{"id":19214,"date":"2016-11-10T03:00:00","date_gmt":"2016-11-10T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/11\/10\/permanecei-firmes\/"},"modified":"2017-05-05T14:43:51","modified_gmt":"2017-05-05T17:43:51","slug":"permanecei-firmes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/permanecei-firmes\/","title":{"rendered":"Permanecei firmes"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Estamos nos \u00faltimos domingos do ano lit\u00fargico. Celebramos o pen\u00faltimo deste ano, chamado de ano C, o XXXIII Domingo do Tempo Comum. E junto com a clausura do ano lit\u00fargico, aqui na nossa amada Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro, antecipada em uma semana neste ano, estaremos celebrando a Festa da Unidade Arquidiocesana e o fechamento da Porta da Miseric\u00f3rdia em nossa Catedral. A antecipa\u00e7\u00e3o da Festa da Unidade se justifica por que quis o Papa Francisco que todos os Senhores Cardeais estivessem em Roma nos dias 19 e 20 de novembro para o Consist\u00f3rio P\u00fablico de cria\u00e7\u00e3o de novos padres cardeais, e de encerramento da Porta Santa da Bas\u00edlica Vaticana de S\u00e3o Pedro. Isso nos ajuda tamb\u00e9m a solenizar ainda mais a conclus\u00e3o do Ano Santo aqui em nossa Arquidiocese.<br \/> A Palavra de Deus deste domingo convida-nos a meditar no fim \u00faltimo do homem, no seu destino al\u00e9m da morte. A meta final, para onde Deus nos conduz, faz nascer em n\u00f3s a esperan\u00e7a e a coragem para enfrentar as adversidades e lutar pelo Advento do Reino.<br \/> Na Primeira Leitura, o Profeta Malaquias fala do ju\u00edzo final com acentos fortes: \u201cEis que vir\u00e1 o dia, abrasador como fornalha\u201d. (Ml 3, 19). O texto n\u00e3o pretende incutir medo, falando do \u201cfim do mundo\u201d, mas fortalecer a esperan\u00e7a em Deus para enfrentar os dramas da vida e da hist\u00f3ria; esperan\u00e7a que devemos ter ainda hoje, apesar do que vemos.<br \/> Na Segunda Leitura, S\u00e3o Paulo (2Ts 3, 7-12) fala da comunidade de Tessal\u00f4nica, perturbada por fan\u00e1ticos que pregavam estar pr\u00f3ximo o fim do mundo. Por isso, n\u00e3o valia a pena continuar trabalhando. Paulo diz: \u201cQuem n\u00e3o quer trabalhar, tamb\u00e9m n\u00e3o deve comer\u201d. (2Ts 3, 10).<br \/> O trabalho \u00e9 o meio ordin\u00e1rio de subsist\u00eancia e o campo privilegiado para o desenvolvimento das virtudes humanas: a rijeza, a const\u00e2ncia, o otimismo por cima das dificuldades. A f\u00e9 crist\u00e3 impele-nos, al\u00e9m disso, a comportar-nos como filhos de Deus, a viver um esp\u00edrito de caridade, de conviv\u00eancia, de compreens\u00e3o, a tirar da vida o apego \u00e0 nossa comodidade, a tenta\u00e7\u00e3o do ego\u00edsmo, a tend\u00eancia para a exalta\u00e7\u00e3o pessoal, a mostrar a caridade de Cristo e os seus resultados concretos de amizade, de compreens\u00e3o, de afeto humano, de paz. Pelo contr\u00e1rio, a pregui\u00e7a, a ociosidade, o trabalho mal acabado trazem graves consequ\u00eancias. \u201cA ociosidade ensina muitas maldades\u201d (Eclo 33, 29), pois impede a perfei\u00e7\u00e3o humana e sobrenatural do homem, debilita-lhe o car\u00e1ter e abre as portas \u00e0 concupisc\u00eancia e a muitas tenta\u00e7\u00f5es.<br \/> No Evangelho, Jesus (Lc, 21, 5-19) alerta sobre os falsos profetas: \u201cCuidado para n\u00e3o serdes enganados\u2026\u201d (Lc 21, 8). Diante das cat\u00e1strofes, Jesus exorta \u00e0 esperan\u00e7a: n\u00e3o ter medo\u2026 Esses sinais de desagrega\u00e7\u00e3o do mundo velho n\u00e3o devem assustar, pelo contr\u00e1rio, s\u00e3o an\u00fancios de alegria e esperan\u00e7a de que um mundo novo est\u00e1 por surgir. \u201cQuando essas coisas come\u00e7arem a acontecer, levantem-se, ergam a cabe\u00e7a, porque a liberta\u00e7\u00e3o est\u00e1 pr\u00f3xima\u201d. (Lc 21, 28).<br \/> Jesus nos recorda que nossa exist\u00eancia \u00e9 breve, t\u00e3o fugaz. \u00c0queles que se encantavam com o aspecto majestoso do Templo, o Senhor recordou que tudo passa. Isso vale ainda hoje: para a nossa casa bonita, para o nosso carro, para o nosso dinheiro, nossa profiss\u00e3o, as pessoas \u00e0s quais amamos, os projetos que temos, a nossa pr\u00f3pria vida: \u201cV\u00f3s admirais estas coisas? Dias vir\u00e3o em que n\u00e3o ficar\u00e1 pedra sobre pedra. Tudo ser\u00e1 destru\u00eddo\u201d! Aqui, o Senhor n\u00e3o deseja ser um desmancha-prazeres, n\u00e3o nos quer arrancar o gosto de viver; deseja t\u00e3o somente recordar que nossa vida deve ser vivida na perspectiva da eternidade, daquilo que \u00e9 definitivo. Haver\u00e1 um momento final, haver\u00e1 um ju\u00edzo do Senhor sobre a hist\u00f3ria humana e sobre a hist\u00f3ria de cada um de n\u00f3s, quando, ent\u00e3o, ficar\u00e1 claro o que serviu e o que n\u00e3o serviu, o que teve valor ante os olhos de Deus e o que n\u00e3o passou de ilus\u00e3o e falsidade. Nunca esque\u00e7amos disso: nossa vida caminha para esse momento final, o mais importante de todo nosso caminho existencial. Haver\u00e1, sim, um ju\u00edzo de Deus: \u201cEis que vir\u00e1 o dia, abrasador como fornalha em que todos os soberbos e \u00edmpios ser\u00e3o como palha; e esse dia vindouro haver\u00e1 de queim\u00e1-los. Para v\u00f3s, que temeis o meu nome, nascer\u00e1 o sol da justi\u00e7a, trazendo salva\u00e7\u00e3o em suas asas\u201d. Este ju\u00edzo, por\u00e9m, ser\u00e1 discriminat\u00f3rio: pode significar vida ou morte, salva\u00e7\u00e3o ou condena\u00e7\u00e3o!<br \/> Num mundo como o atual, que nos quer fazer perder de vista o essencial e nos quer fazer esquecer que caminhamos para o encontro com Cristo como um rio corre para o mar, vale-nos, ent\u00e3o, o conselho de S\u00e3o Paulo, a que vivamos decentemente, trabalhando pelo p\u00e3o cotidiano, sem viver \u00e0 toa, mas construindo a vida com a dignidade de crist\u00e3os. O Senhor Jesus nos previne que n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil: o mundo n\u00e3o nos amar\u00e1, porque seus pensamentos n\u00e3o s\u00e3o os do Cristo \u2013 e isto mais que nunca \u00e9 claro hoje, numa sociedade consumista, paganizada, amante do conforto e da imoralidade, onde cada um vive do seu modo, como se Deus n\u00e3o existisse\u2026 Ou\u00e7amos a advert\u00eancia t\u00e3o sincera e franca de Cristo: \u201cSereis entregues at\u00e9 mesmo pelos pr\u00f3prios pais, irm\u00e3os, parentes e amigos. E eles matar\u00e3o alguns de v\u00f3s. Todos vos odiar\u00e3o (= vos amar\u00e3o menos, n\u00e3o vos ter\u00e3o entre seus amigos) por causa do meu nome. \u00c9 permanecendo firmes que ireis ganhar a vida\u201d!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estamos nos \u00faltimos domingos do ano lit\u00fargico. Celebramos o pen\u00faltimo deste ano, chamado de ano C, o XXXIII Domingo do Tempo Comum. 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