{"id":18956,"date":"2016-10-23T03:00:00","date_gmt":"2016-10-23T05:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/10\/23\/senhor-tem-piedade-de-mim\/"},"modified":"2017-05-05T15:25:52","modified_gmt":"2017-05-05T18:25:52","slug":"senhor-tem-piedade-de-mim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/senhor-tem-piedade-de-mim\/","title":{"rendered":"Senhor, tem piedade de mim!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A Palavra do Senhor que a Igreja nos apresenta no XXX Domingo do Tempo Comum faz ouvir sobre a ora\u00e7\u00e3o, e da ora\u00e7\u00e3o humilde. Meditemos na par\u00e1bola de Jesus (cf. Lc 18,9-14) sobre a atitude dos dois homens que sobem ao Templo para rezar\u2026 Por que Jesus a contou? Contou-a \u201cpara alguns que confiavam na sua pr\u00f3pria justi\u00e7a, isto \u00e9, na sua pr\u00f3pria retid\u00e3o, nos seus pr\u00f3prios m\u00e9ritos, na sua pr\u00f3pria santidade e desprezavam os outros\u201d. Como reza o fariseu? Santo Agostinho explica que ele nem sequer reza: \u201cProcura nas suas palavras o que ele pediu. N\u00e3o encontras nada! Foi para rezar, mas n\u00e3o rezou a Deus; s\u00f3 louvou a si pr\u00f3prio! Mais ainda: n\u00e3o lhe bastou n\u00e3o rezar, n\u00e3o lhe bastou louvar a si pr\u00f3prio e ainda insultou aquele que rezava de verdade\u201d! O fariseu, na verdade, \u00e9 incapaz de uma verdadeira comunh\u00e3o com Deus: ele somente tem a si pr\u00f3prio ante seus olhos, ele \u00e9 o seu pr\u00f3prio Deus, a sua pr\u00f3pria satisfa\u00e7\u00e3o e, quando se mede com os outros, \u00e9 para insultar e desprezar interiormente. Bem diferente de Jesus, que tinha tudo para nos acusar e, no entanto, quando nos olha \u00e9 para ter compaix\u00e3o, para perdoar, para nos estender a m\u00e3o.<br \/> Antes de narrar a par\u00e1bola, S\u00e3o Lucas preocupa-se em mencionar que Jesus falava a uns que confiavam em si mesmos como se fossem justos, e desprezavam os outros. O Senhor fala de dois personagens bem conhecidos de todos os ouvintes: Subiram dois homens ao Templo para orar: um fariseu e outro publicano. Percebeu-se logo que, embora ambos tenham ido ao Templo com a mesma finalidade, um deles n\u00e3o fez ora\u00e7\u00e3o. N\u00e3o falou com Deus num di\u00e1logo amoroso, mas consigo pr\u00f3prio. Na sua ora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 amor como tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 humildade. Est\u00e1 de p\u00e9, d\u00e1 gra\u00e7as pelo que faz, mostra-se satisfeito. Compara-se com os outros e considera-se mais justo, melhor cumpridor da Lei. Parece n\u00e3o necessitar de Deus. Na ora\u00e7\u00e3o, ao inv\u00e9s de louvar a Deus, louva-se a si mesmo. Sua ora\u00e7\u00e3o \u00e9 longa: \u00e9 uma arrogante exalta\u00e7\u00e3o de si. Sua Salva\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 dom de Deus, mas conquista de suas \u201cboas obras\u201d.<br \/> O publicano \u201cficou de longe e, por isso, Deus aproximou-se dele mais facilmente. N\u00e3o atrevendo a levantar os olhos ao c\u00e9u, tinha j\u00e1 consigo Aquele que fez os c\u00e9us\u2026 Que o Senhor esteja longe ou n\u00e3o, depende de ti. Ama e se aproximar\u00e1\u201d (Santo Agostinho). O publicano conquistou a Deus pela sua humildade, pois \u201cEle resiste aos soberbos e d\u00e1 a sua gra\u00e7a aos humildes\u201d. (Tg 4, 6). N\u00e3o se considera melhor do que os outros. Nem os julga. Sua ora\u00e7\u00e3o \u00e9 breve: resume-se em pedir perd\u00e3o.<br \/> Jesus come\u00e7a a par\u00e1bola do fariseu e o publicano (Lc 18, 1) insistindo em que \u00e9 preciso orar sempre. O Mestre quer dizer-nos de muitas maneiras que a ora\u00e7\u00e3o \u00e9 absolutamente necess\u00e1ria para segui-Lo e para empreender qualquer tarefa, cujo valor permane\u00e7a para al\u00e9m desta vida passageira.<br \/> No come\u00e7o do seu Pontificado, o Papa S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II, cuja festa lit\u00fargica celebramos no \u00faltimo dia 22 de outubro, declarava: \u201cA ora\u00e7\u00e3o \u00e9 para mim a primeira tarefa e como que o primeiro an\u00fancio; \u00e9 a primeira condi\u00e7\u00e3o do meu servi\u00e7o \u00e0 Igreja e ao mundo\u201d. E acrescentava: \u201cTodos os fi\u00e9is devem considerar sempre a ora\u00e7\u00e3o como a obra essencial e insubstitu\u00edvel da sua voca\u00e7\u00e3o. Sabemos bem que a fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o ou o seu abandono s\u00e3o a prova da vitalidade ou da decad\u00eancia da vida religiosa, do apostolado, da fidelidade crist\u00e3\u201d. Sem ora\u00e7\u00e3o, n\u00e3o poder\u00edamos seguir o Senhor no meio do mundo. A ora\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o indispens\u00e1vel como o alimento ou a respira\u00e7\u00e3o para a vida do corpo.<br \/> O publicano \u00e9 o modelo do pecador. Explora os pobres, pratica injusti\u00e7as e n\u00e3o cumpre as obras da Lei. Ele tem, ali\u00e1s, consci\u00eancia da sua indignidade, pois a sua ora\u00e7\u00e3o consiste apenas em pedir: \u201cMeu Deus, tende compaix\u00e3o de mim que sou pecador\u201d. (v.13).\u00a0\u00a0 A sua ora\u00e7\u00e3o \u00e9 breve, n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o longa como aquela do fariseu.\u00a0 Uma significativa ora\u00e7\u00e3o.\u00a0 Os gestos de arrependimento e as poucas e simples palavras testemunham a sua consci\u00eancia acerca da sua condi\u00e7\u00e3o. A sua ora\u00e7\u00e3o \u00e9 essencial. Age com humildade, seguro somente de ser um pecador necessitado de piedade. Se o fariseu n\u00e3o pedia nada porque j\u00e1 tinha tudo, o publicano s\u00f3 pode implorar a miseric\u00f3rdia de Deus. O publicano mostra a todos n\u00f3s a condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para receber o perd\u00e3o do Senhor: a humildade.<br \/> Portanto, como nos recorda o Evangelho desse domingo, temos necessidade de humildade para reconhecer os nossos limites, os nossos erros e omiss\u00f5es, para formar verdadeiramente a nossa identidade de crist\u00e3os. Sem humildade, n\u00e3o reconhecemos os nossos pr\u00f3prios defeitos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Palavra do Senhor que a Igreja nos apresenta no XXX Domingo do Tempo Comum faz ouvir sobre a ora\u00e7\u00e3o, e da ora\u00e7\u00e3o humilde. Meditemos na par\u00e1bola de Jesus (cf. Lc 18,9-14) sobre a atitude dos dois homens que sobem ao Templo para rezar\u2026 Por que Jesus a contou? Contou-a \u201cpara alguns que confiavam na [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-18956","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18956","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18956"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18956\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21236,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18956\/revisions\/21236"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18956"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18956"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18956"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}