{"id":17884,"date":"2016-09-13T18:46:06","date_gmt":"2016-09-13T21:46:06","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/09\/13\/essa-dor-terrivel\/"},"modified":"2017-05-30T16:42:16","modified_gmt":"2017-05-30T19:42:16","slug":"essa-dor-terrivel","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/essa-dor-terrivel\/","title":{"rendered":"Essa dor terr\u00edvel"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/94ilustracao.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Francisco Borba Ribeiro Neto, <br \/>coordenador do N\u00facleo F\u00e9 e Cultura da PUC-SP.<\/p>\n<p>Os jornais noticiaram, nas \u00faltimas semanas, mais dois casos nos quais os pais, pelo que tudo indicam, se suicidaram e mataram tamb\u00e9m seus filhos. Um aconteceu num condom\u00ednio residencial de classe m\u00e9dia alta do Rio de Janeiro, outro no F\u00f3rum Trabalhista de S\u00e3o Paulo.<br \/>Pelo que sabemos, s\u00e3o acontecimentos muito raros, se comparamos com o n\u00famero de mortes violentas e at\u00e9 de suic\u00eddios no Brasil. Mas, num per\u00edodo recente, os jornais t\u00eam noticiado, em m\u00e9dia, pelo menos um caso por ano. N\u00famero suficiente para nos afligir e nos pedir uma resposta, um \u201cporque\u201d ou um \u201cque fazer\u201d.<br \/>Psic\u00f3logos e soci\u00f3logos apontam as press\u00f5es sociais e a fragilidade das rela\u00e7\u00f5es interpessoais como fatores que aumentam as chances de suic\u00eddios na sociedade atual. No caso dos pais que matam seus filhos ao se suicidar, os psic\u00f3logos tamb\u00e9m apontam um fator de \u201cprote\u00e7\u00e3o\u201d: evitar que as crian\u00e7as fiquem sozinhas nesse mundo desumano que levou o pai \u00e0 morte.<br \/>\u00c9 bom lembrar, em nosso contexto, que a Igreja considera o suic\u00eddio como um ato que contraria o des\u00edgnio de Deus e a inclina\u00e7\u00e3o natural do ser humano, mas tamb\u00e9m percebe que pode ser consequ\u00eancia de perturba\u00e7\u00f5es ps\u00edquicas graves e n\u00e3o um ato livre da pessoa (Catecismo da Igreja Cat\u00f3lica, 2280s). Antes de um ato moral a ser julgado, estamos diante de uma dor terr\u00edvel a ser acolhida com amor.<br \/>Sofrimentos t\u00e3o grandes, aparentemente t\u00e3o absurdos e sem sentido, n\u00e3o s\u00e3o raros na hist\u00f3ria humana. Mas, para cada sofredor, sua dor \u00e9 \u00fanica e, no auge da dor, saber que outros tamb\u00e9m sofrem n\u00e3o \u00e9 mais que um p\u00e1lido consolo. Apesar disso, vale a pena, nesses momentos, procurar na hist\u00f3ria as palavras que a sabedoria crist\u00e3 encontrou para se dirigir a Deus e aos irm\u00e3os diante das grandes prova\u00e7\u00f5es.<br \/>Em 28 de maio de 2006, Bento XVI, em sua visita ao Campo de Contra\u00e7\u00e3o de Auschwitz-Birkenau, s\u00edmbolo maior do horror dos genoc\u00eddios do s\u00e9culo XX, clamava: \u201cOnde estava Deus naqueles dias? Por que Ele silenciou?\u201d. Diante desses casos terr\u00edveis de pais que se suicidam levando seus filhos junto, podemos nos fazer a mesma pergunta.<br \/>Gostar\u00edamos de poder n\u00e3o olhar para esses casos, fazer de conta que nem sequer sabemos que aconteceram. Mas, Bento XVI fez quest\u00e3o de dizer que tanto ele quanto Jo\u00e3o Paulo II, enquanto papas, n\u00e3o podiam deixar de visitar Auschwitz. Nossa f\u00e9 nos conclama a reconhecer a dor do outro, a mergulhar nela, seja para expressar nossa pobre e aparentemente v\u00e3 solidariedade, seja para mergulhar mais no mist\u00e9rio de Deus que n\u00e3o eliminou o sofrimento, mas com Cristo escolheu sofrer com suas criaturas.<br \/>Continua Bento XVI: \u201cN\u00f3s n\u00e3o podemos perscrutar o segredo de Deus vemos apenas fragmentos e enganamo-nos se pretendemos eleger-nos a ju\u00edzes de Deus e da hist\u00f3ria. N\u00e3o defendemos, nesse caso, o homem, mas contribuiremos apenas para a sua destrui\u00e7\u00e3o [&#8230;] Devemos elevar um grito humilde, mas insistente, a Deus: Desperta! N\u00e3o te esque\u00e7as da tua criatura, o homem! E o nosso grito a Deus deve ao mesmo tempo ser um grito que penetra o nosso pr\u00f3prio cora\u00e7\u00e3o, para que desperte em n\u00f3s a presen\u00e7a escondida de Deus, para que aquele seu poder que Ele depositou nos nossos cora\u00e7\u00f5es n\u00e3o seja coberto e sufocado em n\u00f3s pela lama do ego\u00edsmo, do medo dos homens, da indiferen\u00e7a e do oportunismo\u201d.<br \/>Diante do luto e da dor das fam\u00edlias vitimadas por esses suic\u00eddios, diante da ang\u00fastia que nos aflige quando pensamos nelas, a sabedoria crist\u00e3 n\u00e3o d\u00e1 uma resposta f\u00e1cil e esquem\u00e1tica, mas nos recorda a esperan\u00e7a e o alento de quem se reconhece sob o manto da ternura de Deus.<br \/>Jornal &#8220;O S\u00e3o Paulo&#8221;, edi\u00e7\u00e3o 3118, 7 a 13 de setembro de 2016.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: N\u00facleo F\u00e9 e Cultura<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Francisco Borba Ribeiro Neto, coordenador do N\u00facleo F\u00e9 e Cultura da PUC-SP. 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