{"id":18572,"date":"2016-10-07T03:00:00","date_gmt":"2016-10-07T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/10\/07\/simposio-teologico\/"},"modified":"2017-05-05T15:45:55","modified_gmt":"2017-05-05T18:45:55","slug":"simposio-teologico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/simposio-teologico\/","title":{"rendered":"Simp\u00f3sio Teol\u00f3gico"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Mosteiro S\u00e3o Bento, Rio de Janeiro, RJ, 4 a 7 de outubro de 2016<br \/> \u201cA M\u00cdSTICA DO AMOR EM SANTA GERTRUDES\u201d<\/p>\n<p>ABERTURA<br \/>4 de outubro de 2106, ter\u00e7a-feira<\/p>\n<p>Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta, O. Cist.<br \/>Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro <\/p>\n<p>Prezados(as) irm\u00e3os(\u00e3s) presentes neste evento sobre Santa Gertrudes de Helfta, na Faculdade S\u00e3o Bento, do Rio de Janeiro, minhas sauda\u00e7\u00f5es cordiais e acolhida fraterna em nome da nossa Arquidiocese.<\/p>\n<p>Acolhi com alegria o convite para fazer a abertura deste Simp\u00f3sio sobre Santa Gertrudes. Acredito que o aprofundamento a respeito de sua vida e sua obra, como ir\u00e1 acontecer neste evento, possa contribuir efetivamente para a maior divulga\u00e7\u00e3o de seu modelo de santidade e do legado que deixou para o nosso tempo.\u00a0\u00a0\u00a0 <br \/>Esta iniciativa, com certeza tamb\u00e9m poder\u00e1 abrir caminho para a realiza\u00e7\u00e3o de um anseio das comunidades mon\u00e1sticas, que \u00e9 a proclama\u00e7\u00e3o do doutorado da Santa. Recebi, inclusive, uma solicita\u00e7\u00e3o de apoio por parte de uma religiosa da Ordem Cisterciense, que \u00e9 postuladora dessa causa. Acolhendo o pedido, enviei uma carta ao Papa Francisco, no ano passado, manifestando meu apoio formal \u00e0 proposta. <br \/>Reconhe\u00e7o que uma decis\u00e3o favor\u00e1vel a respeito proporcionaria um caminho para mais um doutorado feminino, e desta vez entre os santos mon\u00e1sticos, o que caracterizaria mais uma gl\u00f3ria para as nossas Ordens, beneditina e cisterciense. Entretanto, o que me moveu a uma decis\u00e3o favor\u00e1vel foi verdadeiramente o reconhecimento das virtudes da monja Gertrudes, tanto no que se refere \u00e0 sua santidade de vida como \u00e0 doutrina eminente que legou \u00e0 Igreja.<br \/>Acredito que os conferencistas convidados sejam seguramente capazes de discorrer com sabedoria sobre Santa Gertrudes, segundo os enfoques propostos pelo Simp\u00f3sio. No entanto, pe\u00e7o que me permitam citar aqui os aspectos relativos \u00e0 Santa que embasaram minha decis\u00e3o.<br \/>O debate, com o seu fundo hist\u00f3rico-teol\u00f3gico, se faz muito oportuno neste tempo em que tr\u00eas grandes Ordens \u2013 Beneditina, Cisterciense e Trapista (Cistercienses da Estrita Observ\u00e2ncia) \u2013 postulam, na Santa S\u00e9, junto \u00e0 Congrega\u00e7\u00e3o para as Causas dos Santos, a eleva\u00e7\u00e3o de Santa Gertrudes a Doutora da Igreja.<br \/>N\u00e3o \u00e9 minha inten\u00e7\u00e3o entrar no tema espec\u00edfico do col\u00f3quio de nenhum dos que ir\u00e3o aqui contribuir para que mais e melhor conhe\u00e7amos esta mulher-monja do s\u00e9culo XIII. Afinal, cada estudioso dar\u00e1, certamente, a sua imprescind\u00edvel contribui\u00e7\u00e3o dentro deste evento, cujos textos das falas poder\u00e3o ser, depois, reunidos a fim de repercutirem para muitas e muitas pessoas, talvez desejosas de estarem aqui, mas que por v\u00e1rias raz\u00f5es n\u00e3o puderam estar. <br \/>Neste sentido, chegar at\u00e9 elas com estudos a respeito da chamada \u201cSanta de Helfta\u201d ser\u00e1 de grande import\u00e2ncia. \u00c9 preciso, sem d\u00favida, fazer com que a figura de nossa monja, t\u00e3o familiar \u00e0s tr\u00eas Ordens que bebem na Regra de S\u00e3o Bento, seja tamb\u00e9m divulgada novamente no meio de nosso povo, como j\u00e1 foi no s\u00e9culo XVI nas Am\u00e9ricas Central e do Sul, especialmente pelos monges beneditinos, inclusive no Brasil h\u00e1 algumas igrejas (capelas, orat\u00f3rios, par\u00f3quias) a ela dedicadas. Depois, ficou, infelizmente, um tanto esquecida, por\u00e9m agora volta a ressurgir. Deus tem suas vias!<br \/>Quero aqui, a t\u00edtulo de motiva\u00e7\u00e3o para este grande e oportuno evento, falar um pouco, em linhas bem gerais, sobre alguns tra\u00e7os marcantes do tempo de Santa Gertrudes, j\u00e1 que temos interesses teol\u00f3gicos e hist\u00f3ricos a aprender aqui.<br \/>\u00c9 preciso dizer, ao falar de Santa Gertrudes, que estamos no auge da Idade M\u00e9dia. Ela, afinal, chega ao seu ponto alto no s\u00e9culo XIII, com a figura do Papa Inoc\u00eancio III (1198-1216), \u201co Embaixador do Rei dos reis\u201d. Foi ele, Pont\u00edfice que, com certo sucesso, a seu modo, conseguiu orientar, segundo a f\u00e9 crist\u00e3, os acontecimentos do seu tempo. <br \/>Estamos falando de um per\u00edodo no qual a Igreja gozou de muito prest\u00edgio, que muitos fi\u00e9is at\u00e9 se preocuparam com essa impon\u00eancia; foi o que suscitou as Ordens Mendicantes de S\u00e3o Francisco de Assis e S\u00e3o Domingos de Gusm\u00e3o; queriam lembrar ao mundo a pobreza de Cristo continuada na Sua Igreja. Algo que, dois s\u00e9culos antes, no XI, os tr\u00eas fundadores de Cister \u2013 S\u00e3o Roberto, Santo Alberico e Santo Est\u00eav\u00e3o \u2013 j\u00e1 tinham, \u00e0 sua maneira, feito ver a Igreja: \u00e9 preciso \u201cser pobre com o Cristo pobre\u201d. Da\u00ed a sobriedade no modo de ser cisterciense e trapista.<br \/>Gostaria, ainda, de destacar dois t\u00f3picos importantes: as Universidades e a Mulher, pois n\u00e3o \u00e9 sem raz\u00e3o que estamos falando muito bem de uma dentre as tantas mulheres que se real\u00e7aram naquele per\u00edodo, aqui dentro de uma Faculdade.<br \/>O s\u00e9culo XIII foi o per\u00edodo das grandes Universidades: Bolonha, Paris, Oxford\u2026 e isso \u00e9 importante a fim de projetar luz sobre a Idade M\u00e9dia, tempo em que viveu Santa Gertrudes, n\u00e3o nas \u201ctrevas\u201d, como se passou a dizer a partir da Idade Moderna, mas na \u201cluz\u201d dada pelos ensinamentos de ent\u00e3o. Vejamos:<br \/>\u201cAs Universidades, que eram obras da Igreja, dependiam diretamente do Papa e n\u00e3o do Bispo do lugar. Cada Universidade formava um corpo livre \u2013 o que quer dizer que estava isenta da jurisdi\u00e7\u00e3o civil ou dos tribunais do rei. Professores, alunos e at\u00e9 os servidores destes estabelecimentos dependiam apenas dos tribunais eclesi\u00e1sticos \u2013 o que era considerado um privil\u00e9gio; professores e alunos administravam a sua tesouraria sem inger\u00eancia do Estado. \u00c9 esta a caracter\u00edstica essencial da Universidade medieval e aquela que mais a distingue da de hoje.\u201d<br \/>\u00c9 certo, contudo, que o n\u00famero de analfabetos tamb\u00e9m era grande, por\u00e9m a leitura convencional \u2013 e isso talvez poucos saibam \u2013 n\u00e3o era t\u00e3o primordial como \u00e9 hoje. Isso explica a raz\u00e3o de \u201cnos Estatutos municipais da cidade de Marselha, datados do s\u00e9culo XIII, sejam enumeradas as qualidades exigidas de um bom advogado \u2013 ao que se acrescenta litteratus vel non litteratus (quer seja letrado, quer n\u00e3o); isto significa que algu\u00e9m podia ser um bom advogado e n\u00e3o saber ler nem escrever; podia conhecer o Direito Romano, a jurisprud\u00eancia e o uso da linguagem e, apesar de tudo, ignorar o alfabeto. Tal no\u00e7\u00e3o \u00e9 de dif\u00edcil compreens\u00e3o para um cidad\u00e3o do s\u00e9culo XX, mas torna-se de import\u00e2ncia capital para se entender a Idade M\u00e9dia\u201d.<br \/>Dito isto, vem a figura da mulher, que \u201ctem sido mal entendida ou cercada de preconceitos, como se tivesse sido relegada para uma posi\u00e7\u00e3o de desprezo. Eis alguns dados que desmentem tal concep\u00e7\u00e3o\u201d:<br \/>\u201cNos tempos feudais, a rainha era coroada como o rei, geralmente em Rheims ou, por vezes, em outras catedrais. A coroa\u00e7\u00e3o da rainha era t\u00e3o prestigiada quanto \u00e0 do Rei. A \u00faltima rainha a ser coroada foi Maria de Medicis em 1610, na cidade de Paris. Algumas rainhas medievais desempenharam amplas fun\u00e7\u00f5es, dominando a sua \u00e9poca; tais foram Leonor de Aquit\u00e2nia (\u2020 1204) e Branca de Castela (\u2020 1252); no caso de aus\u00eancia, da doen\u00e7a ou da morte do rei, exerciam poder incontestado, tendo a sua chancelaria, as suas armas e o seu campo de atividade pessoal\u201d.<br \/>\u201cVerdade \u00e9 que a jovem era dada em casamento pelos pais, sem que tivesse livre escolha do seu futuro consorte. Todavia, observe-se que tamb\u00e9m o rapaz era assim tratado; por conseguinte, homens e mulheres eram sujeitos ao mesmo regime\u201d.<br \/>\u201cA Igreja lutou contra essa imposi\u00e7\u00e3o de casamentos; exigiu e exige que os nubentes deem livre consentimento \u00e0 sua uni\u00e3o matrimonial, e formulou impedimentos diversos que, opondo-se \u00e0 grandeza e \u00e0 santidade do casamento, o tornam nulo\u201d.<br \/>\u201cPrecisamente por causa da valoriza\u00e7\u00e3o prestada pela Igreja \u00e0 mulher, v\u00e1rias figuras femininas desempenharam not\u00e1vel papel na Igreja medieval. Certas abadessas, por exemplo, eram aut\u00eanticos senhores feudais, cujas fun\u00e7\u00f5es eram respeitadas como as dos outros senhores; administravam vastos territ\u00f3rios como aldeias, par\u00f3quias; algumas usavam b\u00e1culo, como o bispo\u2026 Seja mencionada, entre outras, a abadessa Heloisa, do mosteiro do Par\u00e1clito, em meados do s\u00e9culo XII: recebia o d\u00edzimo de uma vinha, tinha direito a foros sobre feno ou trigo, explorava uma granja\u2026\u201d.<br \/>\u201c\u00c9 surpreendente ainda notar que a enciclop\u00e9dia mais conhecida no s\u00e9culo XII se deve a uma mulher, ou seja, \u00e0 abadessa Herrade de Landsberg. Tem o t\u00edtulo \u201cHortus Deliciarum\u201d (Jardim das Del\u00edcias) e fornece as informa\u00e7\u00f5es mais seguras sobre as t\u00e9cnicas do seu tempo. Algo semelhante se encontra nas obras de S. Hildegardis de Bingen\u201d.<br \/>\u201cNotemos ainda a figura de Joana d\u2019Arc (1412-1431): a audi\u00eancia que conseguiu da parte do rei de Fran\u00e7a e dos seus cortes\u00e3os para desempenhar as suas fa\u00e7anhas her\u00f3icas \u00e9 realmente algo de extraordin\u00e1rio\u201d.<br \/>Neste contexto \u00e9 que Gertrudes entrou para o Mosteiro de Helfta, que tem uma hist\u00f3ria interessante e at\u00e9 hoje muito debatida, embora todo debate se resuma na seguinte constata\u00e7\u00e3o: era uma comunidade aut\u00f4noma, sob a jurisdi\u00e7\u00e3o do Bispo de Halberstadt e as religiosas se consideravam, ao mesmo tempo, incrivelmente beneditinas e cistercienses, ou, ainda, de direito, beneditinas por suas origens sob a Regra de S\u00e3o Bento apenas, mas, de fato, cistercienses, por sua vida cotidiana \u00e0 luz da espiritualidade de Cister. (Vida e exerc\u00edcios espirituais, p. 13).<br \/>Essa quest\u00e3o can\u00f4nica n\u00e3o foi empecilho para que Gertrudes crescesse em sabedoria e gra\u00e7a diante de Deus e dos homens (estes \u201cfarejam\u201d os santos e santas, mesmo sem propaganda), de modo a ser considerada \u201cGertrudes, a Grande\u201d, em seu tempo, na Alemanha, como bem disse o Papa Bento XVI, na Audi\u00eancia Geral de 6 de outubro de 2010, ao se referir \u00e0 nossa monja m\u00edstica.<br \/>A atmosfera de espiritualidade do Mosteiro de Helfta, na segunda metade do s\u00e9culo XIII, proporcionou o surgimento de monjas virtuosas e cultas, que, al\u00e9m da busca de santidade pela ora\u00e7\u00e3o e o compromisso de vida, tamb\u00e9m se notabilizaram como escritoras, como \u00e9 o caso de Santa Gertrudes, considerada inclusive te\u00f3loga. <br \/>Levando em considera\u00e7\u00e3o todos os empecilhos para a educa\u00e7\u00e3o feminina na \u00e9poca, e o fato de que Gertrudes foi admitida em Helfta ainda crian\u00e7a, e ali passou toda a sua vida sem jamais ter frequentado uma universidade, \u00e9 de se destacar o conhecimento das Sagradas Escrituras e da Teologia que adquiriu, fruto dos dotes intelectuais com os quais Deus a agraciou, de seu empenho pessoal em fazer multiplicar os talentos, mas, sobretudo, da a\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo. N\u00e3o fosse assim, suas reflex\u00f5es n\u00e3o teriam dado origem a uma escola de espiritualidade, que agregou um verdadeiro discipulado em torno de seus livros, v\u00e1rias vezes reeditados. <\/p>\n<p>Para concluir, quero voltar ao tema da postula\u00e7\u00e3o do Doutorado de Santa Gertrudes. S\u00e3o Doutores da Igreja aqueles homens e aquelas mulheres que se destacam ou se tornam ilustres pela santidade, pela ortodoxia (f\u00e9 reta) e, sobretudo, pelo grande saber teol\u00f3gico, devidamente comprovado na an\u00e1lise dos seus escritos por quem de direito na Igreja, ou seja, pela Congrega\u00e7\u00e3o para as Causas dos Santos.<br \/>At\u00e9 o s\u00e9culo XVI, a Igreja s\u00f3 atribu\u00eda o t\u00edtulo de Doutor a um santo antigo, via de regra, um Padre da Igreja, mas o Papa S\u00e3o Pio V, dominicano, mudou isso e elevou, em 11 de mar\u00e7o de 1567, S\u00e3o Tom\u00e1s de Aquino, tamb\u00e9m dominicano, portanto muito conhecido e estudado pelo Papa, a Doutor da Igreja, abrindo as portas para que outros santos mais recentes, ou seja, n\u00e3o s\u00f3 de grande antiguidade, se tornassem Doutores. E mais recentemente, ainda, a partir de 1970, vieram as doutoras da Igreja por meio de Santa Catarina de Siena e Santa Teresa de Jesus, a primeira terci\u00e1ria dominicana e a segunda monja carmelita.<br \/>Ora, Santa Gertrudes, como se poder\u00e1 ver ao longo deste rico e oportuno col\u00f3quio, \u00e9 autora de obras de imensa riqueza teol\u00f3gico-espiritual: \u00e9 uma pena que seus coment\u00e1rios aos textos b\u00edblicos tenham se perdido e, talvez, nunca mais sejam encontrados. Est\u00e3o publicados, por\u00e9m, inclusive em portugu\u00eas, por duas boas Editoras (Subiaco, de Juiz de Fora &#8211; MG, e Artpress, de S\u00e3o Paulo &#8211; SP) grande parte do que temos da Santa. S\u00e3o \u201cO Arauto do Divino Amor\u201d ou as \u201cRevela\u00e7\u00f5es de Santa Gertrudes\u201d, em cinco livros, sendo o volume II de sua pr\u00f3pria pena, ao passo que os outros foram redigidos por pessoas pr\u00f3ximas a partir de suas falas ou rascunhos, bem como seus \u201cExerc\u00edcios Espirituais\u201d, que v\u00e3o desde a gra\u00e7a do Batismo at\u00e9 a reflex\u00e3o sobre a morte. Constituem, como dito, rico manancial de pesquisas e reflex\u00f5es para o dia a dia.<br \/>O ensinamento de Gertrudes no campo da m\u00edstica foi marcante (contempor\u00e2nea de outras duas grandes m\u00edsticas que viveram no mesmo mosteiro, Gertrudes de Hackeborn, Abadessa na comunidade, e Mectildes, sua mestra no noviciado), como precursora da devo\u00e7\u00e3o ao Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Jesus, experi\u00eancia unitiva com o Senhor, que ela viveu de forma toda pr\u00f3pria, bebendo desta fonte de gra\u00e7as, sobretudo na viv\u00eancia de uma espiritualidade alimentada pela liturgia.<br \/>Considero Santa Gertrudes um luminoso exemplo para o nosso tempo. Aqui mesmo na Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro temos uma nova comunidade (\u201cComunidade Cora\u00e7\u00e3o Novo\u201d) que se inspira na sua espiritualidade. Apresentada nos idos de 2002 ao fundador da comunidade, o Sr. Isaias, animador desse Simp\u00f3sio. Outras novas comunidades tamb\u00e9m bebem dessa espiritualidade, como a Alian\u00e7a de Miseric\u00f3rdia. Uma Santa que parece de t\u00e3o longe no espa\u00e7o e no tempo, no entanto, \u00e9 atual\u00edssima e inspira as novas formas de vida de consagra\u00e7\u00e3o.<br \/>Para as mulheres, ela testemunha que, embora vivendo em um mosteiro segundo a situa\u00e7\u00e3o de sua \u00e9poca, seu g\u00eanio se expandiu em diversas formas de conhecimento, inclusive profano, como latim, filosofia e cultura cl\u00e1ssica, conservando a marca pr\u00f3pria de sua feminilidade. <br \/>Ela nos ensina um princ\u00edpio que a Igreja sempre defendeu e que nos dias de hoje precisa ser cada vez mais anunciado, isto \u00e9, que \u201ca f\u00e9 e a raz\u00e3o constituem como que as duas asas pelas quais o esp\u00edrito humano se eleva para a contempla\u00e7\u00e3o da verdade\u201d, conforme definiu S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II. <br \/>Desejo que estes dias de estudo e conviv\u00eancia fraterna permitam n\u00e3o apenas um melhor conhecimento sobre Santa Gertrudes, mas que o exemplo de sua vida promova tamb\u00e9m a semeadura de novas e mais profundas atitudes de convers\u00e3o, das quais todos n\u00f3s necessitamos a cada passo do caminho.<br \/>Portanto, s\u00f3 tenho a louvar este Col\u00f3quio e desejar todo sucesso e b\u00ean\u00e7\u00e3os de Deus a cada participante nesta Casa de S\u00e3o Bento, aos p\u00e9s do Cristo Redentor, com a intercess\u00e3o da Virgem Maria, invocada entre n\u00f3s sob o t\u00edtulo de Nossa Senhora Aparecida, a Rainha e Padroeira do Brasil. Obrigado!<\/p>\n<p>Refer\u00eancias<\/p>\n<p>BENTO XVI. Santa Gertrudes de Helfta.<br \/>https:\/\/w2.vatican.va\/content\/benedict-xvi\/pt\/audiences\/2010\/documents\/hf_ben-xvi_aud_20101006.html, acessado em 02\/10\/16.<\/p>\n<p>BETTENCOURT, Dom Est\u00eav\u00e3o, OSB. Idade M\u00e9dia: sim ou n\u00e3o? Pergunte e Responderemos n. 454, mar\u00e7o de 2000, p. 109-124.<\/p>\n<p>BETTENCOURT, Dom Est\u00eav\u00e3o, OSB. Os doutores da Igreja. Pergunte e responderemos n. 429, fevereiro de 2008, p. 87-91.<\/p>\n<p>GERTRUDES DE HELFTA. Vida e exerc\u00edcios espirituais. 2\u00aa ed. Juiz de Fora: Subiaco, 2013.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mosteiro S\u00e3o Bento, Rio de Janeiro, RJ, 4 a 7 de outubro de 2016 \u201cA M\u00cdSTICA DO AMOR EM SANTA GERTRUDES\u201d ABERTURA4 de outubro de 2106, ter\u00e7a-feira Cardeal Orani Jo\u00e3o Tempesta, O. Cist.Arcebispo Metropolitano de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro Prezados(as) irm\u00e3os(\u00e3s) presentes neste evento sobre Santa Gertrudes de Helfta, na Faculdade S\u00e3o Bento, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":5,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-18572","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18572","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/5"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18572"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18572\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21263,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18572\/revisions\/21263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18572"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18572"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18572"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}