{"id":1683,"date":"2012-04-24T18:38:16","date_gmt":"2012-04-24T21:38:16","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-crise-da-gallileia\/"},"modified":"2017-03-21T09:43:50","modified_gmt":"2017-03-21T12:43:50","slug":"a-crise-da-gallileia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-crise-da-gallileia\/","title":{"rendered":"A Crise da Gallil\u00e9ia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"images\/stories\/convidigal3.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Escribas e fariseus e outros elementos de diversas classes sempre mereceram de Jesus suas censuras, sobretudo porque o Filho de Deus pregava a miseric\u00f3rdia. Sua m\u00e3o direita\u00a0 se ergueu vigorosa quando foram pronunciados os sete ais, recriminando as atitudes incoerentes daqueles, n\u00e3o disseminavam o amor, mas o rigorismo da lei, apresentando uma falsa id\u00e9ia do Deus-amor (Mt 23,13-29). Ele pregava a observ\u00e2ncia dos mandamentos, n\u00e3o por temor de uma justi\u00e7a implac\u00e1vel, mas por dile\u00e7\u00e3o e com total sinceridade do cora\u00e7\u00e3o. Tudo realizado n\u00e3o por palavras, mas pelas a\u00e7\u00f5es. Desejava uma caridade abrangente sem discrimina\u00e7\u00e3o seja qual fosse a posi\u00e7\u00e3o social de cada um. Deu um exemplo magn\u00edfico, mostrando que Ele viera para servir e n\u00e3o para ser servido. Muitos o seguiam, mas tamb\u00e9m ele percebia que in\u00fameros O abandonavam. Ele sabia inclusive que seus ap\u00f3stolos, com exce\u00e7\u00e3o de Jo\u00e3o, n\u00e3o estariam junto dele no Calv\u00e1rio. Alguns biblistas comentam que Cristo, sentido-se abandonado, na antevis\u00e3o inclusive de sua dolorosa Paix\u00e3o e Morte, passou, enquanto homem pela chamada crise da Galil\u00e9ia, quando chegaram ao auge as artimanhas contra Ele. Sua miss\u00e3o, possivelmente, ca\u00edra num conflito na Galil\u00e9ia. Alguns epis\u00f3dios apontam\u00a0 que, na sua regi\u00e3o,\u00a0 surgira uma mais acintosa recusa. Sua estada em Jerusal\u00e9m\u00a0 seria, ent\u00e3o,\u00a0 como o final da prega\u00e7\u00e3o de suas mensagens. Quando se p\u00f4s a caminho, Ele j\u00e1 antevia o a dramaticidade do que ocorreria no G\u00f3lgota. L\u00e1 o abandono que sentiria era o\u00a0 \u00e1pice de uma crise que, como Redentor da humanidade, teria que sofrer. Suas palavras na Cruz s\u00e3o sumamente elucidativas: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste (Mt 27,46). Misterioso sil\u00eancio envolveria a colina da morte. Ap\u00f3s o alvoro\u00e7o sanguin\u00e1rio da turba infrene reinaria certa estupefa\u00e7\u00e3o na pra\u00e7a da amargura. Nuvens negras avolumar-se-iam-se no firmamento. A natureza recriminaria o homem por tanta crueldade. O vento sibilaria e, como que, gemendo, partilhando a dor de Jesus. A m\u00e1quina do universo\u00a0 iria como que ficar fora de seu ritmo normal. O terror apoderar-se-ia de quantos estariam em derredor da Cruz.. Enquanto homem, Ele haveria de perceber a maior ang\u00fastia moral jamais vista no mundo. Um abandono espantoso o afligiria. Misteriosas palavras. que exprimem um queixume nunca que tal registrado nos anais dos povos, num timbre de pavor imenso, no auge de uma tristeza infinda, de amargor profundo, do imo de ser, do mais rec\u00f4ndito de sua alma, soariam, quebrando o sil\u00eancio, palavras que mais do outro mundo pareceriam ser. O Evangelista registraria o fato: L\u00e1 pela hora nona, Jesus deu um grande grito: Eli, Eli, lam\u00e1 sabacht\u00e1ni, isto \u00e9, Deus meu, Deus meu por que me abandonaste? ( Mt 27,46) Misteriosa reclama\u00e7\u00e3o de Jesus que nem os maiores te\u00f3logos, nem os mais admir\u00e1veis m\u00edsticos, nem os santos mais eminentes lograram jamais decifrar.. Tr\u00e1gica exclama\u00e7\u00e3o no meio da escurid\u00e3o que envolveria o Verbo de Deus ao pronunci\u00e1-la. Que frase jamais jorrou dos l\u00e1bios do Redentor de tamanha veem\u00eancia? Por que tanto abandono? Clamores de um Deus s\u00f3 podiam ter eco nele mesmo. No alto de uma Cruz os apelos de Jesus nem em Deus encontrariam resson\u00e2ncia. Ao contemplar a terra Cristo, entre dores agudas, veria ingratid\u00f5es, desprezo, punhos cerrados e\u00a0 at\u00e9 o C\u00e9u o desampararia. Isto aconteceria exatamente no mais cerrado da tempestade! \u00d3 paradoxo! O Filho querido iria morrer sem que o siguisse, ao menos, um leve conforto do Pai! Sombras da morte, trevas espessas, desarrimo cruel, profundamente cruel mesmo! Os poetas procuram descrever o choque forte do agitado mar do amor ao se romper o dique do afeto. Esfor\u00e7o baldado. Apenas quem experimentou tal desilus\u00e3o \u00e9 capaz de compreender o que isto significa, mas nunca sentir\u00e1 o que se passou com Jesus ao manifestar o desapoio em que se encontrou no alto do Madeiro.\u00a0 Espinho para o cora\u00e7\u00e3o, fel amargo, depress\u00e3o mortal. Podemos reunir todas as m\u00e1goas de todas as despedidas, de todas as separa\u00e7\u00f5es, o pranto amaro perante todos os t\u00famulos, no dia da morte\u00a0 do ente amado, tudo isto \u00e9 fr\u00e1gil vislumbre da ang\u00fastia imensa que invadiria Jesus crucificado. Nada deteria a avalanche da desola\u00e7\u00e3o. Pavor inconceb\u00edvel. Caos espantoso. Abismo insond\u00e1vel de pena. Trevas congeladas o envolveriam. Deus meu, Deus meu, porque me abandonaste?Palavras capazes de fazer abalar toda a terra. Seria o clamor da humanidade do Salvador imerso em oceano de dor profunda. Como J\u00f3, Jesus poderia dizer ao Pai: Tu te tornaste meu verdugo(J\u00f3 30,21) e como Davi: Puseste-me no fundo da cova, em meio a trevas nos abismos; tua c\u00f3lera pesa sobre mim, tu derramas tuas vagas todas( Sl 88 ( 87),7-8). Seria o tormento supremo. Algo de horr\u00edpilo se interporia entre sua humanidade e sua divindade. Sua amargura seria infinita, porque infinito seria o amor que lhe escaparia, infinito o bem que pareceria ter desmerecido, infinita a beatitude extinta. Jesus teria a\u00ed a sensa\u00e7\u00e3o da pena eterna.\u00a0 Ali\u00e1s, Cristo veria com um s\u00f3 olhar o desenrolar da Hist\u00f3ria. Todas as faltas do g\u00eanero humano, todas as recusas das almas \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es de seu amor. A aus\u00eancia de Deus nos cora\u00e7\u00f5es seria ent\u00e3o ali reparada, mas por entre ang\u00fastias inenarr\u00e1veis.. Ali Cristo contemplaria os homens insens\u00edveis, imersos em desgra\u00e7as, porque n\u00e3o tomariam conhecimento de uma presen\u00e7a inef\u00e1vel de Deus, o que deveria orient\u00e1-los, mas, o que era mais doloroso, nem mesmo a consci\u00eancia desta terr\u00edvel aus\u00eancia, o que os deveria atemorizar. Eis a\u00ed o cerne da crise da Galil\u00e9ia que o aproximar de sua Paix\u00e3o muito atormentou o Salvador. Antes, por\u00e9m, de morrer ela se entregaria placidamente nas m\u00e3os do Pai: Em tuas m\u00e3os entrego o meu esp\u00edrito (Lc 23,46). Bel\u00edssima li\u00e7\u00e3o de confian\u00e7a!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">* Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escribas e fariseus e outros elementos de diversas classes sempre mereceram de Jesus suas censuras, sobretudo porque o Filho de Deus pregava a miseric\u00f3rdia. 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