{"id":17016,"date":"2016-08-11T15:36:32","date_gmt":"2016-08-11T18:36:32","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/08\/11\/nuncio-na-ucrania-dificil-a-situacao-humanitaria\/"},"modified":"2017-06-02T11:26:59","modified_gmt":"2017-06-02T14:26:59","slug":"nuncio-na-ucrania-dificil-a-situacao-humanitaria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/nuncio-na-ucrania-dificil-a-situacao-humanitaria\/","title":{"rendered":"N\u00fancio na Ucr\u00e2nia: dif\u00edcil a situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/ap2508623_articolo.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>No leste da Ucr\u00e2nia, n\u00e3o obstante o cessar-fogo alcan\u00e7ado em 2015 com o Acordo de Minsk, continuam os combates.\u00a0 Torna-se cada vez mais dif\u00edcil a situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, sobretudo para as faixas mais vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do conflito, s\u00e3o cerca de 9.500 as v\u00edtimas, enquanto outras 800 mil necessitam de assist\u00eancia nas zonas onde ainda se combate e nas vizinhan\u00e7as imediatas. Dif\u00edcil tamb\u00e9m o acesso das ajudas humanit\u00e1rias nestas \u00e1reas.<\/p>\n<p>H\u00e1 poucos dias, pela primeira vez em cinco meses, os comboios da UNHCR \u2013 a Ag\u00eancia da ONU para os refugiados \u2013 conseguiu chegar \u00e0s popula\u00e7\u00f5es nas zonas n\u00e3o controladas pelo governo, na regi\u00e3o de Luhansk. Foram distribu\u00eddos materiais de constru\u00e7\u00e3o de vital import\u00e2ncia para as milhares de pessoas cujas habita\u00e7\u00f5es foram danificadas ou destru\u00eddas durante o conflito.<\/p>\n<p>Sobre a situa\u00e7\u00e3o no leste do pa\u00eds, n\u00f3s conversamos por telefone com o N\u00fancio Apost\u00f3lico na Ucr\u00e2nia, Dom Claudio Gugerotti:<\/p>\n<p>\u201cInfelizmente, a situa\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos dias piorou. Foram retomados os conflitos armados e tamb\u00e9m as v\u00edtimas\u201d.<\/p>\n<p>RV: Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, quais s\u00e3o as maiores necessidades?<\/p>\n<p>\u201cA assist\u00eancia \u00e0queles que vivem na zona onde se confrontam os dois contingentes: o dos separatistas e o do ex\u00e9rcito ucraniano. \u00c9 uma zona minada, o que torna muito dif\u00edcil levar as ajudas, pois se corre o risco de pisar numa mina. Depois, naquela zona, continuam os bombardeios, muitas casas foram destelhadas e as pessoas est\u00e3o substancialmente isoladas. As outras duas faixas mais atingidas s\u00e3o aquelas que vivem na zona sob o controle dos separatistas, porque s\u00e3o sobretudo idosos. A terceira faixa \u00e9 a dos refugiados que est\u00e3o na Ucr\u00e2nia, certamente mais de 1 milh\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>RV: Como em toda a guerra, as v\u00edtimas mais indefesas s\u00e3o as mulheres, as crian\u00e7as, os idosos. O que se poderia fazer por eles?<\/p>\n<p>\u201cIsto, de fato, \u00e9 tamb\u00e9m o objeto principal da aten\u00e7\u00e3o da Comiss\u00e3o que o Santo Padre instituiu para distribuir a grande ajuda humanit\u00e1ria para a Ucr\u00e2nia. Existem muitas m\u00e3es que permaneceram sozinhas com as crian\u00e7as, porque o marido ou est\u00e1 na guerra ou porque deixou a fam\u00edlia. Estas m\u00e3es, naturalmente, tendo crian\u00e7as pequenas, n\u00e3o podem normalmente ter um trabalho, e disto depende a sobreviv\u00eancia do n\u00facleo familiar. A outra categoria que corre um grande risco \u00e9 a dos idosos, que praticamente n\u00e3o s\u00e3o assistidos: geralmente t\u00eam a casa destru\u00edda ou gravemente danificada, t\u00eam dificuldades em receber alimento e sobretudo uma enorme dificuldade em ter acesso aos rem\u00e9dios. Em rela\u00e7\u00e3o ao envio de ajudas nas v\u00e1rias zonas, isto \u00e9 particularmente dif\u00edcil\u201d.<\/p>\n<p>RV: O quanto \u00e9 dif\u00edcil a chegada das ajudas nas zonas de fronteira ou do conflito por parte das ONGs, da Igreja?<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 muito dif\u00edcil. A parte sob controle ucraniano tem um acesso relativamente mais f\u00e1cil, mas na parte da chamada \u201czona cinza\u201d \u2013 aquela ao redor da linha de demarca\u00e7\u00e3o \u2013 e sobretudo na zona sob o controle das \u201cautoridades de fato\u201d, a coisa \u00e9 muito dif\u00edcil, mesmo porque foi mudada a moeda. Depois, existe um mecanismo muito rigoroso para o reconhecimento das organiza\u00e7\u00f5es que t\u00eam a permiss\u00e3o para acessar e distribuir. Nesta zona as dificuldades s\u00e3o particularmente graves tamb\u00e9m para n\u00f3s: conseguimos, de qualquer maneira, programar as ajudas, que deveriam partir no final de agosto, somente por meio das Na\u00e7\u00f5es Unidas\u201d.<\/p>\n<p>RV: O conflito ucraniano que teve in\u00edcio em 2014, provocou mais de 9.500 mortos. Dois milh\u00f5es de pessoas tiveram que abandonar as suas casa. N\u00e3o obstante isto, parece ter se tornado um conflito esquecido, porque a aten\u00e7\u00e3o da m\u00eddia se voltou para outras latitudes. Mas, certamente o apelo do Papa em abril e a coleta promovida para Ucr\u00e2nia, chamaram a aten\u00e7\u00e3o novamente para esta pa\u00eds&#8230;.<\/p>\n<p>\u201cCertamente. A opera\u00e7\u00e3o desejada pelo Papa Francisco \u00e9 antes de tudo uma opera\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria e as pessoas est\u00e3o muito sens\u00edveis a esta interven\u00e7\u00e3o do Papa, que fez tamb\u00e9m uma grande oferta pessoal. E devo dizer que tamb\u00e9m a Europa contribuiu com uma certa generosidade. Sem sombra de d\u00favida, houve um aumento da aten\u00e7\u00e3o para esta \u00e1rea. \u00c9 preciso tamb\u00e9m dizer que, por raz\u00f5es pol\u00edticas, n\u00e3o est\u00e1 na moda falar da Ucr\u00e2nia, porque esta \u00e9 uma terra que piorou, digamos, as dificuldades existentes entre Estados Unidos e Europa, por um lado, e R\u00fassia, por outro, colocando ambos em xeque. E portanto falar disto, \u00e9 como falar dos pr\u00f3prios fracassos. E eu n\u00e3o acredito que este sil\u00eancio seja totalmente espont\u00e2neo: no sentido de que a Ucr\u00e2nia, que evidentemente orbitava na \u00e1rea da Federa\u00e7\u00e3o Russa, decidiu, tamb\u00e9m por press\u00e3o &#8211; sem sombra de d\u00favida da comunidade internacional &#8211; de voltar-se para a Europa e Estados Unidos. Houve o fen\u00f4meno Maidan, houve portanto \u201cde fato\u201d uma separa\u00e7\u00e3o da R\u00fassia com toda a reca\u00edda do ponto de vista econ\u00f4mico. Mas por outro lado, por v\u00e1rias raz\u00f5es &#8211; o que seria demorado explicar &#8211; o Ocidente n\u00e3o ocupou o lugar da R\u00fassia para tentar tornar \u00e1gil a vida das pessoas daqui. Por isto, neste momento, a Ucr\u00e2nia perdeu em todos os fronts. Um elemento que d\u00e1 uma ideia \u00e9 que o sal\u00e1rio, que antes de Maidan era de 100, hoje \u00e9 de 25 como valor. Portanto, ao problema da guerra, se soma um aumento da pobreza geral da popula\u00e7\u00e3o em toda a Ucr\u00e2nia. E o risco \u00e9 que, se esta situa\u00e7\u00e3o n\u00e3o desbloquear, possa nascer uma guerra entre os pobres\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: R\u00e1dio Vaticano<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No leste da Ucr\u00e2nia, n\u00e3o obstante o cessar-fogo alcan\u00e7ado em 2015 com o Acordo de Minsk, continuam os combates.\u00a0 Torna-se cada vez mais dif\u00edcil a situa\u00e7\u00e3o humanit\u00e1ria, sobretudo para as faixas mais vulner\u00e1veis da popula\u00e7\u00e3o. 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