{"id":17202,"date":"2016-08-22T12:47:48","date_gmt":"2016-08-22T15:47:48","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/08\/22\/desenrolar-a-vida\/"},"modified":"2017-05-08T09:28:13","modified_gmt":"2017-05-08T12:28:13","slug":"desenrolar-a-vida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/desenrolar-a-vida\/","title":{"rendered":"Desenrolar a vida"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Paramos pouco para refletir sobre o sentido de certas palavras ou termos que habitualmente usamos. Estes acabam nos surpreendendo, n\u00e3o s\u00f3 pela origem pitoresca, mas igualmente pela li\u00e7\u00e3o de vida que muitas vezes cont\u00eam. Um exemplo: rolo. Quantas vezes dizemos: \u201cestou no maior rolo, minha vida est\u00e1 enrolada\u201d ou simplesmente exclamamos: \u201cah, que rolo!\u201d.<br \/> Quase t\u00e3o antiga como a arte de escrever, essa palavra nos remete \u00e0 origem do pr\u00f3prio papel ou \u00e0 inexist\u00eancia dele. Por muitos s\u00e9culos escreveu-se em lascas de pedras, l\u00e2minas de chumbo, casca de \u00e1rvores (ah, isso n\u00f3s j\u00e1 o fizemos, desenhando aquele cora\u00e7\u00e3o flechado e o nome da amada ou do amado ao lado do nosso, n\u00e3o \u00e9 mesmo?) e at\u00e9 em tijolos especiais, previamente preparados como r\u00fasticos cadernos escolares daquela \u00e9poca. Tudo muito primitivo.<br \/> Mas, na \u00c1frica, existia um pa\u00eds considerado ber\u00e7o da cultura e da civiliza\u00e7\u00e3o, cujo papel hist\u00f3rico foi al\u00e9m da grandiosidade piramidal de suas estruturas sociais: inventou o pr\u00f3prio papel. A abund\u00e2ncia de um vegetal \u00e0s margens do rio Nilo, o papiro, possibilitou aos eg\u00edpcios a constru\u00e7\u00e3o de barcos mais leves e velozes, a confec\u00e7\u00e3o de cordas e cal\u00e7ados e, por fim, o papel. Estendiam seu miolo em camadas sobrepostas, de forma longitudinal, e sobre suas folhas era poss\u00edvel escrever.<br \/> Da\u00ed o nome: folha de papel (papiro). Sobre essas tiras, ligadas umas \u00e0s outras, atavam varetas em suas extremidades, que serviam para enrolar o volume. Nelas registravam as obras de seus fil\u00f3sofos, pensadores e poetas, al\u00e9m das leis e preceitos religiosos que regiam suas tradi\u00e7\u00f5es. Depois enegreciam as bases daquele \u201cvolume\u201d, colocavam um r\u00f3tulo de couro com o nome da obra e o mergulhavam por inteiro em \u00f3leo de cedro, para melhor conserv\u00e1-lo. Tinha-se, assim, mais um volume liter\u00e1rio, cujo conte\u00fado se lia com uma das m\u00e3os desenrolando suas p\u00e1ginas, enquanto a outra enrolava o que se tinha lido. Portanto, ler um livro era desenrolar o volume.<br \/> Ainda a t\u00edtulo de reflex\u00e3o, aqueles povos tamb\u00e9m faziam uso de pequenas cadernetas, ou seja, tabuinhas de madeira branca, perfuradas com um ponteiro tipo estilete (origem da palavra estilo), que, amarradas uma \u00e0s outras, formavam o c\u00f3dice, hoje c\u00f3digos, itens de normas e leis que regem nosso comportamento social. O pergaminho \u2013 que surgiu em P\u00e9rgamo, \u00c1sia Menor \u2013 tamb\u00e9m era enrolado como os manuscritos eg\u00edpcios, s\u00f3 que fazendo uso de peles finas, tais como as de carneiro. Isso porque, temendo que a cultura asi\u00e1tica sobrepujasse a cultura eg\u00edpcia, Ptolomeu, rei do Egito, proibiu a exporta\u00e7\u00e3o do papiro. J\u00e1 naquela \u00e9poca!&#8230;<br \/> Curiosamente, os diplomados dos tempos modernos recebem com ostenta\u00e7\u00e3o seus pergaminhos, os famosos \u201ccanudos\u201d que orgulhosamente desenrolamos para pendur\u00e1-los em nossas frias paredes. Sem sequer imaginar as raz\u00f5es, origens e significados ocultos na hist\u00f3ria de um simples peda\u00e7o de papel!<br \/> Ah, que rolo! Por\u00e9m nada confuso, nada misterioso, mas talvez desconhecido, desvalorizado. Eis o sentido daquilo que julgamos ser in\u00edcio ou instrumento dos muitos conflitos e confus\u00f5es em que nos metemos. Rolo, um livro fechado, um conte\u00fado desconhecido, uma lei ignorada! Eis o que \u00e9. Portanto, ler, decifrar, compreender, por em pr\u00e1tica o que aprendemos, \u00e9 o que necessitamos para uma vida mais saud\u00e1vel, feliz. Pois se desejarmos uma vida sem conflitos, sem confus\u00f5es que tolham nossos relacionamentos, nossos projetos e objetivos, basta-nos abrir mentes e cora\u00e7\u00f5es para o conhecimento das maravilhas que nos cercam. Leia mais, e voc\u00ea vai desenrolar sua vida. Ali\u00e1s, a primeira refer\u00eancia do minist\u00e9rio de Jesus na Terra, fala dessa atitude: \u201cDesenrolando o livro, Ele come\u00e7ou a ensinar\u201d&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paramos pouco para refletir sobre o sentido de certas palavras ou termos que habitualmente usamos. Estes acabam nos surpreendendo, n\u00e3o s\u00f3 pela origem pitoresca, mas igualmente pela li\u00e7\u00e3o de vida que muitas vezes cont\u00eam. Um exemplo: rolo. Quantas vezes dizemos: \u201cestou no maior rolo, minha vida est\u00e1 enrolada\u201d ou simplesmente exclamamos: \u201cah, que rolo!\u201d. 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