{"id":19164,"date":"2016-11-02T03:00:00","date_gmt":"2016-11-02T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/11\/02\/sepultar-os-mortos-e-rezar-por-eles\/"},"modified":"2017-05-05T14:52:37","modified_gmt":"2017-05-05T17:52:37","slug":"sepultar-os-mortos-e-rezar-por-eles","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/sepultar-os-mortos-e-rezar-por-eles\/","title":{"rendered":"Sepultar os mortos e rezar por eles"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Em nossa Carta Pastoral indicamos para este ano jubilar uma obra de miseric\u00f3rdia por m\u00eas. Na clausura do Ano Santo Extraordin\u00e1rio da Miseric\u00f3rdia, na nossa Arquidiocese no dia 12 de novembro, com a Festa da Unidade; e, em Roma, no consist\u00f3rio que participaremos no dia 20 de novembro com o Papa Francisco, queremos apresentar a \u00faltima sugest\u00e3o deste ano: Sepultar os mortos e rezar por eles. (Cf. Jo 11,1-45). <br \/>A morte \u00e9 a separa\u00e7\u00e3o do corpo e alma, que se d\u00e1 em virtude do desgaste da corporeidade da pessoa. Tal fen\u00f4meno \u00e9 natural aos olhos da biologia. Todavia, aos olhos da f\u00e9, \u00e9 complexo. (BETTENCOURT, 1995).<br \/>Ao criar o homem, Deus conferiu-lhe o poder n\u00e3o morrer (cf. Gn 2,17); a criatura, por\u00e9m, perdeu esse dom em consequ\u00eancia do primeiro pecado, de modo que a morte hoje existe no mundo como san\u00e7\u00e3o devida ao pecado. (Cf. Gn 3,19; Sb 1,13s; Rm 5,12) (BETTENCOURT, 1995).<br \/>Na plenitude dos tempos, Jesus Cristo, assumindo a morte do homem, ressuscitou. Dessa maneira, transfigurou a morte, fazendo dela a passagem para a re-cria\u00e7\u00e3o e a vida nova do homem. (Cf. Hb 2,14s; 2Tm 1,10) (BETTENCOURT, 1995).<br \/>Pelo Batismo e a Eucaristia, o crist\u00e3o \u00e9 inserido em Cristo (cf. 1Cor 12,12; Jo 15,15) e recebe uma semente de vida nova ou o princ\u00edpio de nova criatura; prepara-se para morrer e ressuscitar com Cristo. (Cf. Rm 6,1-11; 2Cor 4,7-18) (BETTENCOURT, 1995).<br \/>Pode-se dizer que o crist\u00e3o n\u00e3o morre propriamente, mas paralelamente; ao definhar do velho homem h\u00e1 nele todos os dias o robustecimento da nova criatura: \u201cEnquanto o nosso homem exterior vai definhando, o nosso homem interior vai-se renovando dia a dia\u201d. (Cf. 2Cor 4,16; Jo 11,25s; 2Tm 2,11-13) (BETTENCOURT, 1995).<br \/>Estas verdades nos sugerem a genu\u00edna atitude do crist\u00e3o diante da morte: este \u00e9 o \u00faltimo chamado que Deus nos dirige, e que havemos de aceitar com humildade e adora\u00e7\u00e3o. Cada um dos nossos atos deixa uma marca em nossa personalidade; ora, a morte n\u00e3o faz sen\u00e3o manifestar definitivamente essa configura\u00e7\u00e3o interna do indiv\u00edduo. Os \u00faltimos instantes, portanto, n\u00e3o s\u00e3o algo de essencialmente novo na exist\u00eancia do homem, mas, preparado pelas fases anteriores, constitui o seu desabrochar org\u00e2nico (BETTENCOURT, 1995).<br \/>A morte termina a vida do homem como tempo aberto ao acolhimento ou \u00e0 recusa da gra\u00e7a divina manifestada em Jesus Cristo. A salva\u00e7\u00e3o vem para o homem n\u00e3o pelas suas obras, mas pela gra\u00e7a infinita de Deus, que \u00e9 concedida a todos os homens desde a eternidade. (BETTENCOURT, 1995). <br \/> Em Jo 1,1-45, Ressurrei\u00e7\u00e3o e Luz s\u00e3o dois temas intimamente ligados, porque s\u00e3o sin\u00f4nimos da salva\u00e7\u00e3o: \u201cSe algu\u00e9m caminha de dia, n\u00e3o trope\u00e7a; mas trope\u00e7ar\u00e1, se andar de noite\u201d. (Cf. Jo 11,10). O tema central do Evangelho \u00e9 a vida. Vida que foi restitu\u00edda a L\u00e1zaro e que est\u00e1 ligada \u00e0 amizade, ao amor fraterno, \u00e0 compaix\u00e3o, atitudes crist\u00e3s que est\u00e3o presentes na glorifica\u00e7\u00e3o de Deus, que \u00e9 o destino dos homens e mulheres que creem verdadeiramente. A vida verdadeira, que o Cristo trouxe, tem face humana e face divina, que se misturam.<br \/> A ressurrei\u00e7\u00e3o de L\u00e1zaro \u00e9 um dos maiores sinais de Jesus. Jesus, assim, vai manifestando a sua filia\u00e7\u00e3o divina, seu poder messi\u00e2nico, sua miss\u00e3o salvadora, e provoca, cada vez mais, a admira\u00e7\u00e3o, a f\u00e9, o testemunho daqueles que s\u00e3o beneficiados pela sua a\u00e7\u00e3o evangelizadora. O pr\u00f3prio Evangelista Jo\u00e3o anuncia que Jesus \u201cfez muitos outros sinais, e que estes sinais foram escritos para que creiais que Jesus \u00e9 o Cristo, o Filho de Deus, e para que, em crendo, tenhais a vida\u201d. (Jo 20,30-31).<br \/> Jesus afirmou: Eu sou a Vida, Eu sou o P\u00e3o da vida, Eu sou a Luz do mundo. Jesus veio ao mundo para despertar a criatura humana do sono. E esta vida nova s\u00f3 ser\u00e1 poss\u00edvel \u00e0queles que viverem, com dignidade, a grandeza do seu Batismo. Aderindo a Cristo, o batizado deve viver uma vida realmente nova, animada pelo esp\u00edrito de Cristo. A vida da f\u00e9 batismal se verifica, se atualiza, por exemplo, quando ela transforma a sociedade de morte numa comunidade viva de vida, de fraternidade e de comunh\u00e3o.<br \/> Como L\u00e1zaro, acolhamos a ordem de Jesus: \u201cSai para fora\u201d. Pe\u00e7amos ao Senhor que nos desperte e ressuscite do sono da morte e nos revista da Sua imortalidade. A f\u00e9, entretanto, sempre nos levou a crer que muitas pessoas, apesar de imperfeitas e manchadas, n\u00e3o se distanciaram de Deus por uma absoluta prevarica\u00e7\u00e3o. Estas pessoas, ap\u00f3s a morte, devem ser purificadas. Ent\u00e3o, haver\u00e1 pecados que possam ser perdoados, ou de que possamos nos purificar ap\u00f3s a morte? Foi o que ensinou Jesus: \u201cSe algu\u00e9m disser blasf\u00eamia contra o Esp\u00edrito Santo, nem neste mundo, nem no outro isto lhe ser\u00e1 perdoado\u201d. (Mt 12, 32). Do que inferiu o 1\u00ba Conc\u00edlio de Li\u00e3o: \u201cdisto se d\u00e1 a entender que certas culpas s\u00e3o perdoadas na presente vida, e outras o s\u00e3o na vida futura\u201d, e o Ap\u00f3stolo disse que a obra de cada um, qual seja, o fogo a provar\u00e1 e aquele cuja obra arder ao fogo, sofrer\u00e1; mas ele ser\u00e1 salvo, por\u00e9m, como quem o \u00e9 atrav\u00e9s do fogo. (I Cor 3, 13 e 15).<br \/> Sempre ensinou tamb\u00e9m a Igreja Cat\u00f3lica que aos mortos que devem ser purificados, muito ajudam os sufr\u00e1gios, preces e sacrif\u00edcios dos irm\u00e3os vivos, visto o imenso tesouro da chamada \u201ccomunh\u00e3o dos santos\u201d. Para ensinar esta doutrina, a Igreja sempre se amparou no texto b\u00edblico do 1\u00ba Livro dos Macabeus 12, 38-45, que assim conclui: \u201c\u00c9, pois, santo e salutar pensamento orar pelos mortos, para que sejam livres dos seus pecados\u201d. Este \u00e9 o motivo de nossas ora\u00e7\u00f5es pelos falecidos.<br \/> O Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica diz, ao expor esta mat\u00e9ria: \u201cOs que morrem na gra\u00e7a e na amizade de Deus, mas n\u00e3o est\u00e3o completamente purificados, embora tenham garantida a sua salva\u00e7\u00e3o eterna, passam, ap\u00f3s sua morte, por uma purifica\u00e7\u00e3o, a fim de obterem a santidade necess\u00e1ria para entrarem na alegria do C\u00e9u\u201d. (n\u00ba 1030). <br \/> Rezemos neste m\u00eas de novembro pelos falecidos. Dai-lhes, \u00f3 Senhor, o descanso eterno, e a luz perp\u00e9tua os ilumine. Descanse em paz! Am\u00e9m.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em nossa Carta Pastoral indicamos para este ano jubilar uma obra de miseric\u00f3rdia por m\u00eas. 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