{"id":18342,"date":"2016-09-29T13:50:21","date_gmt":"2016-09-29T16:50:21","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/09\/29\/siria-qnos-nunca-estamos-segurosq\/"},"modified":"2017-05-29T15:37:17","modified_gmt":"2017-05-29T18:37:17","slug":"siria-qnos-nunca-estamos-segurosq","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/siria-qnos-nunca-estamos-segurosq\/","title":{"rendered":"S\u00edria: &#8220;N\u00f3s nunca estamos seguros&#8221;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/d684a5f1d6d18e9647b504aaaaf15048_xl.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Padre Halemba fala nas ru\u00ednas da S\u00edria <\/p>\n<p>Padre Andrzej Halemba, chefe do departamento dos projetos no Oriente M\u00e9dio da Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia ACN (Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre), acaba de voltar da S\u00edria. Numa entrevista \u00e0 ACN, ele fala sobre a atual situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, ainda em guerra.<\/p>\n<p>Como est\u00e1 a situa\u00e7\u00e3o na S\u00edria hoje?<br \/>Agora todo mundo est\u00e1 ansioso porque a situa\u00e7\u00e3o promete, mas por outro lado estamos enfrentando uma crise humanit\u00e1ria de enorme escala. \u00c9 por isso que as pessoas dizem: \u201cOk, n\u00f3s temos paz, mais uma vez n\u00f3s experimentamos um pouquinho de paz\u201d, mas essa obviamente n\u00e3o \u00e9 uma paz total. Damasco, por exemplo, durante o tempo em que estive l\u00e1, permaneceu quieta por dois dias, mas no domingo houve oito explos\u00f5es nos arredores da cidade. O grupo Estado Isl\u00e2mico (EI), a Al-Nusra e outros grupos da Al-Qaeda querem desestabilizar a situa\u00e7\u00e3o e mostrar que n\u00e3o haver\u00e1 paz sem o envolvimento deles. A S\u00edria mudou completamente em apenas 5 anos. De um pa\u00eds rico, que usufru\u00eda de paz e em que os neg\u00f3cios iam bem, para um pa\u00eds completamente destru\u00eddo.<\/p>\n<p>Como a guerra mudou a vida dos s\u00edrios?<br \/>A popula\u00e7\u00e3o da S\u00edria atualmente pulou de 24,5 milh\u00f5es para 17 milh\u00f5es. Aproximadamente 6 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o fora do pa\u00eds. Mais de 4,8 milh\u00f5es de refugiados s\u00edrios est\u00e3o nos pa\u00edses vizinhos, e 13,5 milh\u00f5es necessitam de ajuda humanit\u00e1ria dentro da S\u00edria. Algumas \u00e1reas s\u00e3o extremamente dif\u00edceis de se chegar. A comida muito cara. Por exemplo, numa \u00e1rea sob o controle do governo, o pre\u00e7o do arroz subiu aproximadamente 250% desde 2010, mas em \u00e1reas controladas pelos rebeldes esse pre\u00e7o subiu 28 vezes mais! Se a comida b\u00e1sica \u00e9 t\u00e3o cara, imaginem a vida miser\u00e1vel que eles levam!? Mais de 57% das pessoas n\u00e3o conseguem nenhum trabalho. Elas vivem de esmola ou de ajuda humanit\u00e1ria. 4,6 milh\u00f5es de pessoas est\u00e3o em \u00e1reas de dif\u00edcil alcance. Todos t\u00eam medo da poss\u00edvel divis\u00e3o do pa\u00eds e do prolongamento dos conflitos, devido a novos fatores como as a\u00e7\u00f5es do ex\u00e9rcito turco em territ\u00f3rio s\u00edrio contra os chamados rebeldes e contra os curdos. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 extremamente complexa, mas certamente pela primeira vez em muitos meses h\u00e1 uma pequena chama de esperan\u00e7a.<\/p>\n<p>Quais experi\u00eancias mais entristeceram o senhor durante sua viagem \u00e0 S\u00edria?<br \/>Primeiro, as ru\u00ednas que se v\u00ea ao redor de Damasco. Sempre foi uma cidade am\u00e1vel e as pessoas ali ainda se recusam a cair no desespero. Apesar da situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, eles tentam levar uma \u201cvida normal\u201d. Mas a paisagem ao redor da cidade \u00e9 terr\u00edvel. Quando n\u00f3s fomos a Homs, usamos vias alternativas porque as rodovias estavam bloqueadas pelos atiradores de tocaia. As ruas est\u00e3o sujas, as pessoas usam trapos para se vestirem, os pre\u00e7os alt\u00edssimos, e um clima de extrema desconfian\u00e7a. O n\u00famero frequente dos pontos de revista \u00e9 definitivamente um impacto na mentalidade das pessoas: \u201cN\u00f3s estamos sempre em perigo porque h\u00e1 muitos soldados fazendo revista em cada carro e em cada pessoa\u201d. Em raz\u00e3o da constante tens\u00e3o causada pelos bombardeios, todos est\u00e3o extremamente cansados, especialmente a pol\u00edcia.<\/p>\n<p>Em Homs, n\u00f3s ficamos num lugar onde poucos dias antes houve um ataque da Al-Nusra. Eles dirigiram um carro at\u00e9 o centro da cidade e num ponto de revista eles acionaram a bomba, matando a eles mesmos e a seis soldados. Esses atos do terrorismo traumatizam profundamente as pessoas. \u201cN\u00f3s nunca estamos seguros\u201d, eles dizem. Isso tudo os deixa de fato saturados. As fam\u00edlias est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o dram\u00e1tica j\u00e1 que n\u00e3o podem se sustentar. Eles n\u00e3o t\u00eam trabalho ou s\u00e3o muito mal pagos. E os deslocados, que tiveram de sair de suas casas \u2013 6,5 milh\u00f5es para ser mais preciso \u2013 necessitam alugar quartos cujo os pre\u00e7os s\u00e3o exorbitantes. Sem renda alguma, isso se torna um grande desafio para eles. Por \u00faltimo mas n\u00e3o menos importante, a quest\u00e3o dos jovens que t\u00eam medo de serem recrutados pelo ex\u00e9rcito ou pelos rebeldes para lutar. Eles s\u00e3o os mais vulner\u00e1veis, por isso fogem. \u00c9 por isso tamb\u00e9m que entre os refugiados na Europa h\u00e1 tantos jovens.<\/p>\n<p>De tudo o que viu, houve alguma comovente situa\u00e7\u00e3o que poderia descrever?<br \/>O momento que eles v\u00eam para nos dizer: \u201cN\u00e3o conseguimos agradecer mais\u201d ou as muitas vezes que, sem palavras, se derramavam em l\u00e1grimas, porque ningu\u00e9m, al\u00e9m de n\u00f3s, est\u00e1 ajudando desse jeito que eles precisam.Tudo isso \u00e9 muito emocionante para n\u00f3s. Eles s\u00e3o muito gratos. Mas essa ajuda n\u00e3o tem somente o aspecto material. Ela \u00e9 muito mais. As pessoas em Marmarita me disseram: \u201cPadre, \u00e9 t\u00e3o importante para n\u00f3s que n\u00e3o nos sintamos esquecidos\u201d. Precisamos lembrar que a ACN \u00e9 uma das principais institui\u00e7\u00f5es que fornecem ajuda de emerg\u00eancia na S\u00edria. De acordo com uma an\u00e1lise, pelo menos 195 mil pessoas, crist\u00e3os e de outras religi\u00f5es, foram ajudadas pela ACN. Alimento, eletricidade, combust\u00edvel, rem\u00e9dios&#8230; foram 17 maneiras diferentes de ajudar o povo s\u00edrio em 2015.<\/p>\n<p>H\u00e1 alguma hist\u00f3ria de um parceiro de projeto que o senhor gostaria de partilhar?<br \/>H\u00e1 uma professora em Damasco que por duas vezes saiu do pa\u00eds: uma vez foi para os EUA e outra \u00e0 Europa. Ao final ela disse: \u201cEu n\u00e3o consigo viver longe daqui. Preciso retornar \u00e0 S\u00edria. Tenho que ajudar as crian\u00e7as nas escolas. Quero envelhecer aqui e morrer aqui\u201d. Essa \u00e9 uma pessoa que ama de fato o seu pa\u00eds, apesar das dificuldades, e foge da tenta\u00e7\u00e3o de ter uma vida f\u00e1cil longe daqui.<\/p>\n<p>Eu lembro tamb\u00e9m de dois jovens do Vale dos Crist\u00e3os (Valley of Christians). Eles s\u00e3o extremamente bem formados; ambos falam muito bem o ingl\u00eas. Com as suas qualifica\u00e7\u00f5es, eles poderiam facilmente encontrar emprego num pa\u00eds ocidental. Al\u00e9m disso, seus pais moram nos EUA e os chamam diariamente para ir para l\u00e1. Mas a resposta deles \u00e9 sempre a mesma: \u201cPrecisamos ajudar a outros. H\u00e1 muitos que dependem de n\u00f3s aqui\u201d. E de fato eles est\u00e3o ajudando centenas de fam\u00edlias. Eles trabalham como volunt\u00e1rios. Isso \u00e9 impressionante.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio da guerra na S\u00edria, que estourou em 2011, a ACN tem apoiado projetos humanit\u00e1rios de emerg\u00eancia e de ajuda pastoral no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: ACN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Halemba fala nas ru\u00ednas da S\u00edria Padre Andrzej Halemba, chefe do departamento dos projetos no Oriente M\u00e9dio da Funda\u00e7\u00e3o Pontif\u00edcia ACN (Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre), acaba de voltar da S\u00edria. Numa entrevista \u00e0 ACN, ele fala sobre a atual situa\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, ainda em guerra. 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