{"id":18835,"date":"2016-10-19T17:19:46","date_gmt":"2016-10-19T19:19:46","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/10\/19\/estrago-do-furacao-matthew-em-cuba\/"},"modified":"2017-05-29T15:28:35","modified_gmt":"2017-05-29T18:28:35","slug":"estrago-do-furacao-matthew-em-cuba","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/estrago-do-furacao-matthew-em-cuba\/","title":{"rendered":"Estrago do furac\u00e3o Matthew em Cuba"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/f59e5e3530c2c45e61d5a0c945f954cb_xl.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Costa de Mais\u00ed antes do fura\u00e7\u00e3o Matthew, que destruiu o munic\u00edpio. Costa de Mais\u00ed antes do fura\u00e7\u00e3o Matthew, que destruiu o munic\u00edpio.<\/p>\n<p>\u201cSinceramente, n\u00e3o sei como come\u00e7ar a descrever o que aconteceu nestes dias\u201d escreve Dom Wilfredo Pino Est\u00e9vez, bispo da diocese cubana de Guant\u00e1namo-Baracoa numa mensagem \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia ACN (Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre) depois que o furac\u00e3o Matthew, categorizado no n\u00edvel 4, arrasou em poucas horas a parte leste da ilha na noite de segunda-feira, 4 de outubro. Gra\u00e7as a Deus, a solidariedade das pessoas e ao sistema de evacua\u00e7\u00e3o civil que Cuba tem praticado h\u00e1 anos, n\u00e3o houve nenhuma morte, embora a destrui\u00e7\u00e3o tenha sido enorme.<\/p>\n<p>\u201cAinda bem que todas as pessoas conseguiram se refugiar em abrigos subterr\u00e2neos. Alguns preferiram n\u00e3o sair de suas casas, pensando que seriam resistentes o suficiente e, felizmente, n\u00e3o se enganaram. Fiquei feliz em ver que a nova igreja dos adventistas ficou intacta. O ciclone passou ali e dezenas de pessoas ficaram a salvo\u201d, relata o bispo de Guant\u00e1namo-Baracoa.<\/p>\n<p>Os munic\u00edpios de Baracoa, Mais\u00ed e Im\u00edas, foram os mais atingidos, onde muitas casas ficaram sem teto ou totalmente destru\u00eddas. Depois que o furac\u00e3o passou, o primeiro e \u00fanico desejo do Dom Willi, como o chamam seus paroquianos, era visitar os fi\u00e9is, consolar os aflitos. Na primeira hora da manh\u00e3 come\u00e7ou uma viagem \u00e1rdua e dificultosa: \u201cAo chegar no lugar conhecido como o Bate-Bate (caminho que percorre a costa), a rodovia estava destru\u00edda e a f\u00faria do mar tinha jogado ali muita areia e pedras que impediam a passagem. Quando j\u00e1 est\u00e1vamos cansados de tirar as pedras para que o carro pudesse passar, atolamos em seguida com a lama na estrada. Demoramos tr\u00eas horas para sair dali. A ajuda veio de tr\u00eas homens. N\u00e3o esqueceremos do seu gesto porque ficaram ensopados com a chuva e tamb\u00e9m enlameados. Deus lhes pague. Pudemos, ent\u00e3o, continuar a visita \u00e0s comunidades de Santo Ant\u00f4nio, Im\u00edas e Cajobabo e partilhar com sacerdotes, religiosas e leigos. Em Cajobabo, soubemos que 75 pessoas tinham sobrevivido ao furac\u00e3o numa casa pr\u00e9-moldada, apareceram as primeiras l\u00e1grimas. A verdade era que, \u00e0 medida que nos aproxim\u00e1vamos de Baracoa, os danos eram maiores\u201d.<\/p>\n<p>Dom Willi demorou quase 20 horas para chegar em Baracoa, primeira capital de Cuba, que havia sido reduzida a escombros. \u201cChegamos pela m\u00e3o de Deus e tamb\u00e9m por m\u00e3os solid\u00e1rias. Ao come\u00e7ar a subir o viaduto La Farola havia muitas pedras no caminho. Tir\u00e1vamos as pedras com as m\u00e3os, e, assim, pod\u00edamos seguir. Atr\u00e1s de n\u00f3s, vinha outro autom\u00f3vel onde estavam autoridades da prov\u00edncia e do pa\u00eds. Juntos t\u00ednhamos o mesmo objetivo: chegar a Baracoa. Pouco mais adiante, havia um grupo de trabalho esperando as autoridades com motosserras. E come\u00e7aram a abrir caminho. Nos colocamos no final da fila de carros. E assim, fomos avan\u00e7ando at\u00e9 alcan\u00e7armos a cidade. Um enorme deslizamento nos impossibilitou de continuar. Mas vieram pessoas de Baracoa para buscar as autoridades e me convidaram a cruzar o deslizamento a p\u00e9 e seguir em um dos jipes que estavam com eles. Como meu objetivo era chegar l\u00e1, n\u00e3o titubeei. Gra\u00e7as a esse gesto, pude chegar a Baracoa. Na entrada da cidade, j\u00e1 se via os danos. Nossa igreja de Cabac\u00fa, dedicada \u00e0 Nossa Senhora do Carmo, estava destru\u00edda. S\u00f3 estava de p\u00e9 a parede dos fundos. Finalmente, consegui entrar na Casa Paroquial de Baracoa, j\u00e1 era uma e meia da madrugada\u201d.<\/p>\n<p>Dom Willi s\u00f3 p\u00f4de chegar dois dias mais tarde em Mais\u00ed, o \u00faltimo dos munic\u00edpios arrasados pelo furac\u00e3o, depois de duas tentativas frustradas porque as duas rodovias de acesso estavam interditadas: uma por dano numa ponte e a outra por \u00e1rvores e postes el\u00e9tricos ca\u00eddos. De acordo com a m\u00eddia local, mais de 1.000 postes haviam sido derrubados na prov\u00edncia e 80% das resid\u00eancias afetadas somente em Mais\u00ed: Certamente, j\u00e1 imaginava que iria encontrar o pior porque, de acordo com meus simples c\u00e1lculos, ali o furac\u00e3o deve ter passado com maior for\u00e7a. De fato, foi o que encontrei. Acredito n\u00e3o estar exagerando ao dizer que Mais\u00ed estava devastada. H\u00e1 imagens de casas destru\u00eddas que lembram as fotos que todos n\u00f3s vimos do resultado do terremoto no Haiti\u201d.<\/p>\n<p>Assim, a igreja local cubana se dedica a \u201cerguer a alma das pessoas\u201d, a escut\u00e1-las, contar o que passaram e seu agradecimento a Deus nos l\u00e1bios por estarem vivos, \u201cque \u00e9 o mais importante, porque o material se ajeita\u201d, narra Dom Willi. Tamb\u00e9m exorta: \u201cTemos que enxugar suas l\u00e1grimas, levantar seus cora\u00e7\u00f5es, dar esperan\u00e7a. Fazer o que fizeram e dizer o que disseram os ap\u00f3stolos: \u2018N\u00e3o tenho ouro nem prata, mas o que tenho eu te dou\u2019 (At 3,6)\u201d.<\/p>\n<p>N\u00e3o se pode esquecer de dar o consolo espiritual junto do humano: dar comida aos que t\u00eam fome. Assim a Igreja local e a C\u00e1ritas-Guant\u00e1namo tem trabalhado bastante para localizar \u201cas pessoas vulner\u00e1veis por doen\u00e7as, idosos, para lhes levar um pouco de alimento e um pouco de comida: sopa, arroz, biscoitos. Ontem, por exemplo, recolhemos um homem que andava pela rodovia a p\u00e9 em busca de seus familiares e nos disse que estava j\u00e1 h\u00e1 dois dias sem comer e um sem dormir&#8230; O caminh\u00e3o da diocese est\u00e1 indo de um lado para o outro levando as doa\u00e7\u00f5es de outras dioceses.\u201d<\/p>\n<p>Em meio a tanta dor, Dom Willi relata tamb\u00e9m momentos de \u00e2nimo e de esperan\u00e7a. Em circunst\u00e2ncias como essa, a dor une. Os cubanos por si s\u00f3 j\u00e1 s\u00e3o muito solid\u00e1rios e nessas situa\u00e7\u00f5es se tornam ainda mais. \u201cMe contaram que enquanto o furac\u00e3o passava, protestantes e cat\u00f3licos rezavam juntos num povoado pela primeira vez. Uma senhora tamb\u00e9m nos falou que, nesse mesmo momento, enquanto o furac\u00e3o passava, \u2018n\u00f3s louv\u00e1vamos ao Senhor, cant\u00e1vamos e rez\u00e1vamos para que fic\u00e1ssemos vivos ainda que tudo fosse destru\u00eddo\u2019\u201d.<\/p>\n<p>A ACN est\u00e1 em contato com os bispos cubanos para iniciar trabalhos de reconstru\u00e7\u00e3o e convida a todos os seus benfeitores e colaboradores a rezarem pelos que foram afetados pelo furac\u00e3o. \u201c\u00c9 verdade que as imagens est\u00e3o gravadas em nossos olhos, dif\u00edceis de descrever, mas tamb\u00e9m temos muito que agradecer a todas as pessoas preocupadas, que est\u00e3o orando por n\u00f3s e nos ajudando tanto!\u201d, escreve o bispo \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia. Nos \u00faltimos 5 anos, a ACN apoiou 421 projetos pastorais em Cuba.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: ACN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Costa de Mais\u00ed antes do fura\u00e7\u00e3o Matthew, que destruiu o munic\u00edpio. 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