{"id":18042,"date":"2016-09-19T16:08:05","date_gmt":"2016-09-19T19:08:05","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/09\/19\/o-destino-do-rico-e-do-pobre-lazaro\/"},"modified":"2017-05-05T16:32:36","modified_gmt":"2017-05-05T19:32:36","slug":"o-destino-do-rico-e-do-pobre-lazaro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/o-destino-do-rico-e-do-pobre-lazaro\/","title":{"rendered":"O destino do rico e do pobre L\u00e1zaro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Duplo destino, dupla li\u00e7\u00e3o oferece a par\u00e1bola do rico glut\u00e3o e do justo L\u00e1zaro (Luc 16,19-31). Jesus n\u00e3o pretendia apresentar uma abordagem s\u00f3cio espacial do outro mundo, mas oferecer um precioso ensinamento sobre uma quest\u00e3o fundamental no que tange ao que ocorre ap\u00f3s a morte. Um dos personagens vivia impiamente, era ego\u00edsta, n\u00e3o se preocupava nem com Deus, nem com o pr\u00f3ximo. L\u00e1zaro, por\u00e9m, era um deserdado da sociedade, doente e faminto e subsistia com as migalhas dos poderosos e tinha um cora\u00e7\u00e3o bom. Confiava na Provid\u00eancia divina, vivendo a defini\u00e7\u00e3o de seu nome, pois L\u00e1zaro significa \u201cDeus \u00e9 meu socorro\u201d. Ambos deixaram este mundo atrav\u00e9s da morte que \u00e9 o limite absoluto de todos os mortais. Esta n\u00e3o faz distin\u00e7\u00e3o nem entre os se cobrem\u00a0 de vestimentas luxuosas, nem os que est\u00e3o afetados por feridas e maltrapilhos. Ela sobe ao pal\u00e1cio dos ricos, desce ao tug\u00fario dos pobres, n\u00e3o tem dia nem hora, mas totaliza num instante tudo que algu\u00e9m foi na sua passagem por esta terra. Diante de todos, por\u00e9m, estar\u00e1 sempre o Senhor de tudo, justo Juiz, o qual com sabedoria e lucidez punir\u00e1 a uns e recompensar\u00e1 a outros. Tudo depender\u00e1 da condi\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de cada um, da qualidade do seu cora\u00e7\u00e3o. H\u00e1 entre os lugares onde se encontrar\u00e1 o \u00edmpio e onde estar\u00e1 o justo \u201cum grande abismo\u201d, ou seja, trata-se de uma situa\u00e7\u00e3o irrevers\u00edvel, que ningu\u00e9m poder\u00e1 alterar. Aqui na terra, sim, h\u00e1 sempre oportunidade de convers\u00e3o e a miseric\u00f3rdia de Deus \u00e9 sem limites. Uma fonte inestim\u00e1vel de merecimentos \u00e9 exatamente o temor de Deus e a ajuda aos mais necessitados numa louv\u00e1vel solidariedade. Para quem tem f\u00e9 a esperan\u00e7a abre caminhos luminosos para a pr\u00e1tica das mais belas virtudes. Este \u00e9 o tempo oportuno para se escutar a Palavra revelada pelo Ser Supremo, para colocar em pr\u00e1tica as inspira\u00e7\u00f5es vindas do alto, para corresponder \u00e0s exig\u00eancias da Lei do Senhor. O apelo de Deus \u00e9 um clamor \u00e0 dile\u00e7\u00e3o, \u00e0 compaix\u00e3o, \u00e0 sinceridade, \u00e0 verdade em sua plenitude. Um cora\u00e7\u00e3o arrependido, desolado nunca fica sem a resposta divina e, assim, o homem se disp\u00f5e a evitar a fatalidade de uma puni\u00e7\u00e3o eterna. Deus reina apenas no interior dos que est\u00e3o repletos de amor. Quando algu\u00e9m se escraviza a suas riquezas, a suas ideias, a seus valores humanos, a suas convic\u00e7\u00f5es err\u00f4neas, a seus falsos \u00eddolos, este Deus est\u00e1 longe de seu cora\u00e7\u00e3o. O rico da par\u00e1bola era incapaz de contemplar o sofrimento de L\u00e1zaro, porque vivia atr\u00e1s do tapume de seu orgulho, de sua ilus\u00f3ria seguran\u00e7a. N\u00e3o entendia o essencial da verdadeira felicidade e se mergulhava numa sup\u00e9rfluo e estapaf\u00fardio luxo e na glutoneria. As chamas que o atormentavam eram o sinal de seu profundo remorso pelos erros que cometera e dos quais n\u00e3o se arrependera. Agora por entre as labaredas nas quais estava envolvido \u00e9 que se lembrava de seus cinco irm\u00e3os os quais ele deveria ter advertido em vida, mas j\u00e1 era tarde demais. Est\u00e1 escrito no livro de Isa\u00edas o que disse o Senhor a respeito dos que se rebelaram contra Ele: \u201cSeu verme n\u00e3o morrer\u00e1 jamais\u201d (Is 66,24). Imagem viva da pena eterna dos condenados. \u00c9 o mesmo que se acha no livro de Judite: &#8220;O Senhor os punir\u00e1 no dia do ju\u00edzo, entregando ao fogo e aos vermes suas carnes e chorar\u00e3o, penando eternamente\u201d (Jud. 16,17). Assim sendo, esta par\u00e1bola narrada por Cristo \u00e9 um alerta. S\u00e3o Paulo ent\u00e3o nos adverte: \u201cN\u00e3o nos cansemos na pr\u00e1tica do bem, pois, se agora n\u00e3o desfalecermos, no tempo oportuno colheremos. Portanto, enquanto para isso temos tempo, fa\u00e7amos o bem a todos, m\u00e1xime aos nossos irm\u00e3os de f\u00e9\u201d (Gl 6, 9-11). L\u00e1zaro na outra vida encontrava consola\u00e7\u00e3o, paz, felicidade duradoura. Neste Ano da Miseric\u00f3rdia divina cumpre saber usufruir da compaix\u00e3o imensa de Deus numa corre\u00e7\u00e3o completa\u00a0 de todos os erros, pois na outra vida\u00a0 a sorte de cada um \u00e9 irrevers\u00edvel e, por isso, imut\u00e1vel. \u00c9 preciso viver todos os ensinamentos do Evangelho de hoje, para que, trilhando os caminhos das virtudes, se possa atingir a ventura perene da Casa do Pai, onde Cristo est\u00e1 \u00e0 espera de cada um de n\u00f3s. * Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Duplo destino, dupla li\u00e7\u00e3o oferece a par\u00e1bola do rico glut\u00e3o e do justo L\u00e1zaro (Luc 16,19-31). Jesus n\u00e3o pretendia apresentar uma abordagem s\u00f3cio espacial do outro mundo, mas oferecer um precioso ensinamento sobre uma quest\u00e3o fundamental no que tange ao que ocorre ap\u00f3s a morte. 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