{"id":18215,"date":"2016-09-26T12:52:05","date_gmt":"2016-09-26T15:52:05","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/09\/26\/fe-e-servico\/"},"modified":"2017-05-05T16:23:07","modified_gmt":"2017-05-05T19:23:07","slug":"fe-e-servico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/fe-e-servico\/","title":{"rendered":"F\u00e9 e servi\u00e7o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A admoesta\u00e7\u00e3o de Jesus poderia parecer uma exig\u00eancia desmesurada: \u201cUma vez feito o que se vos ordenou, dizei: \u201dSomos servos in\u00fateis; fizemos o que dev\u00edamos fazer&#8221; (Lc 17,10). Trata-se, por\u00e9m, de uma quest\u00e3o de f\u00e9. Antes de dar esta diretriz os ap\u00f3stolos haviam pedido: \u201cAumenta-nos a nossa f\u00e9\u201d (Lc 17,5). Com efeito, Deus que \u00e9 o doador de tudo que cada um possui \u00e9 o senhor com todos os direitos e a criatura humana nada tem\u00a0 que exigir dele. O existir, o agir, o ter vem da prodigalidade de sua bondade e cabe a cada um trabalhar para sua gl\u00f3ria e o bem do pr\u00f3ximo. \u00c9 certo que para quem ostenta uma f\u00e9 humilde grande recompensa estar\u00e1 reservada, mas segundo os crit\u00e9rios divinos. Como Ele quiser e da maneira que Ele assim desejar. \u00c9 evidente tamb\u00e9m que sendo Ele o juiz clemente de todas as a\u00e7\u00f5es humanas saber\u00e1 premiar todo o bem feito sem ulteriores interesses ego\u00edstas, mas isto cabe a Ele. Quem se julga servo in\u00fatil \u00e9 desta maneira que concebe os deveres cotidianos. Mesmo porque\u00a0 quem possui uma f\u00e9 arraigada procura sempre viver\u00a0 dentro\u00a0 dos planos do Criador, servindo os outros, seja qual for a atividade, e no contexto no qual a Provid\u00eancia o colocou. Sendo assim, para quem cr\u00ea nada se torna imposs\u00edvel, ainda que seja uma f\u00e9 como o gr\u00e3o de mostarda,\u00a0 como Jesus deixou claro na compara\u00e7\u00e3o que fez. De fato, com o poder desta virtude se poderia\u00a0 dizer a uma amoreira: \u201dArranca-te e transplanta-te para o mar\u201c, e ela obedeceria. \u00c9 que Deus oferece sempre a todos que servem de boa vontade\u00a0 os meios para um servi\u00e7o eficiente quer para sua gl\u00f3ria, quer para a ajuda aos semelhantes. Pode, \u00e0s vezes, o dever de cada hora\u00a0 parecer pesado, mas o crist\u00e3o que se sente um servo in\u00fatil diz sempre a Deus: \u201cTua gra\u00e7a me basta, Senhor, e \u00e9 ela que eu te imploro\u201d! Ent\u00e3o por mais pesada que possa parecer a cruz que Deus reservou a cada um n\u00e3o h\u00e1 um retrocesso e com Davi no salmo 108\u00a0 se pode repetir: \u201cCom Deus faremos proezas\u201d\u00a0 (Sl 108,13). Ele, realmente, calcar\u00e1 aos p\u00e9s todas as dificuldades e n\u00e3o desamparar\u00e1 o servo fiel. Far\u00e1 com que ele veja sempre horizontes fulgentes, se n\u00e3o nesta terra, certamente, um dia na eternidade venturosa para sempre. Com a for\u00e7a de seu amor nada causa des\u00e2nimo ao crist\u00e3o que persevera n\u00e3o tendo em seu cora\u00e7\u00e3o outra luz que n\u00e3o sejam as promessas de Deus aos que O amam e fazem sua vontade sant\u00edssima. Ficam assim afastados um fatalismo desesperador ou um conformismo deformado, porque o verdadeiro crist\u00e3o faz o que deve fazer de acordo com o querer daquele que o chamou a esta vida para servir. Tudo isto fruto n\u00e3o de uma f\u00e9 meramente intelectual, artificial, mas daquela que leva a uma pr\u00e1tica coerente desta virtude teologal. Esta conduz a uma ades\u00e3o pessoal a Deus. Como ressaltou o Cardeal Newman, ser crist\u00e3o \u00e9 possuir um senso radical da presen\u00e7a de Deus em si mesmo. Esta f\u00e9 gera uma disposi\u00e7\u00e3o invenc\u00edvel para enfrentar as dificuldades cotidianas. Trata-se de uma luminosidade divina que faz as a\u00e7\u00f5es humanas eminentemente ativas. Estas s\u00e3o o fruto opimo daquele que colabora com este dom celestial que vivifica toda a exist\u00eancia do aut\u00eantico servidor de Deus. A f\u00e9 \u00e9 como um sol que quer aclarar aos que se submetem a seu Deus e que permitem que os raios deste sol penetre todo o seu interior. \u00c9 o que queria dizer o S\u00e3o Jo\u00e3o Maria Vianney, o Cura d`Ars, ao asseverar: \u201cAqueles que n\u00e3o t\u00eam a f\u00e9 t\u00eam a alma bem mais cega do que aqueles que n\u00e3o t\u00eam olhos. N\u00f3s estamos neste mundo como em um nevoeiro, mas a f\u00e9 \u00e9 o vento que dissipa este nevoeiro e que faz brilhar sobre a alma um belo sol\u201d. \u00c9 preciso, por\u00e9m, sempre repetir a prece dos Ap\u00f3stolos: \u201cSenhor, aumenta a nossa f\u00e9\u201d. Ent\u00e3o, sim, depois que tivermos feito tudo que dever\u00edamos realizar. diremos: \u201cSomos servos in\u00fateis, fizemos o que dev\u00edamos fazer\u201d. Estar\u00e1 assim vencida na exist\u00eancia e cada um a pretens\u00e3o de qualquer soberba ou indol\u00eancia.* Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A admoesta\u00e7\u00e3o de Jesus poderia parecer uma exig\u00eancia desmesurada: \u201cUma vez feito o que se vos ordenou, dizei: \u201dSomos servos in\u00fateis; fizemos o que dev\u00edamos fazer&#8221; (Lc 17,10). Trata-se, por\u00e9m, de uma quest\u00e3o de f\u00e9. Antes de dar esta diretriz os ap\u00f3stolos haviam pedido: \u201cAumenta-nos a nossa f\u00e9\u201d (Lc 17,5). 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