{"id":18537,"date":"2016-10-06T11:04:11","date_gmt":"2016-10-06T14:04:11","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/10\/06\/papa-francisco-e-justin-welby-declaracao-comum-anglicano-catolica\/"},"modified":"2017-06-02T11:50:34","modified_gmt":"2017-06-02T14:50:34","slug":"papa-francisco-e-justin-welby-declaracao-comum-anglicano-catolica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/papa-francisco-e-justin-welby-declaracao-comum-anglicano-catolica\/","title":{"rendered":"Papa Francisco e Justin Welby: Declara\u00e7\u00e3o Comum anglicano-cat\u00f3lica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/reuters1750584_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Roma (RV) \u2013 Ao final da celebra\u00e7\u00e3o das V\u00e9speras na Igreja S\u00e3o Greg\u00f3rio al Celio, o Papa Francisco e o Primaz da Igreja da Inglaterra, o Arcebispo de Cantu\u00e1ria Justin Welby, foi divulgada uma Declara\u00e7\u00e3o Comum.<\/p>\n<p>Eis a \u00edntegra do texto:<\/p>\n<p>\u201cH\u00e1 cinquenta anos os nossos predecessores, Papa Paulo VI e o Arcebispo Michael Ramsey, encontraram-se nesta cidade, tornada sagrada pelo minist\u00e9rio e pelo sangue dos Ap\u00f3stolos Pedro e Paulo. Mais tarde, Jo\u00e3o Paulo II e os Arcebispos Robert Runcie e George Carey, o Papa Bento XVI e o Arcebispo Rowan Williams, rezaram juntos nesta Igreja de S\u00e3o Greg\u00f3rio al Celio, de onde o Papa Greg\u00f3rio enviou Agostinho para evangelizar os povos anglo-sax\u00f5es. Em peregrina\u00e7\u00e3o ao t\u00famulo destes Ap\u00f3stolos e Santos Padres, Cat\u00f3licos e Anglicanos se reconhecem herdeiros do tesouro do Evangelho de Jesus Cristo e do chamado para compartilh\u00e1-lo com todo o mundo.<\/p>\n<p>Recebemos a Boa Nova de Jesus Cristo por meio das vidas santas de homens e mulheres, que pregaram o Evangelho em palavras e obras, e fomos encarregados, e animados pelo Esp\u00edrito Santo, para sermos testemunhas de Cristo \u201cat\u00e9 os confins do mundo\u201d (At 1,8). Estamos unidos na convic\u00e7\u00e3o de que \u201cos confins da terra\u201d hoje n\u00e3o representam somente uma express\u00e3o geogr\u00e1fica, mas um chamado a levar a mensagem salv\u00edfica do Evangelho, em modo particular \u00e0queles que est\u00e3o \u00e0 margem e na periferia das nossas sociedades.<\/p>\n<p>Em seu hist\u00f3rico encontro de 1996, o Papa Paulo VI e o Arcebispo Ramsey, institu\u00edram a Comiss\u00e3o Internacional anglicano-cat\u00f3lica com o objetivo de perseguir um s\u00e9rio di\u00e1logo teol\u00f3gico que, \u201calicer\u00e7ado nos Evangelhos e nas antigas tradi\u00e7\u00f5es comuns, conduza \u00e0 unidade na Verdade pela qual Cristo rezou\u201d.<\/p>\n<p>Cinquenta anos mais tarde, damos gra\u00e7as pelos resultados da Comiss\u00e3o Internacional anglicano-cat\u00f3lica, que examinou doutrinas que criaram divis\u00f5es ao longo da hist\u00f3ria, a partir de uma nova perspectiva de m\u00fatuo respeito e caridade. Hoje somos agradecidos em particular pelos documentos do ARCIC II, que examinaremos, e aguardamos as conclus\u00f5es do ARCIC III, que est\u00e1 procurando avan\u00e7ar nas novas situa\u00e7\u00f5es e nos novos desafios para a nossa unidade.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinquenta anos os nossos predecessores reconheceram os \u201cs\u00e9rios obst\u00e1culos\u201d que impediam o caminho do restabelecimento de uma partilha completa da f\u00e9 e da vida sacramental entre n\u00f3s. N\u00e3o obstante isto, na fidelidade \u00e0 ora\u00e7\u00e3o do Senhor para que os seus disc\u00edpulos sejam um s\u00f3, n\u00e3o se desencorajaram em iniciar o caminho, mesmo sem saber quais passos poderiam ser dados ao longo da estrada. Grande progresso foi realizado em muitos \u00e2mbitos que nos mantiveram distantes. Todavia, novas circunst\u00e2ncia trouxeram novos desacordos entre n\u00f3s, particularmente em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ordena\u00e7\u00e3o de mulheres e das recentes quest\u00f5es relativas \u00e0 sexualidade humana. Por detr\u00e1s destas diverg\u00eancias, permanece uma perene quest\u00e3o sobre o modo de exerc\u00edcio da autoridade na comunidade crist\u00e3 . Estes s\u00e3o alguns aspectos que constituem s\u00e9rios obst\u00e1culos \u00e0 nossa plena unidade. Assim como com os nossos predecessores, tamb\u00e9m n\u00f3s n\u00e3o vemos ainda solu\u00e7\u00f5es para os obst\u00e1culos diante de n\u00f3s, mas n\u00e3o estamos desencorajados. Com confian\u00e7a e alegria no Esp\u00edrito Santo confiamos que o di\u00e1logo e o m\u00fatuo empenho tornar\u00e3o mais profunda a nossa compreens\u00e3o e nos ajudar\u00e3o a discernir a vontade de Cristo para a sua Igreja. Estamos confiantes na gra\u00e7a de Deus e na Provid\u00eancia, sabendo que o Esp\u00edrito Santo abrir\u00e1 novas portas e nos encaminhar\u00e1 para toda a verdade (cfr Jo\u00e3o 16,13).<\/p>\n<p>As diverg\u00eancias mencionadas n\u00e3o podem nos impedir de nos reconhecermos reciprocamente irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo em raz\u00e3o do nosso comum Batismo. Tamb\u00e9m nunca dever\u00edamos abster-nos de descobrir e de alegrarmo-nos na profunda f\u00e9 crist\u00e3 e na santidade que encontramos nas tradi\u00e7\u00f5es dos outros. Estas diverg\u00eancias n\u00e3o devem levar-nos a diminuir os nossos esfor\u00e7os ecum\u00eanicos. A ora\u00e7\u00e3o de Cristo durante a \u00daltima Ceia para que todos sejam um (Jo\u00e3o 17, 20-23) \u00e9 um imperativo para os seus disc\u00edpulos hoje, como o foi ent\u00e3o, no momento iminente da sua paix\u00e3o, morte e ressurrei\u00e7\u00e3o e o consequente nascimento da sua Igreja. Nem sequer as nossas diverg\u00eancias deveriam impedir a nossa ora\u00e7\u00e3o comum: n\u00e3o somente podemos rezar juntos, mas devemos rezar juntos, dando voz \u00e0 f\u00e9 e \u00e0 alegria que compartilhamos no Evangelho de Cristo, nas antigas Profiss\u00f5es de F\u00e9 e no poder do amor de Deus, feito presente pelo Esp\u00edrito Santo, para superar todo pecado e divis\u00e3o. Assim, com os nossos predecessores, exortamos o nosso clero e os fieis a n\u00e3o negligenciar ou subestimar esta comunh\u00e3o, que mesmo sendo imperfeita, j\u00e1 compartilhamos.<\/p>\n<p>Mais amplas e profundas do que as nossas diverg\u00eancias s\u00e3o a f\u00e9 que compartilhamos e a nossa alegria comum no Evangelho. Cristo rezou para que os seus disc\u00edpulos possam ser todos um, \u201cpara que o mundo creia\u201d (Jo\u00e3o 17,21). O vivo desejo de unidade que n\u00f3s experimentamos nesta Declara\u00e7\u00e3o Comum est\u00e1 intimamente ligado ao desejo compartilhado de que homens e mulheres cheguem a acreditar que Deus enviou o seu Filho, Jesus, ao mundo, para salv\u00e1-lo do mal que oprime e enfraquece toda a cria\u00e7\u00e3o. Jesus deu a sua vida por amor e ressuscitando dos mortos venceu at\u00e9 mesmo a morte. Os crist\u00e3os, que abra\u00e7aram esta f\u00e9, encontraram Jesus e a vit\u00f3ria de seu amor em suas pr\u00f3prias vidas, e s\u00e3o levados a compartilhar com os outros a alegria desta Boa Nova. A nossa capacidade de nos reunir no louvor e na ora\u00e7\u00e3o a Deus e de testemunhar ao mundo, se apoia na confian\u00e7a de que compartilhamos uma f\u00e9 comum e em medida substancial um acordo na f\u00e9.<\/p>\n<p>O mundo deve nos ver testemunhar, no nosso trabalhar juntos, esta f\u00e9 comum em Jesus. Podemos e devemos trabalhar juntos para proteger e preservar a nossa casa comum: vivendo, instruindo e agindo de forma a favorecer um r\u00e1pido fim da destrui\u00e7\u00e3o ambiental, que ofende o Criador e degrada as suas criaturas, e gerando modelos de comportamento individuais e sociais que promovam um desenvolvimento sustent\u00e1vel e integral para o bem de todos. Podemos, e devemos, estar unidos na causa comum de apoiar e defender a dignidade de todos os homens. A pessoa humana \u00e9 rebaixada pelo pecado pessoal e social. Em uma cultura da indiferen\u00e7a, muros de afastamento nos isolam dos outros, das suas lutas e dos seus sofrimentos, que tamb\u00e9m muitos nossos irm\u00e3os e irm\u00e3s em Cristo sofrem atualmente. Em uma cultura do descarte, as vidas mais vulner\u00e1veis na sociedade s\u00e3o frequentemente marginalizadas e descartadas. Em uma cultura do \u00f3dio, assistimos a indiz\u00edveis atos de viol\u00eancia, seguidamente justificados por uma compreens\u00e3o distorcida do credo religioso. A nossa f\u00e9 crist\u00e3 nos leva a reconhecer o inestim\u00e1vel valor de toda vida humana e a honr\u00e1-la por meio de obras de miseric\u00f3rdia, oferecendo educa\u00e7\u00e3o, cuidado \u00e0 sa\u00fade, alimento, \u00e1gua limpa e abrigo, sempre buscando resolver os conflitos e construir a paz. Enquanto disc\u00edpulos de Cristo, consideramos a pessoa humana sagrada e enquanto ap\u00f3stolos de Cristo devemos ser os seus advogados.<\/p>\n<p>H\u00e1 cinquenta anos o Papa Paulo VI e o Arcebispo Ramsey inspiraram-se nas palavras do Ap\u00f3stolo: \u201cesquecendo-me das coisas que atr\u00e1s ficam, e avan\u00e7ando para as que est\u00e3o diante de mim, prossigo para o alvo, pelo pr\u00eamio da soberana voca\u00e7\u00e3o de Deus em Cristo Jesus\u201d (Filipenses 3,13-14). Hoje, \u201caquilo que est\u00e1 para tr\u00e1s\u201d \u2013 dolorosos s\u00e9culos de separa\u00e7\u00e3o \u2013 foi parcialmente curado por cinquenta anos de amizade. Damos gra\u00e7as pelos cinquenta anos do Centro Anglicano em Roma, destinado a ser um local de encontro e de amizade. Nos tornamos amigos e companheiros de viagem no peregrinar, enfrentando as mesmas dificuldades e fortalecendo-nos reciprocamente, aprendendo a apreciar os dons que Deus deu ao outro e a receb\u00ea-los como pr\u00f3prios, com humildade e gratid\u00e3o.<\/p>\n<p>Estamos impacientes em progredir para poder estar plenamente unidos em proclamar a todos, nas palavras e nos fatos, o Evangelho salv\u00edfico e curador de Cristo. Por isto recebemos grande encorajamento do encontro deste dias entre tantos Pastores cat\u00f3licos e anglicanos da Comiss\u00e3o internacional Anglicano-cat\u00f3lica para a Unidade e a Miss\u00e3o (IARCCUM), os quais, com base naquilo que lhes \u00e9 comum e que gera\u00e7\u00f5es de estudiosos do ARCIC cuidadosamente trouxeram \u00e0 luz, est\u00e3o vivamente desejosos em prosseguir na miss\u00e3o de colaborar e no testemunho at\u00e9 \u201cos confins da terra\u201d. Hoje nos alegramos em encarreg\u00e1-los e em envi\u00e1-los em frente, dois em dois, como o Senhor enviou os setenta e dois disc\u00edpulos. Que a sua miss\u00e3o ecum\u00eanica em dire\u00e7\u00e3o \u00e0queles que se encontram \u00e0 margem da sociedade, seja um testemunho para todos n\u00f3s, e deste lugar sagrado, como a Boa Nova h\u00e1 tantos s\u00e9culos, saia a mensagem de que cat\u00f3licos e anglicanos trabalham juntos para dar voz \u00e0 f\u00e9 comum no Senhor Jesus Cristo, para levar al\u00edvio no sofrimento, paz onde existe conflito, dignidade onde negada e pisada.<\/p>\n<p>Nesta Igreja de S\u00e3o Greg\u00f3rio Magno, invocamos ardentemente a b\u00ean\u00e7\u00e3o da Sant\u00edssima Trindade sobre o prosseguimento da obra da ARCIC e do IARCCUM, e sobre todos aqueles que rezam e contribuem para o restabelecimento da unidade entre n\u00f3s.<\/p>\n<p>Roma, 5 outubro de 2016<\/p>\n<p>SUA GRA\u00c7A JUSTIN WELBY\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 SUA SANTIDADE FRANCISCO<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Roma (RV) \u2013 Ao final da celebra\u00e7\u00e3o das V\u00e9speras na Igreja S\u00e3o Greg\u00f3rio al Celio, o Papa Francisco e o Primaz da Igreja da Inglaterra, o Arcebispo de Cantu\u00e1ria Justin Welby, foi divulgada uma Declara\u00e7\u00e3o Comum. 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