{"id":16796,"date":"2016-08-05T11:58:10","date_gmt":"2016-08-05T14:58:10","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/08\/05\/viver-em-deus\/"},"modified":"2017-05-08T09:51:14","modified_gmt":"2017-05-08T12:51:14","slug":"viver-em-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/viver-em-deus\/","title":{"rendered":"Viver em Deus"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o in\u00fameros os textos de not\u00e1veis mestres da espiritualidade sobre o valor da consci\u00eancia que o crist\u00e3o deve ter da presen\u00e7a de Deus. Doutrina esta bem fundamentada no discurso de S\u00e3o Paulo no Are\u00f3pago de Atenas: \u201cNele vivemos, nos movemos e existimos\u201d (Atos 17,28). Al\u00e9m disto, para quem vive na gra\u00e7a santificante, h\u00e1 uma uni\u00e3o especial com a divindade, conforme as\u00a0 palavras de Cristo: \u201cSe algu\u00e9m me ama, meu Pai o amar\u00e1, viremos a Ele e faremos nele nossa morada\u201d (Jo 14,23). De tudo isto resulta, sobretudo para quem tem f\u00e9, uma concep\u00e7\u00e3o da vida inteiramente ordenada para o Senhor de tudo. Deus est\u00e1 por toda parte e n\u00e3o \u00e9 limitado por nada, habitando dentro do cora\u00e7\u00e3o que participa de sua vida divina. Por sua transcend\u00eancia Ele n\u00e3o se confunde com suas criaturas, as quais s\u00e3o finitas, contingentes, ou seja, existem, mas poderiam n\u00e3o existir. Ele \u00e9 o Criador de tudo e tudo Ele conhece, pois dele deriva o que existe. \u00c9 infinito e eterno, dado que nele a ess\u00eancia se confunde com a exist\u00eancia.\u00a0 Ele mesmo afian\u00e7ou a Mois\u00e9s: \u201cEu sou aquele que sou\u201d (\u00cax 3, 14). Ele \u00e9 Aquele\u00a0 que existe\u00a0 por ess\u00eancia. Por tudo isto Deus deve ser a \u00edntima ocupa\u00e7\u00e3o do esp\u00edrito humano. Um s\u00f3 fim, um s\u00f3 objeto, um s\u00f3 desejo a envolver todas as a\u00e7\u00f5es, isto \u00e9, o cumprimento exato da vontade divina. Todas as afei\u00e7\u00f5es necessitam ent\u00e3o estarem concentradas nele. Todos os amores do ser racional referentes aos parentes, aos amigos, aos benfeitores passam a existir somente em Deus a quem se dedica um amor muito maior que est\u00e1 acima de todas as coisas.\u00a0 Deste modo, o crist\u00e3o se torna livre de uma multid\u00e3o de cuidados, de inquieta\u00e7\u00f5es, de preocupa\u00e7\u00f5es. Da\u00ed a s\u00e1bia orienta\u00e7\u00e3o de Santo Agostino: \u201cAma e faze o que quiseres. Se te calas, cala-te movido pelo amor; se falas alto, fala por amor; se corriges, corrige por amor; se perdoas, perdoa por amor. Tem no fundo do cora\u00e7\u00e3o a raiz do amor, dessa raiz n\u00e3o pode sair sen\u00e3o o bem\u201d. Esta \u00e9 a felicidade de quem se acha imerso na dire\u00e7\u00e3o de Deus no qual pensa continuamente, expl\u00edcita ou implicitamente, uma vez que o crist\u00e3o tem assim sempre a reta inten\u00e7\u00e3o de tudo fazer em fun\u00e7\u00e3o do Ser Supremo. Deste modo, os pr\u00f3prios interesses pessoais ficam sujeitos unicamente ao servi\u00e7o de Deus e ao bem do pr\u00f3ximo. A alma se deixa desta maneira se conduzir apenas pelos valores superiores em consequ\u00eancia de\u00a0 sua uni\u00e3o com o seu Senhor. Esta atitude n\u00e3o \u00e9 privil\u00e9gio dos grandes m\u00edsticos e s\u00e3o in\u00fameros os fi\u00e9is que procuram cultivar este sublime ideal de viver ininterruptamente em Deus. A exist\u00eancia do fiel vai\u00a0 se estruturando dentro de um fluir cont\u00ednuo segundo o ritmo vari\u00e1vel de acordo com as inspira\u00e7\u00f5es divinas. Trata-se de um amadurecimento espiritual de quem, apartado de todo pecado, luta por vencer as pr\u00f3prias imperfei\u00e7\u00f5es porque muito ama a Deus. Uma sadia austeridade faz ent\u00e3o parte irrenunci\u00e1vel de tudo que pratica. A dile\u00e7\u00e3o espont\u00e2nea ao Criador se desdobra naturalmente\u00a0 no servi\u00e7o amoroso prestado aos outros. O eu fechado na ambi\u00e7\u00e3o desaparece e o fiel, ao inv\u00e9s de procurar sua vantagem pessoal, almeja apenas agradar a Deus, oferecendo o dom de si mesmo ao pr\u00f3ximo. O\u00a0 te\u00f3logo Tullo Goffi mostrou que \u201co ser criado pode crescer no amor quando se acha capacitado para aproximar-se de maior conformidade com a vida divina. Quem amadurece para o amor oblativo demonstra ter sido objeto do amor criado do Senhor\u201d. Isto \u00e9 fruto da a\u00e7\u00e3o divina, pois \u201co amor foi derramado\u00a0 em nossos cora\u00e7\u00f5es por obra do Esp\u00edrito Santo que nos foi dado\u201d (Rm 5,5). Cumpre, contudo, a verdadeira intimidade com Deus, explorando esta realidade\u00a0 que \u00e9 Ele dentro do cora\u00e7\u00e3o de quem de fato o ama. As grandes almas v\u00e3o aos poucos conhecendo um abandono total \u00e0 gra\u00e7a a ponto de se deixarem transformar inteiramente por ela, permanecendo cingida a Deus .Ele ent\u00e3o\u00a0 vai ocupando todos\u00a0 os espa\u00e7os dentro de cada um. Todos os pensamentos e todas as afei\u00e7\u00f5es se tornam simples e terminam neste Deus, oceano de amor. Tudo se transforma em ora\u00e7\u00e3o.\u00a0 Como bem observou o Pe. Grou, quer o fiel\u00a0 esteja lendo ou falando, quer ocupado no seu trabalho ou nos seus afazeres dom\u00e9sticos,\u00a0 ele sente que \u00e9 menos ele que age, mas Deus que age nele e por ele. * Professor no Semin\u00e1rio de Mariana durante 40 anos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e3o in\u00fameros os textos de not\u00e1veis mestres da espiritualidade sobre o valor da consci\u00eancia que o crist\u00e3o deve ter da presen\u00e7a de Deus. Doutrina esta bem fundamentada no discurso de S\u00e3o Paulo no Are\u00f3pago de Atenas: \u201cNele vivemos, nos movemos e existimos\u201d (Atos 17,28). Al\u00e9m disto, para quem vive na gra\u00e7a santificante, h\u00e1 uma uni\u00e3o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[9],"tags":[],"class_list":["post-16796","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-artigos"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16796","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/7"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16796"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16796\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21404,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16796\/revisions\/21404"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16796"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16796"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16796"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}