{"id":17598,"date":"2016-09-02T19:09:21","date_gmt":"2016-09-02T22:09:21","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/09\/02\/calcuta-um-encontro-que-marcou-a-historia\/"},"modified":"2017-05-31T09:04:19","modified_gmt":"2017-05-31T12:04:19","slug":"calcuta-um-encontro-que-marcou-a-historia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/calcuta-um-encontro-que-marcou-a-historia\/","title":{"rendered":"Calcut\u00e1: Um encontro que marcou a hist\u00f3ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/73d7edd1405.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Padre Werenfried visitou Madre Teresa em 1959 no &quot;Home for Dying Destitutes&quot; (Casa para os Morimbundos Abandonados) Padre Werenfried visitou Madre Teresa em 1959 no &#8220;Home for Dying Destitutes&#8221; (Casa para os Morimbundos Abandonados)<\/p>\n<p>Foi em 1959 quando o padre Werenfried visitou a &#8220;Casa para os Morimbundos Abandonados&#8221; em Calcut\u00e1, \u00cdndia. L\u00e1 conheceu Madre Teresa e todo o trabalho que ela fazia junto aos mais pobres entre os pobres. Este encontro, esta visita, marcou profundamente a vida do sacerdote holand\u00eas. Werenfried n\u00e3o demorou para contar para o mundo o que viu naquele lugar. O texto abaixo pode parecer longo, mas o encorajamos a ler at\u00e9 seu fim.<\/p>\n<p>Horror na \u00c1sia\u00b9<br \/>Tirado do livro &#8220;Me chamam Padre Toucinho&#8221; (Publicado em 1961)<\/p>\n<p>Ent\u00e3o veio Calcut\u00e1. Um milh\u00e3o de pessoas sem moradia vivem, dormem e morrem nas ruas escaldantes desta metr\u00f3pole. Cem mil outros, a maioria refugiados do Paquist\u00e3o, moram pelas cal\u00e7adas. Eles constru\u00edram pequenas cabanas, bem juntas uma da outra, a perder de vista, apoiando-se contra as paredes das casas. A altura de seus telhados \u00e9 de um pouco mais de 1 metro. Pelos canos passam \u00e1gua marrom e barrenta das calhas. N\u00e3o h\u00e1 comida, trabalho, nada. Dos quatrocentos milh\u00f5es de indianos, tr\u00eas quartos s\u00e3o subnutridos. Apenas as vacas sagradas est\u00e3o em melhores condi\u00e7\u00f5es \u2013 dizem que h\u00e1 duzentas milh\u00f5es delas. Andam sem impedimentos pelas ruas, bloqueam o tr\u00e1fego, devoram o conte\u00fado de quitandas; elas n\u00e3o podem ser espantadas nem mortas. E as pessoas est\u00e3o famintas. H\u00e1 casas para vacas mais velhas, mas n\u00e3o h\u00e1 para pessoas idosas.<\/p>\n<p>A \u00fanica preocupada com as pessoas \u00e9 Madre Teresa. Ela cuida dos abandonados, lhes conseguindo todas as manh\u00e3s algo sem ser da lata de lixo; cuida tamb\u00e9m dos doentes e moribundos. Visitei-a na casa destes que est\u00e3o quase morrendo. A casa \u00e9 bastante perto do Templo de Kali, usado como um templo de prostitui\u00e7\u00e3o. Agora \u00e9 a \u00faltima casa para aqueles que morrem s\u00f3s. Acima da porta est\u00e3o as palavras: &#8220;Home for Dying Destitutes&#8221; (Casa para os Morimbundos Abandonados). Freiras e ajudantes de Madre Teresa percorrem as ruas procurando os moribundos, e os carregam em macas para sua casa. Na minha visita, havia 127 desses naquela casa: seis longas filas de macas uma ao lado da outra. Murchos esqueletos ali estavam esperando a morte: olhos febris escuros olhavam para mim. Mas Madre Teresa e seus ajudantes ficavam com eles, e, talvez fosse pela primeira vez em suas vidas que essas pessoas, na beira da morte, experimentavam um amor sem interesse. Madre Teresa \u00e9 uma freira albanesa da Iugosl\u00e1via que vive h\u00e1 trinta e sete anos na \u00cdndia. Cerca de quinze anos atr\u00e1s, ela fundou uma congrega\u00e7\u00e3o com o prop\u00f3sito de cuidar dos mais pobres e necessitados. J\u00e1 existem 125 freiras, das quais seis vieram da Europa.<\/p>\n<p>Havia uma menina de Friburgo, Alemanha, l\u00e1. Quatro anos atr\u00e1s eu havia pregado em Friburgo, e depois do serm\u00e3o ela foi me procurar e disse que queria dedicar sua vida a Deus a servi\u00e7o dos mais pobres, e perguntava se eu poderia dizer-lhe para onde ir. Eu honestamente n\u00e3o sabia. Prometi que iria orar para que o Senhor a iluminasse e a aconcelhei discutir o assunto com algu\u00e9m que a conhecia intimamente: ent\u00e3o Deus certamente lhe mostraria o caminho. Eu nunca ouvi mais nada sobre ela. Mas em Calcut\u00e1 eu a reconheci na casa dos moribundos, e ela me reconheceu. Ela estava ali por volta de um ano e meio, mostrando um pouco de amor para mais de doze mil pessoas \u00e0 beira da morte. N\u00e3o \u00e9 tanto pela roupa ou comida, mas \u00e9 o cuidado maternal que ilumina os \u00faltimos dias daquelas pessoas como num milagre.<\/p>\n<p>Em Calcut\u00e1 eu batizei uma crian\u00e7a que estava morrendo nos bra\u00e7os de sua m\u00e3e mu\u00e7ulmana de dezesseis anos de idade, porque eu n\u00e3o sou apenas um mendigo, mas antes de tudo um sacerdote, que fica contente por batizar uma crian\u00e7a. Ningu\u00e9m notou que dei \u00e0 crian\u00e7a o nome Werenfried\u00b2. Dez minutos depois, o pequeno Werenfried estava morto. Quando homens chegaram para lev\u00e1-lo, eu fui tamb\u00e9m. Chegamos a um local cercado perto do Templo de Kali. Havia dezessete trincheiras no ch\u00e3o com fogueiras acesas em cada uma delas. Para cada cad\u00e1ver, madeira no valor de quarenta r\u00fapias\u00b3 deveria ser comprada. Os ricos compram uma lata de gasolina para que se leve menos tempo. Sem gasolina o processo leva pelo menos tr\u00eas horas. A crian\u00e7a foi colocada com as outras pessoas mortas no ch\u00e3o at\u00e9 que uma trincheira ficasse livre. Um homem que havia sido atropelado por um bonde tinha acabado de ser jogado no fogo.<\/p>\n<p>Os parentes esperavam pacientemente e falavam um com o outro enquanto que as crian\u00e7as brincavam com ossos que tinham escapado do fogo. Uma vaca sagrada ia por entre as trincheiras de queima e fungou na crian\u00e7a morta. De tempos em tempos, surgia um estrondo abafado: este foi um cr\u00e2nio explodindo. Cada vez que um corpo ficava pronto, as cinzas eram reunidas numa vasilha e jogadas no rio mais adiante, onde crian\u00e7as pulavam na \u00e1gua e brincavam com lama e cinzas.<\/p>\n<p>Nesta cena macabra os seres humanos s\u00e3o nada mais do que um peda\u00e7o de carne, um peda\u00e7o de osso, um monte de cinzas. Por que essas pessoas s\u00e3o ainda t\u00e3o pouco afetadas pelo cristianismo, ap\u00f3s quatro s\u00e9culos em contato dele? A raz\u00e3o \u00e9 que n\u00f3s, os crist\u00e3os, temos faltado culposamente com o amor puro e a ajuda fraterna. Este \u00e9 especialmente o caso em que o povo crist\u00e3o, como pot\u00eancias colonizadoras, t\u00eam carregado a responsabilidade do desenvolvimento, da educa\u00e7\u00e3o e da instru\u00e7\u00e3o religiosa dos chamados pa\u00edses subdesenvolvidos. Eu sei, \u00e9 claro, que n\u00e3o somos pessoalmente respons\u00e1veis pelos pecados de nossos pais. Mas temos sim o dever de fornecer a caridade que nossos antepassados da era colonial n\u00e3o podem mais.<\/p>\n<p>J\u00e1 estive em lugares onde os ratos morreriam de fome se n\u00e3o tivessem mais o que comer do que as pessoas tinham. Eu lembro de ter lido em algum lugar que h\u00e1 locais onde 450 mil crian\u00e7as morrem em seu primeiro ano por falta de alimento. Ouve-se em New York que est\u00e3o sendo dadas aulas de dic\u00e7\u00e3o pela televis\u00e3o, mas h\u00e1 hoje 600 milh\u00f5es de crian\u00e7as no mundo sem escolas ou professores. Elas permanecer\u00e3o todas as suas vidas analfabetas. Em certas regi\u00f5es, metade da popula\u00e7\u00e3o morre antes dos 15 anos. Dois ter\u00e7os da humanidade passa fome. Amanh\u00e3, o caminh\u00e3o de lixo vai visitar as nossas casas para recolher comida, que temos jogado fora, mas em Calcut\u00e1 o caminh\u00e3o de lixo vir\u00e1 para limpar os corpos daqueles que morreram de fome durante a noite. Se um c\u00e3o \u00e9 atropelado nesses lugares, as crian\u00e7as lutam por um peda\u00e7o de carne ou osso para mastigarem. Esta \u00e9 a dura realidade, e n\u00e3o podemos fechar os olhos para ela.<\/p>\n<p>J\u00e1 estou trabalhando pela Ajuda \u00e0 Igreja que Sofre por mais de quarenta anos. Nestes anos, tenho visto uma terr\u00edvel mis\u00e9ria e tristeza. Mas coisas como essas eu nunca tinha experimentado. Eu acho que \u00e9 meu dever escrever isto: eu n\u00e3o sei como as coisas podem melhorar. Eu s\u00f3 sei que devemos fazer tudo \u2013 tudo \u2013 e que a nossa Obra tem uma tarefa aqui: de uma forma ou de outra isso tem a ver com os perseguidos ou com a Igreja em necessidade. Essas coisas conduzem inevitavelmente \u00e0 persegui\u00e7\u00e3o religiosa. E de fato o futuro do comunismo &#8211; e, portanto, tamb\u00e9m do cristianismo &#8211; ser\u00e1 decidido nos pa\u00edses sobre os quais estou escrevendo.<\/p>\n<p>H\u00e1 uma passagem tr\u00e1gica na Sagrada Escritura: &#8220;Ele veio para os Seus, e os Seus n\u00e3o O receberam!&#8221; N\u00e3o havia lugar para Ele, porque &#8220;os seus&#8221; estavam sem amor. Esta \u00e9 a origem escondida de todas as guerras e de toda destrui\u00e7\u00e3o, erros e desordem. Sem Cristo, tudo d\u00e1 errado, porque Ele \u00e9 a Cabe\u00e7a que governa toda a humanidade. E Cristo est\u00e1 presente apenas quando h\u00e1 amor.<\/p>\n<p>Vamos, portanto, em nome de Deus, restaurar o amor, que abre portas e cora\u00e7\u00f5es para Ele. N\u00f3s, seres humanos somos uma s\u00f3 ra\u00e7a. Todos n\u00f3s. At\u00e9 os povos mais primitivos dos pa\u00edses ditos subdesenvolvidos e as milh\u00f5es de pessoas famintas no mundo de hoje. O abandonado na lata de lixo e a m\u00e3e chorando pelo pequeno Werenfried, a quem batizei; o velho chin\u00eas com sua garrafa de gim e o refugiado em uma barca em Hong Kong. As conhecidas meninas famintas da Coreia, que dormem com os norte-americanos pela tamanha pobreza, e os pequenos catadores que pararam de roubar: eles todos nos pertencem, e n\u00f3s a eles. Devemos amar uns aos outros e ajudar uns aos outros. Como S\u00e3o Martinho: que andava montado em seu cavalo quando um mendigo gritou por socorro, mas S\u00e3o Martinho n\u00e3o tinha nada para oferecer. Ent\u00e3o ele pegou sua capa, cortou-a ao meio e deu metade ao mendigo. Metade, leitor! O mendigo era Cristo. Por isso, cada pobre \u00e9 Cristo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: ACN<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Padre Werenfried visitou Madre Teresa em 1959 no &quot;Home for Dying Destitutes&quot; (Casa para os Morimbundos Abandonados) Padre Werenfried visitou Madre Teresa em 1959 no &#8220;Home for Dying Destitutes&#8221; (Casa para os Morimbundos Abandonados) Foi em 1959 quando o padre Werenfried visitou a &#8220;Casa para os Morimbundos Abandonados&#8221; em Calcut\u00e1, \u00cdndia. 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