{"id":17886,"date":"2016-09-13T18:57:55","date_gmt":"2016-09-13T21:57:55","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/09\/13\/card-parolin-sobre-encontro-de-assis-a-forca-fragil-da-oracao\/"},"modified":"2017-06-02T09:58:23","modified_gmt":"2017-06-02T12:58:23","slug":"card-parolin-sobre-encontro-de-assis-a-forca-fragil-da-oracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/card-parolin-sobre-encontro-de-assis-a-forca-fragil-da-oracao\/","title":{"rendered":"Card. Parolin sobre Encontro de Assis: A for\u00e7a fr\u00e1gil da ora\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/rv18526_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/> Cidade do Vaticano (RV) &#8211;\u00a0 \u201cA for\u00e7a fr\u00e1gil da ora\u00e7\u00e3o que em 1986 uniu o mundo dilacerado\u201d \u00e9 o t\u00edtulo do artigo do Cardeal Secret\u00e1rio de Estado Pietro Parolin, publicado esta ter\u00e7a-feira, 13 de setembro, no jornal italiano \u201cCorriere dela Sera\u201d.<\/p>\n<p>O artigo insere-se no\u00a0 \u00e2mbito do Encontro de Ora\u00e7\u00e3o pela Paz a ser realizado em Assis, de 18 a 20 de setembro, sob o tema \u201cSede de Paz. Religi\u00f5es e Culturas em di\u00e1logo\u201d, e que 30 anos mais tarde, recorda o hist\u00f3rico de 1986 ,desejado pelo ent\u00e3o Papa Jo\u00e3o Paulo II.<\/p>\n<p> \u201cEm 27 de outubro de 1986 um fato sem precedentes rasgou o muro de pessimismo e da resigna\u00e7\u00e3o em um mundo ainda dividido pela Cortina de Ferro e onde a guerra, embora fria em muitas situa\u00e7\u00f5es, era considerada uma companhia inevit\u00e1vel da vida dos homens.<\/p>\n<p>Convocando os l\u00edderes das grandes religi\u00f5es mundiais em Assis para rezar pela paz, Jo\u00e3o Paulo II assumiu a responsabilidade de abrir um caminho em que as religi\u00f5es se comprometiam, com maior \u00edmpeto e nova for\u00e7a, sobre este tema. Aquele hist\u00f3rico dia e o esp\u00edrito que dele brotou, falam n\u00e3o somente de paz, mas tamb\u00e9m da unidade do g\u00eanero humano.<\/p>\n<p>Assis, 1986, mesmo na sua extraordin\u00e1ria novidade, vinha de longe: era o fruto de uma esta\u00e7\u00e3o de di\u00e1logo. Um di\u00e1logo desenvolvido durante um s\u00e9culo, o XX, repleto de esperan\u00e7as e ao mesmo tempo de grandes sofrimentos. Naquele s\u00e9culo terr\u00edvel que \u2013 segundo recentes estimativas \u2013 contou 180 milh\u00f5es de mortos pela guerra, alguma coisa aproximou os fieis. Na segunda metade do s\u00e9culo XX, pessoas de religi\u00f5es diversas falaram-se e encontraram-se como nunca na hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O encontro de Assis<\/p>\n<p>Assis, 1986, \u00e9 o fruto maduro desta esta\u00e7\u00e3o: os l\u00edderes religiosos juntos diante do mundo, juntos em ora\u00e7\u00e3o, como que perseguidores de paz. N\u00e3o tratou-se de um ritual a mais, mas da manifesta\u00e7\u00e3o comum da confian\u00e7a nas energias espirituais e na extraordin\u00e1ria for\u00e7a fr\u00e1gil da ora\u00e7\u00e3o. Uma ora\u00e7\u00e3o sem fungibilidades sincretistas, mas respeitosa pela diversidade.<\/p>\n<p>\u00c9 \u00fatil reler as palavras de Jo\u00e3o Paulo II no discurso conclusivo na Pra\u00e7a de S\u00e3o Francisco. \u201cTalvez nunca como agora na hist\u00f3ria da humanidade, tornou-se evidente a todos a liga\u00e7\u00e3o intr\u00ednseca entre um comportamento autenticamente religioso e o grande bem da paz\u2026 a ora\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 em si mesma a\u00e7\u00e3o, mas isto n\u00e3o nos exime da a\u00e7\u00e3o a servi\u00e7o da paz\u201d.<\/p>\n<p>Nos fundamentos de todas as tradi\u00e7\u00f5es religiosas, est\u00e1 escrito o valor da paz. \u00c9 isto que est\u00e1 na base da iniciativa de Assis e que ajuda a superar tantas dist\u00e2ncias, algumas vezes abismais, entre mundos diferentes.<\/p>\n<p>O desafio dos tempos<\/p>\n<p>O nosso \u00e9 um tempo em que pessoas de religi\u00f5es ou de etnias diferentes vivem juntos. \u00c9 a experi\u00eancia da Europa diante das imigra\u00e7\u00f5es, mas tamb\u00e9m de uma nova comunalidade entre Leste e Oeste e entre Norte e Sul. \u00c9 tamb\u00e9m o desafio do mundo virtual em que se entra sempre mais em contato com todos: no virtual se vive sempre mais juntos e se \u00e9 destinado a entrecruzar com quem \u00e9 diferente de n\u00f3s.<\/p>\n<p>\u00c9, por fim, o desafio de um mundo em que se v\u00ea tudo e se v\u00ea sempre mais a riqueza de poucos e a mis\u00e9ria de tantos, como frequentemente nos sugere o Papa Francisco.<\/p>\n<p>Conviver \u00e9 a realidade de muitos povos, de muitas religi\u00f5es, de tantos grupos. Nem sempre \u00e9 f\u00e1cil. Uma conviv\u00eancia com muitas diferen\u00e7as, horizontes muito amplos, como da mundializa\u00e7\u00e3o, induzem fen\u00f4menos preocupantes que est\u00e3o sob os nossos olhos: individualismos irrespons\u00e1veis, tribalismos defensivos, novos fundamentalismo, terrorismo.<\/p>\n<p>A for\u00e7a das religi\u00f5es<\/p>\n<p>Assis 1986 abriu um caminho em que cada religi\u00e3o deve deixar de lado toda tenta\u00e7\u00e3o fundamentalista e entrar em um espa\u00e7o de di\u00e1logo que \u00e9 a arte paciente de ouvir-se, de entender-se, de reconhecer o perfil humano e espiritual do outro.<\/p>\n<p>Do seio das tradi\u00e7\u00f5es religiosas, capazes de di\u00e1logo, emerge a arte de conviver t\u00e3o necess\u00e1ria em uma sociedade plural como a nossa. \u00c9 arte da maturidade das culturas, das personalidades, dos grupos. \u00c9 esfor\u00e7o constante pela paz no local e no global.<\/p>\n<p>As Escrituras crist\u00e3s recordam que Jesus \u201c\u00e9 a nossa paz\u201d. Faz eco disto o magist\u00e9rio dos Papas do s\u00e9culo XX sobre o mesmo tema, at\u00e9 chegar ao do Papa Francisco. As religi\u00f5es n\u00e3o t\u00eam a for\u00e7a pol\u00edtica para impor a paz mas, transformando interiormente o homem, convidando-o a separar-se do mal, o guiam para uma atitude de paz do cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A religi\u00e3o tem uma energia de paz, que deve libertar e manifestar. Toda religi\u00e3o tem o seu caminho. Mas todas t\u00eam uma responsabilidade decisiva na conviv\u00eancia: o di\u00e1logo delas tece uma trama pac\u00edfica, rejeita as tenta\u00e7\u00f5es de lacerar o tecido civil, a instrumentalizar as diferen\u00e7as religiosas para fins pol\u00edticos. Mas isto requer aud\u00e1cia e f\u00e9 aos homens e \u00e0s mulheres de religi\u00e3o. Exige coragem. Requer abater com a for\u00e7a moral, com a piedade, com o di\u00e1logo, os tantos muros de separa\u00e7\u00e3o que se levantam no mundo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cidade do Vaticano (RV) &#8211;\u00a0 \u201cA for\u00e7a fr\u00e1gil da ora\u00e7\u00e3o que em 1986 uniu o mundo dilacerado\u201d \u00e9 o t\u00edtulo do artigo do Cardeal Secret\u00e1rio de Estado Pietro Parolin, publicado esta ter\u00e7a-feira, 13 de setembro, no jornal italiano \u201cCorriere dela Sera\u201d. 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