{"id":18210,"date":"2016-09-24T03:00:00","date_gmt":"2016-09-24T06:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/09\/24\/que-escutem-as-escrituras\/"},"modified":"2017-05-05T16:25:07","modified_gmt":"2017-05-05T19:25:07","slug":"que-escutem-as-escrituras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/que-escutem-as-escrituras\/","title":{"rendered":"Que escutem as escrituras"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">A par\u00e1bola do rico e L\u00e1zaro que emoldura o Evangelho do 26\u00ba Domingo do Tempo Comum (Lc 16, 19-31) descreve-nos um homem que n\u00e3o soube tirar o verdadeiro proveito dos seus bens e se omitiu na partilha. Ao inv\u00e9s de ganhar com eles o C\u00e9u, perdeu-o para sempre. Trata-se de um homem rico, que se \u201cvestia de p\u00farpura e de linho\u201d, e que todos os dias \u201cfazia festas espl\u00eandidas\u201d; muito perto dele, \u00e0 sua porta, estava deitado um mendigo chamado L\u00e1zaro, todo coberto de chagas, que desejava saciar-se com as migalhas que ca\u00edam da mesa do rico. E at\u00e9 os c\u00e3es lambiam as suas feridas.<\/p>\n<p> A descri\u00e7\u00e3o que o Senhor nos faz nesta par\u00e1bola tem fortes contrastes: grande abund\u00e2ncia num, extrema necessidade no outro. O homem rico vive para si, como se Deus n\u00e3o existisse. Esqueceu uma coisa que o Senhor recorda com muita frequ\u00eancia: n\u00e3o somos donos dos bens materiais, mas administradores.<\/p>\n<p> A par\u00e1bola ensina a sobreviv\u00eancia da alma ap\u00f3s a morte e que, imediatamente depois da morte a alma \u00e9 julgada por Deus de todos os seus atos \u2013 ju\u00edzo particular \u2013, recebendo o pr\u00eamio ou o castigo; que a Revela\u00e7\u00e3o divina \u00e9, de per si, suficiente para que os homens creiam no mais al\u00e9m.<\/p>\n<p> Jesus hoje desmente os que afirmam que os mortos est\u00e3o dormindo. \u00c9 verdade que, antes do Ex\u00edlio de Babil\u00f4nia, quando ainda n\u00e3o se sabia em Israel que havia ressurrei\u00e7\u00e3o, os judeus e seus textos b\u00edblicos diziam que quem morria ia com os pais no sheol. Tal ideia foi superada j\u00e1 no pr\u00f3prio Antigo Testamento, quando Israel compreendeu que o Senhor nos reserva a ressurrei\u00e7\u00e3o. Ent\u00e3o, os judeus pensavam que quem morresse, ficava bem vivo, na mans\u00e3o dos mortos, \u00e0 espera do Julgamento Final. J\u00e1 a\u00ed, havia uma mans\u00e3o dos mortos de refrig\u00e9rio e paz e uma mans\u00e3o dos mortos de tormento.<\/p>\n<p> \u00c9 esta cren\u00e7a que Jesus sup\u00f5e ao contar a par\u00e1bola do mau rico e do pobre L\u00e1zaro. Ent\u00e3o, nem mesmo para os judeus, que n\u00e3o conheciam o Messias, os mortos ficavam dormindo! Quanto mais para n\u00f3s, crist\u00e3os, que sabemos que \u201cnem a morte nem a vida nos poder\u00e3o separar do amor de Cristo\u201d (Rm 8,38-39). Como para S\u00e3o Paulo, o desejo do crist\u00e3o \u00e9 \u201cpartir para estar com Cristo\u201d (Fl 1,23).<\/p>\n<p> Observe-se que o que o rico pede \u00e9 que L\u00e1zaro ressuscite. Da\u00ed, a resposta de Jesus: \u201cEles n\u00e3o acreditar\u00e3o, mesmo que algu\u00e9m ressuscite dos mortos\u201d. Recordemos que o Senhor Jesus Ressuscitou e est\u00e1 vivo entre n\u00f3s e ainda hoje s\u00e3o muitos que n\u00e3o O escutam.<\/p>\n<p> Jesus continua o tema de domingo passado, quando nos exortou a fazer amigos com o dinheiro injusto. Este \u00e9 o pecado do rico do Evangelho de hoje: n\u00e3o fez amigos com suas riquezas. Se tivesse aberto o cora\u00e7\u00e3o para L\u00e1zaro, teria um amigo a receb\u00ea-lo no c\u00e9u! \u00c9 importante notar que n\u00e3o \u00e9 dito que esse rico roubou,\u00a0 ou q eu ganhou seu dinheiro matando ou fazendo mal aos outros. Seu pecado foi da omiss\u00e3o em viver somente para si: \u201cse vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas espl\u00eandidas todos os dias\u201d(Lc 16,19). Ele foi incapaz de enxergar o \u201cpobre, chamado L\u00e1zaro, cheio de feridas, que estava no ch\u00e3o\u201d(Lc 16,20), \u00e0 sua porta. \u201cEle queria matar a fome com as sobras que ca\u00edam da mesa do rico. E, al\u00e9m disso, vinham os cachorros lamber suas feridas\u201d(Lc 16,21). O rico nunca se incomodou com aquele pobre, nunca perguntou o seu nome, nunca procurou saber sua hist\u00f3ria, nunca abriu a m\u00e3o para ajud\u00e1-lo, nunca lhe deu um pouco de seu tempo. O rico jamais pensou que aquele pobre, cujo nome ningu\u00e9m importante conhecia, era conhecido e amado por Deus. N\u00e3o deixa de ser impressionante que Jesus chama o pobre pelo nome, mas ignora o nome do rico! Afinal, os pensamentos de Deus n\u00e3o s\u00e3o os nossos pensamentos.<\/p>\n<p> Ele est\u00e1 cego para as necessidades alheias. O seu pecado foi n\u00e3o ter visto L\u00e1zaro, a quem poderia ter feito feliz com um pouco menos de ego\u00edsmo e um pouco mais de despreocupa\u00e7\u00e3o pelas suas pr\u00f3prias coisas. N\u00e3o utilizou os bens conforme o querer de Deus. N\u00e3o soube compartilhar. Santo Agostinho comenta: \u201cN\u00e3o foi a pobreza que conduziu L\u00e1zaro ao C\u00e9u, mas a sua humildade; nem foram as riquezas que impediram o rico de entrar no descanso eterno, mas o seu ego\u00edsmo e a sua infidelidade\u201d.<\/p>\n<p>Neste m\u00eas da B\u00edblia \u00e9 muito significativo que Jesus nos conta na par\u00e1bola para responder ao pedido do rico que pedia para avisar seus irm\u00e3os para que mudassem de vida: \u201cEles tem Mois\u00e9s e os Profetas, que os escutem!\u201d.<\/p>\n<p> A primeira leitura (Am 6, 1.4-7) j\u00e1 anunciava essa quest\u00e3o lembrando que esses que assim vivem ir\u00e3o para o desterro, na primeira fila. Que a recomenda\u00e7\u00e3o de Paulo a Tim\u00f3teo (1Tim 6,11-16) nos ajude a viver esse domingo: \u201cfoge das coisas perversas, procura a justi\u00e7a, a piedade, a f\u00e9, o amor, a firmeza, a mansid\u00e3o\u201d \u2013 \u201ccombate o bom combate da f\u00e9\u201d!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A par\u00e1bola do rico e L\u00e1zaro que emoldura o Evangelho do 26\u00ba Domingo do Tempo Comum (Lc 16, 19-31) descreve-nos um homem que n\u00e3o soube tirar o verdadeiro proveito dos seus bens e se omitiu na partilha. Ao inv\u00e9s de ganhar com eles o C\u00e9u, perdeu-o para sempre. 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