{"id":18227,"date":"2016-09-26T13:23:03","date_gmt":"2016-09-26T16:23:03","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/09\/26\/uma-mulher-instruida-deixa-de-ser-humilhada-e-escrava\/"},"modified":"2017-06-02T14:35:40","modified_gmt":"2017-06-02T17:35:40","slug":"uma-mulher-instruida-deixa-de-ser-humilhada-e-escrava","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/uma-mulher-instruida-deixa-de-ser-humilhada-e-escrava\/","title":{"rendered":"Uma mulher instru\u00edda deixa de ser humilhada e escrava"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/rv19623_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/media02.radiovaticana.va\/audio\/audio2\/mp3\/00549955.mp3\">Clique aqui para ouvir:<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 50 anos atr\u00e1s, Chiara Lubich, a italiana que fundou o Movimento dos Focolares, deslocava-se aos Camar\u00f5es em ajuda ao povo Bangua na zona florestal do sudeste do pa\u00eds, que estava a bra\u00e7os com um tremendo surto da doen\u00e7a do sono, correndo o risco de desaparecer.<\/p>\n<p>N\u00e3o obstante as dificuldades iniciais, o Rei ou Fon de Lebialem, em Fontem, e Chiara entraram em sintonia. Com a ajuda do Movimento, foram para l\u00e1 m\u00e9dicos e constru\u00edram-se hospitais e escolas, dando origem a uma bela coopera\u00e7\u00e3o, que perdura ainda hoje.<\/p>\n<p>A colabora\u00e7\u00e3o acabou por estender-se a outros reinos daquela regi\u00e3o camaronesa e, na semana passada, um grupo de reis e rainhas (Fons e M\u00e1fuas, respectivamente) da nova gera\u00e7\u00e3o, veio a Roma para celebrar o Jubileu e para visitar os lugares de nascimento e vida de Chiara Lubich, Trento, onde ela nasceu, no norte do pa\u00eds, Floren\u00e7a no centro e Rocca di Papa, perto de Roma, onde desenvolveu a sua obra socio-espiritual, que se espalhou por v\u00e1rias partes do mundo.<\/p>\n<p>Depois de participar na audi\u00eancia geral a semana passada, oito Fons e M\u00e1fuas, participaram numa confer\u00eancia de imprensa em que se detiveram sobre a hist\u00f3ria e a import\u00e2ncia dessa coopera\u00e7\u00e3o agradecendo profundamente a Chiara Lubich e o Movimento.<\/p>\n<p>No final conversamos com duas das participantes. Uma delas \u00e9 Djengu\u00e9 Paulette, esposa dum dos chefes da regi\u00e3o do litoral dos Camar\u00f5es, onde os chefes n\u00e3o s\u00e3o chamado Fons, como em Fontem, mas sim Majestades. Ela \u00e9 protestante e \u00e9 vice-Presidente da Uni\u00e3o das Mulheres Baptistas dos Camar\u00f5es, Uni\u00e3o que re\u00fane umas seis mil mulheres e se ocupa da educa\u00e7\u00e3o de meninas:<\/p>\n<p>\u201cEducamos as meninas, tomamos conta de todas as meninas com dificuldades escolares e procuramos orient\u00e1-las, mas a nossa primeira miss\u00e3o \u00e9 dar a conhecer a Palavra de Deus \u00e0s mulheres porque estamos convencidas de que com a Palavra de Deus a mulher se forma e quando temos mulheres bem formadas, tem-se uma sociedade de p\u00e9. Portanto, ensinamos a Palavra de Deus e a p\u00f4-la em pr\u00e1tica; atrav\u00e9s da educa\u00e7\u00e3o crist\u00e3, de c\u00e2nticos, ensinamos \u00e0s que t\u00eam dificuldades, a ser aut\u00f3nomas, porque quando se \u00e9 capaz de resolver os pr\u00f3prios problemas deixa-se de ser uma pessoa humilhada, uma pessoa escrava. Eis a miss\u00e3o da Uni\u00e3o das Mulheres Baptistas dos Camar\u00f5es.\u201d<\/p>\n<p>Chiara Lubich costumava contar que quando falou ao Fon Defang de Fontem do Movimento que ela tinha fundado, ele perguntou-lhe como fazia para reger tudo isso uma vez que era mulher e as mulheres n\u00e3o valem nada. Chiara respondeu que visto que as mulheres n\u00e3o valem nada, ent\u00e3o acima dela havia, certamente,\u00a0 algu\u00e9m mais potente que fazia tudo, isto \u00e9 Deus.<\/p>\n<p>Esta vers\u00e3o de que a mulher n\u00e3o valia nada foi amplamente sublinhada na conferencia de imprensa pela M\u00e1fua Christine Essong, filha do Fon Defang. No final perguntamos-lhe se realmente na tradi\u00e7\u00e3o camaronesa a mulher n\u00e3o valia nada:<\/p>\n<p>\u201cIsto era o que os homens diziam. E as mulheres aceitavam isso, porque n\u00e3o sabiam. Foi atrav\u00e9s da emancipa\u00e7\u00e3o e dos ensinamentos de Chiara, atrav\u00e9s do amor, que todas agora iniciaram a ver que ah\u2026 n\u00f3s mulheres somos alguma coisa e somos complementares aos homens, e isso \u00e9 o des\u00edgnio de Deus\u201d.<\/p>\n<p>Insistimos, perguntando se na cultura tradicional a mulher n\u00e3o valia mesmo nada e a M\u00e1fua Christine replicou:<\/p>\n<p>\u201cNa minha tr\u00edbu diziam que a mulher n\u00e3o valia nada. Diziam sempre isso, at\u00e9 que o meu pai deu in\u00edcio a uma campanha a favor da educa\u00e7\u00e3o das meninas. Ele dizia sempre: mandem tamb\u00e9m as meninas para a escola, porque n\u00e3o sabeis quem \u00e9 que vai suster a fam\u00edlia. E quando as pessoas come\u00e7aram a ver que o Rei mandava as princesas para a escola e que aprendiam muito, come\u00e7aram a enviar as filhas para a escola e viram como elas t\u00eam sucesso e essa en\u00e3o essa cren\u00e7a de que a mulher n\u00e3o vale nada, desapareceu\u201d.<\/p>\n<p>A opini\u00e3o de Djengu\u00e9 Paulette sobre o valor ou n\u00e3o da mulher na tradi\u00e7\u00e3o camaronesa \u00e9 um pouco mais atenuada da da M\u00e1fua Chiristine Essong:<\/p>\n<p>\u201cA mulher tinha o seu lugar e homem tamb\u00e9m tinha o seu. Hoje a mulher \u00e9 um elemento positivo para o desenvolvimento\u00a0 do Pa\u00eds e, portanto, homem e mulher caminham juntos\u201d.<\/p>\n<p>\u00c0 nossa observa\u00e7\u00e3o de que se deu a entender na confer\u00eancia de imprensa de que foi com a chegada de Chiara Lubich que a emancipa\u00e7\u00e3o da mulher nos Camar\u00f5es, pelo menos entre o povo Bangwa, come\u00e7ou, Paulette reage:<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o, a cultura tinha dado \u00e0 mulher o seu lugar. N\u00e3o se deve confundir a emancipa\u00e7\u00e3o com a cultura. N\u00e3o posso tomar a dianteira ao meu marido, mesmo em 2016. Fico atr\u00e1s dele. \u00c9 a minha cultura, porque o homem \u00e9 o chefe de fam\u00edlia no meu c\u00f3digo civil\u201d.<\/p>\n<p>Mas isso quer dizer que a mulher n\u00e3o vale nada?<\/p>\n<p>\u201cA Mulher, como lhe disse, caminha com o homem e \u00e9 um elemento de desenvolvimento e, portanto, sem mulheres n\u00e3o h\u00e1 uma sociedade de p\u00e9 e a minha cultura aplica o c\u00f3digo civil e por isso n\u00f3s mulheres, somos parceiras\u201d.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o n\u00e3o \u00e9 correcto dizer que a mulher n\u00e3o vale nada?<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o \u00e9, e nunca foi na minha cultura, porque \u00e9 a mulher que d\u00e1 a vida e n\u00e3o se pode dar vida se n\u00e3o se vale nada. E \u00e9 a mulher que rege a sociedade africana\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Clique aqui para ouvir: \u00a0 H\u00e1 50 anos atr\u00e1s, Chiara Lubich, a italiana que fundou o Movimento dos Focolares, deslocava-se aos Camar\u00f5es em ajuda ao povo Bangua na zona florestal do sudeste do pa\u00eds, que estava a bra\u00e7os com um tremendo surto da doen\u00e7a do sono, correndo o risco de desaparecer. 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