{"id":16442,"date":"2016-07-21T16:01:14","date_gmt":"2016-07-21T19:01:14","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/07\/21\/por-que-esconder-nossas-emocoes\/"},"modified":"2017-05-31T09:57:27","modified_gmt":"2017-05-31T12:57:27","slug":"por-que-esconder-nossas-emocoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/por-que-esconder-nossas-emocoes\/","title":{"rendered":"Por que esconder nossas emo\u00e7\u00f5es?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.catolicanet.com.br\/images\/stories\/noticias\/couple4.jpg\" border=\"0\" align=\"left\" \/>Pouco depois que meu marido e eu nos casamos, sentamos em um restaurante perto de um casal de meia-idade. Eles eram de boa apar\u00eancia, parecia que estavam bebendo vinho e mal disseram duas palavras um para o outro<\/p>\n<p>\u201cQuando \u00e9ramos crian\u00e7as, costum\u00e1vamos pensar que quando cresc\u00eassemos n\u00e3o ser\u00edamos mais vulner\u00e1veis. Mas crescer \u00e9 aceitar a vulnerabilidade. Estar vivo \u00e9 ser vulner\u00e1vel\u201d \u2013 Madeleine L\u2019Engle<\/p>\n<p>Eles pareciam entediados, solit\u00e1rios e, para ser honesao: miser\u00e1veis. \u201cEu espero que n\u00f3s nunca acabemos assim\u201d, sussurrei para David, que me cutucou e riu. Mas a cena me fez refletir \u2013 e se n\u00f3s acabarmos assim depois de 10 anos juntos?<\/p>\n<p>Com certeza, nos encontrar\u00edamos no sof\u00e1 do escrit\u00f3rio de um terapeuta, tentando descobrir como se comunicar melhor. Nos primeiros 10 anos do nosso casamento tivemos alegrias, mas tamb\u00e9m tivemos sofrimento e uma longa lista de desafios, incluindo perda de emprego, uma luta de sete anos para adotar uma crian\u00e7a e uma luta contra o c\u00e2ncer. No meio dessas crises \u2013 que foram cheias de grandes e assustadoras emo\u00e7\u00f5es \u2013 n\u00f3s acabamos nos afastando, e est\u00e1vamos come\u00e7ando a se ressentir um com o outro.<\/p>\n<p>Depois de uma particularmente grande luta, durante uma viagem de visita \u00e0 casa da minha fam\u00edlia no Natal, n\u00f3s dois sab\u00edamos que era hora de buscar ajuda. N\u00f3s n\u00e3o quer\u00edamos fazer parte da estat\u00edstica de 42% dos casamentos que terminam em div\u00f3rcio. Fizemos um compromisso quando nos casamos, e n\u00f3s \u00edamos fazer tudo que estivesse ao nosso alcance para mant\u00ea-lo.<\/p>\n<p>\u201cEstamos com medo que algu\u00e9m diga \u2018isso \u00e9 rid\u00edculo\u2019 ou \u2018isso n\u00e3o conta\u2019\u201d, diz Stephanie Whitman, uma terapeuta de casamento e fam\u00edlia em Chicago. \u201cIsso coloca voc\u00ea em uma posi\u00e7\u00e3o muito vulner\u00e1vel quando est\u00e1 falando sobre suas emo\u00e7\u00f5es\u201d.<\/p>\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, a falta de vulnerabilidade n\u00e3o apenas danifica nossas rela\u00e7\u00f5es, pode danificar nossas almas. O autor Parker Palmer escreve em seu livro A Hidden Wholeness: The Journey Toward an Undivided Life: \u201cCom medo de que nossa luz interior seja extinta ou a nossa escurid\u00e3o interior exposta, escondemos nossas verdadeiras identidades um do outro. No processo, ficamos separados de nossas pr\u00f3prias almas\u201d. Quando recusamos reconhecer nossos sentimentos aos nossos parceiros, e at\u00e9 a n\u00f3s mesmos, n\u00e3o estamos vivendo plenamente. Se n\u00e3o corrermos o risco de ser vulner\u00e1veis, nunca saberemos a alegria de um relacionamento profundo e \u00edntimo.<\/p>\n<p>Diverg\u00eancia<\/p>\n<p>Durante as primeiras semanas e meses de um relacionamento, parece imposs\u00edvel que voc\u00ea e seu parceiro nunca ir\u00e3o se sentir desconectados e se afastar\u00e3o. Voc\u00ea n\u00e3o pode sequer imaginar um dia que n\u00e3o compartilhar\u00e1 todos os detalhes excitantes e mundanos da vida. Mas, ent\u00e3o, a vida real acontece.<\/p>\n<p>Eu aprendi rapidamente que David e eu est\u00e1vamos longe de ser o \u00fanico casal passando por isso. Casamentos bem sucedidos na apar\u00eancia muitas vezes n\u00e3o s\u00e3o muito mais do que duas pessoas de sucesso fazendo de forma independente as suas pr\u00f3prias coisas. Elas n\u00e3o s\u00e3o mais \u201cengajados emocionalmente\u201d, e elas n\u00e3o s\u00e3o parceiros de vida, ou mesmo amigos.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, eu n\u00e3o fiquei surpresa ao descobrir em uma pesquisa recente de terapeutas que os problemas de comunica\u00e7\u00e3o s\u00e3o a causa n\u00famero 1 do div\u00f3rcio. Quando os casais descartam estes problemas, em vez de lidar com eles, podem se afastar tanto que criam um \u201cmuro\u201d entre eles \u2013 um termo usado pelo psic\u00f3logo e terapeuta John Gottman, que descreve quando dois c\u00f4njuges se recusam a se comunicar. Felizmente David e eu percebemos o problema antes de chegar a um ponto sem volta, mas muitos casais n\u00e3o percebem.<\/p>\n<p>Janiel Ruiz, uma terapeuta de Chicago que ajuda os clientes a usar t\u00e9cnicas de corpo\/mente de psicoterapia e espiritualidade, explicou-me que esta \u00e9, muitas vezes, a queda do casamento. Quando os casais param de compartilhar suas emo\u00e7\u00f5es, eles come\u00e7am a se sentir distantes e ansiosos para preencher seu espa\u00e7o emocional com outras coisas: talvez um v\u00edcio, um caso extraconjugal ou trabalhar demais. \u201cN\u00f3s temos essas rela\u00e7\u00f5es superficiais, onde do lado de fora parecemos satisfeitos, mas no interior n\u00e3o estamos emocionalmente satisfeitos porque n\u00e3o estamos conectados\u201d, acrescenta ela.<\/p>\n<p>H\u00e1 muitas raz\u00f5es pelas quais os casais param de se comunicar, mas o medo de ser emocionalmente vulner\u00e1vel \u00e9 um dos maiores. Quando nos permitimos ser vulner\u00e1veis, isso significa que estamos arriscando nos machucar. Quando se fala de um sentimento profundo e seu parceiro n\u00e3o o reconhece, ou o ignora, ou o rejeita, d\u00f3i. Assim, voc\u00ea evita se abrir emocionalmente, porque o medo da rejei\u00e7\u00e3o \u00e9 muito doloroso. E se os seus sentimentos n\u00e3o foram reconhecidos ou validados quando crian\u00e7a, torna ainda mais assustador se abrir. Parafraseando o psic\u00f3logo ingl\u00eas Donald Winnicott, o que mais n\u00f3s mais tememos \u00e9 o que j\u00e1 nos aconteceu.<\/p>\n<p>Olhar para a minha f\u00e9 pessoal me ajudou a entender melhor esse conceito. Tenho ficado impressionada pela forma como Maria disse \u201csim\u201d ao convite de Deus, e ao faz\u00ea-lo, tornou-se a m\u00e3e de Cristo. Ent\u00e3o, muitas vezes, eu me fecho para Deus e outras pessoas porque estou com medo \u2013 mas o exemplo de Maria me ensinou que ser aberto e vulner\u00e1vel na minha vida e no casamento est\u00e1 abrindo a porta para algo divino acontecer.<\/p>\n<p>\u201cA coisa mais adulta que podemos fazer um para o outro \u00e9 ouvir e deixar a outra pessoa saber que voc\u00ea entende o que ela est\u00e1 dizendo. Voc\u00ea n\u00e3o tem que concordar o tempo todo. Mas voc\u00ea tem que deix\u00e1-la saber que voc\u00ea \u00e9 capaz de ouvir e entender o que ela est\u00e1 dizendo\u201d. <\/p>\n<p>Na terapia, David e eu percebemos que ao longo de todas as lutas em nosso casamento, n\u00f3s t\u00ednhamos parado de dizer um ao outro como nos sent\u00edamos e paramos de ouvir como o outro se sentia. As emo\u00e7\u00f5es eram muito grandes. Os sentimentos eram demasiado assustadores. Ent\u00e3o, esses sentimentos foram enterrados profundamente dentro de n\u00f3s, onde foram fermentados em ressentimento e raiva. Quando aprendemos a realmente reconhecer esses sentimentos, e comunic\u00e1-los ao outro, come\u00e7amos a ouvir um ao outro e nosso casamento come\u00e7ou a se curar.<\/p>\n<p>Mudar a dire\u00e7\u00e3o\u2026 lentamente<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, como vamos evitar o \u201cdesvio\u201d em nossos relacionamentos e viver plenamente? Como podemos superar a grande barreira emocional que nos faz sentir solit\u00e1rios e isolados? \u201cPodemos come\u00e7ar apenas falando sobre como foi o seu dia\u201d, diz Ruiz.<br \/>David e eu sempre t\u00ednhamos o h\u00e1bito de perguntar, \u201ccomo foi seu dia?\u201d, na mesa de jantar. Mas muitas vezes parava a\u00ed mesmo. \u201cEssa pergunta simples \u00e9 uma tentativa de conex\u00e3o, mas a fim de realmente se conectar, \u00e9 preciso ir mais fundo do que apenas aquela simples pergunta. \u00c9 importante n\u00e3o apenas falar sobre os acontecimentos do dia, mas tamb\u00e9m como eles fizeram voc\u00ea se sentir\u201d, diz Ruiz.<\/p>\n<p>Eu posso reconhecer quando David teve um dia ruim. Ele responde \u00e0 pergunta com um suspiro, e balan\u00e7a a cabe\u00e7a. Agora, eu vejo isso como um sinal e procuro saber mais sobre como ele se sente sobre o que aconteceu.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 importante dizer ao seu parceiro o que voc\u00ea sentiu quando eles compartilharam algo sobre o seu dia. Algo como: \u201cEu estou realmente orgulhoso de como voc\u00ea lidou com essa situa\u00e7\u00e3o no trabalho\u201d. Ou \u201cEstou grata por voc\u00ea ter passado um tempo com nossa filha hoje, voc\u00ea \u00e9 um grande pai para ela\u201d.<\/p>\n<p>\u201cVoc\u00ea est\u00e1 compartilhando sobre o seu dia, mas voc\u00ea tamb\u00e9m est\u00e1 preenchendo toda essa lacuna\u201d, diz Ruiz. \u201cO casal come\u00e7a a ter um movimento emocional onde eles n\u00e3o apenas est\u00e3o comunicando o que aconteceu e o que est\u00e1 acontecendo, mas tamb\u00e9m se conectando atrav\u00e9s da partilha e dizendo \u2018\u00e9 assim que me sinto sobre voc\u00ea\u2019\u201d.<\/p>\n<p>Aprender a falar tudo de novo<\/p>\n<p>Quando voc\u00ea est\u00e1 em um relacionamento com um ente querido, n\u00e3o conseguir o que quer dessa pessoa \u00e9 devastador. T\u00e3o devastador que muitas vezes n\u00e3o consegue explicar por que voc\u00ea est\u00e1 magoado com ela. Torna-se um c\u00edrculo vicioso. Logo voc\u00ea cria um ressentimento e para de conversar com ela. Em vez de realmente falar sobre o sentimento, voc\u00ea come\u00e7a a culpar a outra pessoa.<\/p>\n<p>Pare de culpar a outra pessoa, aconselha Whitman, e comece a olhar para si mesmo. O que \u00e9 que voc\u00ea est\u00e1 sentindo? Quando voc\u00ea ouve a emo\u00e7\u00e3o da outra pessoa \u2013 como voc\u00ea vai responder a isso?<\/p>\n<p>E certifique-se de falar um com o outro como sujeito. Quando voc\u00ea inicia uma conversa com \u201cvoc\u00ea\u201d, pode ser um sinal de que voc\u00ea est\u00e1 culpando a outra pessoa e n\u00e3o assumindo a responsabilidade por seus sentimentos.<\/p>\n<p>Quando as pessoas deixam e apontar o dedo para o outro, o c\u00f4njuge fica automaticamente feliz, diz Whitman. <\/p>\n<p>Nos dias de hoje, quando jantamos sozinhos, sem a nossa filha, n\u00f3s temos muito para falar. E quando estamos em sil\u00eancio, o sil\u00eancio n\u00e3o \u00e9 de t\u00e9dio, ou ressentimento, ou separa\u00e7\u00e3o. \u00c9 o sil\u00eancio de duas pessoas que sofreram e que lutaram por seu casamento e est\u00e3o sentadas agradecidas por ter um ao outro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fonte: Aleteia<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pouco depois que meu marido e eu nos casamos, sentamos em um restaurante perto de um casal de meia-idade. Eles eram de boa apar\u00eancia, parecia que estavam bebendo vinho e mal disseram duas palavras um para o outro \u201cQuando \u00e9ramos crian\u00e7as, costum\u00e1vamos pensar que quando cresc\u00eassemos n\u00e3o ser\u00edamos mais vulner\u00e1veis. Mas crescer \u00e9 aceitar a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":16441,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[4],"tags":[],"class_list":["post-16442","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cotidiano"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16442","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=16442"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16442\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25541,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/16442\/revisions\/25541"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media\/16441"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=16442"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=16442"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=16442"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}