{"id":18356,"date":"2016-09-29T14:46:30","date_gmt":"2016-09-29T17:46:30","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/09\/29\/qninguem-se-importa-em-nos-visitarq\/"},"modified":"2017-05-30T16:37:54","modified_gmt":"2017-05-30T19:37:54","slug":"qninguem-se-importa-em-nos-visitarq","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/qninguem-se-importa-em-nos-visitarq\/","title":{"rendered":"&#8220;Ningu\u00e9m se importa em nos visitar&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/2cf1f8d39e0698fbf0c2be15e9fa8cfb_xl.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Ningu\u00e9m se importa em nos visitar<\/p>\n<p>Christine du Coudray, chefe do departamento de projetos da ACN (Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre) para a \u00c1frica, acaba de chegar de sua visita \u00e0 Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. As consequ\u00eancias da guerra ainda s\u00e3o vistas por toda a parte. Pobreza, inseguran\u00e7a e isolamento s\u00e3o as palavras que acompanham o cotidiano das pessoas que visitou, especialmente na diocese de Manono, uma das mais afastadas do pa\u00eds. &#8220;Em 24 anos trabalhando na ACN eu nunca vi nada como o que vi aqui, com exce\u00e7\u00e3o do Sud\u00e3o.&#8221; \u2013 diz Christine sobre as terr\u00edveis condi\u00e7\u00f5es de vida dos padres.<\/p>\n<p>&#8220;Ao sobrevoar Manono voc\u00ea v\u00ea uma bonita cidade, com ruas estreitas cobertas por copas de mangueiras&#8221; \u2013 conta Christine. A cidade foi constru\u00edda por belgas. Nos anos 50, eles descobriram a riqueza mineral da regi\u00e3o e fundaram ali uma mineradora de estanho. Para as necessidades da empresa criaram uma cidade incr\u00edvel, que ficou muito conhecida em todo o pa\u00eds. As pessoas tinham \u00e1gua corrente e eletricidade 24h por dia. Por conta da empresa, eles desenvolveram toda a infraestrutura em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, etc. &#8220;Assim, vista de cima, a cidade parece absolutamente maravilhosa. E ent\u00e3o voc\u00ea chega mais perto e descobre uma cidade fantasma. Toda a cidade foi destru\u00edda pela guerra, em 1999. A popula\u00e7\u00e3o foi embora. S\u00f3 sobraram ru\u00ednas, completamente abandonadas&#8221; \u2013 explica Christine.<\/p>\n<p>Antes um lugar animado e cheio de vida, hoje isolado e extremamente pobre, esta \u00e9 a realidade da Igreja em Manono. &#8220;Bem-vinda. Ningu\u00e9m se importa em nos visitar&#8221;, estas foram as palavras do bispo Vicente de Paulo para Christine du Coudray na sua chegada em Manono. Uma sauda\u00e7\u00e3o estranha vinda de uma regi\u00e3o t\u00e3o rica em recursos naturais. As terras ali guardam numerosos minerais: coltan, cassiterita, ferro, cobalto, ouro, ametista, diamantes &#8230; para mencionar apenas alguns. Ao longo de sua visita, Christine tamb\u00e9m foi recebida por um outro padre com as palavras &#8220;Bem-vinda ao tri\u00e2ngulo da morte&#8221;. De fato, os recursos minerais podem trazer vida e riqueza para toda a comunidade, mas eles tamb\u00e9m podem provocar a cobi\u00e7a e levar a brigas e mortes, como aconteceu em Manono.<\/p>\n<p>&#8220;A estrutura de toda a diocese \u00e9 estritamente ligada \u00e0 empresa de estanho. Durante anos, os belgas escavaram nas pedreiras em busca de cassiterita. Isso mudou a paisagem &#8211; as pedreiras criaram colinas artificiais, e nos vales entre elas formaram-se lagos. De repente, no ano 2000, as autoridades locais perceberam que a cassiterita foi completamente explorada, foi a\u00ed que passou-se a procura de coltan. &#8220;As pedreiras permaneceram e compravam o coltam das pessoas, que n\u00e3o era t\u00e3o bem conhecido na \u00e9poca como \u00e9 agora&#8221; &#8211; explica Christine sobre a situa\u00e7\u00e3o atual. &#8220;Eu conheci algumas crian\u00e7as que estavam preparando a sua entrada da escola, trabalhando nestas pedreiras, a fim de ganhar alguns d\u00f3lares para pagar suas mensalidades escolares&#8221; &#8211; ela completa o quadro.<\/p>\n<p>Quando Dom Vicente chegou, a diocese estava sem um bispo havia 5 anos. &#8220;Por essa raz\u00e3o, quando ele chegou, decidiu organizar toda a diocese.&#8221; \u2013 continua Christine. &#8220;N\u00e3o tem sido f\u00e1cil, mas agora a situa\u00e7\u00e3o est\u00e1 bem melhor. Eu falei com alguns dos padres e vi que eles sofrem muito com o isolamento&#8221; diz o bispo. O problema na regi\u00e3o n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a respeito da restaura\u00e7\u00e3o estrutural da Igreja ou da reconstru\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es, inclui algo muito mais complicado: regenerar a f\u00e9 e os sentimentos da voca\u00e7\u00e3o sacerdotal nos padres.<\/p>\n<p>Todavia, pequenos milagres aconteceram gra\u00e7as ao Esp\u00edrito Santo. &#8220;O Senhor n\u00e3o quer que voc\u00eas sejam empregados do estado, mas reveladores da face de Cristo&#8221;, disse Dom Vicente durante a missa de domingo, na qual dois di\u00e1conos e dois padres foram ordenados. H\u00e1 sinais de esperan\u00e7a, mas de grande preocupa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m. Christine falou da import\u00e2ncia de visitar os padres da diocese e demonstrar apoio. &#8220;Claro que no final das contas \u00e9 preciso ajudar concretamente.&#8221; \u2013 ela adiciona. &#8220;N\u00f3s fomos recebidos pelo padre respons\u00e1vel pela par\u00f3quia. Ele disse &#8216;Por favor, venha at\u00e9 a casa paroquial.&#8217; Mas aquilo n\u00e3o era uma casa!&#8221; \u2013 contesta Christine. &#8220;Imagina uma sala de mais ou menos 6m\u00b2 separada por uma pequena parede. Atr\u00e1s da parede havia um colch\u00e3o com um mosquiteiro, que estava t\u00e3o sujo, mas t\u00e3o sujo, que nenhum mosquito conseguiria passar ali. Ao lado do colch\u00e3o havia uma banheira \u2013 bem, mais ou menos uma banheira. As paredes estavam extremamente sujas e n\u00e3o havia janelas. Eu nunca vi algo assim. N\u00f3s n\u00e3o colocar\u00edamos o nosso cachorro l\u00e1! Mas n\u00e3o h\u00e1 outro lugar para ele ficar. Realmente, \u00e9 uma vergonha para n\u00f3s ver isso&#8221; \u2013 ela conclui perplexa pelas m\u00e1s condi\u00e7\u00f5es em que vive o sacerdote.<\/p>\n<p>Em Manono n\u00e3o h\u00e1 c\u00faria, na casa do bispo o telhado est\u00e1 quase caindo e a capela est\u00e1 em paup\u00e9rrimas condi\u00e7\u00f5es. O bispo disse ent\u00e3o: &#8220;O que eu posso fazer? Eu n\u00e3o posso reformar minha casa enquanto meu padre na par\u00f3quia de Piana vive em condi\u00e7\u00f5es piores&#8221;. Cristine completa que &#8220;Felizmente, dois anos antes, o bispo nos pediu aux\u00edlio para a constru\u00e7\u00e3o da casa paroquial. N\u00f3s n\u00e3o sab\u00edamos como era o lugar de fato naquela \u00e9poca. Mas era para essa par\u00f3quia. A obra est\u00e1 sendo terminada, e estar\u00e1 pronta em breve.&#8221;<\/p>\n<p>Entre outras prioridades mencionadas por Dom Vicente, a ACN estaria envolvida em dois projetos cruciais na diocese. O primeiro diz respeito \u00e0 conclus\u00e3o do semin\u00e1rio, onde era a antiga casa do bispo, que foi destru\u00edda. O segundo projeto ser\u00e1 a reconstru\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es tamb\u00e9m completamente destru\u00eddas na Par\u00f3quia de S\u00e3o Jos\u00e9 Oper\u00e1rio.<\/p>\n<p>De pouco em pouco, tem se visto mudan\u00e7as, &#8220;mas ainda precisamos ficar do lado deles, para que n\u00e3o se sintam sozinhos. N\u00f3s devemos construir uma ponte para que eles possam sentir que o mundo n\u00e3o os esqueceu. E n\u00f3s estamos prontos para fazer isso.&#8221; \u2013 ressalta Christine.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: ACN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ningu\u00e9m se importa em nos visitar Christine du Coudray, chefe do departamento de projetos da ACN (Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre) para a \u00c1frica, acaba de chegar de sua visita \u00e0 Rep\u00fablica Democr\u00e1tica do Congo. As consequ\u00eancias da guerra ainda s\u00e3o vistas por toda a parte. 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