{"id":17611,"date":"2016-09-05T12:02:55","date_gmt":"2016-09-05T15:02:55","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/09\/05\/alegrar-se-com-a-misericordia-divina\/"},"modified":"2017-05-08T09:04:19","modified_gmt":"2017-05-08T12:04:19","slug":"alegrar-se-com-a-misericordia-divina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/alegrar-se-com-a-misericordia-divina\/","title":{"rendered":"Alegrar-se com a Miseric\u00f3rdia Divina"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Sobretudo neste Ano da Miseric\u00f3rdia as tr\u00eas par\u00e1bolas que patenteiam a clem\u00eancia divina merecem aten\u00e7\u00e3o especial (Luc 15, 1-31. Elas manifestam, atrav\u00e9s de tr\u00eas imagens, a grande dire\u00e7\u00e3o de Deus para com os homens. Este Deus se interessa por suas criaturas, as aguarda sem cessar. Na sua passagem por esta terra Jesus acolhia os pecadores e causava espanto aos fariseus hip\u00f3critas. A eles com sabedoria celestial Cristo cabalmente responde. Alegria do pastor que encontra a ovelha perdida. Gaudio da mulher que depara a dracma que desaparecera, a qual cuidadosamente procurava por toda a casa. J\u00fabilo do pai com o retorno do filho desavisado que abandonara o lar, mas que retorna arrependido. Tudo isto \u00e9 o mesmo que acontece com Deus e as compara\u00e7\u00f5es s\u00e3o claras e sugestivas. Sobretudo a par\u00e1bola do Filho Pr\u00f3digo sempre causou impress\u00e3o profunda naqueles que refletem na sublimidade do perd\u00e3o do pai que organiza um festim para comemorar o retorno daquele que se transviara e ca\u00edra em erros lament\u00e1veis. O pecado \u00e9 sempre uma inj\u00faria ao amor divino, mas o arrependimento tudo repara e merece ser festejado pela clem\u00eancia paterna. Deus que n\u00e3o desampara os que lhe s\u00e3o fi\u00e9is e os cumula de benef\u00edcios maravilhosos, sabe, por\u00e9m, perdoar e acolher o pecador arrependido. Muitos crist\u00e3os s\u00e3o como o filho mais velho, pois n\u00e3o apreendem a extens\u00e3o do indulto divino. O pai \u00e9 recriminado por anistiar aquele que havia dilapidado sua fortuna com as prostitutas numa vida desregrada. Tenta ele explicar, por\u00e9m, que ele n\u00e3o se tratava de um estrangeiro, de um corrupto, mas de algu\u00e9m que errou, tendo reconhecido sua iniquidade. O pai n\u00e3o se mostra ent\u00e3o um juiz inexor\u00e1vel, um senhor desalmado. Ao dizer ao filho intransigente \u201ctudo que \u00e9 meu \u00e9 teu\u201d fez vibrar as cordas de sua bondade e cabia, isto sim, \u00e0quele que nunca o deixara saber usufruir dos bens da casa paterna. Se tal n\u00e3o estava ocorrendo, a culpa n\u00e3o era do pai, mas daquele que n\u00e3o se sentia filho e que naquele instante renegava seu irm\u00e3o, que regressara confiante na absolvi\u00e7\u00e3o daqueles que ele lamentavelmente largara, Li\u00e7\u00e3o magn\u00edfica de solidariedade \u00e9 o que flui das palavras do pai que percebera a depend\u00eancia vital do filho arrependido. Naquele momento o filho mais velho era quem mais necessiva da miseric\u00f3rdia do pai, pois se considerava um mero servo, um criado como outro qualquer e n\u00e3o como filho. O filho pr\u00f3digo, por\u00e9m, proclamava sua liga\u00e7\u00e3o filial, porque disse entristecido: \u201cMeu pai, pequei contra o c\u00e9u e contra ti; j\u00e1 n\u00e3o sou digno de ser chamado teu filho\u201d. Muitos s\u00e3o os que julgam o pr\u00f3ximo e se consideram melhores do que os outros, exatamente por n\u00e3o terem uma no\u00e7\u00e3o exata da miseric\u00f3rdia do Pai do C\u00e9u, do qual todos somos filhos e, em consequ\u00eancia, somos irm\u00e3os. Vale a pena recordar as palavras de S\u00e3o Paulo: \u201cCristo veio ao mundo para salvar os pecadores, o primeiro dos quais sou eu\u201d. Isto, \u00e9 evidente, n\u00e3o em ordem de tempo, mas, como explica Santo Agostinho, \u201cpelo n\u00famero e gravidade dos pecados\u201d (1 Tm 1,15). Quem se julga isento de culpa \u00e9 incapaz de olhar os outros com complac\u00eancia. Quem serve a Deus reconhece o mar imenso de favores celestiais que recebe e n\u00e3o se julga merecedor de mais benef\u00edcios divinos. Obedecer a Deus \u00e9 j\u00e1 uma grande gra\u00e7a, n\u00e3o \u00e9 um fardo pesado. Nada de compara\u00e7\u00f5es com os outros que, possivelmente, t\u00eam muito mais merecimento diante de Deus. Ao olhar do amor misericordioso de Deus todos somos iguais, porque pecadores necessitados do perd\u00e3o e da miseric\u00f3rdia divinas. Somente Deus \u00e9 perfeito e santo. Assim sendo, nesta par\u00e1bola, o filho mais idoso estava mais perdido do que o irm\u00e3o mais novo arrependido. Agia como um justo, mas seu cora\u00e7\u00e3o estava endurecido com rela\u00e7\u00e3o aos outros. Era um insens\u00edvel, tomado por um sentimento de inveja e n\u00e3o reconhecendo a dignidade de seu irm\u00e3o. Criticou asperamente o direito que ele tinha de ser perdoado e amado pelo pai, Quem erra deve imitar o filho pr\u00f3digo e ter sempre um arrependimento sincero das faltas cometidas. Jamais devemos ser como o filho mais velho que sabia simplesmente obedecer ao pai, mas n\u00e3o o amava, desconhecendo tantas maravilhas que estavam a seu derredor. Deus quer sempre a observ\u00e2ncia dos mandamentos, mas isto por amor filial a Ele e n\u00e3o por mero temor da perda da felicidade eterna. * Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sobretudo neste Ano da Miseric\u00f3rdia as tr\u00eas par\u00e1bolas que patenteiam a clem\u00eancia divina merecem aten\u00e7\u00e3o especial (Luc 15, 1-31. Elas manifestam, atrav\u00e9s de tr\u00eas imagens, a grande dire\u00e7\u00e3o de Deus para com os homens. Este Deus se interessa por suas criaturas, as aguarda sem cessar. 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