos de Jesus.<\/p>\n<p>Na Amoris laetitia, cito um falecido l\u00edder afro-americano, Martin Luther King, que sabia sempre escolher o amor fraterno at\u00e9 mesmo em meio \u00e1s piores persegui\u00e7\u00f5es e humilha\u00e7\u00f5es. Quero record\u00e1-lo com voc\u00eas: \u201cQuando te elevas ao n\u00edvel do amor, da sua grande beleza e poder, a \u00fanica coisa que buscar derrotar s\u00e3o os sistemas malignos. As pessoas que est\u00e3o presas por aquele sistema, as ame, por\u00e9m procure derrotar aquele sistema (&#8230;) \u00d3dio por \u00f3dio intensifica somente a exist\u00eancia do \u00f3dio e do mal no universo. Se eu te firo e tu me fere, e te retribui o golpe e tu me retribuiu o golpe, e assim por diante, \u00e9 evidente que se continua at\u00e9 o infinito. Simplesmente n\u00e3o acaba nunca. Uma das partes deve ter um pouco de bom senso, e aquela \u00e9 a pessoa forte. A pessoa forte \u00e9 a pessoa que \u00e9 capaz de quebrar\u00a0 a cadeia de \u00f3dio, a cadeia do mal\u201d. (n. 118; Serm\u00e3o na Igreja Batista de Dexter Avenue, Montgomery, Alabama, 17 de novembro de 1957).<\/p>\n<p>Vos agrade\u00e7o novamente pela vossa presen\u00e7a. Vos agrade\u00e7o pelo vosso trabalho. Desejo pedir a Deus nosso Pai que vos acompanhe e vos aben\u00e7oe, que vos cumule de seu amor e vos defenda no caminho, dando-vos em abund\u00e2ncia a for\u00e7a que nos mant\u00e9m em p\u00e9 e nos d\u00e1 a coragem para romper a cadeia do \u00f3dio: a for\u00e7a \u00e9 a esperan\u00e7a. Vos pe\u00e7o, por favor, de rezarem por mim, e aqueles que n\u00e3o podem rezar, saibam, pensem bem de mim e me enviem uma boa onda. Obrigado\u201d.<\/p>\n<p>Tradu\u00e7\u00e3o livre do Programa Brasileiro<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do Vaticano (RV) &#8211; Na tarde de s\u00e1bado (05\/11) o Papa Francisco participou na Sala Paulo VI da conclus\u00e3o do III Encontro Mundial dos Movimentos Populares. Abaixo, o pronunciamento na \u00edntegra: &#8220;Irm\u00e3s e irm\u00e3s, boa tarde! 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