{"id":16656,"date":"2016-08-01T13:10:28","date_gmt":"2016-08-01T16:10:28","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/08\/01\/a-guerra-das-possibilidades\/"},"modified":"2017-05-08T10:00:16","modified_gmt":"2017-05-08T13:00:16","slug":"a-guerra-das-possibilidades","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-guerra-das-possibilidades\/","title":{"rendered":"A guerra das possibilidades"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Se analisarmos com frieza a hist\u00f3ria da humanidade, descobriremos uma surpreendente revela\u00e7\u00e3o: ela nos \u00e9 contada de guerra em guerra. Todas suas maiores conquistas fluem de sangrentos combates e ardilosas disputas entre povos, tribos ou mesmo indiv\u00edduos. A evolu\u00e7\u00e3o se deu \u00e0 custa de muitas lutas e entre hist\u00f3ricas guerras. Jogos ol\u00edmpicos sempre existiram como instrumentos de medi\u00e7\u00e3o de for\u00e7as e supremacia. O pante\u00e3o do Olimpo n\u00e3o era \u00fanica e exclusivamente aquela montanha grega a abrigar os maiores deuses das batalhas humanas, mas tinha ali um bom exemplo da aguerrida filosofia que o mundo herdou como princ\u00edpio de sobreviv\u00eancia. Diria Plat\u00e3o: \u201cs\u00f3 os mortos conhecem o fim da guerra\u201d.<br \/> Assim sendo, uma afirmativa atribu\u00edda ao papa, nesta conturbada semana de frios atentados \u00e0 vida (inclusive a um padre franc\u00eas friamente degolado enquanto celebrava a Eucaristia) constata o que muitos j\u00e1 perceberam: uma terceira guerra est\u00e1 em curso. S\u00f3 que fragmentada e terrivelmente aterradora, pois nunca se sabe qual o pr\u00f3ximo alvo e de que forma se dar\u00e1. Estamos em guerra. A pior de todas, pois o inimigo n\u00e3o tem cara, nem nome, nem motiva\u00e7\u00e3o plaus\u00edvel. Aqui e ali, o terrorismo prova sua covardia ao atacar indiscriminadamente pessoas e comunidades e justificar seus atos como \u201cpurifica\u00e7\u00e3o\u201d das cren\u00e7as humanas. Isso tem outro nome: ignor\u00e2ncia. Quem, em nome de uma f\u00e9, pratica a viol\u00eancia, ou perdeu-se no labirinto de uma espiritualidade demon\u00edaca ou nunca experimentou o verdadeiro amor que a f\u00e9 proporciona. Esconde-se na covardia das pr\u00f3prias frustra\u00e7\u00f5es.<br \/> A f\u00e9 nunca pode ser atribu\u00edda a elementos vazios de sensibilidade para com a vida. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 ela a primeira motivadora da espiritualidade humana. F\u00e9 e vida caminham juntas. Qualquer atributo de espiritualidade prov\u00e9m da gratid\u00e3o e do respeito que se d\u00e1 \u00e0 vida, nunca \u00e0s a\u00e7\u00f5es contrarias a ela. Portanto, nenhum movimento e atitude contr\u00e1rios \u00e0 defesa incondicional da vida pode se considerar princ\u00edpio de f\u00e9. <br \/> A raiz desses conflitos \u00e9 muito mais de cunho s\u00f3cio econ\u00f4mico do que frutos de uma aparente defesa de f\u00e9. Esse pano de fundo vem da aus\u00eancia de possibilidades entre ra\u00e7as, povos e na\u00e7\u00f5es hist\u00f3rica e culturalmente desiguais. Uns com muito e outros sem nada. Alguns muito \u00e0 frente em suas conquistas e outros \u00e0 m\u00edngua com seus desafios. O contraste entre classes sociais, entre culturas d\u00edspares e entre na\u00e7\u00f5es estruturalmente desenvolvidas frente a outras desmilinguidas do b\u00e1sico, provoca conflitos. Estes a inveja \u2013 muitas vezes negada com justificativas culturais ou mesmo religiosas \u2013 que \u00e9 o estopim primeiro de qualquer ato de viol\u00eancia e guerra. N\u00e3o existiriam guerras se as possibilidades humanas se equiparassem um pouco mais. Se houvesse no planeta uma cultura sem fronteiras, sem fanatismo, sem ideologias, sem disputas, a hist\u00f3ria seria outra. Essa \u00e9 a raiz da \u00e1rvore que est\u00e1 crescendo e fazendo sombras ao convalido esp\u00edrito de fraternidade humana. O diagn\u00f3stico est\u00e1 feito: a guerra a\u00ed est\u00e1. Todavia, nem por isso a esperan\u00e7a vai morrer. Nessa catarse de conflitos resta a possibilidade de se deflagrar outra guerra, mais humana e justa, aquela que esquecemos no ba\u00fa do conformismo e do materialismo exacerbado, ou seja, o bom combate da f\u00e9. Quando a humanidade se der conta do valor dessa arma, que nos ensina a olhar o outro com mais compaix\u00e3o, solidariedade e humanismo; que n\u00e3o v\u00ea ra\u00e7a, cor ou credo, mas a ess\u00eancia de um igual nas lutas e esperan\u00e7as cotidianas, quem sabe, descubramos juntos a alegria de viver. Quem sabe, n\u00e3o possamos concluir essa viagem terrena e repetir como Paulo: \u201cCombati o bom combate, guardei minha f\u00e9\u201d&#8230; Essa \u00e9 a \u00fanica possibilidade de uma verdadeira guerra santa.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se analisarmos com frieza a hist\u00f3ria da humanidade, descobriremos uma surpreendente revela\u00e7\u00e3o: ela nos \u00e9 contada de guerra em guerra. Todas suas maiores conquistas fluem de sangrentos combates e ardilosas disputas entre povos, tribos ou mesmo indiv\u00edduos. A evolu\u00e7\u00e3o se deu \u00e0 custa de muitas lutas e entre hist\u00f3ricas guerras. 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