{"id":16234,"date":"2016-07-14T11:35:04","date_gmt":"2016-07-14T14:35:04","guid":{"rendered":"http:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/2016\/07\/14\/a-celebracao-da-missa\/"},"modified":"2017-05-08T10:28:17","modified_gmt":"2017-05-08T13:28:17","slug":"a-celebracao-da-missa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/catolicanet.net\/wp-cnet\/a-celebracao-da-missa\/","title":{"rendered":"A Celebra\u00e7\u00e3o da Missa"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Foram muitos envios de mensagens e muitas perguntas que inundaram as redes sociais na semana que passou sobre a maneira como presidir a Missa Latina. No centro das discuss\u00f5es estava uma confer\u00eancia pronunciada pelo Cardeal da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino sobre o voltar-se para o \u201cOriente\u201d a partir do pr\u00f3ximo Advento, esperando o Senhor que vir\u00e1. Creio que tudo j\u00e1 foi esclarecido com a declara\u00e7\u00e3o da Sala de Imprensa da Santa S\u00e9. <br \/>Recentemente, uma declara\u00e7\u00e3o do Cardeal Robert Sarah, Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, n\u00e3o foi bem interpretada, por isso, o Pe. Federico Lombardi, SJ, porta-voz oficial da Santa S\u00e9 prestou alguns esclarecimentos oportunos. Trata-se da Missa ad Orientem (olhando para o Oriente, de costas para a assembleia) que poderia \u2013 a t\u00edtulo de sugest\u00e3o \u2013 ser celebrada a partir do pr\u00f3ximo Advento.<br \/>\u00c0 luz dos dados de que dispomos, abordaremos o assunto neste artigo a fim de ajudar a dissipar as d\u00favidas que possam, eventualmente, ter permanecido nos fi\u00e9is, cl\u00e9rigos ou leigos, de modo especial, visando a nossa Arquidiocese de S\u00e3o Sebasti\u00e3o do Rio de Janeiro.<br \/>Trata-se do seguinte: no dia 7 de julho, na Confer\u00eancia inaugural de Sagrada Liturgia UK 206, em Londres, o Cardeal Sarah disse que \u201c\u00e9 muito importante que voltemos o mais r\u00e1pido poss\u00edvel a uma mesma dire\u00e7\u00e3o, dos sacerdotes e de todos os fi\u00e9is na mesma dire\u00e7\u00e3o: para o oriente ou pelo menos para o tabern\u00e1culo\u201d, como prev\u00ea a forma extraordin\u00e1ria da Missa, nunca abolida, mas autorizada mais amplamente pelo Papa Bento XVI por meio do Motu Proprio Sumorum Pontificum, de 2007.<br \/>No entanto, a coloca\u00e7\u00e3o do Cardeal n\u00e3o \u00e9 uma norma, mas, sim, sugest\u00e3o que, se aceita, deve ser implantada a partir do Primeiro Domingo do Advento (27 de novembro), de forma muito prudente, pastoralmente \u00fatil, sem se esquecer da catequese antecedente. Diz ele: \u201cAssim, queridos sacerdotes, pe\u00e7o-lhes para que implementem essa pr\u00e1tica sempre que poss\u00edvel, com prud\u00eancia e com a catequese necess\u00e1ria, certamente, mas tamb\u00e9m com a confian\u00e7a pastoral de que isso \u00e9 algo bom para a Igreja, algo bom para o nosso povo\u201d. <br \/>A ideia do Cardeal \u00e9 melhor integrar, a pedido do Papa Francisco, as duas formas do mesmo rito romano: a ordin\u00e1ria e a extraordin\u00e1ria. Da\u00ed o tempo do Advento ser prop\u00edcio a isso, pois nos leva a olharmos todos na mesma dire\u00e7\u00e3o, olhando para o Senhor que vem, ou para a sua Cruz, centro de nossa salva\u00e7\u00e3o, que est\u00e1 no Oriente. E acrescenta: \u201cComo Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, desejo recordar que a celebra\u00e7\u00e3o Ad Orientem est\u00e1 autorizada pelas rubricas, que especificam os tempos em que o celebrante deve se virar para o povo. Portanto, n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio ter uma permiss\u00e3o especial para celebrar olhando para o Senhor\u201d. Tal forma de celebrar evitaria tamb\u00e9m que algumas Missas se tornem espet\u00e1culos, que, em vez de louvar a Deus, se pratica um culto humano no qual o Senhor quase nem \u00e9 lembrado. Ora, isso faz com que as pessoas sedentas de Deus se afastem da Igreja.<br \/>Diante das d\u00favidas levantadas, especialmente por pessoas que n\u00e3o entenderam a contento as palavras do Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, a Sala de Imprensa da Santa S\u00e9 emitiu, dia 11 \u00faltimo, o comunicado \u201cAlgumas elucida\u00e7\u00f5es sobre a celebra\u00e7\u00e3o da Missa\u201d, por meio do Pe. Federico Lombardi, SJ, seu porta-voz. Diz a nota, ap\u00f3s recordar as coloca\u00e7\u00f5es do Cardeal Sarah, que \u201c\u00e9 melhor evitar o uso da express\u00e3o \u2018reforma da reforma\u2019, em refer\u00eancia \u00e0 liturgia, dado que, \u00e0s vezes, foi fonte de equ\u00edvocos\u201d.<br \/>Diz ainda o comunicado que o Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino \u201csempre est\u00e1 preocupado justamente pela dignidade da celebra\u00e7\u00e3o da Missa, de modo que se expresse adequadamente a atitude de respeito e adora\u00e7\u00e3o pelo mist\u00e9rio eucar\u00edstico\u201d. Tal zelo, justo e necess\u00e1rio, contudo, n\u00e3o abole as normas relativas \u00e0 Celebra\u00e7\u00e3o Eucar\u00edstica na forma ordin\u00e1ria, conforme assinala o n\u00famero 299 da Instru\u00e7\u00e3o Geral do Missal Romano, no qual se estabelece que se construa o altar afastado da parede, de modo a permitir andar em volta dele facilmente e a celebra\u00e7\u00e3o se possa realizar de frente ao povo, o qual conv\u00e9m que seja poss\u00edvel em todas as partes. Segundo o mesmo, o altar deve ocupar o lugar que seja de verdade o centro para espontaneamente convergir a aten\u00e7\u00e3o de toda a assembleia dos fi\u00e9is.<br \/>Tamb\u00e9m diz a Nota que, \u201cpor sua parte, o Papa Francisco, em ocasi\u00e3o de sua visita ao dicast\u00e9rio do Culto Divino\u201d, que \u00e9 presidido pelo Cardeal Sarah, \u201crecordou expressamente que a forma \u2018ordin\u00e1ria\u2019 da celebra\u00e7\u00e3o da Missa (de frente para o povo) \u00e9 a prevista no Missal promulgado pelo Papa Paulo VI, enquanto que a \u2018extraordin\u00e1ria\u2019, que foi permitida pelo Papa Bento XVI para as finalidades e com as modalidades explicadas por ele no Motu Proprio Summorum Pontificum, n\u00e3o deve, assim, tomar o lugar da \u2018ordin\u00e1ria\u2019\u201d. A forma ordin\u00e1ria e cotidiana da celebra\u00e7\u00e3o da Santa Missa \u00e9 versus populum; a forma Ad Orientem \u00e9 sempre extraordin\u00e1ria e, como lembra o Cardeal Sarah, embora n\u00e3o requeira autoriza\u00e7\u00e3o para ser celebrada, n\u00e3o deve ser feita sem a devida catequese preparat\u00f3ria; e um estudo sobre seu alcance pastoral, onde ela ocorrer. Caso contr\u00e1rio, pode tornar-se um espet\u00e1culo a atrair curiosos presos \u00e0s rubricas, mas n\u00e3o a Deus. Cai-se no erro, que se pretende evitar quando h\u00e1 abusos na forma ordin\u00e1ria, fazendo do detalhe \u2013 e n\u00e3o do Essencial \u2013 o mais importante.<br \/>Tudo isto, conclui o comunicado, \u201cfoi expresso acordemente no curso de uma recente audi\u00eancia concedida pelo Papa ao mesmo Cardeal Prefeito da Congrega\u00e7\u00e3o para o Culto Divino\u201d. Ali\u00e1s, j\u00e1 o Papa Bento XVI, que autorizou mais amplamente a forma extraordin\u00e1ria, declarou que \u201cem termos concretos, a liturgia renovada pelo Vaticano II \u00e9 a forma v\u00e1lida de a Igreja celebrar hoje a liturgia\u201d. (Luz do mundo, 2010, p. 108).<br \/>Devemos, agora, ressaltar, a fim de que n\u00e3o pairem d\u00favidas, que a Missa \u00e9 uma s\u00f3. Ela reapresenta de modo incruento (sem padecimento f\u00edsico) o sacrif\u00edcio de Cristo realizado de modo cruento (com sofrimento f\u00edsico) uma s\u00f3 vez, no Calv\u00e1rio. H\u00e1 sim duas vers\u00f5es latinas do mesmo sacrif\u00edcio da Missa e ambas s\u00e3o igualmente v\u00e1lidas e aceitas pela Igreja, de modo a n\u00e3o ser correto falar, por exemplo, em duas missas diversas entre si. Mesmo porque temos outros ritos, em geral orientais, que ampliam ainda mais esse conceito.<br \/>O pr\u00f3prio Papa Bento XVI, ao tratar do assunto, em 2007, afirmou que \u201cn\u00e3o \u00e9 apropriado falar destas duas vers\u00f5es do Missal Romano como se fossem dois ritos. Trata-se, antes, de um duplo uso do \u00fanico e mesmo rito\u201d. Mais: \u201cEm primeiro lugar, h\u00e1 o temor de que aqui seja afetada a autoridade do Conc\u00edlio Vaticano II e que uma das suas decis\u00f5es essenciais \u2013 a reforma lit\u00fargica \u2013 seja posta em d\u00favida. Tal receio n\u00e3o tem fundamento. A este respeito \u00e9 preciso, antes do mais, afirmar que o Missal publicado por Paulo VI, e reeditado em duas sucessivas edi\u00e7\u00f5es por Jo\u00e3o Paulo II, obviamente \u00e9 e permanece a forma normal \u2013 a Forma ordin\u00e1ria \u2013 da Liturgia Eucar\u00edstica. A \u00faltima vers\u00e3o do Missale Romanum, anterior ao Conc\u00edlio, poder\u00e1 ser, por sua vez, usada como forma extraordin\u00e1ria da Celebra\u00e7\u00e3o Lit\u00fargica\u201d.<br \/>Continua ainda o Santo Padre: \u201cQuanto ao uso do Missal de 1962, como Forma Extraordin\u00e1ria da Liturgia da Missa, quero chamar a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que este Missal nunca foi juridicamente ab-rogado e, consequentemente, em princ\u00edpio, sempre continuou permitido. Na altura da introdu\u00e7\u00e3o do novo Missal, n\u00e3o pareceu necess\u00e1rio emanar normas pr\u00f3prias para um poss\u00edvel uso do Missal anterior\u201d.<br \/>Todavia, importa frisar, com Bento XVI, que abusos quanto ao uso do novo Missal em algumas regi\u00f5es levaram n\u00e3o s\u00f3 reduzidos grupos (ditos tradicionalistas) a apegarem-se ao Missal de S\u00e3o Pio V, como tamb\u00e9m grupos de jovens fi\u00e9is ao Conc\u00edlio Vaticano II que, sem derrogar o Rito Conciliar, pretendiam continuar usando o Missal pr\u00e9-conciliar. Por isso, o Papa Jo\u00e3o Paulo II, pelo Motu Proprio Eclesia Dei, de 2 de julho de 1988, prescreveu algumas normas para o uso do Missal de 1962, recomendando que os Bispos, nas suas respectivas dioceses, dessem aten\u00e7\u00e3o \u00e0s \u201cjustas aspira\u00e7\u00f5es\u201d dos fi\u00e9is que pleiteavam o uso do Rito Romano.<br \/>O documento de S\u00e3o Jo\u00e3o Paulo II ainda deixou d\u00favidas: havia quem temesse que o uso do Missal de S\u00e3o Pio V pusesse em risco as reformas conciliares, deixando n\u00e3o poucos Bispos apreensivos quanto \u00e0s desordens no seio de suas dioceses. Da\u00ed o Papa Bento XVI escrever o Motu Proprio intitulado Summorum Pontificum, para deixar mais \u00e0 vontade aqueles que desejam celebrar segundo o Missal de S\u00e3o Pio V, desde que n\u00e3o menosprezem o valor do Novo Missal, fruto das reformas conciliares. <br \/>Isso posto, real\u00e7a ainda o Papa Bento XVI: \u201cN\u00e3o existe qualquer contradi\u00e7\u00e3o entre uma e outra edi\u00e7\u00e3o do Missale Romanum. Na hist\u00f3ria da Liturgia, h\u00e1 crescimento e progresso, nenhuma ruptura\u201d. Importa, ainda, recordar, na caridade pastoral, o seguinte: \u201cRegular a sagrada liturgia compete \u00e0 Santa S\u00e9 e segundo as normas do Direito ao Bispo diocesano e Assembleias ou Confer\u00eancias Episcopais: por isso, ningu\u00e9m mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar, seja o que for em mat\u00e9ria lit\u00fargica\u201d. (Sacrossanctum Concilium n. 22).<br \/>Mais: \u201cNa qualidade de Pont\u00edfice respons\u00e1vel pelo Culto divino na Igreja particular, o Bispo deve regular, promover e custodiar toda a vida lit\u00fargica da Diocese\u201d (Congrega\u00e7\u00e3o para os Bispos, ApS n.154). Disso decorre que a comunh\u00e3o com o Bispo \u00e9 condi\u00e7\u00e3o para que seja leg\u00edtima uma celebra\u00e7\u00e3o no territ\u00f3rio de sua diocese (cf. Christus Dominus, n. 15; Sacrossanctum Concilium, n. 39; Bento XVI. Sacramentum Caritatis, n. 39), de forma a se recha\u00e7ar, como ileg\u00edtimas, todas as improvisa\u00e7\u00f5es e\/ou abusos na celebra\u00e7\u00e3o da Santa Missa. Esta, bem celebrada, na sua forma ordin\u00e1ria, sempre atrai o Povo de Deus para o culto divino bem entendido e participado. O importante, acima de tudo, \u00e9 celebrar o culto a Deus e evangelizar as pessoas, dando um testemunho cred\u00edvel do Evangelho, n\u00e3o criando divis\u00f5es que n\u00e3o existem e evitando tudo aquilo que pode levar \u00e0 confus\u00e3o dos fi\u00e9is. Que todos n\u00f3s possamos reafirmar que o modo ordin\u00e1rio da celebra\u00e7\u00e3o da Santa Missa \u00e9 o que cotidianamente se celebra em quase a totalidade das par\u00f3quias de nossa Arquidiocese e que, qualquer exce\u00e7\u00e3o, dever\u00e1 ser dentro do que pede o direito universal e as normas da Arquidiocese do Rio de Janeiro, lembrando, acima de tudo, que mais do que discuss\u00f5es de rubricas, devemos viver o esp\u00edrito da Santa Eucaristia, que \u00e9 sempre sacramento de comunh\u00e3o e de alimento salutar de vida eterna.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foram muitos envios de mensagens e muitas perguntas que inundaram as redes sociais na semana que passou sobre a maneira como presidir a Missa Latina. 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