{"id":17873,"date":"2016-09-13T17:02:02","date_gmt":"2016-09-13T20:02:02","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/09\/13\/ele-e-o-primeiro-padre-catolico-mongol-em-quase-mil-anos\/"},"modified":"2017-05-29T15:53:54","modified_gmt":"2017-05-29T18:53:54","slug":"ele-e-o-primeiro-padre-catolico-mongol-em-quase-mil-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/ele-e-o-primeiro-padre-catolico-mongol-em-quase-mil-anos\/","title":{"rendered":"Ele \u00e9 o primeiro padre cat\u00f3lico mongol em quase mil anos!"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/mongolia-joseph.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Aleteia teve a felicidade de entrevistar o rec\u00e9m-ordenado pe. Joseph Enkhee-Baatar<\/p>\n<p>Aleteia: O senhor foi ordenado na Mong\u00f3lia neste 28 de agosto de 2016, o que o torna o primeiro sacerdote aut\u00f3ctone do pa\u00eds em cerca de 1.000 anos! Como o senhor vive esse fato hist\u00f3rico?<\/p>\n<p>Pe. Joseph Enkhee-Baatar: Estou feliz e honrado por ter sido escolhido para ser ordenado aqui na Mong\u00f3lia, e por ser uma pequena parte da miss\u00e3o. Os primeiros mission\u00e1rios que vieram para o Imp\u00e9rio Mongol eram nestorianos [nota: o nestorianismo foi uma heresia que negava a uni\u00e3o entre a humanidade e a divindade de Cristo, bem como o t\u00edtulo de Maria como M\u00e3e de Deus]. Eles chegaram nos s\u00e9culos VII e VIII. Foi assim que v\u00e1rias tribos mong\u00f3is se converteram ao cristianismo. Os primeiros mission\u00e1rios cat\u00f3licos chegaram no s\u00e9culo XIII, sob a dinastia Yuan. De acordo com alguns documentos hist\u00f3ricos, o Imp\u00e9rio tinha naquela \u00e9poca cerca de 30.000 cat\u00f3licos mong\u00f3is. A Igreja permaneceu quase 100 anos no reinado da dinastia Yuan. Provavelmente houve padres mong\u00f3is, mas eu n\u00e3o encontrei quaisquer vest\u00edgios hist\u00f3ricos evidentes. Depois da queda da dinastia Yuan, e com o surgimento da dinastia chinesa Ming, o catolicismo desapareceu do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Aleteia: Por que decorreu tanto tempo entre o primeiro an\u00fancio do Evangelho no seu pa\u00eds e esta primeira ordena\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p>Pe. Joseph Enkhee-Baatar: V\u00e1rias raz\u00f5es explicam essa lacuna entre o primeiro an\u00fancio do Evangelho e o rein\u00edcio atual da Igreja. Primeiro, o surgimento dos mu\u00e7ulmanos no Oriente M\u00e9dio, que impedia os mission\u00e1rios de virem at\u00e9 a Mong\u00f3lia. \u00c9 um pa\u00eds sem litoral. Al\u00e9m disso, nos s\u00e9culos XVI e XVII, a Mong\u00f3lia adotou o budismo tibetano, que acabou se tornando a religi\u00e3o do Estado. A Mong\u00f3lia era um pa\u00eds teocr\u00e1tico at\u00e9 a revolu\u00e7\u00e3o comunista. Quando o pa\u00eds se tornou comunista, em 1924, os planos do Vaticano para a sua evangeliza\u00e7\u00e3o foram bloqueados. S\u00f3 depois da queda do comunismo, em 1990, os primeiros mission\u00e1rios, que eram tr\u00eas, chegaram \u00e0 Mong\u00f3lia, em 1992. No ano que vem n\u00f3s vamos celebrar os 25 anos da presen\u00e7a da Igreja cat\u00f3lica.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m levou tempo para evangelizar a Mong\u00f3lia porque o nosso pa\u00eds tem profundas ra\u00edzes xam\u00e2nicas (o tengriismo) e budistas, embora estas sejam mais recentes. \u00c9 por isso que as pessoas continuam a ver o cristianismo como uma religi\u00e3o estrangeira e, \u00e0s vezes, como uma amea\u00e7a \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o e cultura mongol.<\/p>\n<p>Aleteia: A Mong\u00f3lia ainda tem poucos cat\u00f3licos. Ser mongol pode facilitar a evangeliza\u00e7\u00e3o dos seus compatriotas?<\/p>\n<p>Pe. Joseph Enkhee-Baatar: Jesus disse que \u201ca messe \u00e9 grande, mas os trabalhadores s\u00e3o poucos\u201d (Lucas 10, 2). N\u00f3s precisamos de mais padres, irm\u00e3s e leigos mission\u00e1rios para trabalhar no servi\u00e7o do Reino de Deus. Se voc\u00ea servir a Deus e ao seu povo de todo cora\u00e7\u00e3o com as palavras, a\u00e7\u00f5es e com a vida, a sua nacionalidade ou congrega\u00e7\u00e3o n\u00e3o importa. Voc\u00ea vai ser uma grande ajuda e o instrumento de evangeliza\u00e7\u00e3o para o seu pa\u00eds e para o mundo inteiro.<\/p>\n<p>Mas precisamos de mais sacerdotes do nosso pa\u00eds, mesmo assim, porque eles v\u00e3o saber melhor como ensinar sobre Jesus e a Igreja. Os mong\u00f3is v\u00e3o compreender e aceitar melhor, n\u00e3o como uma religi\u00e3o estrangeira, mas como uma religi\u00e3o que \u00e9 pr\u00f3xima da sua tradi\u00e7\u00e3o, cultura e estilo de vida.<\/p>\n<p>Aleteia: Quanto a n\u00fameros: pode nos falar sobre o tamanho da sua par\u00f3quia, o n\u00famero de fi\u00e9is, a porcentagem de cat\u00f3licos na Mong\u00f3lia?<\/p>\n<p>Pe. Joseph Enkhee-Baatar: Em todo o pa\u00eds, temos cerca de 1.200 cat\u00f3licos, que representam apenas 0,04% da popula\u00e7\u00e3o. Mas a porcentagem total de crist\u00e3os no pa\u00eds \u00e9 de cerca de 2%. N\u00f3s temos seis par\u00f3quias e v\u00e1rias \u201csub-par\u00f3quias\u201d [nota: das 21 prov\u00edncias da Mong\u00f3lia, 17 n\u00e3o t\u00eam nenhuma presen\u00e7a cat\u00f3lica].<\/p>\n<p>Aleteia: Quais s\u00e3o os desafios pastorais que esperam por voc\u00ea nestes primeiros meses?<\/p>\n<p>Pe. Joseph Enkhee-Baatar: Eu fui ordenado faz pouco mais de uma semana e fiquei na casa da Miss\u00e3o da Igreja Cat\u00f3lica. Por enquanto, tenho que esperar a carta oficial que vai me dizer onde eu vou realizar o meu primeiro trabalho pastoral.<\/p>\n<p>Entrevista feita por Louis Plantier-Vassal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aleteia teve a felicidade de entrevistar o rec\u00e9m-ordenado pe. Joseph Enkhee-Baatar Aleteia: O senhor foi ordenado na Mong\u00f3lia neste 28 de agosto de 2016, o que o torna o primeiro sacerdote aut\u00f3ctone do pa\u00eds em cerca de 1.000 anos! Como o senhor vive esse fato hist\u00f3rico? Pe. Joseph Enkhee-Baatar: Estou feliz e honrado por ter [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":17872,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-17873","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-vaticano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=17873"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17873\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":24202,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/17873\/revisions\/24202"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/17872"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=17873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=17873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=17873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}