{"id":18665,"date":"2016-10-11T18:14:59","date_gmt":"2016-10-11T21:14:59","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/10\/11\/especialistas-menos-europeu-e-mais-global-catolicismo-continuara-crescendo-e-muito\/"},"modified":"2017-05-30T16:34:19","modified_gmt":"2017-05-30T19:34:19","slug":"especialistas-menos-europeu-e-mais-global-catolicismo-continuara-crescendo-e-muito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/especialistas-menos-europeu-e-mais-global-catolicismo-continuara-crescendo-e-muito\/","title":{"rendered":"Especialistas: menos europeu e mais global, catolicismo continuar\u00e1 crescendo \u2013 e muito"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/bufpll3e04dfn.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>&#8230;apesar das vozes que prenunciam o fim das religi\u00f5es at\u00e9 2100<\/p>\n<p>Quando o seu bi\u00f3grafo Peter Seewald lhe perguntou sobre a descristianiza\u00e7\u00e3o da Europa, o papa em\u00e9rito Bento XVI respondeu:<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 tudo uma quest\u00e3o de repensar a presen\u00e7a, encontrar novas formas, trabalhar com talento\u201d.<\/p>\n<p>Ou seja: em vez de repetir a ladainha das igrejas vazias, fechadas e abandonadas, \u00e9 mais \u00fatil entender que o problema \u00e9 mesmo a f\u00e9, que est\u00e1 sedada e distra\u00edda. \u00c9 desta quest\u00e3o fundamental que se deve recome\u00e7ar, testemunhando Cristo de formas novas.<\/p>\n<p>Philip Jenkins, um dos maiores especialistas em hist\u00f3ria e ci\u00eancia das religi\u00f5es, refor\u00e7ou recentemente no jornal The Catholic Herald: nada de fim, nada de extin\u00e7\u00e3o. O problema, segundo Jenkins, est\u00e1 em pensar no catolicismo como algo europeu, ligado \u00e0 teoria das antigas catedrais, aos ritos de um tempo que se foi, \u00e0 catequese em doses maci\u00e7as para crian\u00e7as de 5, 6, 7 anos, toda manh\u00e3, depois da missa e antes da escola. Afinal, na maioria das vezes, essas crian\u00e7as s\u00e3o hoje os adultos que, desligados de deveres impostos, nem colocam mais os p\u00e9s na igreja nem levam para dentro dela os seus filhos.<\/p>\n<p>De fato, em grande parte das atuais democracias laicas, a tend\u00eancia \u00e9 a da n\u00e3o identifica\u00e7\u00e3o com religi\u00e3o nenhuma. Na Rep\u00fablica Checa, nada menos que 60% da popula\u00e7\u00e3o se declara sem religi\u00e3o. O cen\u00e1rio levou a American Physical Society a publicar, em 2011, um detalhado dossi\u00ea no qual sentenciava inapelavelmente que o mundo se livraria de todas as religi\u00f5es at\u00e9 2100; no topo da lista dos pa\u00edses j\u00e1 prontos para abandonar tudo aquilo em que acreditaram durante s\u00e9culos, estariam a \u00c1ustria e a Irlanda.<\/p>\n<p>H\u00e1, no entanto, uma grande dist\u00e2ncia entre essas tabelas de Excel e a realidade da f\u00e9 individual. O fato de haver cada vez menos cat\u00f3licos em Praga pode preocupar quem ainda se emociona com o som dos sinos das igrejas, mas n\u00e3o sela o destino de uma religi\u00e3o.<\/p>\n<p>O pr\u00f3prio Jenkins j\u00e1 tinha escrito um livro, \u201cA hist\u00f3ria perdida do cristianismo\u201c, em que observava que muitas religi\u00f5es morrem:<\/p>\n<p>\u201cAo longo da hist\u00f3ria, algumas religi\u00f5es desaparecem totalmente, outras se reduzem de grandes religi\u00f5es mundiais a um punhado de seguidores\u201d.<\/p>\n<p>No caso da Igreja Cat\u00f3lica, por\u00e9m, o catastr\u00f3fico progn\u00f3stico n\u00e3o parece aplic\u00e1vel, prossegue ele. A Igreja, que \u201c\u00e9 a maior institui\u00e7\u00e3o religiosa do planeta\u201d, vem desfrutando de crescimento global. Em 1950, a popula\u00e7\u00e3o cat\u00f3lica somava 347 milh\u00f5es de indiv\u00edduos. Em 1970, eram 640 milh\u00f5es. Em 2050, conforme estimativas conservadoras, ser\u00e3o 1,6 bilh\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cEu falei de crescimento global, e o elemento \u2018global\u2019 requer \u00eanfase\u201d, sublinha Jenkins. \u201cAo longo da hist\u00f3ria, houve muitos imp\u00e9rios chamados \u2018mundiais\u2019 que, na realidade, estavam confinados principalmente \u00e0 Eur\u00e1sia. Foi apenas no s\u00e9culo XVI que os imp\u00e9rios espanhol e portugu\u00eas realmente abra\u00e7aram o mundo. Para mim, a verdadeira globaliza\u00e7\u00e3o come\u00e7ou em 1578, quando a Igreja Cat\u00f3lica estabeleceu uma diocese em Manila, nas Filipinas, do outro lado do imenso Oceano Pac\u00edfico\u201d.<\/p>\n<p>Ele prossegue:<\/p>\n<p>\u201cEstamos habituados a pensar no cristianismo como uma f\u00e9 tradicionalmente ambientada na Europa (\u2026), mas essa religi\u00e3o se propaga em escala global. O n\u00famero dos crist\u00e3os est\u00e1 aumentando rapidamente na \u00c1frica, na \u00c1sia e na Am\u00e9rica Latina. O cristianismo est\u00e1 t\u00e3o enraizado no patrim\u00f4nio cultural do Ocidente que faz com que pare\u00e7a quase revolucion\u00e1ria essa globaliza\u00e7\u00e3o, com todas as influ\u00eancias que ela pode exercer na teologia, na arte e na liturgia. Uma f\u00e9 associada principalmente \u00e0 Europa deve se adaptar a esse mundo mais vasto, redimensionando muitas das suas premissas\u201c.<\/p>\n<p>\u00c9 natural perguntar: esse \u201cnovo\u201d cristianismo global permanecer\u00e1 aut\u00eantico?<\/p>\n<p>\u00c9 uma interroga\u00e7\u00e3o leg\u00edtima, s\u00f3 que um tanto sem sentido quando nos damos conta de que os grandes reservat\u00f3rios do catolicismo est\u00e3o hoje em pa\u00edses como o Brasil, o M\u00e9xico e as Filipinas \u2013 ali\u00e1s, neste \u00faltimo pa\u00eds houve mais batismos no ano passado que na Fran\u00e7a, Espanha, It\u00e1lia e Pol\u00f4nia juntas.<\/p>\n<p>A obje\u00e7\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil: as tend\u00eancias demogr\u00e1ficas explicariam as raz\u00f5es desse crescimento. Onde nascem mais crian\u00e7as, crescem mais cat\u00f3licos, se o substrato estiver presente. Onde isso n\u00e3o acontece, o catolicismo seca.<\/p>\n<p>Jenkins discorda: basta ir \u00e0 \u00c1frica e ver que n\u00e3o \u00e9 bem assim. Em 1900, havia no imenso continente africano talvez 10 milh\u00f5es de crist\u00e3os (n\u00e3o apenas cat\u00f3licos), constituindo 10% de toda a popula\u00e7\u00e3o. Hoje, h\u00e1 na \u00c1frica meio bilh\u00e3o de crist\u00e3os (200 milh\u00f5es dos quais s\u00e3o cat\u00f3licos). E eles v\u00e3o duplicar nos pr\u00f3ximos 25 anos. Acontece que n\u00e3o h\u00e1 \u201csubstrato crist\u00e3o\u201d na \u00c1frica, brutalmente marcada por invas\u00f5es, ocupa\u00e7\u00f5es e islamiza\u00e7\u00e3o mais ou menos for\u00e7ada. Mesmo assim, a \u00c1frica ter\u00e1 mais cat\u00f3licos em 2040 do que havia no mundo inteiro em 1950. Antes ainda, em 2030, os cat\u00f3licos africanos j\u00e1 ter\u00e3o superado os europeus. Em seguida, a \u00c1frica vai disputar com a Am\u00e9rica Latina o t\u00edtulo de regi\u00e3o mais cat\u00f3lica do mundo. Em somente uma gera\u00e7\u00e3o, Nig\u00e9ria, Uganda, Tanz\u00e2nia e Congo estar\u00e3o entre os dez pa\u00edses mais cat\u00f3licos do planeta \u2013 e o catolicismo come\u00e7ou a se enraizar nesses lugares faz apenas um s\u00e9culo.<\/p>\n<p>Mesmo diante deste cen\u00e1rio, h\u00e1 d\u00favidas leg\u00edtimas, especialmente no tocante \u00e0s convers\u00f5es e batismos em massa. Bento XVI, em 2009, reconheceu que existem riscos mesmo numa Igreja jovem e entusiasta como a da \u00c1frica: \u00e9 verdade que ela \u00e9 \u201cum imenso pulm\u00e3o espiritual para uma humanidade em crise de f\u00e9 e de esperan\u00e7a\u201d, mas tamb\u00e9m \u00e9 verdade que um pulm\u00e3o sempre pode ficar doente.<\/p>\n<p>E, afinal, quais s\u00e3o os riscos de \u201ccontamina\u00e7\u00e3o\u201d do cristianismo euroamericano, considerado por muitos como o \u201c\u00fanico aut\u00eantico\u201d?<\/p>\n<p>A resposta est\u00e1 n\u00e3o s\u00f3 nas massas de fi\u00e9is africanos e asi\u00e1ticos que lotam as igrejas italianas para a missa dominical, mas tamb\u00e9m na forma do rito \u2013 muitas vezes bem mais respeitosa do que aquilo que se v\u00ea em algumas catedrais centen\u00e1rias, de ros\u00e1cea brilhante e altares majestosos. Basta ver como o Papa foi acolhido na paup\u00e9rrima Rep\u00fablica Centro-Africana: enquanto ele entrava na catedral depois de abrir a Porta Santa, o povo estava ajoelhado, recolhido em adora\u00e7\u00e3o, sem empurr\u00f5es nem tentativas superficiais e grosseiras de tirar uma selfie com seu smartphone. Trata-se de respeitar a fundo o essencial, o Sagrado \u2013 e n\u00e3o apenas de supervalorizar, apegadamente, formas e rituais que, sem o essencial, n\u00e3o fazem sentido.<\/p>\n<p>Nesse mesmo contexto, Jenkins menciona a cidade de Aarhus, na Dinamarca. Embora aquele pa\u00eds tenha muito pouco de cat\u00f3lico, tanto nos costumes quanto na pr\u00e1tica religiosa, as poucas igrejas cat\u00f3licas que existem na cidade t\u00eam visto grupos numerosos de fi\u00e9is, provenientes de terras distantes, entrarem com frequ\u00eancia crescente para rezar, em mostra evidente do car\u00e1ter global (ou seja, cat\u00f3lico) da f\u00e9 crist\u00e3.<\/p>\n<p>Diante destas realidades, a pergunta que n\u00e3o cala \u00e9: existe vontade e capacidade de experimentar novas formas de testemunho e de presen\u00e7a? Isso implica focar no essencial e deixar de lado os discursos menos crist\u00e3os do que partidaristas sobre \u201ca verdadeira raiz do cristianismo\u201d, bem como os debates sect\u00e1rios que divagam indagando se a sua \u201cimagem mais correta\u201d \u00e9 a da velha Europa (que n\u00e3o se reconhece mais) ou a da jovem \u00c1frica (que abra\u00e7a cada vez mais o cristianismo).<\/p>\n<p>Na mensagem enviada aos participantes do 14\u00ba Simp\u00f3sio Intercrist\u00e3o, realizado neste \u00faltimo agosto em Sal\u00f4nica para tratar justamente da reevangeliza\u00e7\u00e3o das comunidades crist\u00e3s na Europa, o Papa Francisco escreveu que o continente j\u00e1 est\u00e1 lidando com \u201ca realidade generalizada dos batizados que vivem como se Deus n\u00e3o existisse, das pessoas que n\u00e3o est\u00e3o conscientes do dom da f\u00e9 recebida, das pessoas que n\u00e3o experimentam a Sua consola\u00e7\u00e3o e n\u00e3o s\u00e3o plenamente part\u00edcipes da vida da comunidade crist\u00e3\u201d.<\/p>\n<p>A Igreja no Velho Mundo est\u00e1, claramente, diante do desafio de renovar as suas ra\u00edzes crist\u00e3s cada vez menos percebidas. Como? O Papa Francisco prop\u00f5e: \u201cIdentificando caminhos novos, m\u00e9todos criativos e uma linguagem capaz de fazer que o an\u00fancio de Jesus Cristo, em toda a sua beleza, chegue ao homem europeu contempor\u00e2neo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8230;apesar das vozes que prenunciam o fim das religi\u00f5es at\u00e9 2100 Quando o seu bi\u00f3grafo Peter Seewald lhe perguntou sobre a descristianiza\u00e7\u00e3o da Europa, o papa em\u00e9rito Bento XVI respondeu: \u201c\u00c9 tudo uma quest\u00e3o de repensar a presen\u00e7a, encontrar novas formas, trabalhar com talento\u201d. 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