{"id":18970,"date":"2016-10-25T14:33:07","date_gmt":"2016-10-25T16:33:07","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/10\/25\/doutrina-da-fe-publica-instrucao-sobre-sepultura-e-cremacao\/"},"modified":"2017-06-02T10:25:21","modified_gmt":"2017-06-02T13:25:21","slug":"doutrina-da-fe-publica-instrucao-sobre-sepultura-e-cremacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/doutrina-da-fe-publica-instrucao-sobre-sepultura-e-cremacao\/","title":{"rendered":"Doutrina da F\u00e9 publica Instru\u00e7\u00e3o sobre sepultura e crema\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/reuters1695357_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Cidade do Vaticano (RV) &#8211; Realizou-se na Sala de Imprensa da Santa S\u00e9, nesta ter\u00e7a-feira (25\/10), a coletiva de apresenta\u00e7\u00e3o da Instru\u00e7\u00e3o \u2018Ad resurgendum cum Christo\u2019 da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 a prop\u00f3sito da sepultura dos defuntos e da conserva\u00e7\u00e3o das cinzas no caso de crema\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Participaram da coletiva o Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Cardeal Gerhard M\u00fcller, o Secret\u00e1rio da Comiss\u00e3o Teol\u00f3gica Internacional, Pe. Serge-Thomas Bonino, e o consultor da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, Mons. Angel Rodr\u00edguez Lu\u00f1o. <\/p>\n<p>Segundo o documento, \u201ca pr\u00e1tica da crema\u00e7\u00e3o difundiu-se bastante em muitas Na\u00e7\u00f5es e, ao mesmo tempo, difundem-se tamb\u00e9m novas ideias contrastantes com a f\u00e9 da Igreja\u201d. <\/p>\n<p>C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico<\/p>\n<p>A norma eclesi\u00e1stica vigente em mat\u00e9ria de crema\u00e7\u00e3o de cad\u00e1veres \u00e9 regulada pelo C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico: \u201cA Igreja recomenda vivamente que se conserve o piedoso costume de sepultar os corpos dos defuntos; mas n\u00e3o pro\u00edbe a crema\u00e7\u00e3o, a n\u00e3o ser que tenha sido preferida por raz\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 doutrina crist\u00e3.\u201d<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 preciso sublinhar que, n\u00e3o obstante esta norma, a pr\u00e1tica da crema\u00e7\u00e3o se difundiu muito no \u00e2mbito da Igreja Cat\u00f3lica. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00e1tica de conserva\u00e7\u00e3o das cinzas, n\u00e3o existe uma espec\u00edfica normativa can\u00f4nica. Por isso, algumas Confer\u00eancias Episcopais se dirigiram \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 levantando quest\u00f5es acerca da pr\u00e1tica de conservar a urna ciner\u00e1ria em casa ou em lugares diferentes do cemit\u00e9rio, e sobretudo de espalhar as cinzas na natureza\u201d, disse o Cardeal M\u00fcller na coletiva. <\/p>\n<p>\u201cSeguindo a antiga tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a Igreja recomenda insistentemente que os corpos dos defuntos sejam sepultados no cemit\u00e9rio ou num lugar sagrado.\u00a0 Ao lembrar a morte, sepultura e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, mist\u00e9rio \u00e0 luz do qual se manifesta o sentido crist\u00e3o da morte, a inuma\u00e7\u00e3o \u00e9 a forma mais id\u00f4nea para exprimir a f\u00e9 e a esperan\u00e7a na ressurrei\u00e7\u00e3o corporal. A sepultura nos cemit\u00e9rios ou noutros lugares sagrados responde adequadamente \u00e0 piedade e ao respeito devido aos corpos dos fi\u00e9is defuntos. Enterrando os corpos dos fi\u00e9is defuntos, a Igreja confirma a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o da carne e se separa de comportamentos e ritos que envolvem concep\u00e7\u00f5es err\u00f4neas sobre a morte: seja o aniquilamento definitivo da pessoa; seja o momento da sua fus\u00e3o com a M\u00e3e natureza ou com o universo; seja como uma etapa no processo da reencarna\u00e7\u00e3o; seja ainda, como a liberta\u00e7\u00e3o definitiva da \u201cpris\u00e3o\u201d do corpo.\u201d<\/p>\n<p>Conserva\u00e7\u00e3o as cinzas<\/p>\n<p>\u201cQuaisquer que sejam as motiva\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas que levaram \u00e0 escolha da crema\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver, as cinzas do defunto devem ser conservadas, por norma, num lugar sagrado, isto \u00e9, no cemit\u00e9rio ou, se for o caso, numa igreja ou num lugar especialmente dedicado a esse fim determinado pela autoridade eclesi\u00e1stica.\u201d<\/p>\n<p>Segundo o documento, \u201ca conserva\u00e7\u00e3o das cinzas em casa n\u00e3o \u00e9 consentida. Somente em casos de circunst\u00e2ncias graves e excepcionais, o Ordin\u00e1rio, de acordo com a Confer\u00eancia Episcopal ou o S\u00ednodo dos Bispos das Igrejas Orientais, poder\u00e1 autorizar a conserva\u00e7\u00e3o das cinzas em casa. As cinzas, no entanto, n\u00e3o podem ser dividias entre os v\u00e1rios n\u00facleos familiares e deve ser sempre assegurado o respeito e as adequadas condi\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o das mesmas.<\/p>\n<p>Para evitar qualquer tipo de equ\u00edvoco pante\u00edsta, naturalista ou niilista, n\u00e3o \u00e9 permitida a dispers\u00e3o das cinzas no ar, na terra ou na \u00e1gua ou, ainda, em qualquer outro lugar. Exclui-se, ainda a conserva\u00e7\u00e3o das cinzas cremadas sob a forma de recorda\u00e7\u00e3o comemorativa em pe\u00e7as de joalharia ou em outros objetos.<\/p>\n<p>\u201cEspera-se que esta nova Instru\u00e7\u00e3o possa fazer com que os fi\u00e9is crist\u00e3os tenham mais consci\u00eancia de sua dignidade de filhos de Deus. Estamos diante de um novo desafio para evangeliza\u00e7\u00e3o da morte\u201d, concluiu o Cardeal M\u00fcller. (MJ)<\/p>\n<p>***<\/p>\n<p>A seguir, a \u00edntegra do documento.<\/p>\n<p>CONGREGA\u00c7\u00c3O PARA A DOUTRINA DA F\u00c9<\/p>\n<p>Instru\u00e7\u00e3o Ad resurgendum cum Christo<br \/>a prop\u00f3sito da sepultura dos defuntos<br \/>e da conserva\u00e7\u00e3o das cinzas da crema\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p>1. Para ressuscitar com Cristo, \u00e9 necess\u00e1rio morrer com Cristo, isto \u00e9, \u201cexilarmo-nos do corpo para irmos habitar junto do Senhor\u201d (2 Cor 5, 8). Com a Instru\u00e7\u00e3o Piam et constantem, de 5 de Julho de 1963, o ent\u00e3o chamado Santo Of\u00edcio, estabeleceu que \u201cseja fielmente conservado o costume de enterrar os cad\u00e1veres dos fi\u00e9is\u201d, acrescentando, ainda, que a crema\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 \u201cem si mesma contr\u00e1ria \u00e0 religi\u00e3o crist\u00e3\u201d. Mais ainda, afirmava que n\u00e3o devem ser negados os sacramentos e as ex\u00e9quias \u00e0queles que pediram para ser cremados, na condi\u00e7\u00e3o de que tal escolha n\u00e3o seja querida \u201ccomo a nega\u00e7\u00e3o dos dogmas crist\u00e3os, ou num esp\u00edrito sect\u00e1rio, ou ainda, por \u00f3dio contra a religi\u00e3o cat\u00f3lica e \u00e0 Igreja\u201d.\u00a0 Esta mudan\u00e7a da disciplina eclesi\u00e1stica foi consignada no C\u00f3digo de Direito Can\u00f4nico (1983) e no C\u00f3digo dos C\u00e2nones da Igreja Oriental (1990).<\/p>\n<p>Entretanto, a pr\u00e1tica da crema\u00e7\u00e3o difundiu-se bastante em muitas Na\u00e7\u00f5es e, ao mesmo tempo, difundem-se, tamb\u00e9m, novas ideias contrastantes com a f\u00e9 da Igreja. Depois de a seu tempo se ter ouvido a Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos, o Pontif\u00edcio Conselho para os Textos Legislativos e numerosas Confer\u00eancias Episcopais e Sinodais dos bispos das Igrejas Orientais, a Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 considerou oportuno publicar uma nova Instru\u00e7\u00e3o, a fim de rep\u00f4r as raz\u00f5es doutrinais e pastorais da prefer\u00eancia a dar \u00e0 sepultura dos corpos e, ao mesmo tempo, dar normas sobre o que diz respeito \u00e0 conserva\u00e7\u00e3o das cinzas no caso da crema\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>2. A ressurrei\u00e7\u00e3o de Jesus \u00e9 a verdade culminante da f\u00e9 crist\u00e3, anunciada come parte fundamental do Mist\u00e9rio pascal desde as origens do cristianismo: \u201cTransmiti-vos em primeiro lugar o que eu mesmo recebi: Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras; foi sepultado e ressuscitou ao terceiro dia, segundo as Escrituras, e apareceu a Pedro e depois aos Doze\u201d (1 Cor 15, 3-5).<\/p>\n<p>Pela sua morte e ressurrei\u00e7\u00e3o, Cristo libertou-nos do pecado e deu-nos uma vida nova: \u201ccomo Cristo ressuscitou dos mortos pela gl\u00f3ria do Pai, tamb\u00e9m n\u00f3s vivemos uma vida nova\u201d (Rom 6, 4). Por outro lado, Cristo ressuscitado \u00e9 princ\u00edpio e fonte da nossa ressurrei\u00e7\u00e3o futura: \u201cCristo ressuscitou dos mortos, como prim\u00edcias dos que morreram\u2026.; do mesmo modo que em Ad\u00e3o todos morreram, assim tamb\u00e9m em Cristo todos ser\u00e3o restitu\u00eddos \u00e0 vida\u201d (1 Cor 15, 20-22).<\/p>\n<p>Se \u00e9 verdade que Cristo nos ressuscitar\u00e1 \u201cno \u00faltimo dia\u201d, \u00e9 tamb\u00e9m verdade que, de certa forma j\u00e1 ressuscitamos com Cristo. De facto, pelo Batismo, estamos imersos na morte e ressurrei\u00e7\u00e3o de Cristo e sacramentalmente assimilados a Ele: \u201cSepultados com Ele no batismo, tamb\u00e9m com Ele fostes ressuscitados pela f\u00e9 que tivestes no poder de Deus, que O ressuscitou dos mortos\u201d (Col 2, 12). Unidos a Cristo pelo Batismo, participamos j\u00e1, realmente, na vida de Cristo ressuscitado (cf. Ef 2, 6).<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a Cristo, a morte crist\u00e3 tem um significado positivo. A liturgia da Igreja reza: \u201cPara os que creem em v\u00f3s, Senhor, a vida n\u00e3o acaba, apenas se transforma; e, desfeita a morada deste ex\u00edlio terrestre, adquirimos no c\u00e9u uma habita\u00e7\u00e3o eterna\u201d.\u00a0 Na morte, o esp\u00edrito separa-se do corpo, mas na ressurrei\u00e7\u00e3o Deus torna a dar vida incorrupt\u00edvel ao nosso corpo transformado, reunindo-o, de novo, ao nosso espirito. Tamb\u00e9m nos nossos dias a Igreja \u00e9 chamada a anunciar a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o: \u201cA ressurrei\u00e7\u00e3o dos mortos \u00e9 a f\u00e9 dos crist\u00e3os: acreditando nisso somos o que professamos\u201d. <\/p>\n<p>3. Seguindo a antiga tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3, a Igreja recomenda insistentemente que os corpos dos defuntos sejam sepultados no cemit\u00e9rio ou num lugar sagrado. <\/p>\n<p>Ao lembrar a morte, sepultura e ressurrei\u00e7\u00e3o do Senhor, mist\u00e9rio \u00e0 luz do qual se manifesta o sentido crist\u00e3o da morte,\u00a0 a inuma\u00e7\u00e3o \u00e9, antes de mais, a forma mais id\u00f4nea para exprimir a f\u00e9 e a esperan\u00e7a na ressurrei\u00e7\u00e3o corporal. <\/p>\n<p>A Igreja, que como M\u00e3e acompanhou o crist\u00e3o durante a sua peregrina\u00e7\u00e3o terrena, oferece ao Pai, em Cristo, o filho da sua gra\u00e7a e entrega \u00e0 terra os restos mortais na esperan\u00e7a de que ressuscitar\u00e1 para a gl\u00f3ria.<\/p>\n<p>Enterrando os corpos dos fi\u00e9is defuntos, a Igreja confirma a f\u00e9 na ressurrei\u00e7\u00e3o da carne,\u00a0 e deseja colocar em relevo a grande dignidade do corpo humano como parte integrante da pessoa da qual o corpo partilha a hist\u00f3ria.\u00a0 N\u00e3o pode, por isso, permitir comportamentos e ritos que envolvam concep\u00e7\u00f5es err\u00f4neas sobre a morte: seja o aniquilamento definitivo da pessoa; seja o momento da sua fus\u00e3o com a M\u00e3e natureza ou com o universo; seja como uma etapa no processo da reincarna\u00e7\u00e3o; seja ainda, como a liberta\u00e7\u00e3o definitiva da \u201cpris\u00e3o\u201d do corpo.<\/p>\n<p>Por outro lado, a sepultura nos cemit\u00e9rios ou noutros lugares sagrados responde adequadamente \u00e0 piedade e ao respeito devido aos corpos dos fi\u00e9is defuntos, que, mediante o Batismo, se tornaram templo do Espirito Santo e dos quais, \u201ccomo instrumentos e vasos, se serviu santamente o Espirito Santo para realizar tantas boas obras\u201d.<\/p>\n<p>O justo Tobias \u00e9 elogiado pelos m\u00e9ritos alcan\u00e7ados junto de Deus por ter enterrado os mortos,\u00a0 e a Igreja considera a sepultura dos mortos como uma obra de miseric\u00f3rdia corporal.\u00a0 <\/p>\n<p>Ainda mais, a sepultura dos corpos dos fi\u00e9is defuntos nos cemit\u00e9rios ou noutros lugares sagrados favorece a mem\u00f3ria e a ora\u00e7\u00e3o pelos defuntos da parte dos seus familiares e de toda a comunidade crist\u00e3, assim como a venera\u00e7\u00e3o dos m\u00e1rtires e dos santos.<\/p>\n<p>Mediante a sepultura dos corpos nos cemit\u00e9rios, nas igrejas ou em lugares espec\u00edficos para tal, a tradi\u00e7\u00e3o crist\u00e3 conservou a comunh\u00e3o entre os vivos e os mortos e op\u00f5e-se \u00e0 tend\u00eancia a esconder ou privatizar o acontecimento da morte e o significado que ela tem para os crist\u00e3os.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 <\/p>\n<p>4. Onde por raz\u00f5es de tipo higi\u00eanico, econ\u00f4mico ou social se escolhe a crema\u00e7\u00e3o; escolha que n\u00e3o deve ser contr\u00e1ria \u00e0 vontade expl\u00edcita ou razoavelmente presum\u00edvel do fiel defunto, a Igreja n\u00e3o v\u00ea raz\u00f5es doutrinais para impedir tal pr\u00e1xis; uma vez que a crema\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver n\u00e3o toca o esp\u00edrito e n\u00e3o impede \u00e0 omnipot\u00eancia divina de ressuscitar o corpo. Por isso, tal facto, n\u00e3o implica uma raz\u00e3o objectiva que negue a doutrina crist\u00e3 sobre a imortalidade da alma e da ressurrei\u00e7\u00e3o dos corpos.\u00a0 <\/p>\n<p>A Igreja continua a preferir a sepultura dos corpos uma vez que assim se evidencia uma estima maior pelos defuntos; todavia, a crema\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 proibida, \u201ca n\u00e3o ser que tenha sido preferida por raz\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 doutrina crist\u00e3\u201d. <\/p>\n<p>Na aus\u00eancia de motiva\u00e7\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 doutrina crist\u00e3, a Igreja, depois da celebra\u00e7\u00e3o das ex\u00e9quias, acompanha a escolha da crema\u00e7\u00e3o seguindo as respectivas indica\u00e7\u00f5es lit\u00fargicas e pastorais, evitando qualquer tipo de esc\u00e2ndalo ou de indiferentismo religioso.<\/p>\n<p>5. Quaisquer que sejam as motiva\u00e7\u00f5es leg\u00edtimas que levaram \u00e0 escolha da crema\u00e7\u00e3o do cad\u00e1ver, as cinzas do defunto devem ser conservadas, por norma, num lugar sagrado, isto \u00e9, no cemit\u00e9rio ou, se for o caso, numa igreja ou num lugar especialmente dedicado a esse fim determinado pela autoridade eclesi\u00e1stica. <\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio os crist\u00e3os desejaram que os seus defuntos fossem objecto de ora\u00e7\u00f5es e de mem\u00f3ria por parte da comunidade crist\u00e3. Os seus t\u00famulos tornaram-se lugares de ora\u00e7\u00e3o, de mem\u00f3ria e de reflex\u00e3o. Os fi\u00e9is defuntos fazem parte da Igreja, que cr\u00ea na comunh\u00e3o \u201cdos que peregrinam na terra, dos defuntos que est\u00e3o levando a cabo a sua purifica\u00e7\u00e3o e dos bem-aventurados do c\u00e9u: formam todos uma s\u00f3 Igreja\u201d. <\/p>\n<p>A conserva\u00e7\u00e3o das cinzas num lugar sagrado pode contribuir para que n\u00e3o se corra o risco de afastar os defuntos da ora\u00e7\u00e3o e da recorda\u00e7\u00e3o dos parentes e da comunidade crist\u00e3. Por outro lado, deste modo, se evita a possibilidade de esquecimento ou falta de respeito que podem acontecer, sobretudo depois de passar a primeira gera\u00e7\u00e3o, ou ent\u00e3o cair em pr\u00e1ticas inconvenientes ou supersticiosas. <\/p>\n<p>6. Pelos motivos mencionados, a conserva\u00e7\u00e3o das cinzas em casa n\u00e3o \u00e9 consentida. Em casos de circunst\u00e2ncias gravosas e excepcionais, dependendo das condi\u00e7\u00f5es culturais de car\u00e1cter local, o Ordin\u00e1rio, de acordo com a Confer\u00eancia Episcopal ou o S\u00ednodo dos Bispos das Igrejas Orientais, poder\u00e1 autorizar a conserva\u00e7\u00e3o das cinzas em casa. As cinzas, no entanto, n\u00e3o podem ser dividias entre os v\u00e1rios n\u00facleos familiares e deve ser sempre assegurado o respeito e as adequadas condi\u00e7\u00f5es de conserva\u00e7\u00e3o das mesmas <\/p>\n<p>7. Para evitar qualquer tipo de equ\u00edvoco pante\u00edsta, naturalista ou niilista, n\u00e3o seja permitida a dispers\u00e3o das cinzas no ar, na terra ou na \u00e1gua ou, ainda, em qualquer outro lugar. Exclui-se, ainda a conserva\u00e7\u00e3o das cinzas cremadas sob a forma de recorda\u00e7\u00e3o comemorativa em pe\u00e7as de joalharia ou em outros objetos, tendo presente que para tal modo de proceder n\u00e3o podem ser adotadas raz\u00f5es de ordem higi\u00eanica, social ou econ\u00f4mica a motivar a escolha da crema\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>8. No caso do defunto ter claramente manifestado o desejo da crema\u00e7\u00e3o e a dispers\u00e3o das mesmas na natureza por raz\u00f5es contr\u00e1rias \u00e0 f\u00e9 crist\u00e3, devem ser negadas as ex\u00e9quias, segundo o direito.\u00a0 <\/p>\n<p>O Sumo Pont\u00edfice Francisco, na Audi\u00eancia concedida ao abaixo-assinado, Cardeal Prefeito, em 18 de Mar\u00e7o de 2016, aprovou a presente Instru\u00e7\u00e3o, decidida na Sess\u00e3o Ordin\u00e1ria desta Congrega\u00e7\u00e3o em 2 de Mar\u00e7o de 2016, e ordenou a sua publica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Roma, Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9, 15 de Agosto de 2016, Solenidade da Assun\u00e7\u00e3o da Virgem Santa Maria.<\/p>\n<p>Gerhard Card. M\u00fcller<br \/>Prefeito<\/p>\n<p>Luis F. Ladaria, S.I.<\/p>\n<p>Arcebispo titular de Thibica Secret\u00e1rio<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do Vaticano (RV) &#8211; Realizou-se na Sala de Imprensa da Santa S\u00e9, nesta ter\u00e7a-feira (25\/10), a coletiva de apresenta\u00e7\u00e3o da Instru\u00e7\u00e3o \u2018Ad resurgendum cum Christo\u2019 da Congrega\u00e7\u00e3o para a Doutrina da F\u00e9 a prop\u00f3sito da sepultura dos defuntos e da conserva\u00e7\u00e3o das cinzas no caso de crema\u00e7\u00e3o. Participaram da coletiva o Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18969,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-18970","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18970","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18970"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18970\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":27371,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18970\/revisions\/27371"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18969"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18970"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18970"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18970"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}